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	<title>Papeando Com a Psicologia</title>
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	<description>Temas Do Cotidiano!</description>
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		<title>Papeando Com a Psicologia</title>
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		<title>A Importância da Autonomia</title>
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		<pubDate>Sun, 27 Nov 2011 20:46:53 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Grupo Papeando</dc:creator>
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		<description><![CDATA[&#8220;Édipo&#8221; por Jean Dominique Ingres (1780-1867) *Por Holgonsi Soares &#8220;Se quisermos ser livres, ninguém deve poder dizer-nos o que devemos pensar&#8221; (Castoriadis). Anthony Giddens, ao trabalhar as principais questões do debate ideológico contemporâneo, coloca-nos como central o conceito de &#8220;sociedade pós-tradicional&#8221;, ou seja, aquela na qual o homem é obrigado a abdicar da rigidez das [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=grupopapeando.wordpress.com&amp;blog=5350779&amp;post=3639&amp;subd=grupopapeando&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align:center;"><a href="http://grupopapeando.files.wordpress.com/2011/11/edipo-e-a-esfinge_jean-dominique-ingres1.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-3695" title="Edipo e a Esfinge_Jean Dominique Ingres" src="http://grupopapeando.files.wordpress.com/2011/11/edipo-e-a-esfinge_jean-dominique-ingres1.jpg?w=780" alt=""   /></a>&#8220;<em>Édipo</em>&#8221; por Jean Dominique Ingres (1780-1867)</p>
<p style="text-align:right;"><strong>*Por <a href="http://www.angelfire.com/sk/holgonsi/" target="_blank">Holgonsi Soares</a></strong></p>
<p style="text-align:justify;">&#8220;Se quisermos ser livres, ninguém deve poder dizer-nos o que devemos pensar&#8221; (Castoriadis).</p>
<p style="text-align:justify;">Anthony Giddens, ao trabalhar as principais questões do debate ideológico contemporâneo, coloca-nos como central o conceito de &#8220;sociedade pós-tradicional&#8221;, ou seja, aquela na qual o homem é obrigado a abdicar da rigidez das idéias, atitudes e tipos de comportamentos fundamentados no sistema de valores tradicionais. Esta é a sociedade na qual estamos vivendo, e cujas características são mais evidentes de acordo com a intensificação do processo de globalização. Como é da natureza da História, cada contexto histórico concreto coloca suas condições de sobrevivência. A vinte anos atrás, quando a hierarquia estava em alta exigia-se obediência cega, humildade e concordância. Hoje porém, na sociedade pós-tradicional, exige-se o oposto, e a autonomia é condição básica para conviver com os riscos, as incertezas e os conflitos dessa sociedade.<span id="more-3639"></span></p>
<p style="text-align:justify;">Inicialmente foi no mundo da produção, quando a racionalidade tecnológica colocou como pré-requisitos o domínio do conhecimento, a capacidade de decidir, de processar e selecionar informações, a criatividade e a iniciativa. Somente um indivíduo autônomo consegue manejar com estes elementos, que diferenciam radicalmente a fábrica pós-fordista da fordista. Porém ao mesmo tempo que estes pré-requisitos pressupõem indivíduos autônomos, acabam influenciando no desenvolvimento da autonomia dos mesmos. Dessa forma, a autonomia tornou-se uma necessidade material; mas não está mais restrita apenas à esfera da produção, e envolve agora todos os domínios da vida contemporânea.</p>
<p style="text-align:justify;">Assim, é também uma necessidade emocional, uma vez que os indivíduos precisam desenvolver uma efetiva comunicação entre si, numa sociedade em que o diálogo molda a política e as atividades. A falta de autonomia no âmbito psicológico, obstaculiza as discussões abertas, gera violência e impede a manifestação plural; como diz a cientista social A&#8217;gnes Heller, &#8220;é uma afronta a autonomia do Outro&#8221;. Portanto a autonomia psicológica é necessária para se entrar em efetiva comunicação com o Outro, num diálogo que ocupa um espaço público no qual &#8220;todas as facções discutem entre si numa relação simetricamente recíproca&#8221;(Heller), livres do uso da coerção e da retórica.</p>
<p style="text-align:justify;">É uma necessidade sócio-cultural, uma vez que a nova sociedade traz, em suas contradições produtivas um amplo movimento cultural de superação de velhas concepções de mundo, exigindo uma nova direção das relações sociais e a elaboração de um novo comportamento chamado &#8220;reflexivo&#8221;. Sob este aspecto, a autonomia torna-se necessidade política pois somente um indivíduo autônomo possui condições de entender as contradições do mundo globalizado, questionando-as e agindo no sentido de canalizar as oportunidades para mudanças qualitativas.</p>
<p style="text-align:justify;">Por tudo isso a autonomia tornou-se condição de sobrevivência para os indivíduos na sociedade pós-tradicional. Somente um indivíduo autônomo terá sucesso nas esferas econômica, psicológica, sócio-cultural e/ou política, pois é um indivíduo que interroga, reflete e delibera com liberdade e responsabilidade, ou como diz Castoriadis, &#8220;é capaz de uma atividade refletida própria&#8221;,e não de uma atividade que foi pensada por outro sem a sua participação. Espero que todos os envolvidos com o processo educativo (formal e informal) reconheçam a importância da mesma, e estejam trabalhando para favorecer a autonomia individual e consequentemente coletiva, pois é assim que nos tornaremos &#8220;conscientes e autores de nosso próprio evolver histórico&#8221; (Castoriadis).</p>
<p style="text-align:justify;"><strong>*Holgonsi Soares é Prof. Ass. Depto. De Sociologia e Política da Universidade Federal de Snata Maria (UFSM/RS)</strong></p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/grupopapeando.wordpress.com/3639/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/grupopapeando.wordpress.com/3639/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/grupopapeando.wordpress.com/3639/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/grupopapeando.wordpress.com/3639/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/grupopapeando.wordpress.com/3639/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/grupopapeando.wordpress.com/3639/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/grupopapeando.wordpress.com/3639/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/grupopapeando.wordpress.com/3639/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/grupopapeando.wordpress.com/3639/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/grupopapeando.wordpress.com/3639/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/grupopapeando.wordpress.com/3639/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/grupopapeando.wordpress.com/3639/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/grupopapeando.wordpress.com/3639/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/grupopapeando.wordpress.com/3639/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=grupopapeando.wordpress.com&amp;blog=5350779&amp;post=3639&amp;subd=grupopapeando&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>A Biologia da Escolha</title>
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		<pubDate>Sun, 27 Nov 2011 20:46:34 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Grupo Papeando</dc:creator>
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			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align:center;"><a href="http://grupopapeando.files.wordpress.com/2011/11/roy-batty_digital-art-by-aandrea-barbieri3.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-3698" title="Roy Batty_Digital Art by Aandrea Barbieri" src="http://grupopapeando.files.wordpress.com/2011/11/roy-batty_digital-art-by-aandrea-barbieri3.jpg?w=780" alt=""   /></a>&#8220;Roy Batty&#8221;, Digital Art por <a href="http://fineartamerica.com/profiles/andrea-barbieri.html" target="_blank">Andrea Barbieri</a></p>
<p style="text-align:right;"><strong>*Por Christof Koch e Kerstin Preuschoff</strong></p>
<p style="text-align:justify;">Antes de executarmos um movimento, temos – mesmo sem perceber – a intenção de fazê-lo. Neurocirurgiões já conseguiram despertá-la artificialmente! Ao estimularem determinadas regiões do cérebro, demonstram o poder da “vontade neuronal”. Certamente você já se questionou por que razão fez (ou deixou de fazer) determinada coisa ou por que escolheu esta ou aquela alternativa em uma situação complicada. Afinal, até que ponto realmente podemos escolher? O que define nosso livre-arbítrio &#8211; e que parte do cérebro é responsável pela tomada de decisões conscientes?<span id="more-3622"></span></p>
<p style="text-align:justify;">Uma das tradicionais respostas é que isso não é função do cérebro, mas da mente. Essa visão dualista &#8211; aqui o corpo, lá a alma -, no entanto, não passa por uma prova científica. A maioria dos pesquisadores trabalha com fenômenos que podem ser observados e mensurados, como as sensações subjetivas que as pessoas têm enquanto agem voluntariamente. Os dois componentes mais importantes dessa experiência são chamados pelos especialistas em consciência de intenção e autoria.</p>
<p style="text-align:justify;">Antes de executarmos uma ação voluntariamente, temos consciência do que pretendemos. Assim, decidimos, por exemplo, levantar a mão esquerda e pegar um copo de água antes de planejarmos e executarmos a ação. Nesse momento, sentimo-nos subjetivamente autores do gesto: temos claramente a sensação de que nós mesmos controlamos o movimento. Se um amigo pegasse nosso braço e o esticasse para cima, nós também sentiríamos os músculos se esticarem &#8211; mas não nos sentiríamos responsáveis pela ação.</p>
<p style="text-align:justify;"><strong>Do Desejo ao Ato</strong></p>
<p style="text-align:justify;">Para evitar mal-entendidos: nos darmos conta da intenção ou da autoria não explica se nossa vontade é realmente livre ou se nós apenas estamos sujeitos à ilusão de que ela o é. O fato de que esses sentimentos subjetivos e superficiais são tão reais quanto tudo o que vivemos diariamente é decisivo! E como as ilusões de óptica nos mostram, por exemplo, nossas impressões do mundo podem ser facilmente manipuladas. O mesmo ocorre com as impressões sobre intenção e autoria.</p>
<p style="text-align:justify;">Grande número de experimentos psicológicos comprova que as pessoas subestimam ou superestimam intensamente sua própria participação de acordo com a situação. Assim, o presidente de uma empresa pode aceitar com prazer o reconhecimento (e o bónus financeiro) se elevar o valor das ações de sua organização &#8211; mas, inversamente, responsabilizaras turbulências incontroláveis do mercado se a cotação da bolsa cair. Em geral, eventos positivos fazem com que as pessoas supervalorizem sua participação.</p>
<p style="text-align:justify;">Neurocirurgiões conseguiram manipular também o sentimento de intenção. Em algumas operações do cérebro, os médicos precisam extirpartecidos, por exemplo, porque estão tomados por um tumor ou acessos epiléticos têm sua origem ali. Decidir a porção de massa cerebral que será retirada é difícil e arriscado: ou o especialista deixa áreas prejudiciais de tecido canceroso ou ele retira regiões essenciais para a fala ou outras funções importantes.</p>
<p style="text-align:justify;">Para testar qual a utilidade do tecido em torno do ponto operado, os médicos o estimulam com finos eletrodos. Enquanto isso, o paciente-que está anestesiado apenas no local &#8211; deve realizar diversas tarefas, como tocar cada um dos dedos sequencialmente com o polegar, contar de trás para frente ou relatar suas sensações subjetivas. Durante um desses procedimentos, o neurocirurgião Itzhak Fried, pesquisador da Universidade da Califórnia em Los Angeles, fez em 1991 uma descoberta surpreendente. Ele examinou um paciente que havia recebido implantes de eletrodos no lobo frontal e parietal para um diagnóstico mais exato de seus acessos convulsivos. Fried estava especialmente interessado na área motora suplementar (AMS) &#8211; região cerebral na frente do córtex motor primário na qual os movimentos do corpo se iniciam.</p>
<p style="text-align:justify;">Estímulos elétricos nesse local normalmente levam a simples espasmos involuntários dos braços, pés ou pernas. Os pequenos choques na AMS previamente conectada também tinham, conforme esperado, o mesmo efeito. No entanto, às vezes eles desencadeavam uma sequência inteira de movimentos, como empurrar algo com a mão ou segurar um objeto imaginário. Isso confirmou a suposição de que os Yieurônios dessa região cerebral participam da preparação e do início de sequências de movimentos complexos.</p>
<p style="text-align:justify;">Mas foi ainda mais interessante o que aconteceu quando Fried e sua equipe estimularam regiões da parte anterior da área motora suplementar: isso fez com que alguns pacientes sentissem o impulso de mover uma parte do corpo. Um paciente relatou durante o experimento que sentia &#8220;necessidade de esticar o braço direito&#8221; ou, durante o estímulo de outro ponto, o &#8220;forte desejo de girar a perna&#8221;.</p>
<p style="text-align:justify;">Em 2009, Michel Desmurget e seus colegas do Centro de Neurociências Cognitivas em Bron, na França, conseguiram manipular da mesma forma a vontade de seus pacientes. Dessa vez, os pesquisadores estimularam a parte posterior do lobo parietal, localizado no córtex parietal. Os neurônios ali participam da transformação de informações visuais em comandos motores &#8211; por exemplo, fixar os olhos quando vemos algo interessante.</p>
<p style="text-align:justify;">Se a área era estimulada eletricamente, os pacientes faziam comentários como &#8220;Eu me senti como se quisesse mover meu pé, mas não sei como posso descrever essa sensação&#8221;. Ou tinham &#8220;uma necessidade interna de rolar a língua na boca&#8221;. Em nenhum desses casos eles realmente executaram o movimento &#8211; diferente do estudo anterior de Itzhak Fried, que só precisou aumentar a tensão do eletrodo para que a necessidade se transformasse em uma ação motora concreta. O que aprendemos com isso? Que aparentemente o cérebro possui caminhos específicos que desencadeiam a vontade consciente de realizar um movimento. É preciso reconhecer que ainda tateamos em uma área nebulosa com esses experimentos &#8211; não é possível controlar qual ação corporal as pessoas querem (ou irão) realizar exatamente. Mas um dia talvez possamos limitar isso precisamente, identificando os correlates neuronais para a experiência de intenção e autoria. ™e*</p>
<p style="text-align:justify;"><strong>Arrependimento: uma conquista da evolução</strong></p>
<p style="text-align:justify;">Do ponto de vista neurobiológico, o arrependimento por ter tomado uma decisão errada &#8211; capacidade adquirida ainda na pré-história &#8211; está associado à preservação da espécie. Embora seja desagradável, esse sentimento tem enorme importância, já que deveríamos tirar dele lições e, assim, correr menos riscos de sofrer decepções quando novamente precisarmos fazer escolhas no futuro. Os mais habilidosos para tomar decisões contariam com uma espécie de &#8220;superioridade evolutiva&#8221;, teriam maiores chances de viver mais, de forma saudável e, consequentemente, transmitir seus genes. Hoje, numerosos estudos mostram que pessoas com lesão no lobo órbito-frontal encontram grande dificuldade para tomar decisões que as beneficiem e, por isso, tendem a perder o emprego, são incapazes de manter relações pessoais estáveis e fazem repetidamente investimentos financeiros desastrosos. Porém, essa anomalia não resulta de falta de conhecimento, criatividade ou inteligência.</p>
<p style="text-align:justify;">Segundo o neurocientista António Damásio, professor de psicologia e neurologia da Universidade da Califórnia do Sul em Los Angeles, o problema está relacionado a um déficit emocional. Esses pacientes seriam incapazes de produzir &#8220;marcadores somáticos&#8221;, isto é, reações emocionais manifestadas quando antecipamos uma decisão, as quais nos previnem dos resultados prováveis da escolha que nos preparamos para fazer (por exemplo, o desconforto que sentimos diante da ideia de repreender severamente um amigo).</p>
<p style="text-align:justify;">Estudos feitos pela neuropsicóloga Angela Sirigu em parceria com o neuroeconomista Ciorgio Coricelli e Nathalie Camille, então do Centro Nacional de Pesquisa Científica (CNRS), nos Estados Unidos, sugerem que o arrependimento constitui um marcador somático controlado primeiramente pelo córtex órbito-frontal &#8211; daí lesões nessa região acarretarem consequências tão específicas. Essa área teria se tornado muito importante por conduzir todas as situações de escolha, produzindo os &#8220;arrependimentos antecipados&#8221;. Daí essa sensação desconfortável, uma espécie de &#8220;efeito secundário&#8221; de nossa capacidade de fazer escolhas. Inversamente, as pessoas incapazes de se arrepender tomam decisões que com frequência lhes trazem dificuldades.</p>
<p style="text-align:justify;"><strong>Palpite, hesitação ou certeza?</strong></p>
<p style="text-align:justify;">Jogos e apostas realizados com base em conhecimentos dos quais ainda não estamos conscientes podem ter ótimos resultados, mostram estudos.</p>
<p style="text-align:justify;">É inegável que muitas de nossas ações se passam fora do alcance da consciência: se ajustamos a postura corporal durante uma conversa ou se nos apaixonamos por determinada pessoa, em geral não temos ideia de exatamente por que – ou como &#8211; fazemos essas escolhas. Para a maioria delas encontramos explicações superficiais (&#8220;fico mais confortável nessa posição&#8221; ou &#8220;gosto do meu noivo&#8221;, por exemplo). Por baixo dessas justificativas, porém, pode haver muitos mistérios.</p>
<p style="text-align:justify;">A noção freudiana de que a maior parte de nossa vida mental é inconsciente é difícil de ser estabelecida de maneira rigorosa &#8211; mas se nos dispusermos a observar nossos comportamentos será ainda mais complicado negar essa influência de uma instância pouco conhecida dentro de nós. Algumas das certezas que cultivamos podem não resistir a um questionamento mais atento. Um exemplo simples: &#8220;Ao acionar um interruptor, você conscientemente viu a luz se acender?&#8221;. Embora pareça fácil responder à pergunta, mais de um século de pesquisas mostrou que não é bem assim. O problema-chave aqui é definir a consciência de tal forma que seja possível medi-la de maneira independente do estado interno do cérebro, ao mesmo tempo que &#8220;captamos&#8221; seu caráter subjetivo.</p>
<p style="text-align:justify;">Um experimento comum no campo do estudo da consciência se baseia na avaliação do grau de confiança naquilo que percebemos ou pensamos. No teste, um voluntário tem de julgar se uma nuvem de pontos numa tela de computador se move para a esquerda ou para a direita. Ele em seguida relata quão confiante se sente assinalando um número &#8211; por exemplo, 1 para indicar puro palpite, 2 para alguma hesitação e 3 para certeza completa. Esse procedimento mostra que quando o participante tem pouca percepção da direção do movimento dos pontos sua confiança é baixa, mas quando &#8220;vê&#8221; claramente o movimento sua segurança é alta.</p>
<p style="text-align:justify;">Um relatório apresentado pelos pesquisadores Navindra Persaud, da Universidade de Toronto, e Peter McLeod e Alan Cowey, da Universidade de Oxford, introduz uma medida mais objetiva da consciência: o desejo de ganhar dinheiro. Esse método foi adaptado da economia, em que é usado para avaliar a crença a respeito do resultado provável de um evento. Aqueles que acreditam na informação que têm se mostram dispostos a apostar nela. Isto é, aceitam pagar para ver. Pense no investimento em fundos mútuos. Quanto mais certo você estiver de que a alta tecnologia vai render bem no ano seguinte, mais dinheiro alocará para um fundo destinado a esse setor.</p>
<p style="text-align:justify;">Persaud e seus colegas usam esse tipo de aposta para revelar a consciência &#8211; ou a falta dela. Em seus experimentos, os participantes não declaram confiança na percepção de maneira direita. Em vez disso, primeiro tomam uma decisão com base naquilo que perceberam e então apostam uma quantia em seu grau de confiança na própria decisão. Se a escolha se mostra correia, o voluntário ganha o dinheiro; caso contrário, perde. A estratégia ideal é apostar sempre que se sinta seguro. As experiências aplicam essa técnica de apostas para três exemplos do processamento não consciente.</p>
<p style="text-align:justify;">O primeiro é sobre o paciente C.Y. Devido a um acidente de carro que danificou áreas no seu cérebro responsáveis pelo processamento visual, ele tem o que se costuma chamar de &#8220;visão cega&#8221;. Essa condição o deixa com a capacidade não consciente de localizar uma luz ou relatar a direção na qual uma barra colocada numa tela de computador está se movendo, embora ele negue ter a experiência visual &#8211; C. Y. insiste que está apenas chutando.</p>
<p style="text-align:justify;">O paciente pode indicar a presença ou ausência de uma rede fraca e pequena em 70% de todos os testes, bem mais do que uma chance média (50%). Apesar disso, ele falha em converter esse desempenho superior em dinheiro quando está apostando; coloca quantias altas em menos da metade de suas escolhas corretas. Quando está ciente do estímulo, C. Y. aposta alto &#8211; exatamente o que qualquer pessoa faria. Suas apostas parecem espelhar a percepção consciente que tem do estímulo (isto é, a crença de que ele o viu) em vez de sua detecção real (inconsciente) do estímulo. Isso sugere que as apostas podem servir como meio de medir a consciência.</p>
<p style="text-align:justify;">No segundo experimento, participantes aprendem um pequeno número de poucas letras em uma &#8220;gramática artificial&#8221;. São informados de que as sequências obedecem a uma única regra (por exemplo: todo &#8220;x&#8221; é seguido por um &#8220;a&#8221;). Mas não lhes é dito qual é a regra. Quando vêem uma nova sequência, os participantes podem com frequência determinar de maneira correta se esta segue a regra desconhecida. Ainda assim, os voluntários apenas raramente a expressam porque ficam em dúvida se a sequência obedece ou não à regra. A taxa geral de classificação correta (81%) é bem melhor do que o acaso. Ainda assim os participantes não convertem esse desempenho em dinheiro. Apostas altas são seguidas por uma escolha correta em 45% do tempo e uma opção equivocada em 32% dos casos. Em resumo, os participantes do estudo normalmente acertam a sequência que segue a regra, mas não têm confiança suficiente para apostar nisso.</p>
<p style="text-align:justify;">No experimento final, chamado &#8220;a tarefa de aposta de lowa&#8221;, as pessoas pegam a carta do alto de um de quatro baralhos. Cada lâmina faz com que ganhem ou percam certo valor em dinheiro. Sem que elas saibam, dois dos quatro baralhos têm um rendimento líquido positivo e dois, negativo. Os participantes precisam realizar uma aposta na carta escolhida antes que ela seja revelada &#8211; e perder ou ganhar de acordo com isso. No teste, os participantes desviravam um grande número de cartas, uma por uma, descobrindo a cada vez se iam ganhar ou perder. Eles quase sempre descobriam quais baralhos eram ganhadores e começavam a puxar cartas na maior parte das vezes &#8211; mas normalmente desviravam ao menos 30 cartas nesses baralhos antes de ganhar a confiança para apostar de forma agressiva nos resultados. Isto é, as pessoas só começavam a ganhar dinheiro muito depois do momento em que seu próprio comportamento deveria ter revelado que sabiam quais baralhos eram vencedores.</p>
<p style="text-align:justify;">Para explorar essa hesitação, Persaud e seus colegas usaram uma variação desse experimento na qual interrogavam os participantes periodicamente em relação a tudo que estes sabiam sobre o jogo e os baralhos. Quando os participantes examinavam assim seu conhecimento do jogo, o intervalo entre o início da escolha do baralho positivo e as apostas vantajosas desaparecia, sugerindo que o ato de introspecção altera a percepção dos participantes. Examinar o próprio conhecimento os tornou mais conscientes do que eles sabiam. Essa descoberta indica que apostas feitas com base em conhecimentos dos quais ainda não se está consciente &#8211; podem ter melhores resultados, uma demonstração da utilidade da máxima &#8220;conhece-te a ti mesmo&#8221; da filosofia ocidental.</p>
<p style="text-align:justify;">As técnicas de apostas usadas por Persaud, McLeod e Cowey dependem da capacidade intuitiva de fazer boas escolhas &#8211; e, nesse caso específico, obter lucros. Em comparação com a tática de forçar participantes a se tornar cientes de sua própria consciência &#8211; e nesse processo interferir no próprio fenómeno que se deseja medir-, as apostas representam uma forma mais sutil de avaliar a percepção, mostrando-se uma nova maneira mais lúdica &#8211; e reveladora &#8211; de estudar a percepção e os processos de tomada de decisão. Desses passos, aparentemente pequenos, surgem possibilidades para ampliar a compreensão de como a consciência surge da experiência.</p>
<p style="text-align:justify;"><strong>*Christof Koch é professor de biologia e engenharia do Instituto de Tecnologia da Califórnia em Pasadena. Kerstin Preuschoff é neurocientista, pós-doutorada em teoria da decisão.</strong></p>
<p style="text-align:justify;"><strong>FONTE: Revista <a href="http://www2.uol.com.br/vivermente/" target="_blank">Viver Mente &amp; Cérebro</a></strong></p>
<p style="text-align:right;"><strong><br />
</strong></p>
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			<media:title type="html">Grupo Papeando</media:title>
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			<media:title type="html">Roy Batty_Digital Art by Aandrea Barbieri</media:title>
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		<title>A Construção da Felicidade (Escolhas Cotidianas)</title>
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		<pubDate>Sun, 27 Nov 2011 20:44:41 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Grupo Papeando</dc:creator>
				<category><![CDATA[...Escolha]]></category>
		<category><![CDATA[Autonomia]]></category>
		<category><![CDATA[Bem-Estar]]></category>
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		<category><![CDATA[Marcadores Somáticos]]></category>
		<category><![CDATA[Memória Emocional]]></category>

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		<description><![CDATA[&#8220;Jane Eyre&#8221; por Richard Redgrave (1804-1888) Psicólogos estudam como as pessoas podem moldar o próprio bem-estar voltando a atenção aos marcadores somáticos e investindo nas “pequenas alegrias” – a despeito dos contratempos que inevitavelmente enfrentamos. Às vezes, pequenos detalhes têm conseqüências de grande extensão. Por exemplo, eu devo à ausência de um coelho de chocolate [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=grupopapeando.wordpress.com&amp;blog=5350779&amp;post=3629&amp;subd=grupopapeando&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align:center;"><a href="http://grupopapeando.files.wordpress.com/2011/11/jane-eyre_richard-redgrave.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-3631" title="Jane Eyre_Richard Redgrave" src="http://grupopapeando.files.wordpress.com/2011/11/jane-eyre_richard-redgrave.jpg?w=780" alt=""   /></a>&#8220;<em>Jane Eyre</em>&#8221; por Richard Redgrave (1804-1888)</p>
<p style="text-align:justify;">Psicólogos estudam como as pessoas podem moldar o próprio bem-estar voltando a atenção aos marcadores somáticos e investindo nas “pequenas alegrias” – a despeito dos contratempos que inevitavelmente enfrentamos. Às vezes, pequenos detalhes têm conseqüências de grande extensão. Por exemplo, eu devo à ausência de um coelho de chocolate o fato de não dirigir mais um Alfa Romeo. Explico: eu sempre fiquei satisfeita com o trabalho de um mecânico que trabalhava na oficina da Alfa Romeo. Um dia, soube que ele pedira demissão. “Por quê?”, perguntei, curiosa. “Mudou o proprietário da empresa e o clima não é mais o mesmo. As pessoas já não se sentem bem.” “Mas o que está diferente agora?”, eu quis saber. <span id="more-3629"></span></p>
<p style="text-align:justify;">“Difícil dizer. Na verdade, apenas detalhes, coisas que podem até parecer bobagem, mas fazem diferença. Antes, por exemplo, a mulher do dono da oficina sempre colocava um coelho de chocolate na caixa de ferramentas de cada um dos funcionários na época da Páscoa. Pode ser só um gesto de delicadeza, mas nessas horas percebemos que alguém ainda pensa na gente.” Eu podia jurar que a voz daquele homem com quase 50 anos estava trêmula naquele momento. Seja como for, o coelhinho da Páscoa não veio mais, o valioso mecânico foi embora e eu, diante da dificuldade de encontrar uma oficina confiável, próxima à minha casa, terminei comprando um carro novo.</p>
<p style="text-align:justify;">Por trás dessa pequena história, há um importante objeto de pesquisa de psicólogos: a questão sobre como surgem a satisfação e a felicidade. A esperança de inúmeros estudiosos é que, se compreendermos melhor os mecanismos que possibilitam essas sensações, seremos capazes de produzir esse estado de forma objetiva em nós mesmos.</p>
<p style="text-align:justify;">Essa felicidade “artesanal” – que optamos por construir – compreende duas possibilidades que se complementam: o bem-estar atual, imediato, ligado ao momento presente; e o habitual, de longo prazo, que permeia várias instâncias da vida. A primeira forma pode ser descrita como uma experiência intensa de grande alegria. Ela inclui o desejo sexual, assim como todos os outros tipos de prazeres sensuais e vivências flow – ou seja, o mergulho intenso e entrega a uma atividade prazerosa. A sensação de relaxamento quando nos sentamos na varanda, na hora do pôr-do-sol, após um dia duro e produtivo de trabalho, ao lado da pessoa que amamos, colocamos as pernas para cima, ou o frescor estimulante que experimentamos durante um banho em uma cachoeira, também são exemplos de felicidade atual. Em todos esses casos, surge uma sensação agradável que alguns psicólogos chamam de “afeto positivo”. Muitas pessoas já descobriram que conseguem se motivar para realizar tarefas desagradáveis ao antecipar em sua mente a sensação boa que as preencherá após o término bem-sucedido da atividade.</p>
<p style="text-align:justify;">Embora muita gente subestime sistematicamente os detalhes e as pequenas gentilezas, tanto na vida privada quanto na profissional, um meio bastante eficiente para a criação de afetos positivos é a atenção social: um sorriso, um elogio sincero, palavras gentis – ou mesmo um coelhinho de chocolate na Páscoa. O problema é que muitos aprenderam a se relacionar segundo um princípio que lhes parece lógico: “Se eu gosto de você, não preciso lhe dizer. Quando não gostar mais, então eu lhe digo”. Ou segundo um provérbio alemão da Suábia, que corresponderia a afirmar: “Não reclamar é o mesmo que elogiar”. Será mesmo? Essa parece ser a linha, avessa ao reconhecimento do empenho e dos bons resultados, adotada também em inúmeras empresas. No entanto, um bom ambiente de trabalho não surge, por exemplo, só porque se organiza, uma vez por ano, um encontro entre os funcionários, mas é construído muito mais com base em vários pequenos momentos que oferecem vivências de felicidade atual.</p>
<p style="text-align:justify;">O caso do meu mecânico e seu coelho da Páscoa mostra o quão decisivos podem ser esses detalhes que fazem com que a pessoa se sinta vista e valorizada – o que nos faz pensar que poderia ser bastante produtivo que as empresas se preocupassem em manter uma cota de dedicação social. Com um gasto financeiro mínimo já seria possível elevar sensivelmente a satisfação dos trabalhadores e, com isso, o rendimento no trabalho. O mesmo vale para a convivência na família e com o parceiro. Gestos como enfeitar a casa com flores, se permitir uma tarde inteira de pura preguiça ou dividir o planejamento de passeios podem despertar a cumplicidade entre entes queridos – e afetos positivos.</p>
<p style="text-align:justify;">Uma tática bem diferente também pode gerar felicidade atual – e a redução dos afetos negativos: evitar ao máximo tudo o que não faz a pessoa feliz. Pode parecer óbvio, mas nem sempre é fácil e muitos se surpreendem ao perceber que quase sempre é possível fazer mais por si mesmo do que se imagina num primeiro momento.</p>
<p style="text-align:justify;">Nesse sentido, desenvolvemos na Universidade de Zurique um modelo de mini brainstorming, uma pequena “chuva de idéias”. A técnica sempre é utilizada quando uma pessoa não tem nenhuma idéia para solucionar um problema, ou quando já testou todas as suas idéias sem nenhum sucesso. A sugestão é que se aproveite o potencial de outras cabeças. Para isso, propomos que se imagine um cesto, enchendo-o com as sugestões de colegas, amigos e conhecidos. Entre elas, é preciso escolher as idéias mais interessantes.</p>
<p style="text-align:justify;">Para aplicar a “chuva no cesto” a um problema concreto, escreva primeiro detalhadamente que situação, circunstâncias e desencadeador do passado levaram a qual afeto negativo. Por exemplo, no caso de obstáculos criados por colegas de trabalho, contado por um voluntário: “Na reunião de terça-feira, X estragou minha argumentação com uma informação que apresentou na última hora, sem me avisar, em uma atitude que parece ter sido de má-fé. Como ele não entregou seus dados antes da reunião, junto com os outros papéis, não pude preparar nenhuma resposta. Todos ficaram impressionados com o diagrama – mas eu tenho certeza de que ninguém entendeu direito a proposta. Quando vi o seu sorrisinho satisfeito, fiquei com muita raiva. E o que é pior: fiquei totalmente bloqueado. Fora um número impressionante de palavrões, não consegui pensar em mais nada”.</p>
<p style="text-align:justify;"><strong>Cueca de Bolinhas</strong></p>
<p style="text-align:justify;">Sugerimos ao voluntário que anotasse, para seu controle, a intensidade de seus afetos negativos, por exemplo, em uma escala de 0 a 100. Em nosso exemplo, a raiva receberia 70 pontos, e o bloqueio, 95. Em seguida, imaginou o seu cesto de idéias e pediu ao maior número possível de pessoas confiáveis e discretas à sua volta que pensassem em reações adequadas aos truques de X e as anotassem.</p>
<p style="text-align:justify;">A proposta é juntar no cesto as “idéias auxiliares” – quanto mais, melhor. Além disso, é interessante buscar apoio com o maior número possível de grupos sociais diferentes. A pessoa pode pedir opinião não apenas aos colegas mais queridos, mas também a pessoas que exercem atividades bem diversas, como, por exemplo, a professora de seu filho, o pedreiro da casa vizinha – ou até à sua filha de 14 anos. Se não quiser expor detalhes da própria vida, é possível apresentar o caso como uma situação hipotética. Esses cérebros acostumados a lidar com outras áreas de conhecimento, que memorizaram experiências vividas em contextos muito diferentes, produzem freqüentemente soluções mais surpreendentes e prestativas do que as de nossos pares que, em geral, tendem a pensar de forma muito parecida conosco. Alguns se surpreendem com o número (e principalmente com a diversidade) de sugestões que surgem. O próximo passo é escolher entre as opções as ações que mais eficientemente possam reduzir o afeto negativo. Então a pessoa terá opções suficientes para o próximo golpe surpresa de X. Uma possibilidade de lidar com a situação é propor que as novas informações sejam incluídas apenas na próxima reunião e sugerir que, em vez delas, se discuta qual o prazo máximo para que os dados da reunião sejam informados antecipadamente. Outro caminho é preparar os próprios dados e, se necessário, sacá-los rapidamente do bolso. É admissível também enviar um e-mail para X (com cópia para todos os outros participantes) dois dias antes da reunião, solicitando que apresente todos os seus documentos antecipadamente. Cabe, ainda, ter em mente que às vezes simplesmente não vale a pena irritar-se. E, para evitar isso, o melhor é se distanciar internamente e relaxar – seja respirando fundo ou imaginando X de cueca de bolinhas cor-de-rosa, com um focinho de porco, uma pequena molecagem que pode ajudar a pessoa a se preservar e evitar atitudes das quais pode se arrepender depois. Apesar de, sabidamente, ser muito difícil transformar um afeto extremamente negativo em positivo, reduzir o bloqueio mental de 95 para 50 no próximo ataque de X, ou mesmo conseguir olhar para o odiado diagrama de forma relativamente tranqüila, já representa uma boa melhora.</p>
<p style="text-align:justify;"><strong>Só Para Se Agradar</strong></p>
<p style="text-align:justify;">E a felicidade habitual, de longo prazo? Esta se manifesta como satisfação com a vida, em seus variados aspectos (relacionamento afetivo e familiar, amizades, segurança financeira, relações sociais organizadas, vida profissional, uso do tempo de lazer etc.), e depende muito do que é considerado importante para cada pessoa. O sucesso em algum desses aspectos (ou em vários deles), entretanto, não é, por si só, garantia de felicidade. Muitas pessoas vivem o “dilema da insatisfação”: simplesmente não se sentem felizes, apesar de terem boas condições de vida. Nesses casos, o desconforto costuma ter causas mais profundas e, em geral, só um processo psicoterapêutico pode ajudar a pessoa a compreender o que se passa.</p>
<p style="text-align:justify;">Mas o caso inverso também existe, o chamado paradoxo da satisfação – felicidade subjetiva, mesmo em condições adversas. Isso nos leva a questionar até que ponto cada um pode contribuir individualmente para elevar o nível da própria felicidade habitual. Fazer o exercício de “estar presente” na própria vida e desfrutar cada momento como único (algo que de fato é), por exemplo, costuma ser produtivo. Em outras palavras: aproveitar toda oportunidade para se alegrar e desenvolver hábitos que nos tragam pequenos prazeres faz toda a diferença para a qualidade de vida. Para alguns, pode ser muito proveitoso observar o nascer do sol e sentir o aroma do café; para outros, prestar atenção à paisagem ou ouvir uma linda música durante o trajeto até o local de trabalho e desejar “bom dia” aos colegas antes de baixar os e-mails é uma forma agradável de começar as atividades diárias. Há ainda alguns cuidados consigo mesmo que, em geral, trazem bem-estar: após uma ou duas horas de trabalho, quando a concentração diminui, é importante fazer uma pequena pausa; e, pelo menos uma vez por semana, vale a pena comprar algo saboroso ou bonito (mas não necessariamente caro) para si mesmo.</p>
<p style="text-align:justify;">Uma dica: diferente do que aprendemos (e vale para outras áreas da vida), neste caso a quantidade conta sim, e muito. O que importa é o número de pequenos desencadeadores de felicidade que trazemos para nossa vida. Ou seja: de nada adianta um fim de semana maravilhoso se os dias anteriores e os posteriores são extremamente estressantes – e o único reconforto é esperar ansiosamente pela próxima folga.</p>
<p style="text-align:justify;">Por estranho que pareça, ter uma visão extremamente clara do mundo que nos cerca e de nossas limitações nem sempre é sinônimo de saúde. Há um século Freud chamou atenção para um fato curioso: pessoas deprimidas enxergam o mundo de forma mais realista e, portanto, acertam mais ao avaliar seu desempenho e suas chances. Otimistas, por outro lado, tendem mais a viver fora da realidade – mas sempre com um sorriso nos lábios. Isso nos leva a crer que talvez não seja prejudicial manter acesa certa dose de ilusão, embora a felicidade habitual não se baseie apenas na imaginação – ela tem base bastante concreta. Se uma questão fundamental a ser considerada é como podemos realizar da melhor maneira possível nossos desejos, esperanças e expectativas mais importantes, é preciso, antes de mais nada, saber quais são eles. Nesse caso, os chamados marcadores somáticos, sinais da memória emocional, na qual todas as experiências são armazenadas e classificadas. Essa referência mnêmica influi permanentemente sobre os dados captados do ambiente. A capacidade de uma pessoa saber o que é importante e bom para si mesma depende, em grande parte, da atenção que dispensa a essas mensagens enviadas por seus marcadores somáticos, o que ajuda na tomada de decisões fundamentais e a encontrar motivação para concretizar objetivos.</p>
<p style="text-align:justify;"><strong>Sinais do Eu</strong></p>
<p style="text-align:justify;">Marcadores somáticos funcionam como orientadores internos: são percebidos como sensações físicas, sentimentos ou uma mistura dos dois. Embora tenham origem na experiência emocional, sua base é um agrupamento de estruturas cerebrais que memoriza e classifica todos os eventos significativos. Vivências desagradáveis, que devem ser evitadas, produzem marcadores somáticos negativos; já as experiências que provocam prazer geram sinais positivos. No fundo, a memória das experiências emocionais constitui nada mais do que o “eu” de uma pessoa – ou seja, aquilo que a torna um indivíduo e que ela sente como sua essência mais profunda, independentemente de eventuais transformações que enfrente ao longo da vida. Sob condições favoráveis, a pessoa pode atingir um nível habitual de considerável satisfação. Aqueles que desenvolvem autopercepção para registrar conscientemente os sinais de seu eu – seus marcadores somáticos – adquirem maior consciência de si e podem, com isso, estimular ativamente o seu sentimento de bem-estar, independentemente das circunstâncias externas. A longo prazo, só fica satisfeito com sua vida quem tem autonomia para fazer escolhas e arcar com as conseqüências delas, ou seja, determinar as condições para sua própria felicidade, independentemente de opinião alheia, tendências ou modismos.</p>
<p style="text-align:justify;"><strong>FONTE: Revista <a href="http://www2.uol.com.br/vivermente/" target="_blank">Viver Mente &amp; Cérebro</a> </strong></p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/grupopapeando.wordpress.com/3629/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/grupopapeando.wordpress.com/3629/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/grupopapeando.wordpress.com/3629/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/grupopapeando.wordpress.com/3629/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/grupopapeando.wordpress.com/3629/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/grupopapeando.wordpress.com/3629/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/grupopapeando.wordpress.com/3629/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/grupopapeando.wordpress.com/3629/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/grupopapeando.wordpress.com/3629/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/grupopapeando.wordpress.com/3629/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/grupopapeando.wordpress.com/3629/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/grupopapeando.wordpress.com/3629/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/grupopapeando.wordpress.com/3629/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/grupopapeando.wordpress.com/3629/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=grupopapeando.wordpress.com&amp;blog=5350779&amp;post=3629&amp;subd=grupopapeando&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>A Felicidade e o Critério: Escolha Como Virtude</title>
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		<pubDate>Sun, 27 Nov 2011 20:44:38 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Grupo Papeando</dc:creator>
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		<description><![CDATA[&#8220;Eva&#8221; por Anna Lea Merritt (1844-1930) *Por Angelita Corrêa Scardua Segundo os postulados da Psicologia Positiva, haveria 24 “Forças do Caráter” humano. Essas “Forças”, conformadoras das virtudes, seriam traços do caráter individual ou capacidades pessoais pré-existentes necessárias para a constituição das crenças, atitudes e valores positivos favoráveis à felicidade individual e coletiva. Do ponto de [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=grupopapeando.wordpress.com&amp;blog=5350779&amp;post=3634&amp;subd=grupopapeando&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align:center;"><a href="http://grupopapeando.files.wordpress.com/2011/11/eve_anna-lea-merritt.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-3635" title="Eve_Anna Lea Merritt" src="http://grupopapeando.files.wordpress.com/2011/11/eve_anna-lea-merritt.jpg?w=780" alt=""   /></a>&#8220;<em>Eva</em>&#8221; por Anna Lea Merritt (1844-1930)</p>
<p style="text-align:right;"><strong>*Por <a href="http://www.angelitascardua.wordpress.com" target="_blank">Angelita Corrêa Scardua</a></strong></p>
<p style="text-align:justify;">Segundo os postulados da <a href="http://angelitascardua.wordpress.com/sobre-mim/psicologia-positiva/" target="_blank">Psicologia Positiva</a>, haveria 24 “<a href="http://angelitascardua.wordpress.com/forcas-do-carater/" target="_blank">Forças do Caráter</a>” humano. Essas “Forças”, conformadoras das virtudes, seriam traços do caráter individual ou capacidades pessoais pré-existentes necessárias para a constituição das crenças, atitudes e valores positivos favoráveis à felicidade individual e coletiva. Do ponto de vista psicológico, a vivência de uma vida satisfatória e significativa estaria relacionada, portanto, ao fato de sermos capazes de desenvolver tais “Forças do Caráter” e as virtudes advindas disso. Sendo este um ciclo virtuoso: o desenvolvimento dessas forças favorece a expressão das virtudes humanas, e estas conformam aquilo que poderíamos definir como bom caráter.<span id="more-3634"></span></p>
<p style="text-align:justify;">Os pesquisadores Martin Seligman e Christopher Peterson elaboraram um extenso e complexo estudo dedicado a investigar as virtudes humanas numa perspectiva “universal”. Ou seja, esses psicólogos tentaram encontrar elementos comuns a diferentes culturas e povos que poderiam ajudar a identificar as virtudes consideradas essenciais para a vida humana. Os resultados obtidos nesse estudo são surpreendentes, e apontam para fortes indícios de que existem seis virtudes endossadas por praticamente todas as culturas e tradições religiosas conhecidas. São elas:</p>
<p style="text-align:justify;">• Saber e conhecimento<br />
• Coragem<br />
• Amor e humanidade<br />
• Justiça<br />
• Moderação<br />
• Espiritualidade e transcendência</p>
<p style="text-align:justify;">Para a Psicologia Positiva, cada uma dessas seis virtudes é formada por um grupo de forças, totalizando 24 “Forças do Caráter” humano. Dentre as 24 “Forças do Caráter”, há seis que dizem respeito à virtude definida como “Saber e Conhecimento”. Essas seis forças pessoais podem ser compreendidas como caminhos que nos conduzem à demonstração do saber e ao seu ferramental basilar o conhecimento, são elas: Curiosidade, Gosto Pela Aprendizagem, Criatividade, Inteligência Emocional, Perspectiva e Critério. A força Critério está diretamente associada ao desenvolvimento da capacidade de, em qualquer condição, avaliar as informações disponíveis para fazer escolhas. Os estudos sobre felicidade indicam que, dentre os vários fatores importantes para que um indivíduo avalie positivamente a própria vida, o nível de satisfação demonstrado em relação às escolhas que se fez e se faz é essencial.</p>
<p style="text-align:justify;">Nesse sentido, o Critério como “Força do Caráter” assume papel decisivo não apenas na construção do saber e do conhecimento que nos habilitam a fazer escolhas, mas fundamentalmente no favorecimento de uma vida mais feliz. A felicidade advinda do desenvolvimento do Critério como força pessoal, portanto, está diretamente relacionada à capacidade de analisar as questões examinando-as por todos os lados. Psicologicamente falando, tal capacidade seria um aspecto inerente ao fortalecimento do bom caráter, já que conduz a uma postura questionadora frente à tomada de decisões. Isto porque o uso do Critério requer o desenvolvimento do Pensamento Crítico, ou seja, da capacidade de avaliar as situações por prismas diferentes. Esse recurso cognitivo evita conclusões apressadas que, em geral, são fruto de pré-conceitos e estereotipias que nos impedem de considerar pontos de vista distintos dos nossos.</p>
<p style="text-align:justify;">Assim, Critério pode ser entendido como sinônimo de discernimento, pois incorpora a orientação para a realidade objetiva, para a busca de entendimento dos fatos. Essa postura tende a promover uma atitude contrária a que é gerada pelo pensamento maniqueísta, uma vez que este define a priori o que é bom ou mau, certo ou errado. Quando somos criteriosos usamos a Lucidez, um traço saudável tanto do ponto de vista cognitivo quanto emocional, porque nos ajuda a não confundir demasiadamente os próprios desejos e necessidades com os eventos vividos. Distanciar-se da própria perspectiva exige o acolhimento de informações e evidências concretas, sem julgamentos prévios. É isso que caracteriza o Critério, a força que nos permite compreender melhor a dinâmica das motivações que nos levam a agir, sentir e pensar de uma forma ou de outra.</p>
<p style="text-align:justify;">Mas como o Critério poderia ajudar a promover a vivência de Felicidade? Favorecendo a motivação necessária para as mudanças requeridas ao longo da vida. A Lucidez e o Pensamento Crítico característicos da força Critério são as molas propulsoras para a o reconhecimento dos problemas e das oportunidades e, consequentemente, para o acolhimento da necessidade de mudar. A pessoa que avalia e que analisa – que se baseia nos fatos e não nas inferências e suposições –, abre-se para a possibilidade de reconhecimento do próprio erro, do autoengano e da dúvida. Somente quando somos capazes de reconhecer nossas próprias limitações é que aprendemos a ver também nossas potencialidades. Como a limitação só é percebida em comparação à potencialidade, enxergar àquilo que não está funcionando, seja em nós, nos outros ou no ambiente, favorece a predisposição para a mudança.</p>
<p style="text-align:justify;">Ao mesmo tempo, o Critério nos ajuda a reconhecer as qualidades positivas inerentes a cada situação que vivemos. Usando o pensamento crítico e a lucidez, conseguimos divisar o quanto de ganhos físicos, cognitivos e emocionais obtém-se com as práticas e com os recursos de que dispomos. Isso é possível porque ao sermos criteriosos nos damos conta do que podemos realizar com o que temos e do que precisamos desenvolver para melhorar. Para algumas pessoas, o Critério é uma força inerente à própria personalidade, é comum percebermos que há indivíduos mais criteriosos do que outros. Essa diferença entre pessoas quanto ao uso ou não do Critério pode ter origens diversas: culturais, familiares e até mesmo associadas a fatores genéticos. O fato, contudo, é que a Psicologia Positiva advoga que todos podem desenvolver o Critério como força pessoal, independentemente de sermos naturalmente criteriosos ou não. O desenvolvimento e/ou fortalecimento do Critério pode ser propiciado por atitudes como as seguintes:</p>
<p style="text-align:justify;">- Antes de tudo, o bom uso do Critério refere-se ao escrutínio racional e objetivo da informação, tanto a serviço do próprio bem quanto do bem dos outros. Logo, uma coisa que pode nos ajudar a sermos mais lúcidos psicologicamente é tentar ser mais objetivo em relação ao que sentimos e pensamos sobre os outros e sobre nós mesmos. Fazer listas das qualidades e defeitos, seja dos outros ou dos próprios, é um começo para refletir sobre o quão verdadeiro é o julgamento que andamos fazendo das pessoas e de nós mesmos. Para favorecer a imparcialidade, ajuda pedir a outros que façam listas desse tipo sobre as mesmas pessoas que estamos fazendo, incluindo nós mesmos, e depois compará-las.</p>
<p style="text-align:justify;">- Julgamentos equivocados podem destruir relações. A origem disso é a frustração que, em geral, surge porque alimentamos expectativas irreais em relação aos outros. Ou seja, esperamos do outro aquilo que ele não pode, ou não quer, nos dar. Quando somos criteriosos corre-se menor risco de nos frustrarmos, pois aprendemos a não esperar o que não será dado. Um exercício de lucidez para evitar o autoengano nas relações, por exemplo, é o diálogo. Conversar abertamente sobre as expectativas que cada um tem sobre a relação – e não importa se é uma relação erótico-afetiva, de trabalho, familiar ou de amizade – oferece subsídios para uma avaliação pautada mais no real do que na fantasia.</p>
<p style="text-align:justify;">- A experiência real pode tanto destruir sonhos quanto construir experiências muito mais significativas do que a fantasia. A nossa própria vivência pode auxiliar, e muito, na construção de uma perspectiva mais criteriosa das coisas. Como? Ajudando-nos a nos colocarmos no lugar do outro! A Empatia – o recurso psicológico que nos habilita a nos imaginarmos no lugar de outra pessoa – só é possível porque somos capazes de recorrer à nossa experiência pessoal, à nossa memória, para imaginar o que o outro sente numa determinada situação. Quase sempre nos esquecemos de fazer isso e tendemos a julgar os outros sem nos lembrarmos de como pensamos, sentimos e agimos em situações semelhantes a que o outro está vivendo. Usar o próprio repertório vivencial para se colocar no lugar do outro pode, então, fortalecer o Critério.</p>
<p style="text-align:justify;">Desse modo, o Critério como Força do Caráter propicia Felicidade na medida em que fortalece nossa autoconfiança, nos ajudando a confiar mais na nossa capacidade de avaliar e de escolher, o que gera menos frustração. Igualmente, a vivência de Felicidade é potencializada quando somos criteriosos porque tendemos a ser mais tolerantes e justos e, com isso, contribuímos para o nosso bem-estar e daqueles com quem nos relacionamos. Assim, o Critério nos ajuda a comparar as informações e as experiências adquiridas para nos preparar para o momento de fazer escolhas.</p>
<p style="text-align:justify;">Quanto mais realistas forem as avaliações que fazemos do que vivemos, mais nossas escolhas tendem a corresponder às nossas reais necessidades materiais, cognitivas e emocionais. Quando nossas escolhas correspondem às nossas necessidades abrimos espaço para que os potenciais latentes se manifestem, uma vez que eles são indicados por aquilo que realmente desejamos. Quando manifestamos nossos potenciais adicionamos satisfação à vida, pois descobrimos recursos internos que não imaginávamos ter. Quando estamos satisfeitos com a vida aprendemos a reconhecer o valor das escolhas que fazemos, pois adquirimos a habilidade de perceber os prós e os contras de toda experiência vivida.</p>
<p style="text-align:justify;">Quando reconhecemos a importância das nossas escolhas nos responsabilizamos por elas, pois deixamos de atribuir aos eventos externos o poder indiscutível de nos conduzir. Quando nos responsabilizamos pelas escolhas que fazemos ganhamos autonomia, pois reconhecemos o papel do nosso caráter individual na forma como conduzimos a própria vida. Quando conquistamos autonomia nos tornamos um pouco mais seguros quanto ao fato de que dispomos de boa parte dos recursos necessários para vivenciar a felicidade, pois ser feliz tem muito de acreditar que somos agentes das mudanças que desejamos ver no mundo e em nós mesmos.</p>
<p style="text-align:justify;"><strong>*Angelita Corrêa Scardua é coordenadora do Grupo Papeando. Psicóloga, Mestre em Psicologia Social (USP/SP) e Professora.</strong></p>
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		<title>Como ajudar o cérebro a tomar melhores decisões</title>
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		<pubDate>Sun, 27 Nov 2011 20:44:20 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Grupo Papeando</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Cérebro]]></category>
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		<category><![CDATA[Experimentos Científicos]]></category>
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			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align:center;"><a href="http://grupopapeando.files.wordpress.com/2011/11/moll-flanders_cowan-dobson1.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-3699" title="Moll Flanders_Cowan Dobson" src="http://grupopapeando.files.wordpress.com/2011/11/moll-flanders_cowan-dobson1.jpg?w=780" alt=""   /></a>&#8220;<em>Moll Flander</em>s&#8221; por Cowan Dobson (1894-19800</p>
<p style="text-align:right;"><strong>*Por Ana Carolina Prado</strong></p>
<p style="text-align:justify;">Você é capaz de imaginar o que acontece com o seu cérebro quando você está prestes a tomar uma decisão importante? O que nos leva a escolher aquele produto mais caro no supermercado ou qual filme assistir na sexta à noite? A ciência tem se esforçado para entender melhor o processo de tomada de decisões. Um artigo na Scientific American trouxe estudos revelando que, ao contrário do que muita gente pensava, ter muitas opções de escolha nos leva a tomar decisões piores – ou não tomar decisão nenhuma.<span id="more-3643"></span></p>
<p style="text-align:justify;">O mais divertido deles foi um realizado pelos pesquisadores Alison P. Lenton, da Universidade de Edimburgo, e Marco Francesconi, da Universidade de Essex. Eles analisaram as escolhas feitas em 84 speed-dates (eventos em que a pessoa participa de vários miniencontros com desconhecidos, um após o outro, para no final escolher – ou não – os parceiros de que mais gostou). O resultado mostrou que os participantes fizeram menos propostas (muitas vezes, nenhuma!) para um segundo encontro quando tinham maior variedade de opções. Essa variedade, em vez de possibilitar melhores decisões, na verdade confunde e prejudica a qualidade da escolha.</p>
<p style="text-align:justify;">Mostramos esse estudo para Camile Maria Costa Corrêa, que estuda fatores que influenciam a tomada de decisão no Laboratório de Neurociência e Comportamento da USP, e batemos um papo com ela sobre isso. Quer saber como você pode dar uma forcinha para o seu cérebro tomar decisões mais acertadas? A Camile deu boas dicas.</p>
<p style="text-align:justify;"><strong>O que a ciência já sabe sobre a maneira como tomamos decisões?</strong></p>
<p style="text-align:justify;">Sabe-se que a maioria das nossas decisões são automáticas, pois são fruto de processamento inconsciente. Descer uma escada ou retirar a mão de uma chapa quente são decisões que precisam ser rápidas, sem interferência da verbalização interna. Mas há decisões complexas que envolvem situações de risco e exigem racionalização. Em tomada de decisões, simples ou complexas, é o sistema nervoso que avalia as alternativas possíveis, geralmente de forma a maximizar os ganhos e minimizar as perdas. A neurociência vem desenvolvendo métodos para avaliar como a cognição, emoção, atenção e memória e outras variáveis contribuem para o processo. A decisão não é uma simples escolha entre alternativas, mas um processo que depende da experiência do indivíduo e de sua capacidade de identificar os principais fatores da situação.</p>
<p style="text-align:justify;"><strong>Como o cérebro atua nesse processo?</strong></p>
<p style="text-align:justify;">Processos inconscientes, expressos no estado de motivação de um indivíduo, dependem, grosso modo, do funcionamento do tronco encefálico e dos gânglios da base. Já as reações emocionais são fruto de processamento do sistema límbico: elas são o pano de fundo, o cenário em relação ao qual as decisões são tomadas. Finalmente a atividade de áreas frontais (córtex pré-frontal) é associada ao planejamento decisório, ao controle dos impulsos e à decisão racional. Mas é importante lembrar que não existe essa aparente compartimentalização do cérebro na hora de decidir. Todas as áreas têm sua contribuição relativa e interdependente, só que umas são mais recrutadas do que outras</p>
<p style="text-align:justify;"><strong>O estudo indicou que ter muitas opções pode nos atrapalhar. Por que isso acontece?</strong></p>
<p style="text-align:justify;">Antes se pensava que quanto mais alternativas tivéssemos, melhor seria a nossa decisão. As opções eram vistas como promotoras da nossa liberdade de avaliar A melhor opção. Entretanto, escolher dentre inúmeras alternativas de marcas de produtos no supermercado, celulares, carros etc. virou um processo tão custoso que as pessoas sentem-se aliviadas quando não precisam decidir. Quando temos que escolher uma alternativa, é necessário abrir mão de muitas outras potencialmente boas também. Isso gera um sentimento de perda e situações de impasse cuja resolução é tão difícil que pode ser mais fácil desistir.</p>
<p style="text-align:justify;"><strong>Como o estresse afeta a tomada de decisões?</strong></p>
<p style="text-align:justify;">O estado de estresse claramente prejudica várias funções cognitivas, como memória, atenção e a tomada de decisões. O estresse pode levar a decisões impulsivas ou mesmo perseverativas. Pode restringir a busca por soluções, pode impedir a flexibilização do raciocínio.</p>
<p style="text-align:justify;"><strong>Que outros fatores dificultam o ato de fazer escolhas?</strong></p>
<p style="text-align:justify;">Geralmente, acreditamos que não somos responsáveis por decisões tomadas em situações de coerção, ignorância, intoxicação involuntária, insanidade ou ausência de controle. Além dessas situações, o excesso de opções, pouco tempo para decidir, falta de atenção, existência de distrações, apelos por decisões impulsivas, vieses emocionais ou excesso de racionalização, são empecilhos à decisão.</p>
<p style="text-align:justify;"><strong>Como as propagandas e outras influências externas podem afetar as nossas escolhas e o que podemos fazer para não sermos tão influenciáveis?</strong></p>
<p style="text-align:justify;">As propagandas sabem usar elementos que apelam às nossas motivações. O que se vende numa propaganda geralmente é só contexto e as promessas de bem-estar associadas a um produto. Oferecê-lo pode ser satisfatório por dois motivos: suprir uma necessidade ou suprir um desejo. Para não sermos tão influenciáveis, mais importante do que saber que essas estratégias existem é conhecer os seus valores pessoais. A instrospecção (exercício de saber sobre si mesmo) pode ajudar a filtrar o bombardeamento de oportunidades imperdíveis, promoções e liquidações. Valorizar mais objetivos a longo-prazo do que os imediatos são escolhas geralmente conservadoras, mas que impedem ceder à tentação das propagandas.</p>
<p style="text-align:justify;"><strong>Que outras atitudes ajudam a tomar decisões melhores?</strong></p>
<p style="text-align:justify;">Ser capaz de prever eventos fornece tempo para preparar reações, de forma a melhorar as escolhas que se venha a fazer no futuro. Por outro lado, raciocinar sobre as próprias decisões, exercitar a introspecção pode ser uma boa estratégia para identificar valores e objetivos a curto e longo prazo, ajudando a construir critérios sobre suas necessidades e motivações. Deixar a “intuição” falar também pode ser uma boa opção em vários casos. Saber que, em alguns casos, as decisões “impensadas” geram resultados melhores não significa necessariamente agir impulsivamente. A força da intuição está nas experiências. Às vezes elas bastam, às vezes não.</p>
<p style="text-align:justify;"><strong>FONTE: Revista <a href="http://super.abril.com.br/home/" target="_blank">Superinteressante</a></strong></p>
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		<title>Decidir Cansa!</title>
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		<pubDate>Sun, 27 Nov 2011 20:43:27 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Grupo Papeando</dc:creator>
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			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align:center;"><a href="http://grupopapeando.files.wordpress.com/2011/11/jeanvaljean-cosette_namurlalancesipa1.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-3702" title="JeanValjean &amp; Cosette_NAmurLalanceSipa" src="http://grupopapeando.files.wordpress.com/2011/11/jeanvaljean-cosette_namurlalancesipa1.jpg?w=780" alt=""   /></a>&#8220;<em>Jean Valjean e Cosette</em>&#8220;, autoria desconhecida</p>
<p style="text-align:justify;">Após um dia estressante é muito mais difícil tomar iniciativas, desde as simples, como resistir ao desejo de comer uma caixa de doces, até as complicadas, como julgar a inocência de alguém. Em um único dia, um juiz analisa os pedidos de liberdade condicional de três presidiários cuja ficha criminal e sentença são semelhantes. No entanto, apenas um deles é libertado. Segundo pesquisadores da Ben-Gurion University, em Israel, e da Universidade Stanford, o veredicto pode ter sido influenciado por um curioso fator: o horário da audiência. O criminoso que teve seu pedido concedido compareceu ao julgamento no início da manhã, enquanto os outros dois o fizeram no final do dia.<span id="more-3649"></span></p>
<p style="text-align:justify;">Em estudo publicado no periódico Proceedings of the National Academy of Sciences, os cientistas Jonathan Levav e Shai Danziger acompanharam a rotina de juízes experientes por um ano. Os dois chegaram a analisar mais de 1.100 julgamentos. Em média, foi concedido um de cada três pedidos de liberdade condicional. No entanto, foram libertados cerca de 70% dos prisioneiros julgados pela manhã, contra 10% dos que receberam a sentença no fim da tarde. Segundo os pesquisadores, os réus foram ajudados ou prejudicados pela chamada “fadiga de decidir” (decision fatigue), termo cunhado pelo psicólogo Roy Baumeister, da Universidade Estadual da Flórida. Para o psicólogo, a “força de vontade” necessária para evitar recompensas imediatas depende de atividades mentais que exigem a transferência de energia. Ou seja, após um dia cansativo de trabalho é muito mais difícil tomar iniciativas mais simples, como resistir ao desejo de comer uma caixa de doces, ou mais complicadas, como julgar a inocência de alguém.</p>
<p style="text-align:justify;">Outra pesquisa, conduzida pelo economista Dean Spears, da Princeton University, mostra o “cansaço” causado pela tomada de decisões. A equipe de Spears ofereceu a 20 pessoas de uma aldeia no noroeste da Índia a oportunidade de comprar duas barras de sabão, sendo uma delas de marca conhecida, custando cerca de 20 centavos a mais, quantia significativa considerando os índices de pobreza da região. Em seguida, pesquisadores pediram aos voluntários que os cumprimentassem com um aperto de mão. Observou-se que eles mantiveram as mãos unidas às dos estudiosos por menos tempo do que habitantes de outras aldeias mais abastadas. Para o economista, a obrigação de decidir qual sabão levar de certa forma esgotou a força de vontade dos participantes. A quantidade e a frequência com que pessoas em situação de pobreza têm de fazer renúncias, decidindo a todo o momento o que é mais importante para a sobrevivência, geram fadiga, o que impactaria a dedicação ao estudo, ao trabalho e a outros aspectos que melhorariam sua situação social.</p>
<p style="text-align:justify;">Segundo Baumeister, “os melhores &#8216;tomadores de decisão&#8217; são aqueles que sabem quando não confiar em si mesmos”. É possível que, no caso do experimento de Levav e Danziger, os magistrados tenham optado, mesmo inconscientemente, por não decidir no caso dos criminosos julgados ao fim do dia. Para Baumeister, escolher o que comer no café da manhã, para onde ir nas férias, quem contratar, quanto gastar, ou seja, as pequenas e grandes decisões do dia a dia mina a força de vontade. “Não é como ficar sem fôlego e desistir durante uma maratona – o cansaço se manifesta pela tendência a optar pelos ganhos a curto prazo, mesmo sabendo que teremos de arcar com os custos posteriormente”, diz. A análise irracional dessa relação custo-benefício pode ser a mesma que nos “autoriza” a comer a comida açucarada e gordurosa ao final de um dia estressante ou leva um juiz, esgotado, a tomar a decisão mais segura e fácil, mesmo que ela termine prejudicando alguém.</p>
<p style="text-align:justify;"><strong>FONTE: Revista <a href="http://www2.uol.com.br/vivermente/" target="_blank">Viver Mente &amp; Cérebro</a></strong></p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/grupopapeando.wordpress.com/3649/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/grupopapeando.wordpress.com/3649/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/grupopapeando.wordpress.com/3649/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/grupopapeando.wordpress.com/3649/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/grupopapeando.wordpress.com/3649/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/grupopapeando.wordpress.com/3649/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/grupopapeando.wordpress.com/3649/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/grupopapeando.wordpress.com/3649/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/grupopapeando.wordpress.com/3649/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/grupopapeando.wordpress.com/3649/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/grupopapeando.wordpress.com/3649/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/grupopapeando.wordpress.com/3649/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/grupopapeando.wordpress.com/3649/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/grupopapeando.wordpress.com/3649/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=grupopapeando.wordpress.com&amp;blog=5350779&amp;post=3649&amp;subd=grupopapeando&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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			<media:title type="html">Grupo Papeando</media:title>
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		<title>Dilemas Morais: O que você faria?</title>
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		<pubDate>Sun, 27 Nov 2011 20:43:18 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Grupo Papeando</dc:creator>
				<category><![CDATA[...Escolha]]></category>
		<category><![CDATA[Ciência]]></category>
		<category><![CDATA[Cultura]]></category>
		<category><![CDATA[Dilema Moral]]></category>
		<category><![CDATA[Escolha]]></category>
		<category><![CDATA[Individuo e Sociedade]]></category>

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		<description><![CDATA[&#8220;Anna Karenina&#8221; por Ivan Kramskoy (1837-1887) Tente responder a 5 famosos dilemas morais e descubra o que suas respostas dizem sobre você. *Por Texto Fabio Marton No livro A Escolha de Sofia, de William Styron, que virou filme estrelado por Meryl Streep, uma prisioneira polonesa em Auschwitz recebe um “presente” dos nazistas: ela pode escolher, [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=grupopapeando.wordpress.com&amp;blog=5350779&amp;post=3653&amp;subd=grupopapeando&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align:center;"><a href="http://grupopapeando.files.wordpress.com/2011/11/anna-karenina_ivan-kramskoy_1837_-1887.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-3657" title="Anna karenina_Ivan Kramskoy_1837_ 1887" src="http://grupopapeando.files.wordpress.com/2011/11/anna-karenina_ivan-kramskoy_1837_-1887.jpg?w=780" alt=""   /></a>&#8220;<em>Anna Karenina</em>&#8221; por Ivan Kramskoy (1837-1887)</p>
<p style="text-align:justify;">Tente responder a 5 famosos dilemas morais e descubra o que suas respostas dizem sobre você.</p>
<p style="text-align:right;"><strong>*Por Texto Fabio Marton</strong></p>
<p style="text-align:justify;">No livro A Escolha de Sofia, de William Styron, que virou filme estrelado por Meryl Streep, uma prisioneira polonesa em Auschwitz recebe um “presente” dos nazistas: ela pode escolher, entre o filho e a filha, qual será executado e qual deverá ser poupado. Escolhe salvar o menino, que é mais forte e tem mais chances na vida, mas nunca mais tem notícias dele. Atormentada com a decisão, Sofia acaba se matando anos depois. Dilemas morais, como a escolha de Sofia, são situações nas quais nenhuma solução é satisfatória. São encruzilhadas que desafiam todos que tentam criar regras para decidir o que é certo e o que é errado, de juristas a filósofos que estudam a moral. Cada vez que um filósofo monta um sistema de conduta, procura algo que responda a todas as situações possíveis. O filósofo inglês John Locke (1632-1704), por exemplo, definiu o bem pela não-agressão, aquela idéia de que “minha liberdade começa onde termina a sua”. Já Ros­seau (1712-1778) considerava o certo a vontade geral, a decisão da maioria.<span id="more-3653"></span></p>
<p style="text-align:justify;">Agora os dilemas morais estão virando objeto de estudo de cientistas. E, para alguns deles, talvez os filósofos tenham trabalhado em vão ao se esforçar tanto para montar teorias morais. É que, segundo novas pesquisas, raramente usamos a razão para decidir se devemos tomar uma atitude ou não. Analisando o cérebro de pessoas enquanto elas pensavam sobre dilemas, os pesquisadores perceberam que muitas vezes decidimos por facilidade, empatia ou mesmo nojo de alguma atitude. Duvida? A seguir, faça o teste com você mesmo, respondendo a 5 dilemas morais clássicos.</p>
<p style="text-align:justify;"><strong>O trem descontrolado</strong></p>
<p style="text-align:justify;">Um trem vai atingir 5 pessoas que trabalham desprevenidas sobre a linha. Mas você tem a chance de evitar a tragédia acionando uma alavanca que leva o trem para outra linha, onde ele atingirá apenas uma pessoa. Você mudaria o trajeto, salvando as 5 e matando 1?</p>
<p style="text-align:justify;">( ) Mudaria</p>
<p style="text-align:justify;">( ) Não mudaria</p>
<p style="text-align:justify;">Esse dilema moral foi apresentado a voluntários pelo filósofo e psicólogo evolutivo Joshua Greene, da Universidade Harvard. “É aceitável mudar o trem e salvar 5 pessoas ao custo de uma? A maioria das pessoas diz que sim”, afirma Greene em um de seus artigos. De fato, numa pesquisa feita pela revista Time, 97% dos leitores salvariam os 5. Fazer isso significa agir conforme o utilitarismo – a doutrina criada pelo filósofo inglês John Stuart Mill, no século 19. Para ele, a moral está na conseqüência: a atitude mais correta é a que resulta na maior felicidade para o máximo de pessoas. Mas há um problema. A ética de escolher o mal menor tem um lado perigoso – basta multiplicá-la por 1 milhão. Você mataria 1 milhão de pessoas para salvar 5 milhões? Uma decisão assim sustentou regimes totalitários do século 20 que desgraçaram, em nome da maioria, uma minoria tão inocente quanto o homem sozinho no trilho. Além disso, o ato de matar 1 para salvar 5 é o oposto do espírito dos direitos humanos, segundo o qual cada vida tem um valor inestimável em si – e não nos cabe usar valores racionais ao lidar com esse tema.</p>
<p style="text-align:justify;"><strong>O trem descontrolado (2)</strong></p>
<p style="text-align:justify;">Imagine a mesma situação anterior: um trem em disparada irá atingir 5 trabalhadores desprevenidos nos trilhos. Agora, porém, há uma linha só. O trem pode ser parado por algum objeto pesado jogado em sua frente. Um homem com uma mochila muito grande está ao lado da ferrovia. Se você empurrá-lo para a linha, o trem vai parar, salvando as 5 pessoas, mas liquidando uma. Você empurraria o homem da mochila para a linha?</p>
<p style="text-align:justify;">( ) Empurraria</p>
<p style="text-align:justify;">( ) Não empurraria</p>
<p style="text-align:justify;">Avaliando pela lógica pura, esse dilema não tem diferença em relação ao anterior. Continua sendo uma questão de trocar 1 indivíduo por 5. Apesar disso, a maioria das pessoas (75% nos estudos de Joshua Greene, 60% no teste da Time) não empurraria o homem. A equipe de Greene descobriu que, enquanto usamos áreas cerebrais relacionadas à “alta cognição”, isto é, ao pensamento profundo, para resolver o dilema anterior, este aqui provoca reações emocionais, mesmo nos que empurrariam o homem para os trilhos. Uma versão mais bizarra desse dilema propõe uma catapulta para jogar o homem pesado nos trilhos – e, surpresa, a maioria das pessoas volta a querer matar 1 para salvar 5. Conclusão: estamos dispostos a matar com máquinas, mas não mataríamos com as mãos.</p>
<p style="text-align:justify;">Para Greene, a diferença nas respostas aos dois dilemas pode ser explicada pela seleção natural. Durante milhares de anos da nossa evolução, os seres humanos que matavam outros friamente atraíam violência para si próprios: eram logo mortos pelo grupo, gerando menos descendentes. Já aqueles que conseguiam se segurar conquistavam amigos e proteção, transmitindo seus genes para o futuro. Assim, ao longo dos milênios, criamos instintos sociais que nos refreiam na hora de matar alguém.</p>
<p style="text-align:justify;">Acontece que, na maior parte do tempo da nossa evolução, vivemos em cavernas e com lanças na mão, e não operando máquinas, botões ou alavancas. Isso faz com que nossos instintos sociais não relacionem o ato de apertar um botão ou puxar uma alavanca com o de jogar alguém para a morte – é por esse motivo que, para Joshua Greene, tanta gente mudaria a alavanca na situação anterior, mas não executaria o homem neste segundo dilema. “Os instintos sociais refletem o ambiente nos quais eles evoluíram, não o ambiente moderno”, afirma o cientista.</p>
<p style="text-align:justify;">Ele dá outro exemplo. Achamos um absurdo não prestar socorro a alguém que sofreu um acidente na estrada, mas nos esquecemos rapidinho que milhares de pessoas morrem de fome na África. Para Greene, o motivo dessa disparidade também está nos instintos. “Nossos ancestrais não evoluíram num ambiente em que poderiam salvar vidas do outro lado do mundo. Da forma como nosso cérebro é construído, pessoas próximas ativam nosso botão emocional, enquanto as distantes desaparecem na mente.”</p>
<p style="text-align:justify;">Para Greene, a diferença de atitudes mostra que os filósofos que lidam com a moral devem levar mais em conta a natureza do homem – não para agirmos conforme a natureza, mas para superá-la. Tendo consciência de que nossos instintos nos tornam capazes de matar friamente por meio de uma alavanca ou de ignorar genocídios distantes, temos mais poder para decidir o que é ou não correto.</p>
<p style="text-align:justify;"><strong>Totem e tabu</strong></p>
<p style="text-align:justify;">No seu país, a tortura de prisioneiros de guerra é proibida. Você é tenente do Exército e recebe um prisioneiro recém-capturado que grita: “Alguns de vocês morrerão às 21h35”. Suspeita-se que ele sabe de um ataque terrorista a uma boate. Para saber mais e salvar civis, você o torturaria?</p>
<p style="text-align:justify;">( ) Torturaria</p>
<p style="text-align:justify;">( ) Não torturaria</p>
<p style="text-align:justify;">Recentemente, Israel e os EUA foram duramente criticados pela prática de tortura de terroristas árabes em prisões e pelas tentativas de legalizá-la em forma de “pressão psicológica” ou “pressão física moderada”. Na defesa, os países usaram dilemas como esse. Se você achar que o correto é torturar o prisioneiro, vai legitimar carceragens sangrentas. Por outro lado, caso se recusasse a torturá-lo, poderá deixar inocentes morrer.</p>
<p style="text-align:justify;">Essa situação também se parece com as anteriores – pela razão pura, trata-se de salvar o maior número de vidas. Mas por que, então, é tão difícil tomar a decisão de torturar o homem? Além do instinto básico de não-agressão apontado pelo cientista Joshua Greene, somos movidos por outra emoção primitiva: o nojo. É isso aí, o mesmo nojo que faz você ter uma ânsia de vômito ao olhar um esgoto. “Acreditamos que a aversão moral é nojo mesmo, e não apenas uma metáfora”, diz o psicólogo Jonathan Haidt, da Universidade da Virgínia. Em uma de suas pesquisas, Haidt mostrou vídeos de neonazistas a seus voluntários, monitorando a atividade cerebral deles. Concluiu que sentiam nojo, e não uma reprovação racional. É por isso que, em casos que provocam asco, como a tortura, costumamos agir conforme o absolutismo moral: as regras não devem ser transgredidas nem para salvar inocentes. Ainda mais se lembrarmos que os países que querem legalizar o método geralmente se valem de dilemas como esse para situações mais leves, em que a tortura não vai resultar em vidas salvas.</p>
<p style="text-align:justify;"><strong>Os limites da promessa</strong></p>
<p style="text-align:justify;">Um amigo quer lhe contar um segredo e pede que você prometa não contar a ninguém. Você dá sua palavra. Ele conta que atropelou um pedestre e, por isso, vai se refugiar na casa de uma prima. Quando a polícia o procura querendo saber do amigo, o que você faz?</p>
<p style="text-align:justify;">( ) Conta à polícia</p>
<p style="text-align:justify;">( ) Não conta à polícia</p>
<p style="text-align:justify;">O antropólogo holandês Fonz Trompenaars realizou pesquisas em diversos países com dilemas como esse. O mais interessante é que as respostas variaram de acordo com o povo. A maioria dos russos acusaria o amigo na lata. Outros mentiriam para protegê-lo, dando dicas ambíguas à polícia, como os americanos. Já os brasileiros inventariam histórias malucas para dizer que a culpa não era do amigo, mas do pedestre, que era um suicida.</p>
<p style="text-align:justify;">Os gregos antigos já tinham consciência de que cada cultura tem noções diferentes sobre o que é certo ou errado: diziam que havia tantas morais quanto povos no mundo. A princípio, saber que a moral muda de acordo com a cultura é importante para não julgarmos costumes de um povo como se fossem os nossos, descobrindo suas razões particulares. Foi o que propôs o antropólogo Franz Boas (1858-1942), considerado o pai do relativismo cultural – a idéia de que nenhuma cultura é melhor que outra. Mas, quando duas culturas diferentes se chocam, surgem dilemas morais ainda mais difíceis – como o da página seguinte.</p>
<p style="text-align:justify;"><strong>Choque cultural</strong></p>
<p style="text-align:justify;">Você é um funcionário da Funai, trabalhando na Amazônia sob ordem expressa de jamais intervir na cultura indígena. Passeando perto de uma clareira, nota que ianomâmis estão envenenando o bebê de uma índia, que está aos prantos. Você impediria a morte do bebê?</p>
<p style="text-align:justify;">( ) Impediria</p>
<p style="text-align:justify;">( ) Não impediria</p>
<p style="text-align:justify;">No começo de abril, a Folha de S.Paulo contou a história do índio Mayutá, de 2 anos, que nasceu de uma gravidez de gêmeos. Como os índios camaiurás acreditam que gêmeos trazem maldição, Mayutá deveria ser envenenado.O irmão dele já havia sido assassinado quando o pai interveio. Com ajuda da ong Atini, que tenta acabar com o infanticídio entre os índios brasileiros, o pai retirou a criança da tribo.</p>
<p style="text-align:justify;">A ong foi formada pelos pais adotivos da ianomâmi Hakani, que viveu um caso parecido em 1995. Depois que Hakani nasceu com hipotireoidismo, seus pais receberam do conselho da tribo a ordem de envenená-la. Mas acabaram tomando o veneno eles mesmos. O irmão e o avô foram encarregados de levar a tarefa adiante e não conseguiram – o avô também se suicidou. Hakani, abandonada, desnutrida e quase morta, acabou adotada por um casal de funcionários da Funai. Um antropólogo do ministério público tentou barrar a adoção, dizendo que era uma agressão à cultura ianomâmi. E aí, o que vale mais: a vida humana ou o respeito às tradições de um povo? Se você acha que o certo é deixar a cultura acontecer, é um relativista cultural. Se considera o valor da vida maior que o das culturas, é um absolutista moral, como o papa Bento 16.</p>
<p style="text-align:justify;">Talvez a solução do dilema esteja na hesitação dos pais. Ela mostra que o infanticídio não é um consenso entre os índios. Ou seja, o terror emocional diante de matar o próprio filho existe mesmo em culturas que admitem matar suas crianças. Isso converge com a tese do psicólogo evolutivo Steven Pinker: assim como qualquer língua do mundo diferencia entre verbo e objeto, a moral também tem suas regras universais, que cada cultura trata de forma diferente. Segundo a teoria da “gramática universal”, de Noam Chomski, temos uma capacidade de nascença para falar, e o que prova isso são as semelhanças de sintaxe entre todas as línguas do mundo. Num artigo para o jornal New York Times, Pinker paradiou a tese de Chomski: “Nascemos com uma gramática moral que nos permite analisar as ações humanas mesmo que com pouca consciência disso”. Mas, como mostram os dilemas morais, nem sempre é fácil fazer essa análise.</p>
<p style="text-align:justify;"><strong>FONTE: Revista <a href="http://super.abril.com.br/home/" target="_blank">Superinteressante</a></strong></p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/grupopapeando.wordpress.com/3653/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/grupopapeando.wordpress.com/3653/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/grupopapeando.wordpress.com/3653/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/grupopapeando.wordpress.com/3653/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/grupopapeando.wordpress.com/3653/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/grupopapeando.wordpress.com/3653/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/grupopapeando.wordpress.com/3653/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/grupopapeando.wordpress.com/3653/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/grupopapeando.wordpress.com/3653/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/grupopapeando.wordpress.com/3653/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/grupopapeando.wordpress.com/3653/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/grupopapeando.wordpress.com/3653/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/grupopapeando.wordpress.com/3653/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/grupopapeando.wordpress.com/3653/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=grupopapeando.wordpress.com&amp;blog=5350779&amp;post=3653&amp;subd=grupopapeando&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Filosofia da Mente</title>
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		<pubDate>Sun, 27 Nov 2011 20:42:58 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Grupo Papeando</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Ciência e Filosofia]]></category>
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		<category><![CDATA[Livre-Arbítrio]]></category>
		<category><![CDATA[Neurobiologia]]></category>
		<category><![CDATA[Processo de Decisão]]></category>

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		<description><![CDATA[&#8220;Hamlet&#8221; por Thomas Lawrence (1769-1830) Livre-arbítrio: nossas decisões são livres ou determinadas pela bioquímica do cérebro? *Por João Teixeira Numa monografia intitulada Liberdade e Neurobiologia, o filósofo americano John Searle tenta enfrentar a questão filosófica do livre-arbítrio. Será que nossos comportamentos são totalmente determinados pela bioquímica do cérebro ou haverá algum espaço para a decisão [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=grupopapeando.wordpress.com&amp;blog=5350779&amp;post=3660&amp;subd=grupopapeando&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align:center;"><a href="http://grupopapeando.files.wordpress.com/2011/11/hamlet_thomas-lawrence2.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-3705" title="Hamlet_Thomas Lawrence" src="http://grupopapeando.files.wordpress.com/2011/11/hamlet_thomas-lawrence2.jpg?w=780" alt=""   /></a>&#8220;<em>Hamlet</em>&#8221; por Thomas Lawrence (1769-1830)</p>
<p><strong>Livre-arbítrio: nossas decisões são livres ou determinadas pela bioquímica do cérebro?</strong></p>
<p style="text-align:right;"><strong>*Por <a href="www.filosofiadamente.org" target="_blank">João Teixeira</a></strong></p>
<p style="text-align:justify;">Numa monografia intitulada Liberdade e Neurobiologia, o filósofo americano John Searle tenta enfrentar a questão filosófica do livre-arbítrio. Será que nossos comportamentos são totalmente determinados pela bioquímica do cérebro ou haverá algum espaço para a decisão livre? Será possível compatibilizar a existência do livre-arbítrio com o materialismo? Searle se debate contra as dificuldades colocadas por essas questões, que se tornam mais visíveis na última parte de seu texto, sobretudo pelo fato de ele não conseguir elaborar uma solução inovadora para o problema. Claro que oferecer uma solução definitiva para o problema do livrearbítrio é tarefa hercúlea, já que esse é um problema secular enfrentado pela metafísica. Searle nos apresenta meticulosamente todas as nuanças da questão, mas a monografia tornase decepcionante no final, pois, após apresentar defesas para as duas posições possíveis, ele não consegue se decidir por nenhuma.<span id="more-3660"></span></p>
<p style="text-align:justify;">Para um autor como Searle, defender que o livre-arbítrio não existe e que todas as nossas ações são causadas pelas atividades bioquímicas do cérebro seria a posição mais coerente. Afinal, ele defende que a mente e a subjetividade existem, mas que resultam dos poderes causais do cérebro. A posição de Searle o força a admitir que não há causalidade unicamente entre estados mentais, pois a mente é, em última análise, determinada pelo cérebro. Uma relação causal entre estados mentais, independentemente do cérebro, fica bloqueada pelo tipo de materialismo que ele defende.</p>
<p style="text-align:justify;">Porém, parece-me que é nesse ponto que Searle tropeça. Não há dúvida de que, frequentemente, processos de decisão precedem as ações, o que seria um indício de que o cérebro não determina inteiramente o curso de nosso comportamento. Até mesmo visões estritamente biológicas da natureza do mental têm de levar em conta a existência de momentos de tomada de decisão, sobretudo porque decisões racionais devem ter algum papel no processo evolucionário. Mas se processos de decisão devem ter algum tipo de utilidade na luta pela vida, isso parece ser, ao mesmo tempo, uma hipótese irreconciliável com a teoria biológica da mente concebida por Searle, na qual não parece haver lugar para a existência do livre-arbítrio. Nela, não há como conceber uma causalidade entre estados mentais, pois só o cérebro pode produzi-los. A defesa de uma teoria biológica da mente fica, sobretudo no caso de Searle, algo paradoxal, pois a evolução deve, em princípio, favorecer o livre-arbítrio como instrumento de utilidade na luta pela vida. Parece, então, que não há outra saída a não ser admitir a existência do livre-arbítrio no contexto do dualismo. Porém, o dualismo é inadmissível para Searle, assim como, aliás, para a maioria dos filósofos da mente contemporâneos.</p>
<p style="text-align:justify;">Uma alternativa ao dualismo seria conceber as relações entre mente e cérebro como as de um software de um computador com seu hardware. Isso nos afasta do dualismo, sem, entretanto, comprometer uma visão naturalista da mente. Mas isso seria, para Searle, incorrer no erro do cognitivismo, no erro que, segundo ele, toda ciência cognitiva contemporânea cometeu. E, para Searle, a ciência cognitiva só tomou o rumo certo recentemente, ao aproximar-se da neurociência e pressupor um papel insubstituível para o cérebro na produção da mente.</p>
<p style="text-align:justify;">Ora, talvez não se possa defender o cognitivismo. Mas não se pode ignorar a possibilidade de uma análise cognitiva da questão do livre-arbítrio. Searle passa longe disto e adentra numa discussão na qual se toma esse problema pelo seu valor de face. O que é o livre-arbítrio? Como se forma esse problema e como as diferentes culturas o concebem? Um indício é saber como diferentes culturas e populações se posicionam diante de dilemas éticos. Na discussão da ação ética está pressuposta a existência do livre-arbítrio, pois este é sua condição.</p>
<p style="text-align:justify;">Uma pesquisa feita pelos filósofos Robert Woolfolk, John Doris e John Darley, publicada no livro Experimental Philosophy, em 2008, tomou uma amostragem variada de população e indagou individualmente a opinião de seus membros acerca da existência do livre-arbítrio. Para grande surpresa, a maioria respondeu positivamente acerca da hipótese de que o cérebro causa todas as nossas ações. Mas ao considerar a situação individual de uma pessoa que jogou sua filha pela janela de um prédio, causando sua morte, responderam que nesse caso o autor do crime deveria ser responsabilizado, o que certamente inclui uma concordância com a existência do livre-arbítrio. Quase ninguém conseguiu aceitar que o criminoso não deveria ser punido sob a alegação de que seu ato poderia resultar apenas das atividades bioquímicas de seu cérebro, a não ser que ele fosse diagnosticado como um doente mental.</p>
<p style="text-align:justify;">A pesquisa revelou, então, que uma amostragem significativa da população tem ideias contraditórias sobre a existência do livre-arbítrio. Isso ocorre porque a ideia de livre-arbítrio é, frequentemente, emprestada da psicologia popular. Em outras palavras, a ideia de livre-arbítrio sucumbe a uma análise cognitiva mais precisa que, aliás, deveria preceder sua discussão filosófica.</p>
<p style="text-align:justify;">Mas Searle passa longe disso ao criticar a ciência cognitiva e embrenhar-se na defesa de um materialismo que rapidamente se torna problemático. Não se pode partir de uma intuição habitual e assumir um conceito filosófico sem antes analisá-lo social e cognitivamente.</p>
<p style="text-align:justify;"><strong>*João de Fernandes Teixeira é Ph.D. Pela University of Essex (Inglaterra) e se pós-doutorou com Daniel Dennett nos Estados Unidos. É professor titular na Universidade Federal de São Carlos. </strong></p>
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		<title>O Paradoxo do Homem como Liberdade no Existencialismo de Jean-Paul Sartre</title>
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		<pubDate>Sun, 27 Nov 2011 20:42:16 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Grupo Papeando</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Escolha]]></category>
		<category><![CDATA[Existencialismo]]></category>
		<category><![CDATA[Jean Paul Sartre]]></category>
		<category><![CDATA[Liberdade]]></category>

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		<description><![CDATA[&#8220;Raskolnikov&#8221; por Nikolai Yaroshenko (1846-1898) *Excertos do Artigo de Cléa Gois e Silva (&#8230;) Para Sartre, a existência desagrega e nulifica a realidade de fato e afirma-se sobre ela como poder absoluto. A filosofia de Sartre é uma filosofia da liberdade absoluta que pretende dissolver e anular toda a necessidade. A liberdade, segundo Sartre , [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=grupopapeando.wordpress.com&amp;blog=5350779&amp;post=3665&amp;subd=grupopapeando&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align:center;"><a href="http://grupopapeando.files.wordpress.com/2011/11/raskolnikov_nikolai-alexandrovich-yaroshenko2.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-3707" title="Raskolnikov_Nikolai Alexandrovich Yaroshenko" src="http://grupopapeando.files.wordpress.com/2011/11/raskolnikov_nikolai-alexandrovich-yaroshenko2.jpg?w=780" alt=""   /></a>&#8220;<em>Raskolnikov</em>&#8221; por Nikolai Yaroshenko (1846-1898)</p>
<p style="text-align:right;"><strong>*Excertos do Artigo de Cléa Gois e Silva</strong></p>
<p style="text-align:justify;">(&#8230;) Para Sartre, a existência desagrega e nulifica a realidade de fato e afirma-se sobre ela como poder absoluto. A filosofia de Sartre é uma filosofia da liberdade absoluta que pretende dissolver e anular toda a necessidade. A liberdade, segundo Sartre , é a possibilidade permanente daquela nulificação do mundo que é a própria estrutura da existência. &#8220;Estou condenado, a existir para sempre para além da minha essência, para além dos móbiles e dos motivos do meu ato: eu estou condenado a ser livre&#8221;. Isto significa que não se podem encontrar para a minha liberdade outros limites além da própria liberdade: ou, que não somos livres de deixar de ser livres. <span id="more-3665"></span></p>
<p style="text-align:justify;">A liberdade não é o arbítrio ou o capricho momentâneo do indivíduo: radica na mais intima estrutura da existência, é a própria existência. (&#8230;). É evidente que a liberdade não se refere tanto aos atos e às volições particulares como ao projeto fundamental em que eles se encontram compreendidos, o qual constitui a possibilidade última da realidade humana, a sua escolha originária. O projeto fundamental deixa sem dúvida uma certa margem de contingência às volições e aos atos particulares, mas a liberdade originária é aquela que é inerente à escolha do próprio projeto. E é uma liberdade incondicionada.</p>
<p style="text-align:justify;">A modificação do projeto inicial é a todo o momento possível. &#8220;A angústia que, quando revelada , manifesta à nossa consciência a nossa liberdade, testemunha a modificabilidade perpétua do nosso projeto inicial&#8221;. Nós estamos perpetuamente ameaçados de nulificação da nossa escolha atual, perpetuamente ameaçados de escolhermos ser, e portanto tornamo-nos, diferentes do que somos. (&#8230;). A liberdade permanece nos limites da factualidade, isto é, do mundo. Mas esta factualidade é indeterminada: a liberdade põe-na em ser com a sua escolha. Por isso o homem é responsável pelo mundo e por si mesmo enquanto maneira de ser. Tudo o que acontece no mundo reporta-se à liberdade e à responsabilidade da escolha originária; por isso, nada daquilo que acontece ao homem pode ser dito inumano. (&#8230;). Sou eu que decido do coeficiente de adversidade das coisas e até da sua imprevisibilidade decidindo de mim própria.</p>
<p style="text-align:justify;">Não existem casos acidentais: um acontecimento social que se me depara subitamente e me arrasta não é exterior a mim; se sou mobilizada para uma guerra, esta é a minha guerra, a minha imagem, e eu mereço-a: &#8220;Mereço-a em primeiro lugar porque poderia subtrair-me a ela suicidando-me ou desertando; devemos ter sempre presentes estas possibilidades últimas quando temos de enfrentar uma situação. Se não me subtraí a ela, é porque a escolhi (&#8230;)&#8221;.</p>
<p style="text-align:justify;">Os atos , decisões e escolhas particulares repõem sistematicamente em questão a escolha originária, o projeto fundamental, que por sua vez determina dentro de certos limites as opções, as volições e os atos particulares. Sartre pensa que a estrutura ontológica do projeto fundamental deve ser atingida através de uma Psicanálise Existencial, diferente da psicanálise de Freud sobretudo porque a sua justificação última consiste em reconhecer a existência, não de uma força instintiva que atua mecanicamente, mas sim de uma escolha livre. Para a psicanálise existencial, projeto de ser, possibilidade, valor são termos equivalentes que exprimem, todos, o fato fundamental de que o homem é desejo de ser. (&#8230;).</p>
<p style="text-align:justify;">(&#8230;) A ontologia de Sartre não consegue disfarçar, uma inelutável compulsão à transformação do homem. Uma primeira razão para compreendê-lo pode ser vista na presença do problema moral, como já mencionamos , em seu livro O Ser e o Nada. E, de um modo geral, embora não seja explicitado, o problema ético está mais presente nas análises de Sartre; não é por acaso que ele conclui o seu livro com uma longa série de perguntas que &#8220;só podem encontrar uma resposta no terreno moral&#8221;. Realmente, toda a análise existencial de Sartre conduz necessária e obrigatoriamente a uma ética. (&#8230;)</p>
<p style="text-align:justify;">Não é igualmente um acaso que os últimos capítulo de O Ser e o Nada estejam dedicados ao problema de uma Psicanálise Existencial. Retomando a temática, esta psicanálise &#8220;procura determinar a escolha original&#8221;, realizada por cada indivíduo, essa escolha que é o centro de referências de uma infinidade de significações polivalentes e que constitui o projeto fundamental do homem. Sartre rejeita o postulado do insconciente: o fato psíquico é coextensivo à consciência. Se o homem sabe em que consiste seu projeto fundamental, se esse projeto é vivido plenamente por ele e se é, portanto, totalmente consciente, isso ainda não quer dizer que ele lhe seja conhecido (&#8230;).</p>
<p style="text-align:justify;">(&#8230;). O para-si é liberdade compreendida como autonomia de escolha, e Sartre leva essa autonomia às suas últimas implicações. Por ela, determina-se o conceito-chave da ética: o valor. Se a liberdade é absoluta, o valor não poderia apresentar consistência objetiva; muito pelo contrário, o valor brota da subjetividade. A ontologia e a psicanálise existencial devem mostrar ao homem que &#8220;ele é o ser pelo qual os valores existem&#8221;. E note-se que por homem se entende a individualidade subjetiva. Com efeito, o valor exige um fundamento; mas o fundamento não poderia ser o ser, pois se o fosse, desde que o homem se norteia por valores, o comportamento instauraria a má-fé e destruiria a liberdade. Segue-se que a liberdade é o único fundamento dos valores e que nada, absolutamente nada, me justifica ao adotar tal ou tal valor, tal ou tal escala de valores. Enquanto ser pelo qual os valores existem eu sou injustificável. (&#8230;). Desse modo, o valor encontra a sua gênese no ato livre, é absolutamente indeterminado: escolher é inventar. Disso resulta que o homem é apenas seu projeto, só existe na medida em que se realiza, ele é tão-somente o conjunto de seus atos.</p>
<p style="text-align:justify;">De um ponto de vista negativo, a má-fé polariza a grande preocupação dessa doutrina. Sartre busca pensar o fato da subjetividade até os seus limites mais extremos, e para ele isso significa a necessidade de excluir a categoria do objeto. Quando o homem se deixa determinar pelo objeto, ou por uma objetividade que se pretende autônomas, assume &#8220;l&#8217;esprit de sérieux&#8221;; parte-se então, do mundo e se atribui mais realidade ao mundo que a si mesmo. Segundo Sartre, Marx colocou o dogma primeiro do sério quando afirmou a prioridade do objeto sobre o sujeito, e o homem é sério quando se toma por um objeto. Essa seriedade define precisamente a má-fé, que bloqueia a espontaneidade inventiva dos atos. Por essa razão, Sartre recusa toda a moral tradicional, que é livre para o mal e não para o bem, que é livre para o erro e não para a verdade. Bem e mal, verdade e erro devem ser invenções do homem. Nesse sentido, liberdade se faz sinônimo de libertação. Mas cabe então perguntar: libertação do que?</p>
<p style="text-align:justify;">Libertação, antes de mais nada, de tudo o que não se confunde com a própria subjetividade. Mas libertação também de si mesmo. (&#8230;). No entanto, a liberdade é fuga de si, é manter-se à distância de si próprio e haver-se com a angústia de não poder ser. (&#8230;) Isso quer dizer, enfim, que a realidade humana nunca está realmente em casa, e quando pensa que está, incide em má-fé. O homem se habita perpetuamente como um estranho.</p>
<p style="text-align:justify;">Baseado nessa concepção da liberdade e do valor, Sartre pretende erigir a sua moral da responsabilidade e do compromisso. Definido o valor como criação da subjetividade, entende-se a coerência de Sartre ao dizer o que é responsabilidade: &#8220;Tomamos a palavra responsabilidade em seu sentido banal, como connsciência (de) ser (o para-si) o autor incontestável de um acontecimento ou de um objeto”. A definição não é banal, já porque não há nada de banal no que pretende Sartre: condenado a ser livre, o homem carrega o peso do mundo; ele se torna responsável pelo mundo e por si mesmo enquanto maneira de ser. (&#8230;). Quando Sartre afirma que &#8220;nossa responsabilidade é muito maior do que poderíamos supor, porque ela engaja a humanidade inteira&#8221;, enuncia sem dúvida, uma grande idéia (&#8230;). Com efeito aqui Sartre não deixa margem a dúvidas: &#8221; Sou responsável por mim mesmo e por todos, e crio uma certa imagem do homem que eu escolho; escolhendo a mim, escolho o homem.&#8221; Trata-se, afinal , de uma criação de imagens , e dizer que o homem é responsável por todos é o mesmo que dizer que só é responsável por si próprio.</p>
<p style="text-align:justify;">(&#8230;) Sartre, quando escreveu O Ser e o Nada (l943), manifestou a intenção de consagrar um estudo ao problema da moral. Desse projeto deixou indicações esparsas em várias obras, entre as quais os Cahiers pour une morale, que foram escritos durante os anos de l947 e l948, e publicado em l983. A moral de sartre é uma moral indiferente às distinções do bem e do mal. Ela assume suas responsabilidades frente a uma determinada realidade humana. É a moral da situação. Segundo os preceitos dessa moral, os valores não existem em si. São criados pelo homem. Consciente de sua liberdade, ele descobre angustiado que é a única fonte de valor. Como Sartre não admite a existência de Deus, com isso desaparece a possibilidade de existirem valores a priori, porque não há quem os pense. E Sartre, convencido de que Deus não existe, admite que não existem valores diante de nós e que tudo nos será permitido. Conclui-se que o fundamento dessa moral é precisamente a ausência de toda norma moral, consubstanciada na ausência de Deus e na liberdade absoluta do homem.</p>
<p style="text-align:justify;">Sartre traça livremente o projeto de sua vida, sem interferência de normas preestabelecidas. As suas decisões dependem apenas dele em cada situação. É o que projeta ser e só existe à medida que se realiza. Ela se define e se constrói pela ação, dentro da relatividade cultural da época em que vive. Face às pressões, deve agir com autenticidade para legitimação de sua conduta. (&#8230;) Sartre comenta que, para os que acreditam em Deus como os cristãos, será lícito fazer o bem por ser moral. A moral ficaria assim subordinada à ontologia. Tornar-se-ia legítima a subordinação do fazer ao ser. Entretanto, para ele que não crê em Deus, a moral deve superar-se por um objetivo que não seja ela. Deve-se dar de beber a quem tem sede não para praticar um bem, mas para suprimir a sede. A moral se suprime quando se coloca e se coloca quando se suprime.</p>
<p style="text-align:justify;">(&#8230;) Segundo Sartre, cada um nasce numa determinada situação histórica. O problema é que essa situação é forjada por aqueles que o precedem e que pretendem dar ao mundo o sentido que lhes convém. São eles, que definem a natureza humana daqueles que os sucedem. Essa natureza é insidiosa. É uma idéia que penetra em cada um de nós. Quem nasceu judeu, fica penetrado de uma natureza judaica. Assim eu sou pensada pelos outros, graças aos quais eu existo e que cerceiam a minha liberdade. Em suma, eu sou uma liberdade hipotecada. Diante dessa situação eu posso assumir três atitudes: seja resignar-me com ela, seja aceitá-la ou rejeitá-la, seja superá-la. Sartre concebe, além da antinomia entre a moral e a história , uma moral concreta de ação efetiva.</p>
<p style="text-align:justify;"><strong>*Cléa Gois e Silva é formada em Filosofia, Mestre em Filosofia pela PUC/RJ, e Professora Universitária.</strong></p>
<p style="text-align:justify;"><strong>Leia o Artigo completo clicando <a href="http://www.existencialismo.org.br/jornalexistencial/jadircleaparadoxo.htm" target="_blank">AQUI</a></strong></p>
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		<title>Algumas Considerações Sobre Sombra e Persona (Aspectos Inconscientes e Conscientes da Escolha)</title>
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		<pubDate>Sun, 27 Nov 2011 20:42:07 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Grupo Papeando</dc:creator>
				<category><![CDATA[...Escolha]]></category>
		<category><![CDATA[Consciente e Inconsciente]]></category>
		<category><![CDATA[Dorian Gray]]></category>
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		<category><![CDATA[Sombra e Persona]]></category>

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		<description><![CDATA[&#8220;Dorian Gray&#8221; por Maude Taber-Thomas *Excertos da Monografia (O Arquétipo da Sombra no Romance &#8220;O Retrato de Dorian Gray&#8221;) de Anyara Menezes Lasheras. &#8220;Os símbolos são expressões pictóricas cativantes. São retratos indistintos, metafóricos e enigmáticos da realidade psíquica. O conteúdo, isto é, o significado dos símbolos, está longe de ser óbvio; em vez disso, é [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=grupopapeando.wordpress.com&amp;blog=5350779&amp;post=3669&amp;subd=grupopapeando&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align:center;"><a href="http://grupopapeando.files.wordpress.com/2011/11/doriangray_maud-taber-thomas.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-3672" title="doriangray_Maud Taber Thomas" src="http://grupopapeando.files.wordpress.com/2011/11/doriangray_maud-taber-thomas.jpg?w=780" alt=""   /></a>&#8220;<em>Dorian Gray</em>&#8221; por <a href="http://maudtaber-thomas.com/" target="_blank">Maude Taber-Thomas</a></p>
<p><strong>*Excertos da Monografia (O Arquétipo da Sombra no Romance &#8220;O Retrato de Dorian Gray&#8221;) de Anyara Menezes Lasheras.</strong></p>
<p style="text-align:justify;">&#8220;Os símbolos são expressões pictóricas cativantes. São retratos indistintos, metafóricos e enigmáticos da realidade psíquica. O conteúdo, isto é, o significado dos símbolos, está longe de ser óbvio; em vez disso, é expresso em termos únicos e individuais, e ao mesmo tempo participam de imagens universais. Quando trabalhados (isto é, recebendo reflexão e articulação), podem ser reconhecidos como aspectos daquelas imagens que controlam, ordenam e dão significado a nossas vidas. Portanto, sua fonte pode ser buscada nos próprios arquétipos que, por meio dos símbolos, encontram uma expressão mais plena.&#8221; (SAMUELS, et alli, 1988, p.201). &#8220;A essa capacidade da psique de formar símbolos, isto é, de unir pares opostos no símbolo para uma síntese, Jung chama de sua função transcendente, que ele não entende como uma função básica (como o pensar ou o sentir, que são funções do consciente), mas como uma função complexa, composta de várias funções; e &#8220;transcendente&#8221; não significa para ele uma qualidade metafísica, mas o fato de que, por meio dessa função, se cria uma passagem de um lado para outro.&#8221; (JACOBI, 1986, p. 91-92).<span id="more-3669"></span></p>
<p style="text-align:justify;">&#8220;Por &#8220;função transcendente&#8221; não se deve entender algo de misterioso e por assim dizer supra-sensível ou metafísico, mas uma função que, por sua natureza, pode-se comparar com uma função matemática de igual denominação, e é uma função de números reais e imaginários. A função psicológica e &#8220;transcendente&#8221; resulta da união dos conteúdos conscientes e inconscientes.&#8221; (JUNG, 1984, p. 1). Isto porque raramente o consciente e o inconsciente estão de comum acordo pelo fato do inconsciente agir de modo compensatório em relação ao consciente, e vice-versa.</p>
<p style="text-align:justify;">A função transcendente procura impedir que o Ego permaneça em uma posição unilateral. Unindo o inconsciente e o consciente e, deixando um símbolo no consciente, proporciona ao Ego a possibilidade de escolhas e assim este redireciona seu desenvolvimento rumo a Individuação, que é um processo autônomo e inato pelo qual o indivíduo busca se tornar &#8220;um&#8221;, &#8220;único&#8221;, realizando a si mesmo e o Si-mesmo, portanto não é um processo de puro egotismo egoísta, pois transcende o próprio ego.</p>
<p style="text-align:justify;"><strong>2. A Sombra</strong></p>
<p style="text-align:justify;">&#8220;Jung definiu a Sombra de maneira mais simples, direta e clara, quando disse que esta é &#8220;aquilo que ele não queria ser&#8221; (JUNG, 1998, p. 128). Nesta simples afirmação estão incluídas as variadas e repetidas referências à sombra como o lado negativo da personalidade, a soma de todas as qualidades desagradáveis que o indivíduo quer esconder, o lado inferior, sem valor, primitivo da natureza do homem, a &#8220;outra pessoa&#8221; em um indivíduo, seu próprio lado obscuro. Jung era perfeitamente consciente da realidade do MAL na vida humana.&#8221; (SAMUELS, et alli, 1988, p. 204).</p>
<p style="text-align:justify;">Para Jung (1986) a Sombra é um arquétipo que reside no Inconsciente Pessoal quando procede das experiências do Ego. Entendemos por Inconsciente Pessoal, a porção do inconsciente que carrega todos os conteúdos das vivências e pensamentos que o indivíduo experimentou, mas não registrou; conteúdos que acabou por reprimir e esquecer e, ainda, disposições instintivas que nunca chegaram a atingir o limiar da consciência. Portanto, encontra-se mais próxima da consciência e por isso seus conteúdos podem ser mais facilmente identificados e acessados do que os outros arquétipos, que residem no Inconsciente Coletivo (vide pág. 5). O arquétipo da Sombra também reside no Inconsciente Coletivo como o &#8220;eterno antagonista&#8221;. A Sombra é constituída de elementos com fortes bases morais, guardando em si os traços obscuros da personalidade com grandiosa carga emocional e possuindo certa autonomia.</p>
<p style="text-align:justify;">&#8220;É a imagem de todos os aspectos da personalidade em que nos poderíamos transformar.&#8221; (HILLMAN, 1981, p.208). Neste sentido, revela um potencial de desenvolvimento (criativo ou destrutivo; normal ou patológico).</p>
<p style="text-align:justify;">Quando se fala em aspectos sombrios, na Sombra, está se fazendo uma alusão a um dos referenciais para o Mal. A inconsciência desses aspectos causa dano ou prejuízo ao processo de Individuação, além de interferir na vida diária do indivíduo e do grupo. E, na medida em que vão se tornando conscientes, deve-se ter uma postura madura e responsável para que estes não se prestem aos interesses do Ego, passando-se a agredir os demais com as &#8220;próprias verdades&#8221;. Tornar-se consciente não implica em despejar a própria realidade nos outros. Está acima disso. Como já referido, a consciência propicia uma maior liberdade de escolha, até mesmo, do que fazer com os aspectos que se tornaram conscientes. (&#8230;).</p>
<p style="text-align:justify;"><strong>5. Persona</strong></p>
<p style="text-align:justify;">Persona era a máscara usada no teatro grego. Definia os papéis característicos de personagens. &#8220;Como seu nome revela, é uma simples máscara da psique coletiva, máscara que aparenta uma individualidade, procurando convencer aos outros e a si mesma que é individual, quando na realidade não passa de um papel ou desempenho através do qual fala a psique coletiva.&#8221; (JUNG, 1985, p.134).</p>
<p style="text-align:justify;">Jung segue dizendo que &#8220;ao analisarmos a persona, dissolvemos a máscara e descobrimos que, aparentando ser individual, ela é no fundo coletiva&#8221;. Ela seria um compromisso entre o indivíduo e a sociedade acerca daquilo que &#8220;alguém parece ser&#8221;, referindo-se aos dados reais do indivíduo, tais como nome, profissão, etc., dados que identificam o indivíduo, mas que não são a essência desse indivíduo.</p>
<p style="text-align:justify;">A Persona indica como a pessoa deseja ser vista. O critério que será usado para realizarem-se as devidas escolhas dependerá da cultura na qual o indivíduo está inserido, e não se deve esquecer de que, dentro dessas mesmas culturas, ocorrerão mudanças e transformações dos valores socialmente aceitos.</p>
<p style="text-align:justify;">Como foi mencionado acima, na Sombra oculta-se aquilo que se considera ou se aprende a considerar indesejável. Em contrapartida, a Persona, que se desenvolve através do que se aprende com os pais, familiares e do mundo social em que se está inserido como sendo comportamentos, atitudes e valores aceitáveis ou desejáveis, tende a apresentar essas características. Portanto, ela pode mostrar o que se quer revelar e esconder o que se quer ocultar. A Persona é um excelente escudo contra a Sombra; conseqüentemente, quanto mais se observa a Persona, mais próximo se estará da Sombra. A Persona seria o mediador entre o Ego e o mundo externo.</p>
<p style="text-align:justify;">&#8220;A Persona ideal é flexível, permite adequação a diferentes situações sociais. Teoricamente, quanto mais &#8220;roupas&#8221; soubermos usar, maiores chances de adaptação teremos. Isso, porém, desde que, ao mesmo tempo, essas máscaras possam responder também às características de nossa personalidade que estão por trás do ego, na Sombra. A Persona pode contribuir tanto para o desempenho brilhante de uma pessoa carismática quanto para a performance de um charlatão.&#8221; (GRINBERG, 1997. p.144).</p>
<p style="text-align:justify;">A Persona pode ser confrontada pela consciência e ser alterada, mas permanece Persona, ao contrário da Sombra que, quando confrontada, deixa parcialmente de ser Sombra e amplia a consciência através de novos conteúdos.</p>
<p style="text-align:justify;">&#8220;O apego à persona é um dos grandes problemas do ego no desenvolvimento da personalidade. Este apego pode inverter a função normal da persona na qual ela é estruturante e evita a formar sombra. Ao se apegar ao que passou, o ego não desenvolve o novo que irá se expressar pela sombra.&#8221; (BYINGTON, 1988, p. 20).</p>
<p style="text-align:justify;"><strong>*Anyara Menezes Lasheras é psicóloga clínica, Especialista em Psicologia Analítica Junguiana.</strong></p>
<p style="text-align:justify;"><strong>Leia a Monografia completa clicando <a href="http://www.anyara-menezes-lasheras.psc.br/Monografia.htm" target="_blank">AQUI</a></strong></p>
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