Trabalho e Felicidade

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Diná Sanchonete

Angelita Scárdua, Psicóloga: ‘Não dá para ter felicidade se a pessoa não for feliz no trabalho’

A Psicologia junguiana, na sua abordagem da personalidade e do desenvolvimento humano, trabalha com a idéia de Vocação. Segundo a psicóloga Angelita Scardua, as pessoas precisam ser capazes de parar, e ouvir, o chamado da própria vocação na hora de decidir que carreira seguir. Mais ainda, se a decisão implica mudanças de rumo, a confiança na própria escolha precisa estar em alta. Afinal, na hora de encarar uma mudança, é importante que se esteja pronto para o descrédito e a crítica de amigos e familiares. “É mais do que comum que os outros taxem àquele que está mudando de louco! Acontece que, se uma pessoa está envolvida com um trabalho que não lhe permite realizar suas potencialidades – sejam elas intelectuais, emocionais ou mesmo físicas– a realização profissional se torna praticamente impossível. Não dá para ter felicidade se não for feliz no trabalho’, disse.

Qual seria o conceito da vocação da teoria junguiana?

O conceito trata de sentimentos, percepções, pensamentos, etc., que nosl evam a identificar determinadas direções como mais propícias a nossa realização profissional. Contudo, é importante que se entenda que tais“sensações” só dizem respeito à vocação quando estão de acordo com as características, habilidades e capacidades da pessoa. Seria uma espécie de chamado interno, que nos convoca a ocupar um lugar no mundo condizente com as nossas potencialidades. A vocação só é realmente exercida quando conseguimos ter realização profissional, o que se torna viável quando fazemos o que gostamos e o que sabemos fazer bem feito.Nessas condições, a felicidade no trabalho é uma consequência natural.Infelizmente, segundo a psicóloga, a maioria das pessoas não exerce a própria vocação.

Por que isso acontece?

Porque não nos conhecemos o suficiente. Ao longo da vida passamos por várias etapas de desenvolvimento psicológico. Esse processo ocorre a medida que vamos tendo contato com amigos, família, escola, igreja e o mundo de uma forma geral. No decorrer de nossa existência, vamos recebendo estímulos, aprovações e reprovações de nossas atitudes e idéias. Um exemplo seria uma criança filha de hippies que vê um carro bacana em uma revista e se identifica com a perspectiva de vida expressa na propaganda. Como a filosofia dos pais é anticapitalista, anticonsumista, etc., o interesse da criança por aquele universo tende a ser rejeitado pela família. Dessa forma, a criança pode vir a reprimir esse e outros interesses similares, apenas por não condizerem com o modelo de vida idealizado pelos seus pais.

O que se passa na cabeça de um jovem quando ele decide que carreira vai seguir?

Ao contrário do exemplo acima, a maioria dos jovens são estimulados a se adequar a modelos profissionais tidos como bem-sucedidos. Um jovem quequeira fazer filosofia, por exemplo, certamente encontrará obstáculos na família, isso porque carreiras como as de advogado e médico são mais valorizadas pela sociedade. Mas será que todos têm vocação para o direito ou a medicina?

Qual a hora de mudar?

Ao ouvir o chamado interno é preciso ter coragem para mudar. Infelizmente, o que ocorre é que a maioria das pessoas não conseguem fazer essa mudança.Elas estão surdas para o próprio desejo e não ouvem este chamado.Diante do desejo de mudança, a melhor atitude seria: largar tudo e correr atrás do que vai lhe fazer feliz. Mas, para muitas pessoas, os compromissos financeiros podem falar mais alto. No Brasil, e em países mais pobres do que ricos, a escolha profissional torna-se apenas uma questão de sobrevivência. Ao contrário disso, em países mais desenvolvidos os jovens têm mais tempo para decidir sobre a profissão,não se sentem tão pressionados a “resolver” logo a vida. Igualmente, os adultos, em geral, conseguem se estabilizar financeiramene na primeira metade da vida, se sentindo mais livres para mudanças profissionais em idades mais avançadas. Por isso é fundamental que, antes de decidir sobre uma carreira a pessoa tenha em mente todo tipo de questionamentos, desde os mais simples como “a roupa que poderei usar na minha atividade profissional tem a ver comigo, com o que penso e sinto?”; até os mais complexos como “As coisas que faço bem e que gosto de fazer têm espaço, e são valorizadas, na profissão escolhida?”. Nunca é demais lembra qu: os profissionais mais bem-sucedidos são aqueles que fazem o que gostam.

É importante ouvir a voz interior

Você ama finanças? Qual a sua missão de vida? Qual a sua visão de futuro?Essas três perguntas fizeram com que o consultor de desenvolvimento pessoal e profissional, sócio da Crescimentum, Sérgio Gomes, pensasse em sua carreira profissional.

‘Uma vez ouvi dizer que era muito melhor escolher do que ser escolhido. Porém só fui entender isto quando mudei o rumo da minha carreira. Atuei anos como executivo e sempre percebi que existia algo de errado com a minha carreira, pois não me sentia apaixonado por acordar toda manhã e ir trabalhar. Este é o primeiro indício de que algo pode estar errado na profissão escolhida. Foi durante uma entrevista que ouvi as três perguntas que fizeram com que eu tomasse a decisão de mudar de vida’, contou.

Para ele, as pessoas que acreditam que não estão fazendo o que realmente amam profissionalmente, devem seguir as seguintes dicas: fazer um alista das coisas que você ama fazer; o que você faz muito bem e o que poderiam lhe pagar para fazer. ‘Porém existe uma regra, para que alguma coisa esteja na terceira lista é obrigatório estar pelo menos na primeira’, afirma.

Jornal A Gazeta – 29/07/2007

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