Alguns Aspectos da Religião na Psicologia Analítica

blake-compasso

Imagem: William Blake

Excertos de artigo escrito por Mauricio Aranha

(…) Para Jung, a instância que abriga a imagem divina na psique humana é o self. Este seria um princípio ordenador da personalidade capaz de conter todas as possibilidades do “vir a ser” heraclitiano; em outras palavras, dando significado ao símbolo.

(…) Assim sendo, pode-se inferir que tudo o que já foi manifesto nas escrituras bíblicas e nos dogmas cristãos possui correlato na função religiosa da psique, ou seja, são expressões do arquétipo religioso contido em cada pessoa. (…) Jung valoriza tanto o papel da religiosidade que chega a propor que os sistemas religiosos deveriam se ocupar de questões da psique, sendo então “sistemas psicoterapêuticos”. No entanto, o que se torna evidente é que a religião atua contrariamente a este posicionamento, tendo em vista que sua direção se volta para o objetivo de“proteger” as pessoas das possíveis experiências religiosas direta, pois sua abordagem se faz em nível de “confissão”.

“O que chamamos comumente e em termos genéricos de “religião” é de modo tão surpreendente um substituto, que me pergunto seriamente se essa espécie de religião, que preferiria chamar de confissão, não teria uma função importante na sociedade humana. Ela tem o objetivo óbvio de substituir a experiência direta por uma diversidade de símbolos adequados, soba forma de um dogma ou de um ritual bem organizado. (…) Enquanto esses dois princípios [autoridade absoluta, no catolicismo; e, crença no evangelho, no protestantismo] mantiverem-se ativos, as pessoas estarão bem protegidas contra a experiência religiosa direta .” (Jung, 1971f: CW 11i, par. 75).

Jung salienta que o protestantismo tendo se despojado de muitos rituais preservados pelo catolicismo, deixou o indivíduo se confrontar com seus aspectos sombrios, o que em muito beneficiou as modernas sociedades, pois as tornou mais analíticas.

Quando acima foi mencionado o self como estrutura totalizadora deste processo, quis-se evidenciar que para tanto é necessário o engajamento do ego que irá responder às solicitações do processo de individuação, (…) Esta “individuação”, (…) se torna um ato de significação religiosa, uma vez que confere significado ao esforço individual. (…)No âmbito das interações entre indivíduo e psique coletiva, entende Jung que a existência de uma atitude religiosa viva e válida é o único meio capaz de promover esta conciliação.

(…) Por fim, quando Jung (2001) emite sua opinião sobre a religiosidade, afirma:

“Não acredito pois realmente sei de um poder de natureza muito pessoal e uma influência irresistível. Eu a chamo de ‘Deus’”.

Clique aqui para ler o artigo na íntegra!

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