Psicologia e Arquitetura: Percepção dos Espaços em Busca da Identificação do Ser

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Por Fabiana Ferreira da Silva


A primeira, ou umas das primeiras atitudes do homem nômade para tornar-se sedentário, foi a busca da moradia fixa. A busca por um espaço seu, onde pudesse criar a sua família, plantar o seu alimento e criar os seus animais. Isso deu uma característica ao homem: ser o único animal capaz de modificar a paisagem em que vive. Cada modificação que o homem faz em seu espaço, é uma tentativa de molda-lo aos seus desejos, criando algo à sua imagem e semelhança.


É muito comum reconhecermos vilas, ou cidades, pelo tipo de suas habitações, pelo seu paisagismo, pelos seus detalhes culturais que transparecem na arquitetura. Entretanto, essa identificação não ocorre apenas no coletivo das cidades, mas ocorre principalmente na individualidade, ou seja na própria residência.


Quando o individuo se apropria do seu “local”, assim como os nossos ancestrais, ele demarca o seu território, tornando-o um universo único, que revela quem ele é e como se posiciona diante desse espaço, que o protege e acolhe. Por esse motivo, quando um cliente vai a um escritório de arquitetura, ele apenas quer que o arquiteto coloque no papel o seu sonho, não se preocupando se o estilo da casa será art noveau, barroco, clássico, gótico. É muito comum, arquitetos se desentenderem com os seus clientes e não prosseguirem o projeto, por acharem que as idéias do proprietário são “desapropriadas e ultrapassadas”. Ou a pior hipótese, o cliente acaba cedendo à pressão do arquiteto, e constrói a sua casa no “estilo modernista”, vendendo-a depois, por não conseguir morar no local.


O indivíduo primeiro percebe o ambiente, e depois, através dos sentidos, consegue dizer se sente bem ou não. A relação ambiente construído – comportamento humano, é muito forte, por isso é necessário que antes do projeto ser concebido, haja uma leitura da personalidade do cliente, uma percepção do ambiente que ele considera ideal. A percepção torna-se “….fator de relevância para análise do ambiente em fruição, indicando e dimensionando seus aspectos qualitativos, de categorias tipológicas, incidência e relações, alertando sobre as demandas e anseios de melhoria, tendo em vista a evolução, atualização e as projeções futuras (…), avaliação que procede segundo seu alcance de conhecimento para uso também de seu alcance no saber e na cultura própria” (Monzéglio, 1990, pp.33).


Essa percepção tem muito mais de psicologia, do que de arquitetura propriamente dita: saber os hábitos da família, quantos moram na casa, quais seus hobbies, qual cor preferida. Em cada objeto escolhido, em cada cor, em cada material, tudo tem sua simbolização inserida na significação produzida pelos sentidos. O indivíduo primeiro percebe o ambiente, e depois, através dos sentidos, consegue dizer se se sente bem ou não. “O homem e suas extensões constituem um sistema inter-relacionado. É um erro agir como se homens fossem uma coisa e sua casa, suas cidades, sua tecnologia, ou sua língua, fossem algo diferente.”(E. Hall, 1996, pp. 166).


Sendo assim, o edificio, a casa, deixa de ser avaliado apenas como algo construído, e passa a ser encarado como um espaço “vivencial”, que será ocupado por pessoas. Além do que, o contato direto do indivíduo com o objeto, torna-o um crítico severo. Por isso, desde o projeto até a escolha dos acabamentos, o arquiteto tem que ser “psicólogo”, pois é extremamente necessário que conheça os sentidos dessa subjetividade individual que está construindo em tijolos.


FONTE: Revista AtlasPsico

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