Noticias Sobre a Escola

Uso de Meios Digitais na Educação Pode Melhorar Aprendizagem

Recursos digitais ajudam a aumentar a interação entre professor e aluno e ampliam espaço da sala de aula

A inclusão de recursos digitais em salas de aula ajuda a aumentar a comunicação entre estudantes e professores. Projetos desenvolvidos por meio de blogs e aulas interativas incentivam a maior participação dos alunos nas atividades escolares e proporcionam benefícios na aprendizagem. “Os alunos praticamente já nascem sabendo usar computadores e nada mais natural e importante do que os professores passarem a usar os recursos digitais para melhorar o aproveitamento da disciplina”, afirma a professora Lina Maria Braga Mendes.

O pouco uso de meios digitais na educação foi um dos motivos que fizeram com que Lina iniciasse sua pesquisa de mestrado na Faculdade de Educação (FE) da USP, Experiências de fronteira: os meios digitais em sala de aula, sob orientação daprofessora Mary Julia Martins Dietzsch. “A utilização de mídias digitais poderia começar a partir do primeiro ano do ensino fundamental. Desde muito cedo as crianças têm contato com computadores em casa”, ressalta a pesquisadora.

Suas experiências começaram por meio da implementação de blogs em projetos desenvolvidos com turmas de ensino fundamental de um colégio particular de São Paulo. “Há vários tipos de trabalho que o professor pode desenvolver com blogs. Podemos criar um blog de disciplina, em que o professor e alguns alunos teriam acesso à edição, há também o blog do professor, no qual só ele entra para publicar textos interessantes relacionados ao assunto da aula, além de manter contato com o aluno fora da sala, e ainda o blog de aluno, em que os estudantes publicam os trabalhos que realizam e o professor entra com comentários”, explica Lina.

Entre os principais benefícios dos meios digitais nas escolas estão o aumento do diálogo entre professores e alunos e a ampliação do espaço da sala de aula, já que o contato passa a ser também fora do horário escolar. Além disso, os recursos disponíveis nos computadores e na internet fazem com que os estudantes tenham mais prazer em assistir às aulas e interajam de modo mais efetivo.

“Quando saímos da sala de aula, que muitas vezes conta apenas com o giz e a lousa, e vamos para o computador já temos inicialmente o recurso da imagem e do movimento. É possível usar vídeo, áudio, fotografia e outros recursos para mostrar mais detalhes e curiosidades sobre o assunto estudado. Isso faz com que os alunos prestem mais atenção nas aulas e saiam do espaço imaginário, intangível, representado por um mapa de um livro, e adentrem o espaço real, visível no Google Earth, por exemplo”, explica a pesquisadora.

Barreira da linguagem

Apesar de os alunos terem crescido em frente aos computadores, Lina afirma que muitos têm dificuldades com a linguagem do mundo digital. “A experiência que tivemos com a leitura de adaptações literárias para a internet, por exemplo, foi um pouco complicada, pois os alunos – apesar de passarem horas a fio todos os dias na rede – não conhecem a linguagem do meio em que navegam e alguns acabaram não compreendendo sequer o enredo da obra”, diz.

Um ponto positivo do uso de meios digitais nas salas de aulas é mostrar aos estudantes as diferenças existentes em cada uma das linguagens que utilizamos. Segundo a pesquisadora, “a linguagem de um livro impresso é diferente daquela usada em um vídeo, por exemplo. Do mesmo modo, não podemos confundir o que é feito para o meio digital com o que se destina à publicação em papel. Muitas pessoas afirmam categoricamente que a linguagem de internet, com suas abreviações e símbolos, atrapalha a escrita, mas é preciso perceber que ela é apenas uma outra linguagem, destinada, portanto, a outras situações de uso que não as que acontecem na sala de aula. O aluno deve entender isso e utilizá-la apenas naquele meio.”

Dificuldades para professores

A iniciativa de usar blogs e outros recursos dos meios digitais na educação também tem seus entraves. Um deles é a dificuldade que o professor tem tanto em sua atualização quanto na disponibilidade de tempo. “Muitos professores ainda têm dificuldades em usar recursos básicos do computador, como Word e o Power Point. São recursos que poderiam ajudá-lo a criar uma aula diferente e a trazer novas informações”, garante Lina.

Tendo como pressuposto que todo o professor tem acesso a um computador, a pesquisadora salienta que outro problema para a implementação de aulas que utilizam os recursos digitais é a falta de remuneração para desenvolver projetos como esses. “Por mais que o professor queira levar meios digitais para as salas de aula, ele esbarra no problema do tempo gasto fora do horário escolar. A manutenção de um blog, por exemplo, demanda tempo de pesquisa, produção e criação de atividades, e não há incentivo financeiro ou um horário remunerado para essa prática”, explica.

Para a pesquisadora, mesmo sendo difícil a utilização dos meios digitais na educação é necessário que os professores fiquem atentos a esses novos recursos e aos benefícios que trazem ao aprendizado dos alunos. “O professor que dá aulas do mesmo jeito que teve aulas quando criança ou adolescente comete o erro grave de esquecer que é de outra geração”, alerta.

Guerra dos Sexos na Escola

Meninas e meninos vêem a violência moral de formas diferentes: elas esperam que eles sejam mais agressivos do que realmente são, por conta de um modelo social machista e reproduzido na vivência escolar.

E, embora desacreditados do poder do diálogo para resolver conflitos, esses jovens podem se sensibilizar para escolherem soluções pacíficas frente a problemas interpessoais. É o que concluiu a psicopedagoga Kátia Pupo em seu mestrado, defendido pela Faculdade de Educação (FE) da USP.

Como violência moral, ela entende as pressões psicológicas nas relações entre os estudantes, que incluem humilhações, xingamentos, ameaças, exclusão e perseguições sistemáticas, além de conceitos de incivilidade e bullying – termo usado para descrever atitudes agressivas, intencionais e repetidas, sem motivação evidente, e que promovem humilhação e angústia por parte da vítima.

Kátia aplicou um questionário a 96 adolescentes da 7ª série e do 2º ano do ensino médio, estudantes de escolas públicas privadas, sendo 48 meninas e 48 meninos. Depois de apresentar uma cena hipotética de violência moral branda (em que um(a) aluno(a) é desrespeitado na fila da cantina, sendo impedido(a) de comprar o lanche), pediu que os jovens falassem sob três óticas distintas: no lugar da vítima, as alternativas para solucionar o problema e o que esperavam da reação da vítima caso fosse do outro gênero.

“Encontrei diferenças significativas nas representações femininas e masculinas, especialmente no que diz respeito à ação esperada do sexo oposto”, comenta a pesquisadora. Isso a levou a questionar a forma como alunos e alunas são orientados frente a situações de conflito e “rever arraigadas condutas sexistas, que reforçam os estereótipos de gênero construídos social e historicamente, em nossa prática educativa no interior da escola”.

Para sua surpresa, ela constatou que as meninas esperam dos meninos uma conduta mais violenta do que eles têm. “O que levantei foi que meninos e meninas se enxergam de maneira distorcida e, ao mesmo tempo, cristalizada”. Ao assumir tal postura, elas correm o risco de se tornarem condescendentes com as agressões que sofram ou presenciem nos relacionamentos afetivos futuros.

Kátia avaliou que 79% das adolescentes esperam dos meninos um comportamento violento, mas apenas 13% dos garotos desejariam reagir violentamente à situação. Outro dado encontrado foi que os jovens culpam a vítima por ela ser vítima, ou seja, para esses sujeitos, diante das circunstâncias apresentadas, não restava à personagem nenhuma alternativa a não ser submeter-se à situação. Pior: a cena hipotética é leve, se comparada ao que acontece diariamente nas escolas. “Eles acham que impedir alguém de comprar lanche não é violência. A violência moral é até mais grave que a física por repercutir com mais intensidade na formação da pessoa”.

Violência real

Em 2003, quando Kátia era orientadora educacional de uma escola particular de São Paulo, alguns alunos ameaçaram um menino novato com canivete. Conversando com eles, ficou incomodada ao perceber que aquela atitude, na percepção dos alunos, era normal. Para eles, excluir e humilhar seriam experiências inevitáveis dentro da escola. Foi quando resolver pesquisar a fundo – logo viu que o envolvimento de meninos e meninas era diferente. Elas, sutis, provocam mais exclusão do que humilhação sistemática. Eles, por outro lado, tendem a uma ação mais bruta.

“A escola precisa urgentemente colocar em discussão na sala de aula os papéis sexuais”, sugere Kátia. Segundo ela, não existe mais um modelo de comportamento para a mulher. “O universo feminino foi ampliado e o masculino continuou preso a modelos tradicionais. Há uma pressão muito grande sobre eles em relação à honra, ao machismo, e por isso são estimulados a ter um comportamento violento”. Um exemplo disso é o fato de que, hoje, aceita-se que meninas joguem futebol, mas não que os meninos façam balé.

“Temos que tirar da invisibilidade a violência que acontece na escola entre os alunos, desnaturalizá-la e torná-la motivo de indignação e reflexão”, afirma a pedagoga. Ela defende que o profissional precisa reconhecer em sua prática que existem diferenças e que elas estão presentes em qualquer situação educativa. Não se pode, portanto, tratar de maneira igual alunos de sexo oposto, já que são diferentes, pensam diferente e têm atitudes e expectativas diferentes. Se o professor mantiver a neutralidade, estará legitimando um modelo de conduta machista.

Escola Regular Não Está Preparada Para Receber Aluno Com Deficiência

Atualmente, no Brasil, jovens com algum tipo de deficiência física ou mental podem tanto estudar em escolas especiais como em escolas do sistema regular de ensino. No entanto, de acordo com uma pesquisa realizada pela professora de educação física Marcia Greguol Gorgatti, as escolas do sistema regular não estão preparadas para receber esses jovens.

“A inclusão do aluno com deficiência não está ocorrendo nas aulas de educação física do sistema escolar brasileiro. Apesar de funcionar, não é um processo fácil; requer uma estrutura adequada e informação dos professores”, analisa Marcia. De acordo com ela, o que comumente ocorre é a colocação do adolescente na aula sem nenhum tipo de respaldo, como, por exemplo, fazendo-o desenvolver uma atividade separada do resto da turma ou pedindo para o auxiliar da aula cuidar dele.

Para sua tese de doutorado, Marcia analisou aspectos da aptidão física de 24 adolescentes cegos com idade entre 14 e 16 anos do sexo masculino, sendo 12 de escolas regulares e 12 de uma escola especial, e a percepção deles, via questionário, sobre as aulas de educação física. Também analisou por intermédio de outro questionário as atitudes de 90 professores de educação física da rede pública e da rede privada de ensino com relação à inclusão de alunos com deficiência nas escolas regulares.

“Foram feitas 3 medições em 16 meses do crescimento físico, da adiposidade e da aptidão física dos adolescentes, verificando entre outras coisas a velocidade, a flexibilidade e resistência abdominal deles”, conta a pesquisadora. O estudo é da Escola de Educação Física e Esporte (EEFE) da USP.

Inclusão com dificuldades

Nos testes de aptidão física, os alunos da escola especial apresentaram resultados superiores e uma melhor evolução em praticamente todas as variáveis pesquisadas. Além disso, em relação à aceitação e à competência percebidas, novamente os alunos da escola especial demonstraram resultados mais positivos do que seus colegas de escolas inclusivas, afirmando serem mais participativos nas aulas e sentindo-se mais bem aceitos pelos colegas e pelo professor.

“Observou-se que os adolescentes da escola especial apresentaram um conceito de educação física mais relacionado à saúde, à convivência com os amigos e ao ganho de independência; aqueles de escolas inclusivas destacaram o conceito de educação física vinculado ao esporte e, em alguns casos, não conseguiram perceber sua importância enquanto disciplina escolar”, diz Marcia.

Quanto à atitude dos professores, verificou-se que as maiores preocupações foram sobre sua falta de preparo e a escassez de estrutura da escola para receber, de forma adequada, alunos com deficiências. “Cerca de 48% dos professores não gostam de receber alunos com deficiência”, aponta a professora.

Os professores avaliados que tinham até dois anos de experiência apresentavam mais otimismo em relação ao benefício que a educação física proporcionava aos alunos com deficiência e demonstravam mais interesse e empenho em fazer especializações na área.

“Não houve diferença na atitude de professores da rede pública e da rede privada”, observa a pesquisadora. Segundo ela, ambos concordavam que a inclusão dos alunos com deficiência é importante para todos os alunos, com deficiência ou não, mas se sentem despreparados para lidarem com esse tipo de aluno.

Formação deficitária

Marcia relata que o despreparo dos professores também decorre da formação que recebem dos cursos universitários. “Apesar de existir uma disciplina que trata do assunto, ela é lecionada no fim do curso, normalmente no quarto ano, quando já se aprendeu sobre todos os esportes e nenhum professor falou sobre isso”.

A professora afirma que, apesar de sua dificuldade, a inclusão no ensino da educação física não deve ser deixada de lado já que muitas vezes é a única oportunidade que o jovem com deficiência tem para praticar uma atividade física. “O adolescente com deficiência não reúne os amigos para jogar bola, não brinca na rua; por isso, a educação física é tão importante para ele”, diz ela.

FONTE: Agência USP

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: