O Complexo de Chronos e o Descompasso Emocional

*Por Ricardo Alvarenga Hirata.

Introdução

(…)

Nossa forma de lidar com o Tempo se apresenta dissociada. Sobrevalorizamos a criação do novo, da moda, da estética juvenil, da velocidade das transformações, o planejamento pormenorizado das horas do dia, os agendamentos diversos e a previsibilidade. As trocas rápidas de parceiro, de canais, de filmes e de baladas são gatilhos das emoções adrenérgicas, do prazer volátil e fugaz. Por outro lado, o Tempo do repouso, do luto, da elaboração simbólica, da tensão entre os opostos, da reciclagem natural, do metabolismo fisiológico, da velhice, da memória do povo e das tradições fica restrito ao inconsciente cultural. Dessa forma, estes conteúdos reprimidos são atuados, resultando em ações contrárias à nossa sobrevivência enquanto espécie.

Exemplo disso é a bioacumulação corporal de substâncias químicas que mimetizam hormônios sexuais e que vêm diminuindo a fertilidade humana. Os POPs (Persistent Organic Pollutants) e PBTs (Persistent Bioaccumulative Toxins) são toxinas químicas criadas pelo homem presentes em inúmeros produtos de nosso uso diário e que se acumulam no corpo, principalmente no tecido gorduroso. Dos pesticidas aos compostos usados para resfriamento, lubrificantes, selantes e antiinflamáveis, estas substâncias se acumulam na cadeia alimentar sem que possam ser detectadas, ou mesmo retiradas do meio-ambiente. Em especial, por sua característica de mimetizar certos hormônios sexuais, seus efeitos nos humanos incluem: cânceres de testículo, ovário, próstata e mama; redução da quantidade de espermatozóides (Auger et al, 1995; Kelce et al, 1995), depressão da imunidade, aumento da puberdade precoce e distúrbios do desenvolvimento fetal; redução da inteligência, hiperatividade e violência (Colborn et al, 1996; Mathews, 1996; Meadows, 1996; Repetto and Baliga, 1996). Até então pouco conhecidas pelo público em geral, tais substâncias comprometem a re-criação da vida e a re-novação do Tempo. Estes dados, somados às previsões de alteração climática e escassez de água potável nos questiona sobre nossa atual incapacidade de administrar o meio-ambiente de forma sustentável, o que compromete a qualidade de vida das gerações futuras.

Essa realidade triste e ignorada nos remete ao mito do Titã Cronos, que devorava os próprios filhos para não perder o poder. Ou então, ao de Úranos, que aprisiona sua própria prole nas entranhas de sua consorte, Gaia. A afirmação “Se não entendemos o Tempo, nos tornamos suas vítimas” (Gleick, 1999, p. 13) serve como uma boa metáfora para nossa inabilidade atual em lidar com o Tempo, a qual é evidente na ausência de um mito atual para o tema.

(…)

Demos a este quadro o nome de Complexo de Chronos, uma vez que revela aspectos sombrios emocionalmente carregados que giram em torno da temática do Tempo.

Paradoxo Temporal e Mitos de Criação

A principal dificuldade de uma reflexão sobre o tempo está na própria natureza paradoxal e enigmática desta vivência arquetípica fundamental. O que é o tempo? Como começou? Terá um fim? Existe passado e futuro? Podemos voltar no tempo, ou viajar para o futuro? Se temos a capacidade de experienciar passado, presente e futuro, isso só é possível porque o Homo symbolicum tem a capacidade de simular suas hipóteses e suposições, crenças e suspeitas. Aprender com experiências do passado para articular as ações do presente visando um determinado resultado futuro está na essência da experiência temporal. No entanto, este conhecimento de nossa própria finitude traz a angústia da limitação existencial. (…).

Os mitos que envolvem o Tempo quase sempre são os mais básicos de todas as civilizações, porque são mitos de criação. E, portanto, de difícil compreensão, abstratos e estranhos. Em toda criação há um despertar para a consciência onde se inicia um novo tempo, o tempo do novo. Estes mitos fundantes orientam a sociedade e o indivíduo quanto a sua identidade profunda e o propósito de vida, ordenam as atividades sociais e as projeções sobre os ciclos de vida dos vegetais e animais: o tempo de plantar, colher, caçar, etc. (…).

Chronos e Cronos

Na mitologia grega, Chronos (ou Khrónos, o Tempo em grego) é constantemente confundido com Cronos (Krónos), o Titã filho de Úrano (Céu), casado com Réia e pai de Zeus. Embora sejam distintos etimologicamente, ambos foram identificados com o Tempo personificado, talvez, por uma homonímia forçada (Brandão, 2002, p. 198). A raiz das palavras cronologia, crônico e outras que remetem na língua portuguesa a Cronos; em inglês passam a chronology e chronic, como em Chronos. Vale lembrar que o radical crono-, em português, deriva do grego. khrónos = ‘tempo’ (Houaiss, 2005). Mesmo na obra de Jung, encontramos: (…) “Na religião mitraica encontramos um estranho deus do tempo, o Aion, também chamado Crono (…)” (Jung, 1993, par. 425); (…).

(…) No culto de Mitra, Aion é o deus que guarda o caminho para o passado e o futuro, possui uma chave em cada mão e sua representação é o corpo de um homem alado, com cabeça de leão, envolvido por uma serpente que se eleva até acima de sua cabeça. No seu corpo estão os signos do zodíaco: é um símbolo do tempo composto de imagens da libido. Ele representa a união de opostos. “Ele é o tempo infinito e a longa duração, o deus supremo da hierarquia mitraica, que cria e destrói todas as coisas”. (Jung, 1985, par. 266). (…).

(…) (…) (…)

O Tempo Circular

Para entender como nossos mitos do Tempo foram perdendo sentido ao longo da história, adotamos a divisão proposta por Eliade (Eliade, 1989, p. 25) e aprofundada por Henry-Charles Puech (IN: Campbell, 1973, p. 65) e Marie-Louise Von Franz (von Franz, 1978, p. 11). Segundo a mesma, dois aspectos básicos de nossa idéia arquetípica do Tempo são: a circularidade cíclica e a irreversibilidade linear.

Esta forma de representar mitologicamente o Tempo é típica dos povos primitivos e podemos associá-la à dinâmica do arquétipo da Grande-Mãe. Nenhum evento é único e absoluto, mas re-atualizado no seguir das gerações: é o eterno retorno, sem início nem fim. Por conseqüência, os sucessivos ciclos dão origem a um ritmo, onde não há “antes” nem “depois”. E, assim, a história não comporta nada absolutamente novo, mas apenas a reedição de algum evento passado. O mundo grego também entendia o tempo como sendo cíclico e circular, perpetuamente retornando sobre si mesmo e sob a influência dos movimentos astronômicos. O tempo é ”a imagem móvel da imóvel eternidade” e repete o
movimento circular dos astros em contínuo retorno.

(…) Na história das religiões, os mitos do Tempo traziam sempre implícita a idéia de renovação. Mircea Eliade separava o tempo sagrado do tempo profano. “Para a mentalidade primitiva, o tempo não é homogêneo”.(Eliade, 2002, p. 314) As três características do tempo mágico-religioso, que o diferenciam do tempo profano, são: periodicidade, repetição e eterno presente (Eliade, 2002, p. 318). (…)

O Tempo Linear

A inovação fundamental, em relação ao simbolismo do Tempo, surgiu com o cristianismo judaico. Neste, o Fim do Mundo será único, assim como a cosmogonia foi única. “O Tempo já não é o Tempo circular do Eterno Retorno, mas um Tempo Linear e irreversível. (Eliade, 1989, p. 59). Já não se trata apenas de uma renovação cósmica, há um julgamento, uma seleção: “apenas os eleitos viverão numa beatitude eterna.”(Eliade, 1989, p. 60). Ademais, a Encarnação realizou-se num tempo histórico, e não cósmico. E embora o tempo litúrgico seja um tempo circular, o cristianismo aceita o tempo linear da História. “O mundo foi criado apenas uma vez e terá apenas um único fim: a Encarnação teve lugar uma única vez, no Tempo Histórico, e haverá um único juízo”. (Eliade, 1989, p. 143). Contrariamente, para o cristianismo, o tempo está associado à Criação e à ação contínua de Deus, se desdobrando em apenas uma direção. Representa uma evolução progressiva que provém do passado em direção ao futuro. É finito e possui começo (Gênesis) e final (Apocalipse) determinados e inalteráveis.

Modernidade e desorientação temporal

O descompasso atual entre consciente e inconsciente é colocado por Jung como a razão das terríveis regressões de nosso tempo.

O ritmo de desenvolvimento da consciência na ciência e na técnica foi rápido demais, deixando para trás o inconsciente que não acompanhou seu passo, impelindo-o assim a uma posição de defesa, a qual se manifesta em uma vontade generalizada de destruição. (Jung, 2000, par. 617) O início dessa dissociação nos remete à Alquimia, quando o homem passou a desempenhar “o papel que cabia ao Tempo”, qual seja: a responsabilidade de transformar a Natureza. “O que teria exigido milhares de anos ou Eões para ‘amadurecer’ nas profundezas subterrâneas, o metalúrgico e, sobretudo, o alquimista cuidam poder conseguir em algumas semanas”(Eliade, 1979, p. 131). Para esta Arte é, sobretudo, o fogo que modifica a Natureza. A transmutação alquímica implicava na alteração do tempo.

(…).

Na contemporaneidade, com a industrialização e a secularização radical, “modificar a Natureza” adquiriu uma outra perspectiva, a de dominar e “rivalizar” com a Natureza, de forma rápida e imediata. Sob o frenesi do progresso infinito, o tempo da transformação alquímica é substituído pelo tempo das máquinas e engrenagens. O relógio enfim é aperfeiçoado para medir o passar de horas precisas e preciosas, já que “time is money”. As sociedades passam a se organizar em torno da produção em grande escala, a fim de armazenar, importar e exportar. O tempo agora está muito longe dos ritmos da Natureza, da circularidade primitiva, da linearidade judaico-cristã ou da transformação alquímica da matéria. Nem mesmo o paradigma causalista da física clássica comporta as incertezas da relatividade e da mecânica quântica. O mundo tornou-se estranho. O racionalismo frio e seco não tem recursos para re-animar o mito do Tempo.

Em nosso imaginário, o big bang, os buracos-negros, o continum espaço-tempo, a dupla natureza da luz (onda e partícula), o quark, as super-cordas, o caos, etc. ainda não encontram a poesia mítica da anima que dá significado ao símbolo. Estamos no meio de uma travessia profunda e lancinante, onde o tempo parece se es gotar e não sabemos como renová-lo. Nossas festas de Ano Novo não dão mais sentido à re-criação. Não encontramos o alívio da fé nas missas religiosas. Não compreendemos os novos paradigmas da física e da matemática. A opressão econômica nos angustia com dívidas em bancos e caros empréstimos. Olhamos para as estatísticas ambientais e sentimos tamanha impotência frente a um mundo degradado que deixaremos de herança para as próximas gerações.

Descompasso emocional

Na maior parte de nossa história, o tempo foi medido tendo como referência eventos astronômicos – a rotação da Terra, os solstícios, o movimento dos planetas, dos cometas, etc. Depois deles, vieram as clepsidras, ampulhetas, relógios de pêndulo e de corda. Atualmente, são os relógios atômicos que dão a hora. Os avanços tecnológicos demandam uma medição e um sincronismo cada vez mais precisos. Estamos na era dos nanosegundos. Apenas para ilustrar, em um nanosegundo a bala de um tiro de revólver não se move e a luz percorre apenas 30cm. O Sistema Mundial de Comunicação, os satélites de posicionamento global (GPS), a telefonia celular e os armamentos militares são exemplos das tecnologias que só podem funcionar com o auxílio dos relógios atômicos. A vida moderna acelerou nossa percepção do tempo, nossa quantidade de imagens, nossa carga de trabalho e de interesse, de desejos e angústias. O desenvolvimento virtual da Internet, do cinema e da Tv incrementaram uma realidade virtual com seu tempo próprio: tomamos conhecimento dos fatos em “tempo-real”.

Temos a impressão de ter menos tempo para realizar aquilo que queremos, que por sua vez, quadruplicou em quantidade. Nos interessa a pergunta: quais foram as conseqüências sócio-ambientais, psicológicas e éticas desta aceleração? O que reside na sombra da aceleração contemporânea? Seguindo o modelo das quatro vias de elaboração simbólica do eixo ego-self, quais sejam: corpo, natureza, emoção-ideação e relação Eu-Outro, passamos à análise do complexo de Chronos nas manifestações culturais pós-modernas.

Uma vez que os pólos destruição e repouso encontram-se reprimidos no inconsciente cultural, acreditamos que o excesso de matéria criada pela altíssima demanda de bens e serviços atual não encontra recursos naturais para sua re-integração no ciclo natural. Dessa forma, tanto o corpo quanto o ambiente sofrem de um acúmulo progressivo de lixo, resíduos, gordura, substâncias tóxicas bioacumulativas, etc. O descompasso entre produção e reciclagem, ou ingestão e metabolismo existente acarreta patologias e distúrbios, tais como: obesidade, infarto do miocárdio, desequilíbrio hormonal, cânceres diversos, alterações climáticas, efeito estufa, escassez de água potável, poluição, acúmulo de lixo radioativo, etc. A produção de lixo tóxico dos Estados Unidos, por exemplo, subiu de 9 milhões de toneladas em 1970, para 238 milhões em 1990. Só em Nova Iorque são mais de 26 mil toneladas por dia. A Europa, por sua vez, produz mais 2,5 bilhões de toneladas de resíduos sólidos por ano (Gourlay, 1995). Logicamente, a biosfera não tem capacidade natural para reciclar toda esta matéria em decomposição. Algumas substâncias criadas pelo homem demoram milhares de anos para serem decompostas e outras se acumulam na natureza gerando doenças e desequilíbrios em diversos ecossistemas.

Do ponto de vista relacional, evidencia-se o alto grau de descartabilidade das relações pessoais, a incapacidade de tolerar a frustração e a impaciência com o Outro. A necessária tensão entre os opostos não se realiza em vista da busca pelo prazer imediato, ocasionando um “afrouxamento” psíquico no qual a função transcendente não se manifesta, agravando o quadro citado. Quando aceleramos nosso viver, nossa quantidade e qualidade de diferentes vivências, mas sem dar-lhes significado “profundo”, vivemos sem sentido, sem direção – a esmo. Daí advém as dependências, como uma fuga para uma realidade hedonista, onde não é necessário compreender. A aceleração vem ao encontro da ilusão de fugir desta dor. Busca-se o prazer sem se levar o Outro em conta, sem alteridade, gerando assim violência e opressão.

A falta de sentido de uma existência mecânica e dissociada vem ocasionando um aumento nos transtornos de ansiedade, estresse e pânico. As emoções se restringem às liberações adrenérgicas, velozes e efêmeras. O ego, que não produz sua própria energia, padece da falta de Eros, de energia psicofísica. Dionísio exilado é então atuado na adição às drogas, ao jogo, nos transtornos alimentares, na violência, no arrebatamento e na loucura. O excesso de emoções adrenérgicas é fruto de uma vida em dissociação e vice-versa. Quando não nos alimentamos da vida simbólica, do alimento do profundo e nos entregamos à mesa farta do efêmero e pobre alimento adrenérgico, temos que pagar o alto preço do acúmulo de cortisol no organismo, o hormônio do estresse.

Com relação ao componente de ideação, identificamos uma busca sombria do Paraíso: a eternidade prometida da previdência privada do self-made man (estude bastante – faça uma boa faculdade – trabalhe – compre sua casa – case-se – constitua família – eduque os filhos – aposente-se e seja feliz). As promessas deste modelo cultural não são mais verdadeiras. Incitam ao consumo, mas não dão garantia de felicidade, que passa a ser buscada na praticidade prometida pelo psicofármaco.

A Contribuição da Psicologia Analítica

O problema do Tempo sempre esteve presente nos questionamentos de Jung. Partindo das experiências paranormais com sua prima Emile, passando por sua definição de inconsciente coletivo, de função inferior, do conceito de arquétipo e até o desenvolvimento da noção de sincronicidade, a linearidade ou a circularidade nunca satisfez por completo a intuição de Jung sobre a natureza da psique. “Parte de nossa psique não está no tempo e nem no espaço. Espaço e tempo são meras ilusões, e assim não existe tempo para determinada parte de nossa psique” (Jung, 1985, par. 684).

(…). Concluiu, então, que o mundo objetivo e subjetivo são duas faces de uma mesma realidade, o ununs mundus. Dessa forma, o Tempo para a psicologia analítica transcende linearidade e a causalidade, a circularidade e o acaso. “O inconsciente parece uma forma de ser relativamente independente das limitações de espaço e tempo” (Jung, 1985, par. 754).

Jung resgata a idéia alquímica da transmutação que, até então, cabia ao tempo. Para nós é, sobretudo, a função transcendente que possibilita um “salto” no tempo, propiciando um novo quantum de energia à psique. Resistindo no sofrimento implicado pela tensão dos opostos, a terceira solução advém do Self, resolvendo o conflito. Atualmente não somos educados a resistir a esta tensão, e não temos mitos vivos para nos proporcionar a vivência da iniciação neste mistério. A cultura imediatista do prazer fast-food não proporciona esta transcendência, tampouco a humanização do arquétipo do Self.

Vale lembrar, quanto mais emotiva uma vivência, tanto mais viva e duradoura a sua lembrança. Assim, as emoções são o marca-passo da alma, do relógio anímico. A atenção que colocamos sobre algo também modula a experiência do tempo. Com algo que nos interessa muito, o tempo voa, sem que percebamos. (…)

(…) (…)

Um novo mito do Tempo pode re-significar nosso entendimento e orientação frente à vida, a fim de que possamos eleger nossas prioridades de forma mais sadia e dialética, sem excluir o Outro.

Conclusão

Antigamente o tempo era renovado por rituais, o que assegurava a continuidade da vida. Durante a era moderna, porém, a noção de tempo foi separada de sua contraparte simbólica. (…).

Aos poucos perdemos a sensação da renovação e passamos a contar as horas e sentir a angústia da perda e da falta do Tempo. Ou pior, a angústia de ver o Tempo passar e sentir, na alma, que nada significativo aconteceu.

A velhice se apresenta como um estranho intruso que consome a juventude, da qual não nos conseguimos nos desprender. Realizamos cirurgias plásticas, desenvolvemos cosméticos anti-rugas, anti-flacidez, anti-ressecamento. Somos incapazes de aceitar qualquer prospecção na finitude, na morte e no sofrimento. Embora tais recursos estéticos e cosméticos sejam fantásticos, eles vêm sendo usados de forma defensiva. Ao invés de uma nova estética que integra a sabedoria da idade, buscamos nos refugiar numa infância edênica ilusória, que não pode mais nos acolher. É como mutilar um pé para caber num sapatinho de criança. Como entrar numa casinha de boneca e querer fazer dela nosso lar.

(…)

Pode-se acelerar o processamento de informações do ego, mas quando não há sentido, alimenta-se o complexo, poluindo a psique, sem reciclagem. Stress, infartos, derrames, os males da sociedade veloz que busca alucinada, de forma desenfreada, algo para fazer. Mais parece uma fuga, um mecanismo de evitação. Evita-se o contato com o lixo que produzimos, tanto dentro como fora de nós. Um grande aspecto sombrio de nosso momento histórico está na associação da sensação da falta de tempo com a necessidade do consumo do efêmero. O prazer ligado à adrenalina da compra e do risco é uma forma destrutiva de se sentir vivo quando os símbolos do self não podem alimentar um ego polarizado e dissociado.

*Ricardo Alvarenga Hirata é Cirurgião-dentitsta, Especializado em diagnose e terapia de estresse, em psiconeuroimunologia. Professor de psicologia aplicada à odontologia na Universidade Ibirapuera. Mestre em ciências da religião PUC-SP.

FONTE: Diálogos do Ser. Leia o artigo na íntegra clicando AQUI

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