Noticias Sobre Sonhos

Sonhadora Nua” por Zinaida Serebriakova

Estranho, porém verdade: quanto menos dormimos, mais sonhamos

Perder uma noite de sono turbina os sonhos da noite seguinte

*Por Christie Nicholson

Três anos atrás, Eva Salem se meteu numa encrenca com um crocodilo. Sua mão ficou presa nas mandíbulas mas, mesmo em pânico, ela conseguiu acertar o animal e se livrar dele. Então ela acordou.

“Acho que é isso que acontece quando você é uma heroína. Meus sonhos eram assim… vívidos, malucos e movimentados” ela conta. Salem era mãe de primeira viagem e vinha amamentando sua filha por cinco meses antes do sonho do ataque do crocodilo, dormindo apenas quatro horas por noite. Quando ela dormia uma noite inteira, os sonhos eram tão animados que Salem tinha a sensação de não ter dormido nada!

Sonhos são absurdamente persistentes. Perca algumas horas de sono e o seu cérebro irá computar que você está devendo sonhos – e vai querer acertar as contas assim que você fechar suas pálpebras.

“Quando alguém não dorme o suficiente, o sono se torna mais intenso, o que significa uma grande atividade cerebral durante o sono; os sonhos se tornam mais numerosos e mais vívidos” diz o neurologista Mark Mahowald, da University of Minnesota, e diretor do Minnesota Regional Sleep Disorders Center, em Minneapolis.

Este fenômeno é chamado de rebote do sono REM. O REM ou “rapid eye moviment” (movimento rápido dos olhos) se refere aos movimentos rápidos e bruscos dos olhos enquanto estamos dormindo. É o estado em que sonhamos mais intensamente e nossa atividade cerebral é misteriosamente semelhante àquela quando estamos despertos. Ao mesmo tempo, nossa musculatura fica inativa e nós nos encontramos paralisados. O dedão pode até sacudir, mas basicamente não podemos nos mover, uma vez que o cérebro protege nosso corpo para que ninguém tente colocar na prática aquilo com que está sonhando.

O sono está dividido em REM e quatro estágios não-REM, cada um com uma freqüência distinta de atividade cerebral. O primeiro estágio não-REM é o período inicial em que o indivíduo não está nem dormindo, nem acordado e que às vezes é interrompido por uma sensação de estar caindo em um buraco. No segundo estágio, o cérebro diminui o ritmo e mantém apenas algumas atividades. Nos estágios três e quatro o cérebro praticamente desliga e entra em um período de dormência durante o qual as freqüências cardíaca e respiratória diminuem dramaticamente.

Só depois de 70 minutos de sono não-REM é que entramos no primeiro período de REM, que dura apenas cinco minutos. O ciclo não-REM é de mais ou menos 90 minutos. O padrão se repete em média cinco vezes ao longo da noite. Mas conforme a noite vai passando, os estágios REM aumentam e os não-REM diminuem, resultando em um período de 40 minutos de sonho, pouco antes da hora de despertar.

O único modo dos cientistas estudarem a privação do REM é por meio de torturantes privações de sono. “Acompanhamos o eletroencefalograma e, quando observamos que o paciente dormiu, o despertamos”, explica o psicólogo Tore Nielsen diretor do Dream and Nightmare Lab do hospital Sacré-Coeur, em Montreal. “Assim que você começa a privá-los do o REM, a pressão para voltar a essa fase aumenta”. De vez em quando, Nielsen tem que acordar o indivíduo estudado 40 vezes em apenas uma noite, pois a fase REM se inicia instantaneamente assim que ele adormece.

É claro que também existe o rebote não-REM, mas o cérebro dá prioridade às ondas lentas de sono e então ao REM, o que indica que os estados são independentes entre si.

Em 2005, em um estudo publicado na “Sleep”, Nielsen demonstrou que perder 30 minutos de REM em uma noite pode levar a um aumento de 35% de REM na noite seguinte. Os indivíduos saltaram de um sono REM de 74 minutos para um rebote de sono REM de 100 minutos.

Nielsen também descobriu que a intensidade dos sonhos aumenta com a privação do estágio REM. Os indivíduos estudados que tiveram apenas 25 minutos de sono REM classificaram seus sonhos entre 8 e 9 em uma escala de 1 a 9 – 1 era “sem graça” e 9, “muito intenso”.

É claro que a privação da fase REM e seu subseqüente rebote são muito comuns também fora do laboratório. O álcool e a nicotina têm a capacidade de suprimir a fase REM. Remédios reguladores da pressão sangüínea, assim como antidepressivos, também são conhecidos supressores de REM (sem sonhos, a depressão curiosamente desaparece). Quando os pacientes suspendem os medicamentos, são recompensados com um rebote assustador.

Porém, a persistência do sono REM nos leva a uma nova questão: pra que insistir tanto? Quando ratos ficam sem a fase REM por quatro semanas, acabam morrendo (a causa da morte permanece desconhecida). Mesmo passando um período equivalente a 27 anos sonhando, durante toda a nossa vida, os cientistas ainda não chegaram a um consenso para as razões de sua importância.

O psiquiatra Jerry Siegel, chefe do Centro de Pesquisas do Sono da University of California em Los Angeles, provou recentemente que alguns mamíferos como golfinhos e baleias não possuem REM. “Morrer por falta de REM é ficção”, diz Siegel. “Isso nunca foi observado em outras espécies, apenas em ratos”.

Algumas teorias sugerem que o REM ajuda a regular a temperatura corporal e os níveis dos neurotransmissores. Existe também evidência de que sonhar ajuda a consolidar as memórias. Os bebês e os fetos passam 75% do tempo que dormem em estado REM. Por outro lado, experiências mostram que ornitorrincos são os animais com a maior fase REM. Os pesquisadores tentam descobrir o porquê já que, de acordo Mahowald, “Ornitorrincos são estúpidos Que tipo de memória eles precisam consolidar?”

Mas, supondo que os ratos passam a fase REM sonhando com labirintos iguais aos do laboratório, alguns pesquisadores acreditam que deve existir alguma função ou informação significativa nos sonhos.

John Antrobus, professor aposentado de psicologia e pesquisador do sono do City College of New York, afirma que o conteúdo do sonho está vinculado a nossas ansiedades. No entanto, ele nunca comprovou a extrema vivacidade no rebote do sono REM que outros assumem existir com base no alto nível de atividade cerebral, que provavelmente possa significar sonhos cheios de ação.

“O cérebro é um órgão interpretativo, e quando as regiões estão menos conectadas, como durante o sono, temos sonhos bizarros” ele explica. Mas qual é o propósito? “Para isso temos que nos perguntar qual é o propósito do pensamento. Não podemos responder uma pergunta sem responder a outra”.

 

Sonhadora Nua” por Zinaida Serebriakova

Aprenda a Controlar Seus Sonhos

A capacidade de manipulá-los vai além da ficção científica, como explica perita de Harvard

*Por Jordan Lite

Alguns sonhos são maravilhosos e até ficamos com vontade de repeti-los. Acontece, porém, que a nossa capacidade para moldar sonhos pode ser mais intencional e menos fruto do acaso. No filme A Origem, o personagem Dom Cobb (estrelado por Leonardo DiCaprio) e seus amigos usam drogas para provocar sonhos específicos. Mas esse tipo de controle não é inteiramente uma fantasia de Hollywood.

Técnicas para controlar, ou pelo menos influenciar, os sonhos têm sido utilizadas em experimentos de sono. Podemos criar estratégias para sonhar com um determinado assunto, resolver um problema ou acabar com um pesadelo recorrente. Com a prática, também podemos aumentar nossas chances de ter um sonho lúcido, tipo “sonho dentro de um sonho”.

Pedimos estratégias de controle de sonhos para Deirdre Barrett, autora do livro The Committee of Sleep: How Artists, Scientists and Athletes Use Dreams for Creative Problem-Solving—and How You Can, Too (Crown, 2001) e professora clínico de psicologia da Harvard Medical School.

Se você quer sonhar com um problema, aconselha ela, deve pensar muito na situação na hora de se deitar. No caso de uma pessoa morta, você pode olhar durante um tempo para a foto da pessoa e depois ir dormir. A nossa capacidade para pedir um sonho a nós mesmos é muito semelhante ao que podemos fazer acordado com nossos pensamentos. Em sonhos, isso ocorre em um estado que, por natureza, é mais vívido, muito mais intuitivo e muito menos em lógico.

A definição mais comum de um bom sonho é aquele lúcido, em que você sabe o que está sonhando, explica Deirdre. Se esses sonhos nos dão uma capacidade de diversão ou de análise de nossas atitudes do dia-a-dia, também nos aliviam da pressão diária de nossas vidas, pois vivenciamos feitos na realidade impossíveis de existir. Mas os sonhos lúcidos são raros, menos de 1% na maioria dos estudos, embora certamente provoquem muito entusiasmo nas pessoas.

FONTE: Scientific American Brasil

 

Sonhadora Nua” por Zinaida Serebriakova

Sono, Sonhos e Criatividade

Os neurocientistas já sabiam que uma boa noite de sono, ou até mesmo um cochilo, faz bem à cognição e favorece soluções criativas para problemas difíceis. Uma pesquisa recente acaba de mostrar que uma fase específica do sono – REM (sigla em inglês para “movimento rápido dos olhos”) – está diretamente envolvida nesse processo e atua na formação de redes associativas no cérebro. O REM também conhecido como sono paradoxal é a fase caracterizada pela presença de sonhos e maior atividade neuronal do que a fase não-REM. O estudo coordenado por Sara Mednick, da Universidade da Califórnia em San Diego, será publicado essa semana no site e em breve na edição impressa da revista Proceedings of the National Academy of Sciences.

“Verificamos que, para questões ligadas ao que a pessoa está trabalhando no momento, a passagem do tempo é suficiente para encontrar as soluções. Entretanto, para novos problemas, apenas o sono REM é capaz de aumentar a criatividade”, disse a autora. Segundo ela, aparentemente o sono REM ajuda a chegar a soluções por meio do estímulo de redes associativas, permitindo que o cérebro estabeleça ligações novas e úteis entre ideias não relacionadas. Outro ponto importante é que essa característica não seria por conta de melhorias na memória seletiva.

Para identificar se as melhoras eram devidas ao sono ou simplesmente à redução de interferências – uma vez que experiências durante o período acordado interferem na consolidação da memória –, os pesquisadores compararam períodos de sono com de descanso controlado sem qualquer estímulo verbal. Aos participantes do estudo foram apresentados múltiplos grupos de três palavras e eles tiveram que falar uma quarta palavra que poderia ser associada com as demais. Foram feitos testes pela manhã e no fim do dia, com os voluntários divididos entre três grupos: o primeiro que dormiu à tarde e atingiu o sono REM, outro que dormiu, mas não atingiu essa fase e um terceiro que ficou em descanso sem dormir.

Segundo o estudo, o primeiro grupo apresentou um aproveitamento 40% melhor nos testes feitos após o período de sono, enquanto os demais não mostraram resultados diferenciados. Os pesquisadores sugerem que a formação de redes associativas a partir de informações previamente não relacionadas no cérebro, que levam à solução criativa de problemas, seria facilitada por mudanças nos sistemas neurotransmissores durante a fase de sono REM.

FONTE: Agência FAPESP

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