Mães Solteiras

Socióloga norte-americana discute a opção de mulheres que, mesmo sem companheiro, decidiram se tornar mães. A entrevista foi concedida em 2006 à Revista Crescer

*Por Malu Echeverria

“Ser mãe solteira é para mim? Nove sessões para ajudar você a decidir.” O anúncio de jornal local voltado para “mulheres cujo relógio biológico está batendo”, há mais de dez anos, chamou a atenção da socióloga Rosanna Hertz, na época professora da Universidade Wellesley, Massachusetts. A inquietação se transformou no livro Single by Chance, Mothers by Choice (algo como “Solteiras por Acaso, Mães por Opção”), lançado nos EUA em 2006 e ainda sem tradução no Brasil. Para estudar a criação desse novo modelo familiar composto por mãe e filho(s), um fenômeno crescente por lá, Hertz entrevistou 65 mães solteiras de todos os tipos, de médicas a secretárias. A maneira como se tornaram mães também varia. Entre elas, há as que engravidaram naturalmente, outras que adotaram, as que se submeteram à fertilização assistida com doadores conhecidos ou anônimos e até as que compraram sêmen pela Internet.

Todas realizaram um sonho comum – a maternidade – de um jeito incomum – sozinhas –, que está ganhando cada vez mais adeptos nos EUA. Quem são essas mulheres? Por que reverteram a tradicional seqüência amor, casamento e filhos? O papel do pai na família está com os dias contados? Essas e outras perguntas, Hertz responde a seguir.

Por que mulheres independentes querem ser mães, uma experiência que vai contra o estilo de vida autônomo da maioria delas? As mulheres que entrevistei, em geral, se tornaram independentes por volta dos 20 anos, eram graduadas e estavam no mercado de trabalho. Muitas já com casa própria. Nunca imaginaram que não se casariam. Estavam felizes com a vida que levavam, mas sentiam que o relógio biológico estava batendo. Lá no fundo, algo as incomodava – e era a maternidade. É possível que tenham sido influenciadas pela idéia social de que todas as mulheres devem ser mães.

Ser mãe solteira, então, não é a primeira opção? Para a maioria, não. Elas crescem acreditando que se tornarão mães do jeito convencional. Mesmo depois do parto ou da adoção, ainda esperam encontrar um parceiro que ame o bebê. Imaginam, então, que estão apenas adiantando uma etapa do processo. A decisão não é feita da noite para o dia, mas, nos últimos anos, as mulheres não estão deixando a escolha para o último minuto. Algumas das que entrevistei decidiram por volta dos 32 anos.

Você diz que, nos EUA, é mais fácil ser mãe solteira por inseminação do que por adoção. Por quê? A maioria das mulheres que entrevistei preferiu buscar clínicas de reprodução assistida, mas qualquer uma delas poderia ter comprado esperma pela Internet. Imagino que nas clínicas todas sejam tratadas igualmente, casadas ou não. Em resumo, ao decidirem pela inseminação artificial, elas não são submetidas a qualquer tipo de vistoria. Já a adoção envolve leis governamentais, que determinam que os interessados sejam interrogados para saber se eles se enquadram no modelo “ideal”. Pessoas solteiras, incluindo homens, têm mais trabalho para adotar. A tendência é de as crianças serem entregues a casais. Apesar da burocracia, às vezes, é mais fácil recorrer à adoção internacional.

Quais são as vantagens e as desvantagens em se tornar mãe solteira por inseminação artificial? Quando os doadores são anônimos, há vantagens na lei. Isso porque, nos EUA, esses pais, ao contrário de doadores conhecidos, não têm direitos e deveres em relação ao filho. Assim, as mães não precisam se preocupar com questões legais. Entretanto, essas crianças não têm uma figura que represente o pai, ainda que distante. Além disso, em minha pesquisa, nenhum dos doadores conhecidos demonstrou interesse em reclamar a paternidade.

Você não acha injusto uma criança não poder conhecer o próprio pai? Essa é uma questão importante. Nos EUA, a lei protege a identidade dos doadores anônimos. Na Inglaterra, o anonimato expira quando a criança completa 18 anos. A legislação, no momento, está só do lado dos adultos. Na minha opinião, as crianças deveriam ter a oportunidade de saber mais sobre sua origem. Espero que tais leis mudem futuramente.

As mães solteiras são acusadas de egoísmo por “privarem” a criança da convivência com o pai? Não se o filho for adotivo ou fruto de um relacionamento. Nesses casos, foram “abandonadas” ou estão fazendo o bem. Algumas são criticadas, entretanto, por minar a família composta por pai, mãe e filho. Para mim, elas estão inventando um novo tipo de família e pretendem torná-la tão estável quanto a tradicional. Até porque a presença do pai não é garantia de que os filhos serão bem criados.

O papel do pai estaria ameaçado? Talvez alguns homens possam se sentir receosos ao perceber que essas famílias são bem-sucedidas e, principalmente, que as mães têm parcela nisso. Mas isso não significa que elas estejam tentando destruir a função paterna.

Qual o futuro da família? O modelo composto por mãe e filho(s) tornou-se o centro da família americana. Apenas 24% delas estão com ambos os pais. A maioria das crianças, em algum momento, vai morar com apenas um deles. Os números indicam que as mulheres economicamente independentes não precisam de homem ou casamento para ser mães. Hoje, algumas mulheres cujos filhos foram concebidos por inseminação com doador anônimo estão procurando, pela Internet, os irmãos de seus filhos. Há famílias nas quais o lado paterno está sendo criado sem a presença do pai biológico. O fenômeno das mães solteiras de classe média veio para ficar.

________________________________________________________Mãe solteira, sim, mas por escolha

*Por Ana Claudia Cruz

A ausência de um marido ou parceiro deixou de ser impedimento para as mulheres que desejam ter filhos. Um número cada vez maior de brasileiras opta por, sozinhas, assumir uma gravidez acidental, adotar uma criança ou recorrer a um banco de sêmen para realizar o sonho

Escolher ser mãe, mesmo que solteira, é um fenômeno crescente em todo o mundo. Nos Estados Unidos, ele chamou a atenção da socióloga Rosanna Hertz e resultou no livro, Single by Chance, Mothers by Choice, algo como Solteiras por Acaso, Mães por Opção. No Brasil, não existem estudos específicos sobre a mulher que decide encarar a chamada produção independente. As estatísticas que tratam de mães solteiras em geral e surpreendem: números de um estudo do Ibope Mídia, há dois anos, sobre mães contemporâneas, apontaram que um terço das mães brasileiras não viviam com companheiros nem eram casadas.

Os motivos que levam as mulheres a esse caminho variam, mas, assim como quase tudo o que está em transformação no universo feminino, têm forte influência do crescimento da participação das mulheres no mercado de trabalho, de sua busca por realização pessoal e profissional. Elas estão se preocupando com a maternidade cada vez mais tarde, porque dão prioridade à carreira e à independência financeira. Só quando o relógio biológico faz o alerta, decidem pensar seriamente no assunto. Em muitos casos, é nesse momento que percebem não ter com quem dividir esse sonho.

______________________________________________Mães solteiras: quem assume a figura paterna?

*Por Ana Claudia Cruz

Quando uma mulher resolve ter um filho, mesmo não sendo casada, é preciso estar atenta ao desenvolvimento da criança. Mesmo que seja o tio, o avô ou até mesmo o terapeuta, é preciso que alguém faça o papel de pai

Hoje em dia, mais de 40 anos depois da revolução feminista, cresceram as opções para mulheres solteiras que desejam ter filhos. Aquelas que já têm estabilidade profissional, financeira, e chegaram a uma idade limite – entre 35 e 40 anos –, mas estão sós, sem marido, parceiro ou namorado, optam por assumir uma gravidez acidental, adotam uma criança ou simplesmente entram numa clínica de fertilização e recorrem a doadores anônimos de sêmen.

No entanto, é preciso que elas estejam atentas ao desenvolvimento dos filhos. Para que eles cresçam de maneira saudável, precisam da figura materna e da paterna, desvinculadas do sexo biológico. Ou seja, num casal homossexual, basta que os papéis feminino e masculino sejam bem definidos. No caso da produção independente, alguém terá de fazer o papel paterno. “Nem que seja o avô, o tio ou o terapeuta”, diz a psicanalista Regina Maria Rahmi Regina.

Quando falta um dos lados, há desequilíbrio na formação da criança. A figura paterna deve estar presente, mesmo que ele seja anônimo. “Senão ela vai crescer com a imagem de que a mãe é inalcançável, absoluta, o que não é bom. É necessário ainda ter o cuidado de não depreciar o outro sexo”, afirma a psicóloga Daniela da Rocha Paes Peres.

Quando são tomados esses cuidados em relação ao desenvolvimento do filho, ser mãe, mesmo que solteira, deixa de ser problema. A experiência de muitas mulheres vem mostrando que, em razão de um desejo genuíno de ser mãe, as dificuldades são superadas e elas se sentem realizadas.

FONTE: Revista Crescer

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4 Respostas to “Mães Solteiras”

  1. Cláudio Says:

    Os motivos que levam uma mulher a ser mãe independente são diversos. E todos devem ser respeitados. Porém há aquelas que gostariam da participação masculina no papel de pai, tanto na concepção e principalmente na criação. Além da necessidade financeira sempre haverá a indagação da ausência paterna e a comparação com os amiguinhos de escola.
    Nesse grupo de mulheres o interesse é ter um bom pai para o filho e não necessariamente um marido. E é nesse sentido que gostaria de me por a disposição. Tenho um grande sonho de ser pai e constituir uma família, porém sem vínculos conjugais. Seremos dois amigos que compartilham direitos, deveres e principalmente o amor às nossas crianças.
    Até me proponho a concepção em uma clínica de reprodução para evitar alguma situação constrangedora. Pode ser mulher hétero ou homo (com ou sem companheira).
    Tenho 39a, branco, descendente de italianos, 1.77. Saudável e muito responsável. Em caso de interesse entre em contato: cpimagemdigital@hotmail.com

  2. Rick Says:

    Bem…
    sou Hetero, sexualmente ativo, moreno claro, 1.80m, 87Kg
    Nivel Universitário, doador de sangue, perfeitamente saudavel
    bonito, já tenho um filho. Sou casado, mas minha esposa não quer mais, entretanto eu sim.
    Não me importo com o fato de ser criando em outra familia, mesmo pq não posso traze-lo para a minha.
    Gostaria que a mãe quisesse ter um filho de forma independente. Me disponho a ser o doador.
    tenho 33 anos
    quem tiver o interesse entre em contato com este e-mail que criei.
    gostariadesermae@gmail.com

  3. Angel Says:

    Mulher 30 anos, em busca de um doador com todas as qualificações para triagem e contrato.

  4. Kelly Says:

    O Motivo pelo qual as mulheres estão sendo mães solteiras, é que tá faltando homem no mundo! Nenhum homem quer mais namorar, no máximo ficar uma transa e mais nada, não existe mais afeto, mais carinho e o chamado “amor” não existe mais “Casal” e não é por causa dessa extinção que as mulheres vão deixar de realizar o sonho mais lindo na vida de uma mulher que é ser mãe, algumas não tem esse sonho mas para não caírem na solidão e terem alguém para cuidar delas na velhice optam por ser mães solteiras. Nenhuma mulher quer ficar solteira para sempre isso não existe, elas não estão pulando etapas, são os homens que querem viver sem as mulheres uns são gays, outros broxas de tanta bebida, outros só querem una noite de sexo, e todos eles tem algo em comum que é não querer namorar, e é de um namoro que surge um casamento, então como vai existir pai e mãe para uma criança? Uma mulher adulta solteira sozinha é uma depressão tremenda ela precisa ter um filho para não se sentir sozinha se agarrar à ele e seguir à diante.


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