O Padrasto Dos Meus Filhos e os Filhos da Minha Mulher

As vezes é difícil situar-se no organograma das famílias modernas

Antigamente, o desenho de uma família era simples – pai, mãe e filhos. Hoje, de cada quatro casamentos, um acaba em separação no Brasil. O número de divórcios praticamente dobrou em apenas uma década. De cada cinco bebês nascidos em 2000, um viverá em família de pais separados antes de atingir a idade adulta. Com as separações, divórcios e novos casamentos, o organograma das famílias modernas é outro, completamente diferente. Nele cabem “o marido da mamãe”, “o irmão por parte de mãe”, “os filhos da mulher do papai” e por aí vai, num intrincado quebra-cabeça de parentes e meios-parentes, que especialistas batizaram de “família mosaico”. É natural que seja assim. Natural, mas não necessariamente tranqüilo – sobretudo para os homens.

Para o pai separado, não é nada fácil ver o seu lugar na casa ser ocupado por outro homem (no caso, o namorado ou marido da ex-mulher). Alguém que terá um convívio tão ou mais íntimo com os seus filhos. Do lado oposto, para o novo parceiro da mulher (tenha ele ou não sua própria prole), o relacionamento com as crianças dela tende, no início, a ser tenso. Não tem jeito. Por mais que ele se esforce para acolher, educar e dar carinho aos filhos da companheira, para os pequenos ele será visto como um rival. “Tanto num caso como no outro, a pressão que esses homens sofrem é muito grande”, diz a psicanalista Magdalena Ramos, coordenadora do núcleo de casal e família da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo. “Essa é uma experiência muito nova não só para eles, mas para a sociedade em geral.”

Marcelo Ackel Pinto, Gabriela Carrano e Guilherme Vicente parecem ter conseguido chegar a uma convivência pacífica. Em 1990, Marcelo, hoje com 34 anos, e Gabriela, 32, conheceram-se e se apaixonaram. Namoraram por cinco anos e decidiram se casar para realizar o grande sonho da vida de ambos: ter um filho. Gabriela voltou grávida da lua-de-mel. Nasceram Marcelo e, três anos depois, Renata. Marcelo e Gabriela, no entanto, não foram felizes para sempre. Quando o primogênito tinha 4 anos e a pequena, 1, eles se separaram. No início, Marcelo passava com freqüência na casa da ex-mulher, para ver os filhos. Depois vieram os desentendimentos com Gabriela, e o convívio com as crianças tornou-se mais raro. “Sofri muito com a falta dos meus filhos. Quando ainda era casado, o meu maior prazer era chegar em casa e ficar com as crianças – dar banho, jantar, colocar para dormir. De uma hora para outra, perdi tudo isso”, diz Marcelo.

Passou-se pouco tempo e Gabriela começou a namorar o empresário Guilherme Vicente, de 38 anos. Marcelo afirma que não sentia ciúme, mas preocupação. “Era natural. Eu ainda não sabia quem era ele. Não sabia se ele ia gostar dos meus filhos, como iria cuidar deles, se iria respeitá-los.” O único episódio mais tenso foi a primeira vez que viu Guilherme. Todos estavam num shopping center: Guilherme de mãos dadas com Gabriela e Renata. “Naquele momento, fiquei com ciúme, sim”, diz Marcelo. “Mas passou logo: assim que minha filha me viu, correu para o meu colo e me deu um abraço.”

Para Guilherme, as coisas também não foram fáceis. Assim que começou a namorar Gabriela, passou por situações bem difíceis até ser aceito pelas crianças. “Cheguei a pensar em desistir”, diz. Ele cansou de ouvir frases do tipo “Esta não é a sua casa” ou “Você não é o meu pai”. A ajuda de Gabriela foi essencial. Ela conversava com os filhos, explicava-lhes a situação e exigia que Guilherme fosse respeitado. Desde o início do namoro, Guilherme sempre manifestou o desejo de ter um filho. Mas Gabriela era categórica: só depois que ele conquistasse a confiança plena de Marcelo e Renata. Aos poucos, a situação foi se acertando. Felizes com a chegada de mais um irmão, as crianças passaram a conviver melhor com Guilherme, que foi morar com eles.

Hoje todos vivem uma relação harmoniosa. Marcelo tem passe livre para encontrar os filhos quando quer e controla a vida escolar deles. Já Guilherme sempre fica com as crianças quando Gabriela viaja a trabalho. Todos estão felizes – a seu modo.

Relações delicadas

Quando o assunto são as crianças, pai e padrasto vivem como se estivessem na corda bamba. Os quadros a seguir indicam como cada um deles deve se comportar a fim de evitar conflitos

O pai

1. Com as crianças: Nunca fale mal do marido de sua mulher para os seus filhos. As crianças certamente lhe darão ouvidos. Suas reclamações obviamente acabarão por repercutir no relacionamento entre elas e o padrasto, com prejuízo. Se você achar que ele não está agindo de forma adequada, converse com a mãe.

2. Com o padrasto: Ninguém vai sugerir que você vire o “amigão” do marido da sua ex-mulher. O fundamental é manter com ele uma relação cordial e respeitosa. Se você discordar de uma ordem dada por ele, avalie se ela diz respeito à organização da casa ou à educação das crianças. O primeiro caso não lhe diz respeito. O segundo deve ser conversado com a mãe.

3. Com a ex-mulher: Seus filhos não podem fazer parte do conflito que você viveu ou vive com a sua ex-mulher. É imprescindível para a saúde psicológica deles. Se ainda houver conflito entre vocês, mantenha, apesar de tudo, a cordialidade e nunca (nunca, mesmo) fale mal da mãe de seus filhos para eles.

O padrasto

1. Com os filhos da mulher: Você só vai conseguir ser respeitado pelas crianças se elas gostarem de você. Isso não significa enchê-las de presentes ou fazer tudo o que elas querem. Dizem os educadores que a palavra “não” é uma palavra de amor. As crianças gostam de limites. Vá com calma, no entanto. Não tente bancar o pai delas – sobretudo se ele for uma figura presente. O papel que você tem a desempenhar é muito delicado. Você participa do dia-a-dia delas e manda na organização da casa, mas não deve interferir no modo como elas são educadas.

2. Com o ex-marido da mulher: Cordialidade e respeito são fundamentais. Nunca discuta assuntos relacionados às crianças com ele.

3. Com a mulher: Jamais se coloque entre ela e as crianças. Como a maioria das mães, ela ficará ao lado dos pequenos – ainda que você esteja coberto de razão. Tenha paciência. A situação dela não é nada fácil. Se você a tratar com carinho e cumplicidade, as crianças perceberão o amor que você tem pela mãe deles – o que conta muito para conquistar a confiança dos pequenos.

FONTE: Revista Veja Edição Especial HOMEM

Anúncios

Uma resposta to “O Padrasto Dos Meus Filhos e os Filhos da Minha Mulher”

  1. willian carvalho Says:

    gostei!! Oi minha mulher tem uma filha de 4 anos, e ela é terrível cheia manhãs e birras e uma enorme falta de educação,não mas como lidar com ela pois ela ja respeita a mãe e nem ninguém.


Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: