A Cognição Animal – Psicologia Cognitiva

Circe e Seus Porcos” por Briton Rivière (1840-1920)

O movimento cognitivo resgatou a consciência não apenas dos seres humanos, como também dos animais. Realmente, a psicologia comparativa e a animal fecharam o círculo completo, desde as observações da vida mental relatadas por Romanes e Morgan nas décadas de 1880 e 1890, passando pelo estudo do condicionamento mecânico por estímulo-resposta dos behavioristas skinnerianos nas décadas de 1950 e 1960, até a restauração contemporânea da consciência pelos psicólogos cognitivos.

Desde a década de 1970, os estudiosos da psicologia animal tentam demonstrar como o animal “codifica, transforma, computa e manipula as representações simbólicas das texturas espacial, temporal e causal do mundo real para adaptar e organizar o próprio comportamento” (Cook, 1993, p. 174). Em outras palavras, o sistema de processamento de informações semelhante ao do computador que se acredita operar nos humanos também esta sendo estudado nos animais. As primeiras pesquisas de cognição animal utilizavam estímulos simples como luzes coloridas, sons e cliques. Esses estímulos talvez tenham sido básicos demais para permitir uma compreensão do processo cognitivo animal, pois não permitiam aos animais exibirem a gama completa de capacidades de processamento de informação. Pesquisas posteriores utilizavam mais realistas e complexos, tais como fotos coloridas e objetos conhecidos. Esses estímulos fotográficos revelaram capacidades conceituais até então não atribuídas aos animais.

Observou-se ainda uma memória animal complexa e flexível e pelo menos alguns processos cognitivos operando de modo semelhante no animal e nos seres humanos. Os animais de laboratório são capazes de aprender conceitos variados e sofisticados. Eles exibem processos mentais tais como a codificação e organização de símbolos, a capacidade de formar abstrações espaciais, temporais e numéricas e perceber as relações de causa e efeito. Além disso, o uso que fazem de ferramentas e outros acessórios implica um sentido básico de raciocínio (Wynne, 2001).

A cognição animal também é um tópico popular para a mídia. Na década de 1990, revistas como a Time e a Newsweek publicaram extensos artigos a respeito da aprendizagem e do raciocínio dos animais. No entanto, alguns estudiosos da psicologia animal afirmam que as pesquisas realizadas até hoje não oferecem comprovações suficientes para generalizar a afirmação de que a cognição animal funcione de modo semelhante à humana. A lacuna entre o funcionamento da mente animal e o da mente humana proposta por Descartes no século XVII conserva o seu apelo.

Os psicólogos comportamentais ainda rejeitam a noção de consciência, tanto em animais como nos seres humanos. Um behaviorista afirmou, sobre os psicólogos cognitivos animais: “Eles são os George Romaneses de hoje. Especular sobre memória, raciocínio e consciência dos animais não é menos ridículo que a cem anos” (Baum, 1994, p. 138). Um historiador famoso apresentou uma opinião contraditória:

Será que os animais demonstram todos os aspectos observáveis da consciência? As evidências biológicas apontam para uma clara resposta positiva. Teriam, então, também, o lado subjetivo? Dada a longa e crescente lista de semelhanças, parece-me que o peso da evidência está inexoravelmente tendendo para uma resposta afirmativa. (…) Sinto que a comunidade científica agora inclinou-se a seu favor. Os fatos básicos acabaram retornando à origem. Não somos os únicos seres conscientes do planeta. (Baars, 1997. p. 33).

Ratos Formigas e a Mente Animal

Mais ou menos no início do século XX, os psicólogos da psicologia animal experimental trabalhavam com muita seriedade. Robert Yerkes iniciou esses estudos em 1900 usando diversos animais, e suas pesquisas consolidaram a posição e a influência da psicologia comparativa.

Também em 1900, Willard S. Small, da Clark University, introduziu o labirinto para ratos; assim, o camundongo branco e o labirinto transformaram-se em método padrão no estudo da aprendizagem. A noção de consciência ainda invadia a psicologia animal. Ao interpretar o comportamento do rato, Small usava a terminologia mentalista, descrevendo as imagens e as idéias do animal.

Embora as conclusões de Small fossem mais objetivas do que as produzidas pelo tipo de antropomorfização de Romanes, elas também refletiam uma preocupação em relação aos elementos e processos mentais. No início da carreira até mesmo Watson sofrera essa influência. O título de sua dissertação de doutorado, concluída em 1903, era Animal Education: The psichical Development of the Whithe rat (A educação animal: o desenvolvimento psíquico do rato branco). Até 1907, ele discutia a experiência consciente da sensação dos ratos.

Em 1906, ainda como aluno de pós-graduação da University of Chicago, Charles Henry Turner publicou um artigo intitulado “A preliminary note on ant behavior” (Observações preliminares sobre o comportamento da formiga). Watson publicou uma crítica muito elogiosa sobre o trabalho na renomada revista Psychological Bulletin. Nesse artigo, empregou a palavra comportamento, que aparece no título do trabalho de Turner, e talvez essa tenha sido a primeira vez que ele usou a palavra por escrito, embora já houvesse empregado anteriormente em uma solicitação de recursos.

Turner era afro-americano e recebeu o Ph. D. magna cum laude, em 1907, da University of Chicago. Embora sua graduação fosse em zoologia, ele publicou tantas pesquisas relacionadas com os estudos comparativos e de animais em revistas especializadas de psicologia que alguns psicólogos o consideravam um colega da área. Porém lembre-se de quão raros eram os empregos para os psicólogos pertencentes a grupos de minoria, e por isso as oportunidades acadêmicas de Turner se limitavam a posições em faculdades do Missouri e da Geórgia.

Por volta de 1910, foram instalados oito laboratórios de psicologia comparativa; os primeiros estavam nas universidades Clark, Harvard e Chicago. Diversas universidades ofereciam cursos na área. Margaret Floy Washburn, a primeira orientanda de doutorado de Titchener (veja no Capítulo 5), lecionava psicologia animal na Cornell. Seu livro, The animal mind (1908), foi o primeiro trabalho de psicologia comparativa publicado nos Estados Unidos.

Observe-se o título do livro de Washburn: The animal mind. No seu trabalho, persistia a noção de consciência animal, bem como o método de introspecção comparativa entre a mente animal e a mente humana. Washburn afirmava: Somos obrigados a reconhecer que toda interpretação psíquica do comportamento animal deve ser por analogia com a experiência humana (…). Devemos adotar a posição antropomórfica ao formarmos idéias sobre o que ocorre na mente de um animal. (Washburn, 1908, p. 88.)

Seja lidando com a mente, seja lidando com o comportamento, não era fácil ser um profissional da psicologia animal. Tanto os governantes como os administradores das universidades, sempre atentos á questões orçamentárias, não enxergavam na área nenhum valor prático. O reitor Harvard dizia não ver “futuro no tipo de psicologia comparativa de Yerkes. Além de malcheirosa e cara, parece não oferecer nenhuma aplicação prática para o serviço público” (Reed, 1987ª, p. 94).Yerkes disse ter sido discreta e gentilmente alertado (…) de que a psicologia educacional oferecia, além da minha área específica de psicologia comparativa, outros caminhos, mais amplos e diretos, para uma carreira na docência e para melhor aproveitamento acadêmico; assim, eu devia pensar seriamente em mudar. (Yerkes, 1930/1961, p. 390-391.).

Os alunos orientados por Yerkes em seu laboratório procuravam empregos na área da aplicação por não conseguirem colocação na psicologia comparativa. Aqueles que conseguiam garantir uma posição universitária estavam cientes de que eram membros mais custosos dos respectivos departamentos de psicologia. Nos momentos de dificuldades financeiras, os que fossem vinculados á psicologia animal geralmente eram os primeiros a ser demitidos.

O próprio Watson enfrentou esse tipo de dificuldade no início da carreira. Ele escreveu para Yerkes, dizendo: “No momento, a minha pesquisa está parada.(…) Não temos espaço físico para manter os animais e, mesmo que o tivéssemos, não teríamos fundos para mantê-lo” (Watson, 1904, apud O’Donnell, 1985, p. 190).

Em 1908, apenas seis trabalhos relacionados com animais foram publicados nas revistas de psicologia, cerca de 4% de toda a pesquisa psicológica daquele ano. No ano seguinte, quando Watson sugeriu a Yerkes um jantar, reunindo os psicólogos animais durante o encontro da APA, sabia que caberiam todos em uma única mesa: compareceram apenas nove. Na edição de 1910 da American Men of Science, de cattell, apenas seis, entre os 218 psicólogos relacionados, admitiam estar realizando pesquisas com animais. As perspectivas profissionais não eram promissoras, mas, mesmo assim, o campo se expandia devido á dedicação de Alguns – poucos—que permaneciam na área.

A publicação Journal of Animal Behavior (mais tarde intitulada journal of Comparative psychology) foi lançada em 1911. em 1906, o texto de uma palestra do fisiologista russo Ivan Pavlov foi publicado na revista Science introduzindo para o público americano o seu trabalho a respeito da psicologia animal. Yerkes e Sergius Morgulis, um estudante russo, publicaram um relato mais detalhado da metologia utilizada por Pavlov, bem como dos resultados da sua pesquisa, na publicação Psychological Bulletin (1909).

A pesquisa de Pavlov sustentava a psicologia objetiva e, em especial, o behaviorismo de Watson. Desse modo, estabeleceu-se uma psicologia animal dotada de um método e um objeto de estudo muito mais objetivos. Os exemplos de experiências conscientes descritos por pesquisadores de animais foram se reduzindo até finalmente desaparecem da literatura. Todavia, antes de analisarmos outras influências no desenvolvimento do behaviorismo de Watson, falemos do cavalo mais famoso da história da psicologia.

A Psicologia Animal e o Movimento em Defesa dos Animais

A psicologia animal rapidamente tornou-se alvo dos ativistas de defesa dos animais. Protestos irrompiam contra o uso da vivissecção e de outras técnicas cirúrgicas para a coleta de dados de pesquisa, mesmo antes do desenvolvimento da psicologia animal como uma especialização separada da psicologia. As críticas iniciais eram direcionadas aos departamentos de fisiologia e biologia das principais universidades e escolas de medicina.

O movimento de proteção aos animais teve início formalmente na Inglaterra, com a fundação da Society for the Prevention of Cruelty to Animals – SPCA (Sociedade de Prevenção da Crueldade Contra os Animais) em 1824. Uma organização semelhanta foi fundada nos Estados Unidos em 1886, a American Society for the Prevention of Cruelty to Animals – ASPCA (Sociedade Americana de Prevanção da Crueldade Contra os Animais). O crescente número de pesquisas realizadas, tanto para fins psicológicos como para fins médicos, serviu para aumentar o contingente de defensores dos direitos dos animais.

Darwin foi alvo de acusações e contra-acusações realcionadas à crueldade com os animais. Embora se declarasse amante deles e contribuísse financeiramente com a SPCA, ele defendia a vivissecção como uma técnica científica. Alegava que a proibição do uso de animais nas pesquisas impediria o conhecimento do funcionamento fisiológico. Romanes e Thomas Henry Huxley apoiavam a posição de Darwin.

William James aderiu à discussão, descrevendo a vivissecção como uma “tarefa dolorosa” mas essencial para o progresso da ciência. Entretanto criticou algumas experiências médicas com animais chamando-as de “excessos revoltantes”(apd Dewsbury 1990,p. 318). Pavlov, conhecido pela humanidade no tratamento dos seus cães de laboratório, acreditava ser inevitável o uso da vivissecção e de outros métodos cirúrgicos na pesquisa científica, porque às vezes eram as únicas de estudar o funcionamento fisiológico. Foi veentemente condenado pelos ativistas defensores dos animais por causa dessa visão.

Psicologia Cognitiva

Denomina-se psicologia cognitiva o ramo na psicologia que trata do modo como os indivíduos percebem, aprendem, lembram e representam as informações que a realidade fornece. A psicologia cognitiva abrange como principais objetos de estudo a percepção, o pensamento e a memória, procurando explicar como o ser humano percebe o mundo e como se utiliza do conhecimento para desenvolver diversas funções cognitivas como: falar, raciocinar, resolver situações-problema, memorizar, entre outras.

Jean Piaget é um os principais representantes da psicologia cognitiva, que ao contrário do que muitos pensam não construiu uma teoria da aprendizagem, mas uma teoria do desenvolvimento mental humano. Conforme Piaget a aprendizagem é entendida como o aumento do conhecimento e apenas ocorre aprendizagem quando o esquema de assimilação passa pelo processo de acomodação. Em outras palavras, para que alguém aprenda é preciso que haja uma reconfiguração da estrutura cognitiva (esquemas de assimilação) do indivíduo, resultando em novos esquemas de assimilação cognitiva.

Dentre as correntes da psicologia cognitiva na atualidade uma das principais é a que aborda um enfoque voltado para o processamento da informação. Segundo esse enfoque, a cognição se efetiva por meio de uma seqüência de fases: a memória sensorial, a memória operacional e a memória permanente. (…) (…) (…)

FONTE: Psicoloucos 

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