Tempo é Dinheiro

Como o tempo passou de unidade orgânica a organizador da produção e do consumo no capitalismo, modifi cando o cotidiano e a ordem das cidades

*Por Helena Ladeira Werneck

Nas suas primeiras noções, a contagem do tempo estava mais associada à periodicidade do poder e da finitude da existência humana. Isso levava a uma casta de sacerdotes à sua manifestação e até mesmo à sua manipulação. Os gregos, mestres em uma explicação romântica do universo, apresentam o tempo como um deus – Cronos – que, casado com a deusa Terra – Géia – termina por devorar todos os seus filhos. Géia, cansada de ver desaparecer toda a sua prole, engana o deus jogando em sua boca uma pedra em vez do seu filho Zeus. Com o tempo, Zeus cresceu, matou o pai e tornou-se o patriarca de uma raça de deuses que venceu a mortalidade.

Durante a maior parte do tempo de sua existência na face terrestre, prevaleceu no seio da população a necessidade da separação entre os dias, identificando os períodos de claridade e de escuridão. Nesse sentido, o dia tornou-se a base de todas as medidas de tempo, sendo medido, em algumas culturas, a partir do nascer do sol e, para outras, a partir do pôr-dosol. A prática da adoção da contagem diária a partir da meia-noite tem origem nos tempos modernos.

A Necessidade de Identificação do Claro e do Escuro

Os primeiros fazendeiros constataram que o caminho percorrido pela sombra de um objeto sob o sol indicava o tempo disponível para o trabalho com a agricultura. Desse modo, mediam a hora necessária para o retorno seguro do abrigo. Coube aos chineses a primeira formatação do relógio de sol, substituindo, com sucesso, a sombra de pedras e de árvores por uma haste fincada em um plano, a partir da qual se traçavam riscos. A partir dessa subdivisão, surgiram os agrupamentos de minutos, divididos em quatro: do nascer do sol às 9:00 horas, das 9:00 horas até as 12:00 horas, das 12:00 horas às 15:00 e das 15:00 às 18:00, contando-se o período da escuridão entre o pôr-do-sol e o seu nascimento.

Ao mesmo tempo que se sentia a necessidade de controlar o tempo de luz, o imaginário popular temia o período da escuridão. Mais uma vez são os gregos que materializam essa inquietude que a ausência do sol implica: para gregos e romanos, a noite era filha do Caos, sendo esposa e irmã de Érebo – a personificação das trevas infernais. Seus filhos confirmavam a mesma tendência – Moira, o destino, Átropos, a morte, Hipnos, o sono, a Miséria, as Parcas, que regem os destinos humanos, as Hespérides, guerreiras, Nêmesis, a justiça, Apaté, a fraude, a Concupiscência, a Velhice e a Discórdia. A Lua, e como conseqüência, o luar, compunha outro poder, quase paralelo ao da luz. No ideário humano e em diversas culturas, apresentava-se como divindades distintas, talvez por representar o conhecimento de que são responsáveis por ciclos diferentes. O ciclo lunar guiou o primeiro conjunto de dias, juntados que foram pela regularidade do seu ciclo – de sete em sete dias, daí derivando o termo septimana, ou semana.

Transformações medievais e a permanência do pensamento clássico

Por mais que a crise romana impusesse modifi- cações muito grandes ao inteiro contexto do Império, nenhuma se igualou à adoção da religião cristã pelo Imperador Constantino, que promoveu a cristianização do Estado depois da sua conversão e de sua vitória sobre Maxêncio na ponte Mílvia, em 312 d.C. Segundo Perry Anderson (1992:87), “caracteristicamente, a nova religião oriental somente conquistou o Império depois de adotada por um César no Ocidente. Foi um exército marchando da Gália que impôs um credo originado na Palestina, acidente significativo e paradoxal, ou um sintoma, da dominância política da pátria latina do sistema imperial romano”.

A Idade Média é tida pela maioria da população como período de trevas, do esquecimento do conhecimento. O século XVI foi o responsável pela criação desta figura, que se transformou em preconceito. Segundo Franco Júnior (1986:19), “o termo expressava um desprezo indisfarçado pelos séculos localizados entre a Antiguidade Clássica e o próprio século XVI. Este se via como o Renascimento da civilização grecolatina, e, portanto, tudo o que estivesse entre esses picos de criatividade artístico-literária não passaria de um hiato, de um intervalo. Logo, de um tempo intermediário, de uma idade média”.

A respeito da herança cultural da Idade Média e o papel da Igreja Católica, Anderson afirmou: “civilização da Antiguidade Clássica foi definida pelo desenvolvimento de superestruturas de sofisticação e complexidade sem precedentes sobre estruturas materiais de uma relativa rusticidade e simplicidade; existe sempre uma desproporção dramática no mundo greco-romano entre o exagerado firmamento intelectual e político e o acanhado mundo econômico que lhe era subjacente. Quando chegou o colapso final, nada era mais óbvio que o fato de que essa herança superestrutural – agora impossivelmente distanciada das realidades sociais imediatas – iria sobreviver a ela, embora de forma comprometida. Era necessário um recipiente específico para isso, suficientemente distanciado das instituições clássicas da antiguidade e ainda assim moldado por elas, e por isso capaz de fugir ao desmoronamento geral para transmitir as misteriosas mensagens do passado ao futuro próximo. A Igreja desempenhou objetivamente esse papel”.

No entanto, a Idade Média serviu de berço à civilização ocidental, ofertando uma cultura que se denominou de moderna e que se apoiou nos termos da urbanização-industrialização e, por que não dizer, no capitalismo. Esse complexo entrecruzar de conceitos só foi possível pela intervenção continuada da Igreja Católica. Segundo o historiador francês Jacques Le Goff , a população que se juntou em várias partes do continente europeu a partir do século X não pensava, quando obtinha a independência dos senhores feudais – os forais – em criar uma cidade. Pensavam em formar uma comunidade capaz de fazer frente aos senhores, mas ainda sem nome próprio, usando várias denominações tais como cives, hospites, oppidani, qual seja cidadãos, hóspedes, habitantes de uma praça forte, ou ainda habitores, habitantes, ou mesmo incolae ou homines.

Le Goff ainda explica: “O nome que esses beneficiários dos privilégios urbanos vão usar de preferência, burgueses, apenas continuará designando uma parte da população das cidades, mas a palavra francesa que o traduz, borjois, batizará uma classe social, a burguesia, que triunfará no século XIX com o capitalismo e uma nova revolução urbana, a da cidade nascida da revolução industrial”.

A Revolução comercial e o tempo

A sociedade que se forma nas bases urbanas recebe todos os cidadãos indistintamente, divide os custos pela manutenção das estruturas comuns e, já a partir dos séculos XI e XII, a erigir e identificar os seus espaços e a construir os seus monumentos. Com o crescente desenvolvimento econômico e a introdução de novas atividades urbanas, como o ensino – universitas – e a burocracia administrativa e financeira, o burgo se transforma em um motor cultural para a transmissão da nova formação social.

Le Goff assim descreve esse período: “o domínio artístico essencial da Idade Média, o dos edifícios religiosos, ela criou uma arte urbana logo duplamente encarnada em produções sagradas e em produções profanas: a arte gótica. Pensou a si mesma como um lugar a ser construído e embelezado em harmonia com sua personalidade e seus valores, e produziu um urbanismo original e cada vez mais seguro de si”. E o valor que predomina é o dinheiro e suas representações, que tanto podem ser objetos de arte, artistas, construções e mesmo adereços. Deixada a penúria dos primeiros tempos da Idade Média, agora o luxo e a aparência predominavam.

Agora o tempo passa a ter uma nova singularidade. Não é mais o tempo da religião, marcado pela presença dos sinos nos campanários, nem ao menos o tempo do agricultor, marcado pelo nascer e o pôrdo- sol. É o tempo de se produzirem mercadorias, gerar dinheiro e acumular bens. Ainda segundo Le Goff , “ o movimento urbano não se acomoda a esse tempo. Ele não se adapta nem à faina da cidade, nem ao ritmo de seu tempo passional, nem à satisfação de suas liberdades. A nova regularidade do trabalho urbano não é a dos camponeses conciliados com a natureza e as estações, mas a de artesãos e operários assalariados cujo labor mensurável em dinheiro deve sê-lo também em tempo, um tempo não mais natural, mas tecnológico”.

A herança pré-religiosa da denominação dos dias

Apesar de s Idade Média representar um período intermediário entre o conhecimento clássico e a modernidade, alguns elementos persistem na cultura ocidental – a denominação dos dias da semana, sabidamente uma das características pagãs mais evidentemente preservadas. O primeiro dia do agrupamento da semana foi dedicado ao Sol, patrocinador da luz, do calor e da vida. Para os romanos, era o dia dedicado às oferendas e homenagens. Passou somente a ser denominado de Dies Dominica por São Justino, fundador da primeira escola cristã em Roma no ano de 165. O segundo, à Lua, por sua influência sobre os meios líquidos e pela continuidade das suas transformações, por meio da sua presença benéfica, sendo representada pela melancólica rainha dos infernos – Presérpina – e pela solitária deusa Diana (Ártemis para os gregos).

Dedicou-se ao deus Marte, o deus das guerras, o terceiro dia da semana. Em Roma, onde lhe deram um mês inteiro (março), esse deus era invocado quando havia a necessidade de se decidirem guerras e para o qual se ofereciam sacrifícios após jornadas vencedoras. Conta a mitologia que o rei Numa depositou aos pés de Marte os destinos da cidade e instituiu um corpo de sacerdotes – os sálios – para honrarem o poderoso guia da vitória humana. Tamanha honra impressionou o deus, que fez cair um escudo de bronze aos pés do rei quando este orava, dando a entender que a cidade sobreviveria tanto quanto o escudo. Entre outras medidas, o rei dedicou-lhe as preces desse dia.

O quarto dia tem um caráter ambíguo. Tanto corresponde o respeito aos mercadores, quanto aos ladrões. Corresponde ao caráter eminentemente dual representado pelas práticas comerciais, denominadas, em latim, de mercarii. Assim, Mercúrio, arauto de Júpiter, protegia os negociantes e os seus negócios, figuras também muito importantes no mundo clássico. Ao pai de todos os deuses – Júpiter, comandante dos ventos e das tempestades, cujas mãos dirigiam os raios e os trovões – foi dedicado o quinto dia. A necessidade de se prestar homenagem a poderes tão fortes também se manteve na representação simbólica dos povos do norte, onde Thor (Thursday) adquire as mesmas funções que o figurativo greco-romano.

O sexto dia da semana ficou consagrado a Vênus. Como as homenagens humanas foram dedicadas aos grandes poderes presentes nas sociedades humanas, não se faz necessária a explicação do porquê das homenagens à deusa do Amor, desde sempre considerado uma das mais fortes emoções humanas. A Saturno ou Cronos, pai do tempo, ficou destinado o sétimo dia. Segundo o mito, após destronado por Júpiter ou Zeus, foi exilado para o Lácio, na Itália (a origem da palavra deriva de latere que significa esconder-se, ocultar-se), onde dedicou-se à agricultura e ao pastoreio, dando início a uma fase de grande prosperidade. Por essas qualidades era bastante apreciado nos cultos latinos, especialmente em solo italiano. Mesmo o nome que posteriormente denominará a inteira península é decorrente da sua presença – Saturnia Tellus.

Tempo mecânico, calendário mercantil

O avanço tecnológico, no entanto, veio dos árabes. Eles criaram um tipo de aparelho no qual eram mantidos o quadrante, o ponteiro e as rodas dentadas. O movimento, porém, já não era dado pela água ou pela areia, mas por um peso que vencia pouco a pouco, em um tempo mais ou menos igual, a resistência dos vários dentes das inúmeras rodas. Consta que o califa Harun-Al-Rachid mandou para Carlos Magno um maravilhoso relógio em que a marcação das horas era dada por bolas de ferro que caíam em um gongo enquanto soldados miniaturizados desfilavam.

A racionalidade exigida pelas atividades mercantis fez com que a adoção desse novo tempo tomasse duas formas distintas: a primeira com a adoção de relógios, mais precisos, que mostrassem o correto transcurso das horas. O segundo foi a necessidade de reformulação do calendário. A partir do momento em que o contexto deixava de ser religioso e rural, obter uma contagem e disposição melhor dos dias se fazia urgente. Um calendário regulado por festas de datas móveis era eminentemente inadequado para os negociantes. O ano religioso começava numa data variável entre 22 de março e 25 de abril. Os mercadores tinham necessidade de pontos de partida, referências fixas para seus cálculos e para estabelecer seus orçamentos.

Na análise de Le Goff , a Igreja também determinara as horas de acordo com as estações do ano e suas respectivas preces: matinas, primas e ângelus. Regulavam-se pelo Sol e variavam ao longo do ano. Os sinos respondiam aos quadrantes solares. Os mercadores tinham necessidade de um quadrante racional, dividido em 12 ou 24 partes iguais. Foi a necessidade comercial que impôs a presença do relógio nas principais áreas centrais das cidades. Florença teve esse relógio em 1325, Pádua em 1334, Milão em 1335, Gênova em 1353. Todas as demais cidades promoveram verdadeira corrida para a colocação de seus relógios. O mais famoso deste período foi o relógio de Estrasburgo, que causou admiração em toda a Europa por séculos. Chamava-se “Relógio dos três reis” e media 12 metros de altura, e foi construído junto com a catedral em 1352.

Com relação ao calendário, sua reforma definitiva vai ocorrer em 1577 quando o papa Gregório XIII convoca o monge Dionísio, o pequeno, para conduzir as adequações necessárias ao calendário a partir das novas descobertas astronômicas. Suas conclusões ganharam personalidade jurídica mediante bula pontifícia em 24 de fevereiro de 1582.

A Ascensão da Cidade Medieval

A partir do século IX, o comércio volta a animar as antigas rotas de transporte, tendo como motor deste acontecimento, o comércio das cidades italianas, que para tal não só desobedeciam a ordens superiores – o Papa e o Imperador – ,como também tinham conseguido se afirmar no mar mediterrâneo por meio de acordos e de combates. Segundo o historiador belga Henry Pirenne (1862–1935), o progresso econômico de Veneza fará com que as principais famílias detentoras do poder se enriqueçam sobremaneira: “Essa riqueza se desenvolveu segundo um movimento ininterrupto. Por todos os meios ao seu alcance, a cidade dos canais trata com uma energia e uma atividade surpreendentes de impulsionar esse comércio marítimo, que é a condição essencial de sua existência”.

O segundo grande passo dado pelos nascentes agrupamentos urbanos foi o de sua separação física com a área rural, ou seja, o da construção de muralhas. Essa separação formal, no entanto, não chegou a abolir a atividade rural. Em muitos casos, da mesma maneira das cidades fortificadas da Antiguidade, a muralha preservava uma série de áreas com atividades rurais como forma de sobrevivência em caso de sítios prolongados. No entanto, ainda que com a presença de áreas não edificadas, o clima manifesto na área urbana era de liberdade e predomínio de atividades não rurais, ou, para WIKIPEDIAser mais claro, de atividades comerciais.

Segundo Le Goff , “a cidade medieval permanece mesclada de campo, deixando fora de suas muralhas subúrbios e um arrabalde plantados no campo, acolhendo no interior de seus muros, em compensação, pedaços de campo, terrenos cultivados, prados, espaços vazios e, ocasionalmente, camponeses refugiados”.

Foi a necessidade comercial que impôs a presença do relógio nas áreas centrais das cidades. Como o erro comprovado nas contagens anteriores era de dez dias de atraso em relação ao Sol, tornava-se necessário que todos os países cristãos se pusessem atualizados a um só tempo. Assim, marcou-se o dia 4 de outubro para que os homens acertassem o passo com o Sol, bastando para tal a retirada de dez dias da folhinha, a partir do dia 4, quando o dia seguinte não seria o dia 5 e sim, o 15. Isto foi feito na maioria dos países cristãos e na totalidade dos Estados católicos. Gravura intitulada Scriptorium, faz parte de um manuscrito medieval e traz a imagem de um monge, Dionysius Exiguus, que desenvolveu o sistema do Anno Domini com base em seus cálculos sobre a Páscoa.

A Revolução Industria, a Indústria e o Capitalismo

Nenhum uso não rural marcou tanto a paisagem urbana e alterou os hábitos de vida da população mundial quanto a introdução da indústria nas cidades. Inicialmente, dando seqüência ao processo de esvaziamento do campo, promoveu um adensamento nunca visto na história das cidades.

O processo de urbanização, se por um lado explodiu os mecanismos de vivência da cidade medieval, também proporcionou um avanço tecnológico na arte de morar em grupo, que, se não ocorreu ao mesmo tempo, ficou pouco a dever ao ritmo de crescimento das cidades. Data desse período a redescoberta dos sistemas de transporte de água e de coleta de esgotos e de lixo. Nesse sentido, a paisagem urbana marcada pelas chaminés industriais se torna o perfil dominante na maior parte das cidades inglesas e, a partir daí, se espraia para todo o globo.

No caso do Brasil, onde sempre houve a necessidade de mão-de-obra para o desenvolvimento das atividades econômicas, a marca da ocupação industrial se dá por meio da formação de bairros operários, onde os trabalhadores habitavam ao lado das instalações fabris. Nesses locais, em grande parte em habitações providas pelos próprios patrões, a vida se regulava pelo início e o fim do trabalho – os apitos das fábricas –,além de assinalar os intervalos – quando havia – para descanso. Nesse caso, a contagem do tempo transformava-se em mais um instrumento para controle da vida coletiva, marcando e conformando a vida do operariado. O maravilhoso filme de Charles Chaplin, Tempos modernos, nos mostra uma visão caricatural desse processo em que o tempo da indústria conforma a vida cidadã.

Talvez seja o caso de pensarmos aonde essa velocidade toda nos levará. Nos países que eles dispõem de mais recursos econômicos, o tempo tem andado na contramão de volta a um ritmo mais humano. No entanto, por hora, ainda estamos subordinados ao “tempo é dinheiro”, e não podemos nos arriscar a parar, até porque os relógios presentes em cada pedaço de rua e os que nos vigiam do alto dos prédios prenunciam que não temos saída. Temos de correr.

*Helena Ladeira Werneck é arquiteta e urbanista pela Unisantos, mestre em Planejamento Metropolitano pela Universidade de Roma. Coordenadora do Curso de Arquitetura e urbanismo das Universidades de Guarulhos e do grande ABC.

FONTE: Portal Ciência & Vida

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