Entre o Céu e o Inferno

Deus Criando os Animais” por Giovanni Benedetto Castiglione (1627-1691)

O homem convive com os animais desde quando ainda tinha a sensação de que era um deles. Ao longo dos anos, já os adoramos como deuses e já os maltratamos como se fossem coisas. Hoje, enquanto várias pessoas pregam que devemos nos isolar dos bichos, outras acreditam que deveríamos tratá-los como membros da família. Afinal, como relacionar-se com eles?

*Por Rodrigo Vergara

O cachorro é todo marrom, da cauda às longas orelhas, a não ser por uma mancha sobre o olho esquerdo. Se fosse um bicho de estimação, podia ser batizado de Pirata ou Camões, por causa do tapa-olho. Mas esse cachorro não tem nome. Nascido há semanas, ele foi logo separado da mãe e passa a vida em uma jaula pouco maior que seu corpo. Sem ter o que fazer, ele come e dorme. Rapidamente engorda. Um dia, ele é enfiado em uma gaiola com outros cães e levado a um galpão. Continue lendo »

A Revolução dos Bichos

A Batalha de Thor Contra os Gigantes” por Märten Eskill Winge (1825-1896)

*Por Igor Zolnerkevic, em 02/12/2009

A Lei Arouca, que regulamenta o uso de animais de laboratório, projeta para o Brasil uma nova realidade para a experimentação com cobaias. Num mundo ideal de respeito aos direitos dos animais, as experimentações científicas não mais usariam técnicas invasivas. Como em um Show de Truman animal, cobaias viveriam em uma espécie de bolha, alheias ao trabalho de pesquisadores que estariam analisando-as permanentemente. Continue lendo »

Humanos e Animais: Uma Parceria Feliz?

Diana e Seus Cães Caçadores ao Lado da Caça” por Jan Fyt (1611-1661)

*Por Angelita Scardua

Há vários estudos científicos indicando que ter um bicho de estimação pode:

– elevar as taxas de sobrevida entre vítimas de enfarte;
– diminuir o stress;
– contribuir para a estabilidade da pressão arterial em hipertensos e dos níveis de açúcar em diabéticos;
– melhorar o desempenho escolar de crianças com déficit de aprendizagem.

Com tantos benefícios obtidos, é comum vermos os bichinhos como uma extensão das nossas emoções, mas será que são? Continue lendo »

Amor Animal

A Tentação de Santo Antônio” por John Charles Dollman (1851-1934)

O fenômeno das relações fluidas e descartáveis estimula análises profundas sobre a extimidade humana e pauta pesquisas sobre o vínculo afetivo com o bicho de estimação, com resultados imprevistos.

*Por Andreia Calçada

Será que o afago de um bicho de estimação, um abanar de rabo do cachorro ou um miado do gato podem substituir o afeto oriundo do relacionamento com um ser humano? O animal não discute, pode ser punido sem maiores problemas e provavelmente não vai trocar de dono. Controlá-lo é muito mais fácil e confortável. Mas isso basta? Continue lendo »

Entrevista: Frans de Waal

O Desconhecido” por John Charles Dollman (1851-1934)

Estudar macacos para entender a natureza humana? Sim, porque somos todos primatas e, por isso, muito mais semelhantes do que diferentes. Essa é a polêmica tese de Frans de Waal, primatólogo da Universidade Emory, Atlanta, Estados Unidos.

*Por Carolina Cantarino

Os humanos compartilham aproximadamente 98% de seu DNA com os chimpanzés. Por conta dessa identificação genética, aquilo que costumamos descrever como características humanas – cooperação, altruísmo, agressividade, amor, medo, reconciliação, competição – existiria também entre os macacos. Continue lendo »

Animais têm sentimentos?

Apolo Tocando a Lira” por Briton Rivière (1840-1920)

Quem gosta de bicho não duvida que seus companheiros de estimação sentem simpatia, indignação, ou gratidão; cientistas, porém, fazem distinção entre respostas a estímulos e a interpretação das próprias emoções.

*Por Klaus Wilhelm

No horizonte surgem duas manadas de elefantes, andando uma ao encontro da outra. As colossais criaturas fazem um barulho ensurdecedor, abanam suas enormes orelhas e dão voltas em torno de si. Elas parecem se conhecer – e o ritual todo lembra uma verdadeira reunião de família. Continue lendo »

Cultura: privilégio dos homens?

Preces Para o Funeral de um Gato Egipcio” por John Reinhard Weguelin (1849-1927)

*Por Susana Dias

Em vários animais já foram descritos casos de comportamentos inventados por um indivíduo e aprendidos por outros do grupo. Há casos clássicos entre os primatas. Em chimpanzés têm sido observadas as possibilidades destes se reconhecerem e atribuírem individualidades a outros de sua espécie, de classificarem plantas e selecioná-las para sua alimentação, de usarem ferramentas para obter alimento, de ensinarem a seus filhotes, de cooperarem para solucionar problemas e de criarem estratégias sociais de comunicação, inclusive aprendendo linguagens de sinais dos humanos. Esses comportamentos descritos por pesquisadores das ciências naturais escapam às explicações genéticas e têm sido associados à noção de cultura em animais. Mas seriam esses resultados suficientes para dizer que os animais são seres culturais? A resposta à questão não parece ser simples mesmo para os pesquisadores. Para alguns, afirmar categoricamente que animais não têm cultura é esquivar-se de um interessante debate que os resultados dos estudos em comportamento animal podem promover. Continue lendo »