Arte na Psicoterapia Sob a Perspectiva da Psicologia Analítica Junguiana

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Máscara‘ Escultura de Jonathan Hayter (da Instalação Arquétipo)


Por Erika Antunes e Joel Giglio

(…)os estudos de Jung influenciaram amplamente o campo da arteterapia, trazendo à tona discussões mais profundas em torno da importância do mundo imagético na compreensão do psiquismo e, conseqüentemente, valorizando a análise das imagens simbólicas projetadas nas produções artísticas dos pacientes dentro do enquadre psicoterapêutico. Suas descobertas e reflexões abalaram os paradigmas do pensamento ocidental pela inclusão de novos enfoques a respeito dos processos psíquicos e da dimensão transcendente do ser humano. Continue lendo »

Arteterapia: O Ser Tem Estados Inumeráveis

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*Por Renata Ramalho

Nise da Silveira buscou na mitologia o significado dos desenhos de seus pacientes.


Nise da Silveira buscava um embasamento teórico para suas pesquisas. Ela encontrou respostas na obra do poeta francês Antonin Artaud (1896-1948), que estivera internado por vários anos. Uma frase dele sobre um pintor surrealista lhe deu a chave para o que realmente era a esquizofrenia. ‘O ser tem estados inumeráveis e cada vez mais perigosos.’ Nise adotou a expressão ‘os inumeráveis estados do ser’, que virou inclusive título de um de seus livros. Continue lendo »

Expressão Artística e Mundo Subjetivo

orbitalb1000‘Orbitals’ (Variation B) – Arte Computacional por J.Tarbell

Por Erika Antunes e Joel Giglio.

A relação entre elaboração artística e expressão do mundo subjetivo passou a ser estabelecida como um importante foco de interesse de estudiosos representantes do meio científico e de integrantes do meio artístico a partir do final do século XIX,tendo maior repercussão a partir do início do século XX. Nesse período,portanto, alguns estudos considerados pioneiros demarcam o início das pesquisas na área. Continue lendo »

Arte Pagã Contemporânea

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O Círculo Vicioso do Petróleo‘ por Ulla Barr (Fotografia Digital, 2007)
Fonte:
Eco Art LA


*Por Zoe de Camaris (Monica Berger)


‘Arte é a manifestação sensível da idéia”
Hegel


O que é Arte Pagã Contemporânea? – Toda Arte Contemporânea é pagã; me respondeu um filósofo, surpreendido com a pergunta. Afinal, vinculações religiosas não são mais uma necessidade para a arte, e faz tempo. Natural que a resposta fosse essa, em um primeiro momento, pois a palavra ‘pagão’ passou a se assemelhar à palavra ‘ateu’, aquele que não acredita em Deus e/ou não faz votos de comprometimento religioso, ganhando o significado daquele que ‘não é cristão’ ou que não recebeu o batismo. Assim a palavra tem sido compreendida no mundo judaico cristão, mas se retrocedermos um pouco e atentarmos para a etimologia, veremos que paganus significa “do campo” ou ainda “morador do campo”. E também tem o significado extra de ‘civil’, ou seja, pessoa que não mantém relações com o militarismo, o que nos faz lembrar da natural postura anárquica do pagão (no sentido político que é dado à palavra ‘anarquia’, é claro).

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Da psicologia Na Arte

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“Veil” de Paul Cocksedge

Preocupada em decifrar e compreender os impulsos, reacções e comportamentos da psique, a psicologia enquanto ciência humana abrange muito mais do que se possa comummente pensar. Se por definição o seu objecto parece uno, os fenómenos e o próprio método de estudo diversificam-se grandemente, fazendo desta esfera um campo verdadeiramente multidisciplinar: aproximando-se tanto da antropologia como da medicina, engloba ainda outros sistemas como a psicanálise, neuropsicologia ou a psicopatologia (demasiadas vezes tomada como o todo da psicologia). Em suma trata-se de esboçar processos mentais. Continue lendo »

A Relação da Criação Artística Com a Psicologia Profunda

ss15Nigredo, albedo e  rubedo representados como três pássaros encerrados dentro do vaso alquímico

(de Splendor Solis, London, 1500s)

*Por Elisabeth Bauch Zimmermann

Em seu livro “Jung,Vida e Obra”, Nise da Silveira escreve:


Os místicos sempre entenderam que o verdadeiro laboratório alquímico era o próprio homem. O homem natural era comparável aos metais vis. A meta seria transformá-lo no novo homem, que corresponderia ao ouro, o metal puro por excelência.”


Mais adiante, coloca que Jung ficou surpreso ao se dar conta que o “grande trabalho” descrito pelos alquimistas – a opus -, correspondia exatamente ao processo de individuação que ele experimentara nas profundezas do inconsciente. Ao criar o artista se transforma. Dentro desse enfoque é possível perceber uma analogia com o processo de transformação da opus alquímica. Quando se trabalha com o processo de criação artística, é possível observar as três etapas do trabalho alquímico: nigredo, albedo e rubedo. Continue lendo »

A Relação da Criação Artística Com a Psicologia Profunda_II

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*Por Elisabeth Bauch Zimmermann

Sobre a obra de arte Jung considera que:


seu sentido e sua arte específica lhe são inerentes e não se baseiam em suas condições prévias externas; aliás poderíamos até falar de um ser que utiliza o homem e suas disposições pessoais apenas como solo nutritivo, cujas forças ordena conforme suas próprias leis, configurando-se a si mesma de acordo com o que pretende ser”


Não há arte sem o diálogo consciente-inconsciente; o artista pode se sentir como um canal, um porta-voz de algo que é muito maior do que ele. O símbolo é polivalente, representa várias coisas tanto para quem produz como para quem entra em contato depois.Quanto mais amplo, mais geral, mais coletivo for o símbolo, mais profunda a obra e maior o seu alcance em sensibilizar o público. O psicólogo pode analisar e interpretar o processo de criação, mas não o resultado. O resultado, o que atinge e sensibiliza o espectador é tratado pelo crítico ou mais raramente pelo próprio artista. Continue lendo »

A Relação da Criação Artística Com a Psicologia Profunda_III

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*Por Elisabeth Bauch Zimmermann

A imaginação, desde sempre foi um espaço de liberdade que, em princípio, não pode ser tirado de ninguém. Lembra eventos passados e nos permite viver o futuro no espaço vivencial do presente. Por outro lado, o espaço vivencial torna-se, na imaginação, uma realidade simbólica, um espaço intermediário entre o mundo interno e o externo. Para ser útil ao ser humano, deverá estar sempre, tanto conectada ao mundo concreto como ao mundo psíquico. Da união fértil entre esses dois domínios pode nascer uma realidade que os transcende, criando e ampliando as novas possibilidades de vida. Continue lendo »

A Psicologia da Arte

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À primeira vista, este título é intrigante mas, todavia, sabemos que ele relaciona duas componentes conhecidas: a arte e a psicologia. Mas a Arte e a Psicologia parecem irreconciliáveis e, mais do que isso, são dois conceitos demasiado carregados para emparceirar num título de fusão.

O que é, afinal, a Psicologia das Artes? Quais são as suas possibilidades de existência como ciência social? Quais são as suas garantias de método? Qual é a relação que um psicólogo mantém com as obras de arte? O que levou a que sej untassem estes dois assuntos numa contracção tão incomum? Continue lendo »

O Despertar da Deusa (Parte I)

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‘Mona Lisa‘ por Leonardo Davinci


Filósofos relacionam a beleza com a arte; psicólogos consideram a sensação de prazer que desperta. Para o espectador comum trata-se apenas de uma questão de gosto. Quem está com a razão?

***POR CÁBOR PAÁL

Um menino dá um torrão de açúcar a um pônei e sente na palma da mão a maciez e o calor dos lábios do animal. Um escultor contempla a estátua recém-concluída que corresponde exatamente ao que desejava expressar. Um malabarista executa um novo número que, depois de um longo treinamento, está pronto para ser apresentado ao público. O que há em comum entre essas pessoas? Todas elas tiveram uma experiência que se poderia denominar ‘bela’, em diferentes sentidos. Continue lendo »