Alimentos e Evolução Humana

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*Por William R. Leonard


(…) Humanos, estranhos primatas. Andamos sobre duas pernas, possuímos cérebros enormes e colonizamos cada canto da Terra. Antropólogos e biólogos procuraram sempre entender como a nossa raça diferenciou-se tão profundamente do modelo primata(…). Um conjunto de evidências indica que essas idiossincrasias mistas de humanidade têm, na realidade, uma linha em comum: elas são, basicamente, o resultado da seleção natural, atuando para maximizar a qualidade dietética e a eficiência na obtenção de alimentos. Mudanças na oferta de alimentos parecem ter influenciado fortemente nossos ancestrais hominídeos. Assim, em um sentido evolutivo, somos o que comemos. (…) Para se compreender o papel da alimentação na evolução humana, devemos nos lembrar de que a procura pelo alimento, seu consumo e, finalmente, como ele é usado para processos biológicos são, todos, aspectos críticos da ecologia de um organismo.(…) Leia o resto deste post »

As Metamorfoses da Carne

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“Cães Caçadores” da National Geographic

Os restaurantes ’fast-food’ oferecem uma carne caricata e desencarnada. A estratégia destina-se a atingir um alvo: as crianças, consumidores que devem ser conquistados a qualquer preço. Mas há também uma relação ocidental, ambígua, com a carne.

*Por Pascal Lardellier

A carne nos remete inicialmente à nossa natureza carnívora, portanto, de predador. É um “alimento animal” que contém, ao mesmo tempo, a vida e a morte

A carne não é um alimento comum. Possui uma densidade simbólica de que nunca serão investidas a escarola, o macarrão ou a pasta de amêndoas. Afirmar que se trata do alimento de alguma forma absoluto, é mais do que uma frase espirituosa. Vivenda (carne, em latim medieval), etimologicamente significa “que serve para a vida”. Na verdade, várias ambigüidades de natureza antropológica contrariam a relação do homem ocidental com a carne, tornando-a complexa e equívoca. Leia o resto deste post »

Cultura e alimentação ou o que têm a ver os macaquinhos de Koshima com Brillat-Savarin?

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Por Maria Eunice Maciel

Universidade Federal do Rio Grande do Sul – Brasil

O tema da alimentação é capaz de gerar indagações que levam a refletir sobre questões fundamentais da antropologia tais como a relação da cultura com a natureza, o simbólico e o biológico. O alimentar-se é um ato vital, sem o qual não há vida possível, mas, ao se alimentar, o homem cria práticas e atribui significados àquilo que está incorporando a si mesmo, o que vai além da utilização dos alimentos pelo organismo. É assim que a procura pelo sentido deste “comer” tem atraído os antropólogos de uma maneira muito particular. Leia o resto deste post »

Obesidade: Fatores Psicológicos

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Por Simone Peixoto Conejo

A obesidade é uma doença crônica, que não escolhe sexo, idade ou classe social. Ela tem etiologias múltiplas: genética, sedentarismo, fenômenos psíquicos, comportamentais, culturais, sociais, econômicos e fatores demográficos, que influem também em sua manutenção. Aqui estaremos nos aprofundando nos fatores psicológicos, pois no desenvolvimento humano podemos perceber o quanto o alimento pode tomar importância na vida do indivíduo. Ele permeia a constituição das primeiras relações de cada um de nós e inegavelmente está ligado à condição de sobrevivência humana. Leia o resto deste post »

E a comida? Chegou de moto!

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Por Adriana Lima

Segundo a Associação Brasileira de Motociclistas, 500 mil trabalhadores ganham a vida fazendo um importante movimento que, num passado recente, poderia ser definido como “da cozinha para copa”. Ou seja, milhares de motociclistas profissionais levam a comida saída do forno para quem deseja consumi-la. E não podem demorar fazendo isso. Os clientes – e o patrão – têm pressa. Leia o resto deste post »

O Paradoxo Das Francesas

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Invejadas pela magreza e elegância, elas seguem comendo gorduras, doces e tudo o que é bom.


Por Flavia Varella, de Paris

Nas ruas de Paris, as mulheres chamam atenção pelo corpo esbelto e elegante. Nos restaurantes, impressionam pelo que comem: entrada, prato principal, molhos suculentos, queijo, um copo de vinho e doce de sobremesa. O pão, naturalmente, acompanha tudo. É a versão feminina do “paradoxo francês”, o fenômeno que intriga pesquisadores da área médica, em especial americanos e ingleses, dedicados a entender por que os franceses, mesmo comendo alimentos ricos em gordura, apresentam baixos índices de mortalidade por doenças coronarianas. Na estética, multiplicam-se os livros que ensinam como transpor para outras nacionalidades a persistente esbelteza das francesas. Anne Barone, uma americana que morou alguns anos na França, já escreveu três, de uma série que intitulou Chic & Slim (Chique e Magra), e mantém um muito visitado site na internet – tudo para mostrar como, após ter sido gorda por 25 anos, conseguiu perder peso e ficar magra imitando o modo de vida das amigas. Leia o resto deste post »

Os distúrbios alimentares sob o enfoque da psicologia analítica

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Por Anyara Menezes Lasheras

Do ponto de vista psicológico, os distúrbios alimentares, seja a obesidade, a anorexia nervosa ou a bulimia, representam uma tentativa de solução ou disfarce de conflitos internos, mas que além de não solucionar os conflitos, acaba por criar mais problemas relativos ao aumento ou perda excessiva de peso: o efeito “sanfona”, aumento da auto-imagem negativa, e assim por diante.

O alimento está associado a carinho, a cessação de um desconforto desde a primeira mamada de um bebê. Por isso, os distúrbios alimentares apresentam bases psicológicas que denotam conflitos afetivos associados à busca por alguma coisa, por exemplo: por um afeto inatingível, pelo preenchimento de um “vazio” interior, de um “buraco”, por segurança, por autoconfiança, aspectos que levam às sensações primárias de contato com a figura da mãe, na verdade da mãe boa, aquela que alimenta, que nutre, que acolhe e protege. Aqui as gratificações são deslocadas para o alimento. Leia o resto deste post »