Processos Que Sustentam a Resiliência Familiar: Um Estudo de Caso

Excertos de artigo de *Mara Regina Santos da Silva; **Carl Lacharité; ***Priscila Arruda da Silva; ****Valéria Lerch Lunardi; *****Wilson Danilo Lunardi Filho

Introdução

No decorrer das últimas três décadas, o fenômeno resiliência tem surgido como objeto de estudo em diversas áreas do conhecimento. Nas ciências sociais e da saúde, em geral, refere-se à capacidade manifestada por alguns seres humanos de amenizar ou evitar os efeitos negativos que certas situações consideradas com elevado potencial de risco podem produzir sobre a saúde e o desenvolvimento das pessoas, das famílias ou mesmo das comunidades. Trata-se de um fenômeno complexo que assume notável importância, principalmente num contexto em que macro adversidades sociais(…), se agravam cada vez mais, ao redor do mundo, especialmente, em algumas regiões menos favorecidas. Leia o resto deste post »

Monoparentalidade e Chefia Feminina. Conceitos, Contextos e Circunstâncias

Excertos de *Klaas Woortmann e **Ellen Woortmann

A Perspectiva Histórica: A situação brasileira

De fato, a Igreja esforçava-se em combater práticas como a poligamia entre indígenas, pois só a união monogâmica podia ser sacramentada. No entanto, “… o casamento entre tios e sobrinhas, proibido pelas Leis Canônicas, era defendido pelos próprios jesuítas, quando conveniente para implantar a monogamia entre os índios” (Samara, 1999: 13). Por outro lado, era comum o fato de famílias indígenas inteiras deslocarem-se. “Desse modo, o chefe da família, uma vez escravizado, acarretava a escravidão de sua esposa, filhos, irmãos e outros parentes” (Samara, 1999: 13). O contexto senhorial engendrou a chamada família patriarcal. “A família patriarcal era a base desse sistema mais amplo e, por suas características quanto à composição e ao relacionamento entre seus membros, estimulava a dependência da autoridade paterna e a solidariedade entre os parentes. Cabia ao patriarca dar proteção, então, não só à família imediata, mas também a parentes distantes, filhos ilegítimos, agregados e escravos. Leia o resto deste post »

Discutindo as Novas Formas de Parentalidade

Excertos do Artigo “Reflexões acerca das novas formas de parentalidade e suas possíveis vicissitudes culturais e subjetivas” de *Maria Cristina Lopes de Almeida Amazonas e **Maria da Graça Reis Braga

(…). O projeto moderno foi seriamente abalado pelo advento das grandes guerras mundiais, o que teve como conseqüência, entre outras coisas, a afirmação do trabalho feminino, a princípio, como necessidade, e, depois, como valor, através dos incipientes movimentos feministas do final do século XIX e início do XX. No entanto, ao decair o excesso de poder patriarcal, o que se observa é que, no modelo de família nuclear moderno, vai caber ao pai mediar as relações entre o público e o privado, livrando a criança do aprisionamento à mãe. Hoje, em consonância com as transformações sociais, culturais e econômicas, sobretudo no que diz respeito à entrada da mulher no mundo laboral, o que vemos são pais que dividem com elas os cuidados e afetos com os filhos, exercendo uma função que, até então, era denominada ‘maternalizante’. Leia o resto deste post »

Famílias Adotivas: Identidade e Diferença

Excertos de Artigo de *Suzana Sofia Moeller Schettini; **Maria Cristina Lopes de Almeida Amazonas; ***Cristina Maria de Souza Brito Dias

(…) Se outrora, “a partir das crenças populares, a adoção era considerada um desvio da norma universal a qual seria a filiação genética e consangüínea” (Ladvocat, 2002, p. 31), nos dias atuais, ela é reconhecida como outra possibilidade, a de fundar uma família que, se não conta com os vínculos consangüíneos, está legitimamente fundamentada nos laços afetivos. (…). A identidade do filho adotivo sempre teve como referência o filho biológico (a norma), em relação ao qual sempre foi avaliada como problemática. Uma das razões de se pensar dessa forma está relacionada com o fato de que a herança genética desta criança é diferente da dos pais que a adotam. Esse pensamento carrega o pressuposto de que o bom gene é sempre o nosso; quanto ao do outro, todas as suspeitas são justas e cabíveis. Leia o resto deste post »

As Novas Configurações da Família e o Estatuto Simbólico das Funções Parentais

Excertos de Artigo de *Michele Kamers

(…) A partir da psicanálise, sabemos que a família é uma estrutura responsável pela transmissão e inserção do infans na cultura. Nesse sentido, cumpre a função fundamental de inscrição da criança no universo simbólico através das funções parentais. Entretanto, mesmo em se tratando de funções simbólicas, é curioso notar que há certa tendência em querer localizar na mãe biológica o agente da função materna, assim como no pai da realidade o agente da função paterna. De modo inverso, ainda é possível encontrar uma série de formulações que versam sobre as funções parentais que poderiam ser realizadas por “qualquer um”, desde que alguém compareça; o que nos parece um equívoco, já que, em se tratando de uma função parental, ela jamais pode ser “anônima”, visto que pressupõe uma função de “nomeação”. Leia o resto deste post »

O Carma Familiar, Chave do Destino Humano?

*Por Olavo de Carvalho

O psiquiatra e humanista húngaro L. Szondi passou a vida tentando saber o que impedia a liberdade interior do Homem. Ele descobriu que as figuras dos antepassados permanecem vivas no inconsciente do indivíduo, forçando-o a repetir seus comportamentos e impedindo-o de escolher sua própria vida. Talvez o símbolo mais popular da injustiça seja o lobo da fábula, que pune o carneiro pelos crimes hipotéticos de seus pais, avós ou bisavós. No entanto, cada um de nós carrega no coração um lobo que não descansa enquanto não pagamos com fracassos, doenças e humilhações, até o último erro e a última ignomínia real ou imaginária de nossos antepassados. Isso pode parecer uma simples metáfora, mas é uma tese rigorosamente científica. É a teoria básica da Análise do Destino (Schicksalsanalyse), escola psicológica criada pelo psiquiatra e humanista húngaro L. Szondi. Embora pouco conhecida no Brasil, a Análise do Destino é um dos mais originais desenvolvimentos da teoria psicanalítica depois de Freud, Jung e Adler. Leia o resto deste post »

Os Efeitos dos Modelos Parentais na Construção da Personalidade

Se há algo a que podemos nos referir como universal é a família. Em qualquer civilização, em toda a classe social, há uma referência importante feita, pelo indivíduo, à família. Seja de forma positiva ou negativa, todo o ser humano carrega uma idéia de referência sobre sua família. O pai herói ou o pai carrasco, a mãe boa ou a mãe terrível povoam a psique, o imaginário e as emoções humanas. As idealizações e as fantasias são peculiares ao homem. No decorrer da vida existem oscilações entre a idealização dos pais e a decepção com eles e, na relação com os pais estão envolvidos, além dos reais, os pais arquetípicos que produzem consideráveis efeitos emocionais no sujeito. Leia o resto deste post »