Família, Amor e Futuro

*Por Patricia Paladino

A transformação do sistema patriarcal e as conquistas da mulher ao longo do século XX atingiram em cheio a célula mater da sociedade: a família. Hoje, novas formações familiares tornam-se alternativas ao núcleo tradicional, formado por pai e mãe casados, com filhos de ambos. Para a psicanalista Malvine Zalcberg – doutora em Psicologia Clínica e que exerceu, por 25 anos, as atividades de coordenação, ensino e pesquisa no Serviço de Psiquiatria do Hospital Universitário Pedro Ernesto e no Instituto de Psicologia -, não existe uma “nova” família. “O que há são várias maneiras de se constituir família, uma invenção simbólica da sociedade e que, por isso mesmo, sempre se ajusta às contingências histórias e às novas condições sociais, econômicas, políticas e culturais de cada sociedade”, explica Malvine. Continue lendo »

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Daqui Eu Não Saio

Uma geração de jovens que já trabalham e ganham seu dinheiro mas resistem à ideia de deixar a casa dos pais estabelece um novo padrão de comportamento.

*Por Carolina Romanini

O natural que os jovens, assim que começam a trabalhar e a ganhar o próprio dinheiro, sonhem em deixar a casa dos pais. Conquistar a independência, ter o seu canto, receber os amigos e namorados na hora que quiser – tudo isso faz parte do rito de passagem para a fase da vida em que a noção de responsabilidade adquire um significado mais amplo. Essa ordem natural das coisas vem sendo desafiada por muitos adultos jovens. Embora já trabalhem, eles preferem permanecer na casa da família – e nem sequer têm planos de morar sozinhos. São os chamados jovens cangurus, uma analogia com os mamíferos da Austrália que andam de carona na bolsa abdominal da mãe. Segundo o instituto de pesquisas LatinPanel, de São Paulo, há hoje no Brasil 3,3 milhões de famílias das classes média e alta com filhos cangurus. Isso equivale a 7% das famílias do país. A maioria deles se encontra na faixa dos 25 a 30 anos, mas, entre os já quase quarentões, 15% ainda moram com os pais (veja o quadro abaixo). Quando se considera que até meados do século XX as mulheres – e muitos homens – só deixavam a casa paterna para casar, surge a questão: terá havido um retrocesso na independência conquistada pelos jovens? Não é bem assim. Os jovens cangurus têm boas razões para ficar em casa. Continue lendo »

Mitos, Medos e Preconceitos da Adoção

Em seus trabalhos: Mitos e Verdades no Processo de Adoção e Filhos Adotivos e Rendimento Escolar, Lídia Weber consubstancia históricos, resultados de pesquisas e depoimentos para uma discussão reflexiva sobre os mitos, medos e preconceitos ainda tão presentes no processo de adoção no Brasil e no mundo. Especialista dessa temática, pontua, com muita propriedade, o quanto necessitamos pesquisar e estudar sobre o assunto. Continue lendo »

Evolução Infantil Independe de Família Heterossexual

*Por Marcelo Pellegrini

O principal argumento contrário à adoção de crianças por casais homossexuais defende que estas pessoas são incapazes de desempenhar papéis sociais e funções psíquicas fundamentais para a estruturação da família heterossexual clássica. No entanto, este argumento está se esfalecendo cada vez mais, conforme indica estudo desenvolvido pelo pesquisador Ricardo de Souza Vieira, do Instituto de Psicologia (IP) da USP. A pesquisa mostra que a criação e educação que é dada por casais homossexuais não representa necessariamente uma perda psicológica para estas crianças. Continue lendo »

Mães Solteiras

Socióloga norte-americana discute a opção de mulheres que, mesmo sem companheiro, decidiram se tornar mães. A entrevista foi concedida em 2006 à Revista Crescer

*Por Malu Echeverria

“Ser mãe solteira é para mim? Nove sessões para ajudar você a decidir.” O anúncio de jornal local voltado para “mulheres cujo relógio biológico está batendo”, há mais de dez anos, chamou a atenção da socióloga Rosanna Hertz, na época professora da Universidade Wellesley, Massachusetts. A inquietação se transformou no livro Single by Chance, Mothers by Choice (algo como “Solteiras por Acaso, Mães por Opção”), lançado nos EUA em 2006 e ainda sem tradução no Brasil. Para estudar a criação desse novo modelo familiar composto por mãe e filho(s), um fenômeno crescente por lá, Hertz entrevistou 65 mães solteiras de todos os tipos, de médicas a secretárias. A maneira como se tornaram mães também varia. Entre elas, há as que engravidaram naturalmente, outras que adotaram, as que se submeteram à fertilização assistida com doadores conhecidos ou anônimos e até as que compraram sêmen pela Internet. Continue lendo »

Elas Querem Saber Quem São Seus Pais

Jovens gerados com doação anônima de óvulos e esperma iniciam movimento pelo direito de conhecer seus pais biológicos.

*Por Rachel Costa

As duas jovens entrevistadas para esta reportagem estão entre as primeiras do mundo a colocar um dilema para a sociedade. Olivia Pratten, canadense, 28 anos, e Alana S., americana, 24, nasceram por meio de técnicas de reprodução assistida. No caso de Olivia, seu pai era infértil. Na história de Alana, sua mãe queria um filho, mesmo sem ter um marido. Por isso, tanto a mãe de Olivia quanto a mãe de Alana recorreram a doadores anônimos de esperma – prática comum e permitida. Hoje, porém, as duas meninas, já crescidas, querem saber quem são seus pais biológicos, os homens que cederam seus espermatozoides e, por conseguinte, metade do material genético de cada uma. Continue lendo »

Quando é o Pai Que Fica em Casa

Conheça a história de Jeremy Smith, um pai norte-americano que “trocou” de papel com a esposa: ela trabalha para garantir o sustento da família e ele mantém a casa em ordem e cuida do filho.

*Por Paula Perim

“No meu mundo ideal, todos os pais terão direito a ficar um ano da vida do seu filho fora do escritório. As mães ficarão o primeiro ano inteiro sem trabalhar. Mas, no final desse ano, será a vez dos pais. Essa transição será marcada por um rito de passagem. Haverá uma festa de despedida no escritório e, na manhã seguinte, o pai acordará em sua nova vida. Como todo início, haverá dificuldades e ele terá de fazer malabarismos para dar conta de todas as tarefas, mas vai aprender. E enquanto os pais aprendem a cuidar das crianças, as mães terão apoio para voltar ao mercado de trabalho.” Para o jornalista Jeremy Smith, essa seria a realidade que ele tanto sonhou viver. Ainda estamos muito longe disso, mas, de acordo com as pesquisas, ele pode ficar bastante otimista. Desde 1965 até 2009, o número de horas que os pais passam com seus filhos triplicou. De 1995 para cá, mais do que dobrou. Em 2007, um censo feito nos Estados Unidos mostrou que 159 mil pais ficavam em casa. Há 12 anos, esse número não passava de 64 mil. Continue lendo »