Feliz Natal!

“Vista Noturna de Vitoria” por Edson Lima

Por Angelita Scardua

Se parássemos um só minuto e prestássemos atenção à flexa inexorável do tempo veríamos que independentemente da nossa vontade as cidades se transformam, as árvores dão lugar a prédios e ruas, os amigos se mudam, as crianças crescem, nós envelhecemos…a vida segue seu curso. A vida se renova, mas esquecemos disso.

Desde tempos muito remotos nossos antepassados celebravam a dinâmica da vida comemorando a alternância do tempo. À semeadura e à colheita, à sobrevivência, enfim, se associava a mudança das estações. Por isso a árvore sempre foi um símbolo de fertilidade, um sinalizador desse fluir temporal.

A tamareira, por exemplo, era considerada a árvore da vida pelos egípicios, que a enfeitavam com doces e frutas para as crianças. Na China o pinheiro simboliza a longa vida, e no Japão a imortalidade. Na Antiga Grécia as árvores eram utilizadas para reverenciar os deuses. Na mitologia grega, na religião judaica e na tradição budista as árvores representam a possibilidade de evolução e elevação do homem, sendo consideradas intermediárias entre o céu e a terra.

Na Roma Antiga as pessoas penduravam máscaras de Dionísio – o deus do vinho que resuscitara da morte – em pinheiros para comemorar a “Saturnália”. Os romanos acreditavam que as divindades do mundo subterrâneo saíam em cortejo por todo o período invernal, quando a terra repousava e era inculta por causa das condições atmosféricas. Durante a “Saturnália”, acreditavam eles, tais divindades poderiam ser aplacadas com a oferta de presentes e de festas em sua honra. Dessa forma, elas retornariam ao além onde favoreceriam as colheitas da próxima estação.

O carvalho foi em muitos casos considerado a mais poderosa das árvores. No inverno, quando suas folhas caíam, os povos pré-cristãos do ocidente europeu, especialmente os germânicos, costumavam colocar diferentes enfeites nessa árvore para atrair o espírito da natureza que se pensava ter fugido em decorrência da infertilidade da terra invernal. Dentre esses enfeites haviam pequenos archotes de fogo, pois, a luz – a vida – poderia espantar a escuridão – a morte – representada pelos meses de frio.

Nossa árvore de Natal não é diferente. Para os recém-convertidos cristãos da velha Europa o pinheiro sinalizava a capacidade da natureza de resistir às intempéries, a força desafiadora da vida frente às dificuldades da existência. No auge do inverno, sob a neve, o pinheiro é a única árvore que se mantém verde. É por isso que os seguidores do Cristo em todo o mundo escolheram o pinheiro para celebrar o nascimento daquele que consideram a renovação da vida e a luz do mundo.

Pense sobre todas essas coisas quando celebrar o seu Natal. Pense que, mesmo as religiões e os povos sendo diferentes, toda a humanidade ao longo de sua história buscou ardentemente cultuar a plenitude da existência, aceitando suas alternâncias e procurando entender o significado do fluxo temporal que nos ensina a mover-se com a vida. Talvez, por isso, quando corremos demais nos esquecemos de viver.

Neste Natal, corra menos, dimínua o ritmo, contemple! Procure no seu dia-a-dia por onde anda a luz da sua vida, ao encontrá-la alimente-a para que ela te ilumine e aqueça nos dias de escuridão e frio.

Seja Feliz!

São os votos do Grupo Papeando Com a Psicologia.

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