Como Funciona o Medo

Está escuro e você está sozinho em casa. Com exceção do programa que você está assistindo na TV, o silêncio é total. Então, você ouve a porta da frente repentinamente batendo. Sua respiração acelera. Seu coração dispara. Seus músculos enrijecem. Um segundo depois, você percebe que não tem ninguém tentando entrar em sua casa. Era apenas o vento. Mas, por meio segundo, você sentiu tanto medo que reagiu como se sua vida estivesse em perigo. O que causa essa reação tão intensa? O que é o medo exatamente? Neste artigo, vamos examinar as propriedades físicas e psicológicas do medo, descobrir o que causa uma reação de medo e ver algumas maneiras de derrotá-lo.

O que é o medo?

O medo é uma reação em cadeia no cérebro que tem início com um estímulo de estresse e termina com a liberação de compostos químicos que causam aumento da freqüência cardíaca, aceleração na respiração e energização dos músculos. O estímulo pode ser uma aranha, um auditório cheio de pessoas esperando que você fale ou a batida repentina da porta de sua casa. Continue lendo »

O Medo Como Emoção

*Por Luciana Oliveira dos Santos. Excertos do artigo “O medo contemporâneo: abordando suas diferentes dimensões”.

(…) Em um sentido estrito do termo, o medo é concebido como uma emoção-choque devido à percepção de perigo presente e urgente que ameaça a preservação daquele indivíduo. Provoca, então, uma série de efeitos no organismo que o tornam apto a uma reação de defesa como a fuga, por exemplo. Para Delpierre (1974), o medo pode provocar efeitos contrastados segundo os indivíduos e as circunstâncias, ou até reações alternadas em uma mesma pessoa: a aceleração dos movimentos do coração ou sua diminuição, uma respiração demasiadamente rápida ou lenta, uma contração ou uma dilatação dos vasos sangüíneos, uma hiper ou uma hipossecreção das glândulas, constipação ou diarréia, poliúria ou anúria, um comportamento de imobilização ou uma exteriorização violenta. Nos casos-limite, a inibição irá até uma pseudoparalisia diante do perigo (estados catalépticos) e a exteriorização resultará numa tempestade de movimentos desatinados e inadaptados, característicos do pânico (Delpierre, 1974, apud Delumeau, 1989:23). Continue lendo »

Oscilações da Alma

O cogitar que alimenta a gangorra clássica da Filosofia, entre o temor e a esperança, levando ao descontrole afetivo.

*Por Monica Aiub

Viver na sociedade contemporânea parece, para alguns, assustador: o temor de sair às ruas, o medo do futuro, da morte, da violência, da doença, da miséria, da solidão… São muitos os nossos temores. Mas o medo não é uma prerrogativa das sociedades contemporâneas. A Antiguidade Grega já abordava a questão. Aristóteles, por exemplo, tratou do assunto afirmando, na Arte Retórica, que “o medo é uma dor ou agitação produzida pela perspectiva de um mal futuro que seja capaz de produzir morte ou dor” (1382 a). Também apontou, na Ética, que “o medo é definido como uma expectativa do mal” (1115 a). Continue lendo »

O Medo na Era da Liquidez

O traço mais opressor do medo, nos dias atuais, é que ele se tornou difuso e abstrato: a ameaça pode vir de toda parte. Ele leva à exclusão do outro, do “diferente”, e sacrifica a liberdade em prol de um pouco mais de segurança.

*Por Renato Nunes Bittencourt

O desenvolvimento da ideologia de bem-estar pessoal, que exige de cada cidadão “produtivo” o dever de desfrutar a sua vida da forma mais aprazível possível, destoa da necessidade desse mesmo grupo social de abrir mão do seu gozo material em prol de uma disciplina cotidiana que muitas vezes lhe gera intensos transtornos afetivos. Para se manter um elevado padrão de vida, o preço é doloroso: a contínua dedicação ao mundo do trabalho, que rompe a esfera do ambiente estritamente profissional e avança vorazmente aos sagrados espaços domiciliares. Entretanto, apesar da situação estressante que a dedicação profissional impõe a cada um de nós, nos esforçamos em manter o funcionamento pleno desse sistema social, baseado no esgotamento individual em prol do sucesso profissional, processo que sustenta a organização civilizatória do mundo ocidental, cada vez menos sólido. Continue lendo »

Você tem medo de quê? A Pedagogização Midiática do Risco

*Por Daniela Ripoll

O programa Fantástico da Rede Globo de Televisão e o Instituto Nacional de Metrologia (Inmetro) possuem, há 13 anos, uma parceria para a divulgação de resultados relativos à testagem de produtos e serviços diversos, num segmento chamado “Atenção, consumidor!”. Uma dessas reportagens do Fantástico levou o Inmetro “para o arraial” – isto é, para verificar a qualidade dos alimentos mais tradicionalmente comercializados e utilizados no preparo de iguarias nas festas juninas (amendoim, fubá de milho e leite de coco). Um dos riscos era o da contaminação do amendoim pela aflatoxina, que “pode provocar lesões graves no fígado como cirrose e até câncer”. Ainda segundo a reportagem – que traz o depoimento de um engenheiro do referido instituto –, “os fabricantes têm hoje um programa de qualidade que garante a segurança alimentar do amendoim. É uma boa notícia para os consumidores”. Este é um exemplo prosaico de que o risco nos dias atuais tornou-se uma preocupação de todos e de cada um, não mais apenas restrito ao terreno dos poucos investidores das bolsas de valores ou aos casos isolados de indivíduos extraordinariamente aventureiros: o risco tornou-se banal, normal e vulgar – a começar pelo amendoim que você come… Continue lendo »

Entenda por que gostamos de sentir medo

Filmes de terror como Atividade Paranormal aproveitam-se de uma característica pouco conhecida que nós, seres humanos, possuímos: gostamos de sentir medo. Nossa intrépida repórter conversou com especialistas e revelou por que é tão bom levar sustos.

*Por Rita Loiola

Uma casa mal-assombrada, um casal perseguido por fenômenos sobrenaturais e uma câmera para registrar tudo. Junte a isso uma produção mambembe, alguns sustos nos momentos certos e está feito o sucesso Atividade Paranormal. O filme arrecadou US$ 110 milhões nos Estados Unidos e estreou no Brasil entre os três títulos mais vistos da temporada de final de ano (por enquanto perde para as superproduções 2012 e Lua Nova). Em 15 dias, 606 mil brasileiros foram ao cinema movidos pela curiosidade de saber o que acontece enquanto os americanos Katie e Micah, o casal protagonista do filme, dormem. E isso porque foi feito em apenas uma semana e com um orçamento que não dá para comprar nem um carro popular: US$ 15 mil (Bruxa de Blair, por exemplo, custou US$ 100 mil). Continue lendo »

Que medo!

Nos primeiros anos de vida o cérebro humano não é capaz de reagir seletivamente aos estímulos; à medida que a criança cresce, os temores mudam e ela passa a enfrentar as ameaças de modo mais racional.

*Por Ana Oliverio Ferraris

Contrariando um clichê muito difundido pelo senso comum, ter medo não significa ser covarde. Covardia é, sim, não ter coragem de reagir. O medo, assim como outras emoções primárias, está inscrito no código genético de muitos seres vivos, inclusive no dos humanos. Sua função é “avisar” o organismo dos perigos. Em geral, portanto, o medo é benéfico – somente quando é excessivo (em casos patológicos de pânico, fobia) pode ser prejudicial. Por outro lado, uma pessoa totalmente destemida não teria vida longa: atravessaria a rua no sinal vermelho, cairia ao se debruçar na janela ou não hesitaria em enfrentar um leão. Sob o efeito do medo, aumentam a atenção e a velocidade de reação. As batidas do coração aceleram, a pressão sangüínea sobe, os açúcares inundam o sangue e aumentam as secreções da glândula supra-renal e da parte anterior da hipófise. Esse terremoto psicofísico prepara o corpo para lutar, fugir, imobilizar-se ou fingir não temer. Continue lendo »

Labirintos do Medo

A ansiedade pode ficar fortemente gravada no cérebro humano. Mas não se aflija – pesquisadores já estão descobrindo novas maneiras de apagar esta impressão.

*Por Rüdiger Vaas

Hoje em dia, pelo menos nos países desenvolvidos, dificilmente alguém vai passar por situação de pavor relacionada ao mundo natural. Assim, será muito difícil darmos de cara com uma cobra venenosa ou com um crocodilo faminto nas agitadas ruas de uma metrópole; ou não encontrarmos abrigo num dia de tempestade. Porém, na tentativa de governar as forças da natureza e dirigir o destino da humanidade, acabamos por criar novos riscos e ameaças: estradas de alta velocidade, gases-estufa, armas de fogo ou biológicas e as pressões sociais provocadas por fracassos pessoais ou por períodos de dificuldades financeiras pelos quais às vezes passamos. O fato de esses perigos não serem tão imediatos a ponto de provocar medo real na maioria das pessoas não quer dizer muita coisa. A ansiedade na vida moderna pode ser um fator debilitante para a saúde humana. “Talvez o homem seja a mais medrosa dentre todas as criaturas”, disse uma vez Irineus Eibl-Eibesfeldt, antropólogo emérito do Instituto Max Planck de Fisiologia Comportamental de Seewiesen, Alemanha. “Por ter experimentado, durante muito tempo, os medos mais elementares, como o de ser devorado por seus predadores naturais, o homem, agora, sofre do medo da existência, fundamentado no seu intelecto”, completou Eibesfeldt. Continue lendo »

Apesar do Medo

Vivemos com tantas preocupacões – da gordura trans, de perder o emprego, de estranhos, da crise mundial –, a tal ponto que dizem que vivemos numa Era dos Temores. Não precisa ser assim. Podemos aprender a lidar com nossos medos. Não é fácil, mas é bem possível.

*Por Elisa Correa

Faz cinco noites que não durmo. Ou durmo assim meio sem dormir, sono interrompido, olhos abertos às 4 da manhã. Tenho sentido a cabeça muito cheia de coisas, perturbada por uma sucessão de histórias do passado e sonhos para o futuro que mudam de lugar como num caleidoscópio. Meu estômago queima, mas não sinto fome, meu pescoço dói sem qualquer movimento. Sinto falta de energia, como se nas minhas veias corresse uma mistura de água com açúcar. Tudo isso porque vou mudar. De cidade, de trabalho, de contexto. Deixar para trás rostos conhecidos, abraços garantidos, portas para bater. Estou com medo do que me espera e do que não me espera também. De ir e querer voltar, de partir e não chegar, de tentar e não conseguir. Continue lendo »

Vamos lá, enfrente, com coragem!

*Por Loraine Luz

A propósito do esforço heroico que é para muitos a inclusão regular de atividades físicas em seu cotidiano, conversamos com a psicóloga Angelita Scardua sobre coragem e os benefícios para a saúde que a superação de metas pode trazer. Confira a entrevista na íntegra abaixo.

Superar desafios/encorajar-se dá prazer? Por quê? A importância de enfrentarmos situações difíceis, e de superá-las, reside no fato de que o desafio nos força a avaliar o que realmente é importante para nossa vida. Quando algo é realmente importante para nós descobrimos que somos capazes do impensável. É nas situações difíceis que encontramos recursos emocionais, intelectuais e físicos que não imaginávamos ter. Quando a vida corre tranquila, serena, tendemos a nos acomodar, a fazermos tudo da mesma forma. Essa condição de vida rotineira nos traz segurança, mas não incentiva o crescimento pessoal, seja no campo emocional ou cognitivo. A ausência de desafios faz com que tudo na vida pareça igual; é como se a certeza de que os acontecimentos se darão de uma determinada forma nos levasse a uma espécie de letargia motivacional. Sentimentos associados à sensação de incerteza e insegurança têm um grande poder mobilizador, e isso é fundamental, pois, lutar contra um desafio requer muita energia, seja física, cognitiva ou emocional. Por isso o desafio nos ajuda a redefinir prioridades, a fazer escolhas baseadas no que realmente nos importa. Não dá para desperdiçar energia e tempo com o que não é significativo para a nossa vida. Aí reside o prazer da superação. Quando vencemos um desafio nos sentimos mais coerentes, mais de acordo com os nossos desejos e motivações. Superar um desafio dá a sensação de que investimos nossas energias físicas, emocionais e cognitivas em algo que naquele momento tinha grande valor para nós. Reconhecer o valor de uma ação nossa dá significado à vida que estamos vivendo, sentir que estamos dispostos a lutar pelo que queremos gera coragem e confiança, e isso dá muito prazer! Continue lendo »