A Origem da Criminalidade_Parte I

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Foto de Pedro Ivo Prates

Sem contar as vidas perdidas, o crime custa ao Brasil mais de 100 bilhões de reais. Para curar essa chaga, é preciso primeiro entender como ela é fabricada.

*por Rodrigo Vergara

A sensação de insegurança no Brasil não é sem fundamento. Somos, de fato, um dos países mais violentos da América Latina, que por sua vez é a região mais violenta do globo. Em uma pesquisa da Organização das Nações Unidas, realizada com dados de 1997, o Brasil ficou com o preocupante terceiro lugar entre os países com as maiores taxas de assassinato por habitante. Na quantidade de roubos, somos o quinto colocado. A situação seria ainda pior se fossem comparados os números isolados de algumas cidades e regiões metropolitanas, onde há o dobro de crimes da média nacional. São Paulo, por exemplo, já ultrapassou alguns notórios campeões da desordem, como a capital da Colômbia, Bogotá. Continue lendo »

A Origem da Criminalidade_Parte II

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*por Rodrigo Vergara

Teoria dos controles

Segundo uma das principais correntes da criminologia, há três mecanismos que mantêm o comportamento dos indivíduos sob controle. Não por acaso, essa tese é chamada de “teoria dos controles”. O primeiro deles é o autocontrole, um processo interno que estabelece o compromisso de cada um com as regras sociais. “O autocontrole resulta da socialização, pela qual as crianças, que são naturalmente agressivas e possessivas, aprendem a não ser assim”, diz o sociólogo e pesquisador da Universidade de Chicago Robert J. Sampson. Segundo Steven Barkan, professor da Universidade do Maine, Estados Unidos, esse controle pessoal é determinado pela consciência individual, o compromisso com a lei e a auto-avaliação positiva. Continue lendo »

Psicologia e Genética: O Que Causa o Comportamento?_Parte I

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*Por Marco Montarroyos Calegaro

A genética comportamental é uma disciplina científica que estuda os mecanismos genéticos e neurobiológicos envolvidos em diversos comportamentos animais e humanos. Podemos caracterizá-la como uma área de intersecção entre a genética e as ciências de comportamento.

A engenharia genética forneceu as ferramentas necessárias ao estudo do comportamento associado à genética molecular. Isto permite que, progressivamente, possamos avançar na identificação de genes capazes de modular certos comportamentos, e de entender como estes genes interagem com o ambiente na formação de traços normais e patológicos da personalidade humana. Continue lendo »

Psicologia e Genética: O Que Causa o Comportamento?_Parte II

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*Por Marco Montarroyos Calegaro

A importância da criação

Mas que dizer da importância relativa da criação, o fator causal mais popular (tanto em nível de senso comum como em profissionais de psicologia) para explicar a personalidade de um sujeito adulto? Um adulto não se torna agressivo devido a forma como é criado pelos pais? A infância não é um período de molde, vital para a estruturação da personalidade adulta, e os pais não são a mais importante fonte de estímulos para o desenvolvimento? Continue lendo »

Aborto Pode Evitar Crime?

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*Por Leandro Loyola

Eis a polêmica tese defendida por economistas como o americano Steven Levitt e o brasileiro Gabriel Hartung: com o aborto legalizado, nasceriam menos criminosos.

Nas décadas de 1970 e 1980, os crimes violentos haviam crescido até 80% nos Estados Unidos. As previsões para o futuro eram catastróficas. No começo dos anos 1990, para surpresa de todos, os índices começaram a cair. Em alguns deles, a queda foi de mais de 40%. No primeiro momento, os especialistas ficaram desconcertados. Depois começaram a tentar apontar as razões mais óbvias para o recuo da criminalidade: endurecimento da polícia, tolerância zero com pequenos delitos, leis mais rígidas e melhora na economia. O economista Steven Levitt testou a maioria dessas hipóteses. Os resultados decepcionaram – eles apontavam influências apenas residuais desses fatores nos índices de violência. Quando relacionou os números do crime com a legalização do aborto, em 1973, Levitt levou um susto. Havia uma forte ligação entre os dois fenômenos. Continue lendo »

Gravidez Indesejada e Criminalidade

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*Por José Eustáquio Diniz Alves

A mídia deu ampla cobertura ao estudo do economista Gabriel Hartung da Fundação Getúlio Vargas (FGV), no Rio, que relaciona a gravidez indesejada à criminalidade: “O meu estudo é uma evidência de que a gravidez indesejada aumenta o crime“. Segundo o pesquisador, “o trabalho aponta o controle de natalidade como instrumento fundamental para o combate à criminalidade no Brasil” (O Estado de S. Paulo, 16/07/2007).

No sábado, dia 21/07/2007, o médico Drauzio Varella escreveu um artigo na Folha de São Paulo, “As grandes e as pequenas tragédias”, onde apoia e reforça o estudo de Hartung. Acreditamos que toda pesquisa que busca minorar o problema da gravidez indesejada e melhorar as condições de vida da população brasileira é válida e importante. Continue lendo »

O Cérebro do Psicopata

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*Por Rentao M.E. Sabbatini

Introdução

A maioria das pessoas é incapaz de entender como uma personalidade antisocial e criminosa, tal como a de um “serial killer” (assassino serial), é possível, em um ser humano como nós.

Não são apenas os assassinos seriais, mas uma grande proporção de criminosos violentos em nossa sociedade (em torno de 25% dos prisioneiros) mostram muitas características do que a psiquiatria chama de “sociopatia”, um termo melhor e mais preciso do que psicopatia. A DSM-IV, o importante manual de diagnóstico usado por psicólogos e psiquiatras, define um distúrbio mais geral, denominado mais apropriadamente, “distúrbio da personalidade antisocial” (DPA) e lista suas principais características, que podem ser facilmente reconhecidas em indivíduos afetados. A Organização Mundial de Saúde também definiu sociopatia em sua classificação de doenças CID-10 usando o termo “distúrbio da personalidade dissocial”. Continue lendo »

Crimes Passionais e Suas Implicações

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*Por Amanda Gabriela Oliveira Tundis

Segundo o dicionário Miniaurélio (2001) a paixão é traduzida em “um sentimento forte como amor ou ódio levado a um alto grau de intensidade, uma atividade, hábito ou vício dominador”.

Todavia, de acordo com o Vocabulário Jurídico (1999), em linguagem jurídica chama-se de passional apenas os crimes cometidos em razão de relacionamento sexual ou amoroso. A paixão aqui, junto à área criminal, relaciona-se à “paixão pela mulher, de onde geram os ciúmes, o amor ofendido, capazes de provocarem as emoções, que alteram ou afastam a serenidade do outro”. Porém, no que concerne ao dano doloso movido por paixão, este é um crime que acontece muitas vezes pelo ódio, possessividade, ciúme patológico, busca de vingança, prova de poder, não tolerância à frustração, entre outros. Ainda com conceituações do Vocabulário Jurídico (1999) como o próprio nome diz, o crime é doloso quando o agente teve a intenção maldosa de praticar o dolo a alguém ou assumiu o risco de produzi-lo. Continue lendo »

Falha Cerebral Molda Perfil Criminoso

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*Por Emilio Sant’Anna

O psicólogo britânico Adrian Raine, professor da Universidade da Pensilvânia, nos EUA, não teme as comparações de seu trabalho com os estudos que tentaram estabelecer as características físicas de assassinos em meados do século 18. Há quase 30 anos se dedica a entender a mente dos criminosos. E é taxativo: fator genético expressado por uma falha cerebral aumenta em 50% a probabilidade de o indivíduo se tornar criminoso. Não se trata, no entanto, garante ele, de encontrar em fatores biológicos atenuantes para os delitos ou criar um estigma, mas de compreender as origens dos desvios de conduta que levam pessoas a matar a sangue-frio seguidamente ou apenas uma única vez. Continue lendo »

Algumas Considerações Sobre “A Mente Criminosa” E As Neurociências

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*Por Rita Cristina C. De M. Couto

Um dos desafios das neurociências é estabelecer pressupostos teóricos sem incidir em estigmas sociais. Quando as possíveis pesquisas envolvem os aspectos subjetivos e individuais da mente associando-os à biologia, esse risco acontece.

O contexto atual, de ampla divulgação científica, mostra que os conflitos teórico-filosóficos inerentes às discussões sobre a mente e o cérebro ultrapassaram o mundo acadêmico. Em novembro de 2007, por exemplo, a Folha Online noticiou um projeto de pesquisa que seria analisado pelo comitê de ética de uma respeitável universidade brasileira, que mapearia, através de ressonância magnética, o cérebro de 50 adolescentes homicidas. Continue lendo »