O Estilo: Uma ponte entre a moda e a individualidade

Solve SundsboImagem: Foto de Solve Sundsbo

Por Angelita Corrêa Scardua

A percepção humana do corpo, e do impacto que a relação com ele exerce sobre o indivíduo e o grupo, nos leva a duvidar de que a roupa, nosso invólucro sociocultural, seja apenas um abrigo para nos proteger dos elementos. A história da moda indica que a vestimenta também não é um simples recurso moral para distinguir os “salvos” dos “perdidos”, muito menos um mero divisor de águas entre pobres e ricos. A psicologia do imaginário parece indicar que o que vestimos vai muito além das tendências estilísticas disseminadas pela mídia. O vestir-se, então, revela-se um mosaico de percepções, necessidades e motivações que oscilam entre dois mundos: Continue lendo »

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A Roupa Como Linguagem

Ellen_Von_Unwerth
Imagem: Foto de Ellen Von Unwerth

*Por Sergio Lage

As roupas não são apenas vestimentas que protegem o corpo ou adereços e adornos que nos embeleza. As roupas, como todos os objetos usados no cotidiano pelos homens, são partes da nossa existência diária, traduzem estados de espírito e identidades pessoais.

Elas preenchem o mundo de sentido e significado e nos ajudam a construir diversas narrativas e expressões sobre nós mesmos: sobre quem somos ou como queremos ser vistos, a nos diferenciar ou criar identificações, a ocupar posições ou oposições dentro do grupo. Continue lendo »

Moda, Cultura e Sentido

Guy_Bourdin
Imagem: Foto de Guy Bourdin

*Por Renata Pitombo

O homem se veste e enquanto tal exerce sua atividade significante; portar uma vestimenta é fundamentalmente um ato de significação, para além dos motivos de pudor, proteção e adorno. “Se vestir é um ato de significação e, portanto, um ato profundamente social instalado no coração mesmo da dialética das sociedades”, defende Barthes. (…)

Em um de seus pequenos, mas astutos artigos dedicados ao tema da vestimenta, Barthes a identifica como um fenômeno concernente a todo ser humano, na medida em que diz respeito a todo corpo humano, a todas as relações do homem com seu corpo e também deste corpo com a sociedade. (…) Continue lendo »

Moda. É sério?

Moda_E_Serio_Dior_Haute_CoutureImagem: Dior Haute Couture

*Por Juliana Sayuri

A moda é onipresente no mundo contemporâneo. Essa é a idéia-mestra que guia este artigo. O fenômeno da moda extrapola as luzes do universo fashion, alastra-se às ruas, aos happenings cotidianos e à arena acadêmica, mas é na esfera da mídia que suas dimensões se dilatam até corpos pavoneados, espetáculos imagéticos e discursos poderosos. Tal como postula o sociólogo francês Michel Maffesoli: “A moda pode ser um bom ponto de partida para a análise. De início, porque ela está onipresente. Não há nenhum domínio que a escape: do mais frívolo àquele tido como o mais sério, encontra-se a necessidade de se identificar. Moda vestimentária, é claro, mas também modas culinárias, lingüísticas, musicais, esportivas. Mesmo as idéias que não escapam de sua influência. Tanto no mundo acadêmico, produtos dessas idéias, quanto no meio jornalístico que as difunde, é de bom tom, em tal momento particular, pensar de um modo “conforme” o ar do tempo”. Continue lendo »

Moda, consumo, comportamento e tecnologia: reflexão inaugural

Moda_Consumo_Comportamento_Steven_MaiselImagem: Foto de Steven Meisel

*Por Ângela Rodrigues

Entendo o fenômeno moda hoje como um campo de interpretações que pode lançar luz, sobretudo sobre a relação do indivíduo com seu corpo, com os objetos, com o seu mundo, e porque não dizer com o espírito do tempo.

Ao pensarmos na relação do individuo com seu corpo salta aos olhos a importância que a moda desempenha na construção da subjetividade e na percepção que o indivíduo tem de sua corporeidade. O conceito de corporeidade nos remete a um individuo desprovido da dualidade cartesiana. Denota, um ser que se percebe como um corpo e uma mente amalgamados, indissociáveis, um ser biológico, mas também cultural que se autoproduz material e culturalmente o tempo todo. Nesse processo as produções simbólicas parecem ocupar um papel importante. Continue lendo »

“As pessoas não precisam estar mais bem-vestidas. Precisam ser melhores”

Entrevista_JumNakao

Imagem: Jun Nakao em “A Costura do Invisível

Jun Nakao, Maio de 2009

Estranho ouvir isso de um estilista? Pois a moda, para Jum Nakao, nada mais é do que uma “ferramenta de descoberta”. Ele não aposta em tendências e padrões, mas em um novo formato de mercado: “A gente precisa reconectar as pessoas à essência humana”. Desde que deixou a passarela mais importante do País, em 2004, decidiu dedicar a carreira ao resgate de valores. Ministra cursos no sertão, desenvolve objetos sustentáveis com comunidades na Amazônia. O que mais dói, conta, é perceber todo o potencial de recursos e saberes do País que fica “confinado ao silêncio”. Continue lendo »

Esnobismo e Moda: o gosto pela marca e a busca pelo amor

Esnobismo_e_Moda_Peter_Lindbergh

Imagem: Foto de Peter Lindbergh

*Por Queila Ferraz

Muito se fala sobre a importância do corpo vestido na socialização dos indivíduos e das motivações psicológicas que impulsionam o consumo de trajes moda.

As ciências humanas têm debruçado seus estudos sobre a importância das aparências como um elemento sinalizador para a aglutinação de pessoas, em torno de objetivos comuns. Esta visão está muito bem elaborada, em pensamentos como os de Hume, Simmel, Mafesolli, Baudrillard. Continue lendo »