Psicologia da Corrupção

Charge do Elder Galvão

A falta de moral pode ser explicada por meio do desenvolvimento inadequado do “senso ético” no cérebro, mas aspectos socioantropológicos, fatores genéticos e pessoais também colaboram para o surgimento do transtorno de personalidade difícil de ser curado. Corrupção, segundo consta no dicionário on-line Michaelis (acesso em 28/7/09), vem do latim corruptione e tem por significados “ação ou efeito de corromper”, “decomposição”, “putrefação”, “depravação”, “desmoralização”, “devassidão”, “sedução” e “suborno”. A palavra se tornou comum e mesmo vulgar no vocabulário dos brasileiros após os inúmeros escândalos, envolvendo personalidades e políticos, divulgados pelos meios midiáticos nos últimos tempos. Continue lendo »

O Que os Brasileiros Pensam Sobre a Democracia?

Charge do Novaes

Situações de crise política como as recentes denúncias de corrupção envolvendo membros da cúpula do governo federal, partidos políticos e deputados federais têm gerado avaliações sobre o estado do regime democrático no país: completados 20 anos do fim da ditatura militar, a democracia estaria, de fato, consolidada no Brasil? A tendência das avaliações é focalizar as instituições que compõem o sistema político formal tais como as eleições e os partidos políticos. Mas um fenômeno importante parece ser ignorado: o que os brasileiros comuns pensam sobre a democracia. Recentes pesquisas de opinião têm revelado a descrença dos brasileiros em relação à política e aos políticos. E, mais do que isso, o apoio incondicional à democracia tem sido posto em cheque. Continue lendo »

Metamorfoses da República

Charge do Angeli

O modo de governo criado pelos romanos se estendeu pelo tempo e chegou como a principal forma de organização dos Estados atuais.

*Por Renato Moscateli

A resposta para a pergunta a seguir talvez pareça óbvia, e provavelmente soa banal para um povo que vive há mais de cem anos em um Estado autodenominado República Federativa do Brasil. Mas, afinal, vivemos nós, brasileiros do século XXI, em uma república? Aqui, como em grande parte do mundo contemporâneo, a forma republicana de governo, tal como a conhecemos, tornou-se tão familiar que quase não pensamos no fato de que ela não é obra dos homens modernos. Suas raízes estendem-se profundamente no tempo, atingindo mais de dois mil anos no passado, até as práticas políticas dos cidadãos da Roma antiga. Por este motivo, uma outra pergunta menos banal também poderia ser feita: os romanos de outrora reconheceriam em nossos Estados o regime republicano que eles tão orgulhosamente criaram? Continue lendo »

Uma Breve História da Cidadania no Brasil

Charge do Angeli

Da colonização aos dias atuais, muitos foram os avanços na luta pela cidadania da sociedade brasileira. No entanto, diante de tantas transformações econômicas e sociais, o tema merece um estudo mais aprofundado.

*Por Luiz Etevaldo da Silva

Cidadania e Educação

Costumamos dizer que a História do Brasil começou em 1500, com a chegada dos portugueses – o que também deu início ao processo de dominação próprio do novo sistema socioeconômico que se configurava no século XVI. Nele, a cidadania, como a entendemos hoje, não estava na agenda social e política. Assim, uma minoria de pessoas estava inserida no círculo dela e a maioria, excluída. Na obra Cidadania no Brasil: um longo caminho, o autor José Murilo de Carvalho faz uma profunda análise da história da cidadania em nosso país e nos ajuda a entender melhor este processo. Continue lendo »

O Estado-Nação

Charge do Amarildo

I. Estado, País, Nação e Povo

Nesses casos, as unidades internas são também chamadas de estado (grafada com e minúsculo). Temos assim, um Estado Federal (União) com seus respectivos estados membros (unidades da federação). Há Estados em que as unidades internas recebem outros nomes, como províncias (Argentina, Canadá, etc.), departamentos (França), condados (Reino Unido), regiões (Itália), cantões (Suíça), repúblicas (Federação Russa). Um Estado exerce a soberania sobre um território delimitado por fronteiras, guardadas pelas Forças Armadas e com limites precisos; tem uma burocracia administrativa e é organizado em três esferas de poder. No Brasil, denominamos esses três esferas União, estados e municípios – ou esfera federal, estadual e municipal. Continue lendo »

Algumas Notas Sobre o Conceito de Poder em Skinner

Charge do Cícero

*Por Lídia Natália Dobrianskyj Weber

1. Introdução: Generalidades Sobre o Poder

Podemos falar de poder de uma visão individualista, que é o poder visto nas relações individuais, e de uma visão holista, ou seja, o poder visto na totalidade, na relação entre a comunidade e os indivíduos, entre o todo e a parte. De qualquer forma, quando iniciamos um exame da questão do poder, percebemos que ela está inserida em novas condições de existência atual, está inserida em uma sociedade tecnológica. Desta forma, não importa quem detenha o poder, ou quem o represente, pois quem quer que ele seja, deverá submeter-se às imposições determinadas pelos computadores, pelos técnicos ou por aquilo que for apresentado como conclusão de análises objetivas e técnicas. Na sociedade tecnológica, o poder tende a ser exercido pelos técnicos e pelos burocratas que, comprometidos com a técnica e a ciência, tendem a exercer o poder em nome de razões impessoais e da neutralidade científica. Os indivíduos ligados ao Estado defendem a idéia de que, para que o todo funcione com perfeição, as pessoas devem submeter-se à ordem imposta pelo sistema. Este fato cria uma armadilha, como explica Adolpho Crippa (1982): Continue lendo »

A Contribuição de Freud Para o Esclarecimento do Fenômeno Político

Charge do Angeli

*Por Maurício Tragtenberg

Não pretendemos abordar as relações entre Psicanálise e Política, mas, a contribuição de Freud para o esclarecimento do fenômeno político. Isso significa limitarmo-nos a seu universo discursivo, sem ampliar a análise do político, abrangendo as várias correntes psicanalíticas, de Reich a Adorno, de Guatari a Lacan. A volta de Freud significa a preocupação em compreender a sua contribuição específica ao estudo do fenômeno político, sua pertinência e atualidade. Durante mais ou menos um século, o estudo do “político” centrou-se nas instituições. Fourier esperava que, através delas, o vício individual se transformasse em virtude social. Continue lendo »

Psicologia das Massas

Charge do Ique

Hugo Chávez e Evo Morales atualizam na América Latina uso político do cidadão, estudado por Freud.

*Por Joel Briman (Especial Para o Jornal Folha de São Paulo, 07/05/2006)

Nos anos que se seguiram ao fim da Segunda Guerra – quando os horrores do nazismo estavam ainda presentes no imaginário coletivo principalmente com o Holocausto e com a biopolítica empreendida pelo nacional-socialismo-, Adorno realizou uma pesquisa de grande envergadura sobre a personalidade autoritária, ainda nos tempos do seu exílio americano. Entre as muitas coisas aqui levantadas, se destacava algo inédito, qual seja, a relação entre autoritarismo e sociologia política. O que foi surpreendente na época foi a evidência de que a dita personalidade não tinha nenhuma afinidade eletiva com uma ideologia, podendo aquela aderir seja a discursos de direita ou de esquerda. Vale dizer, existiria o autoritarismo declinado tanto com o discurso conservador quanto com o socialista. Continue lendo »

O Indíviduo Ameaçado Pela Sociedade: Capítulo I

Charge do Amarildo

*Excertos da Obra de Carl Gustav Jung

(…)

Em toda a parte no Ocidente agitam-se estas minorias subversivas que escondem as tochas incendiárias, prontas a brandi-las. Estas minorias trabalham na sombra, ao abrigo mesmo, ó paradoxo, da nossa humanidade e da nossa consciência do direito; de modo que nada se opõe à expansão das suas ideias, se não é o caso do espírito crítico duma certa camada da população, capaz de ponderação e de uma relativa estabilidade mental. Mas não é preciso deixarmo-nos ir até à sobrestimação da importância e do poder desta camada social. Ela varia de país para país em função do temperamento nacional; ela varia também de região para região, sob a influência da instrução e da educação públicas; e ela está além disso submetida à influência de perturbações agudas de origem política ou económica. Segundo estimativas optimistas, baseadas em observações feitas por ocasião de consultas eleitorais, esta camada estável engloba no máximo cerca de sessenta por cento dos votantes. Todavia uma apreciação mais pessimista não parece injustificada nem pode ser descartada sem exame, porque os dotes de razão e de reflexão crítica não são qualidades essenciais do homem. Mesmo quando estão presentes, elas se mostram instáveis, inconstantes, naturalmente vacilantes, e isso, por regra, proporcionalmente ao tamanho dos grupos políticos. O que poderia ainda subsistir de reflexão, de compreensão e de perspicácia no indivíduo encontra-se esmagado pela massa, e é por isso que esta última leva necessariamente à tirania autoritária e doutrinária, desde que o Estado fundado no direito manifeste sinais de fraqueza. Continue lendo »