Cibercultura

Excertos da Monografia *“Flash Mobs, movimentos que transcendem o ciberespaço: uma ferramenta alternativa de comunicação” de Éverton Bohn Kist

(…) A palavra virtual vem do latim medieval virtualis, derivado por sua vez de virtus, força, potência. Na filosofia escolástica, é virtual o que existe em potência e não em ato. O virtual tende a atualizar-se, sem ter passado no entanto à concretização efetiva ou formal.(…) Aqui cabe introduzir uma distinção capital entre possível e virtual que Gilles Deleuze trouxe à luz em Différence et répétition. O possível já está todo constituído, mas permanece no limbo. O possível se realizará sem que nada mude em sua determinação nem em sua natureza. É um real fantasmático, latente. O possível é exatamente como o real só lhe falta a existência. (LÉVY, 1996, p. 15) Leia o resto deste post »

Os Quinze Minutos de Fama e a Espetacularização do Cotidiano

*Por Carolina Octaviano

Com o advento da internet, criam-se novos mecanismos para quem busca ser uma celebridade ou tornar-se, pelo menos, conhecido. Um exemplo disso é a utilização das redes sociais – o Facebook, Twitter e o Orkut, entre outros – pelos aspirantes a famosos, que desejam alcançar os seus quinze minutos de fama – previstos por Andy Warhol em 1960 –, por meio da utilização dessas ferramentas. Essas redes, que surgiram prioritariamente como um agente para a integração social, criam um ambiente propício para o exibicionismo e o voyerismo (prática que consiste no prazer a partir da observação de outras pessoas), onde ser contemplado é o que importa. Leia o resto deste post »

Como a Internet Facilita a Intimidade

Caso você não esteja visualizando as legendas em português no vídeo faça o seguinte: vá na barra – logo abaixo da imagem – onde está escrito “view subtitles” e clique; depois role a barra à direita para baixo e clique em “portuguese”, o de cima que é o do Brasil.

No vídeo acima pode-se ouvir Stefana Broadbent falando sobre as mudanças provocadas nas relações humanas com o advento das mídias digitais.  A palestrante é cientista social no Departamento de Antropologia Digital da University College em Londres, onde pesquisa processos cognitivos. Há décadas ela observa pessoas interagindo com recursos tecnológicos, seja em casa ou em locais de trabalho, para tentar mapear a forma como elas utilizam essas novas ferramentas no cotidiano. Por exemplo: interessa à Stefana se uma pessoa prefere usar o telefone para falar com a mãe, e mais para enviar torpedos ao marido. Ou, se na presença de colegas de trabalho costuma-se enviar tweets para os amigos, etc. Na visão da pesquisadora, o mecanismo que escolhemos para nos comunicar com os outros está relacionado à como percebemos nossas relações afetivas. Em seus estudos, Stefana tem feito descobertas surpreendentes, como o fato de que parte considerável das pessoas atualmente escreve com maior frequência para os amigos do que fala com eles pessoalmente. Descobertas como essa podem criar entre nós o receio de que troca de mensagens via email, MSN, Facebook, Twitter, etc., estejam estragando a intimidade humana. A pesquisa de Stefana Broadbent, contudo, mostra como a tecnologia de comunicação é capaz de cultivar relacionamentos mais profundos e trazer amor, independentemente de barreiras como distância e políticas corporativas

A tradução da palestra do inglês para o português foi feita por Jorge Vacarini Jr, com revisão de Rafael Eufrasio.

Assista outras palestras do TED em português, clicando AQUI

O Cérebro e o Número de Dunbar: Qual é o Tamanho da Amizade Numa Rede Social?

*Por Angelita Corrêa Scardua

Robin Dunbar, um antropólogo e psicólogo evolucionista da Universidade de Liverpool, na Inglaterra, defende a idéia de que os contatos sociais são parte essencial da história evolutiva do nosso cérebro. Tudo começou quando ele, estudando macacos, percebeu que há uma relação significativa entre o tamanho do cérebro e o número de integrantes do grupo. Ou seja, um grupo numeroso de macacos costuma ser formado por indivíduos com córtex mais volumoso. É claro que Dunbar não resistiu à tentação de extrapolar essa descoberta para a própria espécie – o que o levou a elaborar uma hipótese muito interessante: a de que a evolução do cérebro humano seria dependente do desenvolvimento de estruturas sociais. “Social Brain” é como a hipótese de Dunbar é conhecida. Mas qual seria a explicação para isso? Simples e, aparentemente, bem lógica. Quanto mais indivíduos num grupo, mais informações há para serem processadas, pois, há um grande volume de pensamentos, idéias, sentimentos, ações, etc., que precisam ser identificados, classificados e assimilados para que o convívio social possa se efetivar. Leia o resto deste post »

Cyberbullying, Cyberstalking e Redes Sociais : Os Reflexos da Perseguição Digital

*Por Gisele Truzzi de Lima

Com o uso crescente das tecnologias, aumenta na mesma proporção o número de indivíduos cada vez mais “conectados”. Um dos reflexos dessa inclusão digital em nosso país é a grande participação dos brasileiros nas redes sociais. Pesquisa realizada pelo Ibope Nielsen Online constatou que as redes sociais congregam cerca de 29 milhões de brasileiros por mês, e que para a cada quatro minutos na rede, os brasileiros dedicam um a atualizar seu perfil e bisbilhotar os amigos.

Mas qual será o impacto da utilização exacerbada da Internet para o contato social? Leia o resto deste post »

Internet, Imaginário Coletivo e Religiosidade no Mundo Contemporâneo: Um Estudo Preliminar

Excertos de Monografia de *Daniela de Andrade Athuil Galvão de Souza

(…). Como movimento coletivo, o fenômeno Internet tem sido objeto de estudo em diversos campos da ciência. Na tentativa de compreendê-lo, muitos autores recorrem a determinados conceitos nas áreas da filosofia, antropologia e psicologia. Mas a verdade é que ainda são poucas as conclusões a respeito dessa nova forma de interação com o mundo e os seus desdobramentos psíquicos. No entanto, não resta dúvida de que a Internet veio para fazer parte da vida de todos nós. Justifica-se, pois, o interesse do psicólogo em acompanhar e refletir sobre o modo como a evolução da tecnologia da informação se articulará com os diferentes aspectos da existência humana. Não se trata de procurar respostas ou verdades, mas de explorar possibilidades e tendências que irão configurar o cenário futuro. Leia o resto deste post »

Tecnologias de Informação e Subjetividade Contemporânea

*Por Fernanda Bruno

Indicadores são instrumentos de representação e medida de características de uma dada realidade ao longo de um determinado tempo. Inserem-se, assim, na longa tradição dos sistemas de classificação, os quais são sistemas de ordenação da realidade em categorias distintas (Bowker & Star, 1999). Em nossa cultura, a economia, a ciência, a política, a saúde, entre outros domínios, vêm sendo cada vez mais pautados por indicadores que ao mesmo tempo visam expressar o estado de coisas e orientar ações e decisões em cada um desses setores. Recentemente, vemos crescer enormemente a capacidade de indexar e classificar não apenas esses “grandes” setores das sociedades contemporâneas, mas também ações e comportamentos “menores”, individuais e cotidianos, como hábitos, gostos, interesses, formas de comunicação e sociabilidade etc. É dessa indexação das informações individuais, a qual constitui um sistema particular de classificação dos indivíduos e da subjetividade, que trataremos aqui. Leia o resto deste post »