Sinal Fechado

Olá, como vai ?
Eu vou indo e você, tudo bem ?
Tudo bem eu vou indo correndo
Pegar meu lugar no futuro, e você ?
Tudo bem, eu vou indo em busca
De um sono tranquilo, quem sabe …
Quanto tempo… pois é…
Quanto tempo…
Me perdoe a pressa
É a alma dos nossos negócios
Oh! Não tem de quê
Eu também só ando a cem
Quando é que você telefona ?
Precisamos nos ver por aí
Pra semana, prometo talvez nos vejamos
Quem sabe ?
Quanto tempo… pois é… (pois é… quanto tempo…)
Tanta coisa que eu tinha a dizer
Mas eu sumi na poeira das ruas
Eu também tenho algo a dizer
Mas me foge a lembrança
Por favor, telefone, eu preciso
Beber alguma coisa, rapidamente
Pra semana
O sinal …
Eu espero você
Vai abrir…
Por favor, não esqueça,
Adeus…

Sinal Fechado”, música e letra de Paulino da Viola

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A Ética dos Encontros Descartáveis

*por Silvia Graubart

Falar de amor e sexo no século XXI implica refletir sobre a “sociedade do espetáculo” descrita pelo polêmico pensador francês Guy Debord. O autor analisa uma forma de estar no mundo em que a vida real é, inexoravelmente, pobre e fragmentada – e as pessoas são obrigadas a assistir e a consumir passivamente as imagens de tudo que lhes falta em sua existência subjetiva. Essa perspectiva me remete ao termo “ficar” – rótulo informal para os encontros efêmeros e descartáveis, nos quais ver, ser visto e aparecer reduzem os casais a machos e fêmeas no cio. Os pares são transitórios, os arranjos duram apenas algumas horas, talvez dias. Ou minutos. É o tempo do desejo saciado. Continue lendo »

Como a Modernização e a Tecnologia Influenciam nas Relações Humanas

*Por Shani Falchetti e **Raphael Henrique Castanho Di Lascio

Há pouco mais de cem anos o Brasil era um país predominantemente agrário. Ainda que as cidades existissem e que algumas fábricas pudessem ser encontradas em certas regiões do país, a paisagem rural foi largamente preponderante até 1870 pelo menos. A riqueza brasileira provinha até então, principalmente da agricultura e da exportação de produtos agrícolas. Senhores de terra e escravos constituíam as camadas sociais mais importantes, embora um contingente de população livre se tornasse gradativamente expressiva a partir de 1850, quando o sistema de produção brasileiro, herdado do período colonial, entrou em colapso com a extinção do tráfico negreiro, entre outros fatores (DECCA, 1991). Continue lendo »

A Pressa é Inimiga da Perfeição

Quando fazemos as coisas com calma, colocamos mais atenção ao momento presente e erramos menos

*por Eugênio Mussak

“O tempo não pára”, diz Cazuza em uma poesia musicada que se transformou em uma espécie de hino à urgência de viver. A mensagem era: vamos fazer tudo o que for possível, mesmo que isso sirva apenas para constatarmos que o futuro repete o passado, em uma dança conhecida e cada vez mais frenética. Pense bem: não é o que fazemos todos? Eu, você, nossos amigos, vizinhos, colegas? Vivemos no mundo da velocidade, que é a face mais evidente da sociedade atual. Parece que o tempo sempre está escorrendo entre os dedos. A idéia predominante é de que o tempo não pára e que, como conseqüência, nós também não podemos parar. Chegamos a pensar que o ideal seria que nos antecipássemos ao tempo, sendo mais velozes que ele, como fez o deus grego Zeus, que se tornou o mais poderoso após destronar seu pai, Chronos, o deus do tempo. Continue lendo »

Palavras Que Vão Mudar o Nosso Cérebro

A velocidade da vida moderna traduz-se num número: 2,3 palavras por segundo. É o que cada pessoa ouve ou lê ao longo das 12 horas em que está a trabalhar ou relativamente à década de 80 do século XX. Do acordar até ao adormecer, estamos sempre a ser bombardeados com informação. Seja por email, através da imprensa, da internet ou da televisão, o cérebro é diariamente atingido por 100 mil palavras. Ao acrescentar-se as imagens, como os vídeos e os jogos de computador, cada pessoa processa em média o equivalente a 34 gigabytes de informação por dia, o que é mais do que suficiente para esgotar numa só semana a capacidade de armazenamento de um computador portátil. Continue lendo »

A Pressa de Chegar

*Por Rodrigo Cunha

Amanhecia em Nova Yorque, naquele 24 de outubro de 2003, quando um seleto grupo de cem convidados partia para cruzar o Atlântico a mais de 2.100km/h. Eram passageiros do último vôo comercial do supersônico Concorde, que fez o percurso até Londres em cerca de três horas e meia. Quatro anos depois, a manhã do dia 25 de outubro testemunhou um gigante de 80 metros de envergadura e 24 metros de altura da Singapore Airlines partir de Changi, na Cingapura. Era o primeiro vôo comercial do modelo A380 construído pela Airbus, que levou 471 passageiros e 30 tripulantes até Sidney, na Austrália, em pouco mais de sete horas. Dependendo da configuração das classes executiva e econômica, esse mesmo A380 pode transportar até 853 passageiros. Continue lendo »

A Experiência Psicológica da Duração

*Por César Ades

Em O milagre secreto, Jorge Luis Borges (1) conta a história do escritor checo Jaromir Hladík que, trazido diante do pelotão que irá executá-lo, no último instante vê o tempo paralizar-se, por um ano ou assim lhe parece, o suficiente para que possa compor a peça de teatro que muito ambicionava escrever. Na verdade, a execução não demora mais do que alguns segundos. A ficção apresenta, em forma limite, um dos aspectos curiosos da vivência psicológica do tempo, que é de esticar-se ou comprimir-se de acordo com o contexto de afeto ou ação, em desrespeito aparente ao tempo do relógio. Continue lendo »