A Cultura do Consumo e o Adultescente

Foto da Série “Kidults” de Marcin Cecko

*Excertos de Artigo de Ana Elisabeth Iwancow

Na Grécia do século V a.C, a vida em sociedade é orientada pela Paidéia, que na acepção da palavra, dada por Platão, compreende, além das técnicas educativas, as práticas sociais, permitindo que os jovens se transformassem em cidadão integral. Solidariedade entre jovens e fortalecimento das relações entre classes etárias são suas características(…).

Na Roma Antiga, no início do século VII d.C., a representação dos grupos etários estruturava-se da seguinte maneira: pueritia (puberdade) até os 15 anos; adulescentia (adolescência) dos 15 aos 30 anos; e, iuventus (juventude) dos 30 aos 45 anos. Refletindo muito mais a estrutura social da época, do que as transformações e as metamorfoses do corpo. Essa discrepância entre as definições dos grupos etários, com uma adulescentia que se prolonga até aos 30 anos, tem relação direta com as instituições militares e políticas romanas, que previam a passagem de iunores (mais moços) a seniores (mais velhos) justamente aos 45 anos, marcando o término da iuventus. Leia o resto deste post »

Adultescência: A Dor e o Prazer de Tornar-se Adulto

Foto da Série “Kidults” de Marcin Cecko

*Por Maria Angélica Amorieli Bongiovani

Não é fácil, em nossos dias, descrever o que é ser adulto. A complexidade, a diversidade e as singularidades da cultura contemporânea nos revelam diferentes manifestações do ser adulto. Nós, psicoterapeutas, lidamos no dia-a-dia dos atendimentos, com este fenômeno da adultescência ou Kidadults (fusão, em inglês, das palavras criança e adulto). Somos visitados e testemunhamos toda essa dor e dificuldade na aceitação de mudanças e transformações. Mas afinal, o que vem a ser adultescência? Definimos como sendo uma pessoa imbuída de cultura jovem, mas com idade suficiente para não o ser. Geralmente entre 35 e 45 anos, os adultescentes não conseguem aceitar o fato de estarem deixando de ser jovens. Não conseguem aceitar o fato de deixarem a casa dos pais e se casados; não conseguem assumir suas responsabilidades, dificultando o relacionamento com o cônjuge devido à interdependência com os pais, impossibilitando assim, uma relação duradoura, ou seja, dificuldade em formar vínculos. Leia o resto deste post »

O que é “ser adulto”: as práticas e representações sociais sobre o que é “ser adulto”…

*Excertos de Artigo de Filomena Carvalho Sousa

(…) De acordo com Boutinet (2000), na sua obra A imaturidade da vida adulta, os estudos sobre o adulto são, na generalidade, escassos porque “falar sobre a vida adulta pode parecer aparentemente banal” (BOUTINET, 2000, p. 13); a vida adulta é “deixada aparentemente nas suas antigas certezas como uma idade sem problemas, uma vez definida como idade de referência” (BOUTINET, 2000, p. 11) para todas as outras fases de vida.

Destacamos esta afirmação de Boutinet já que ela nos remete para a particular atenção que se deve dar à vida adulta e provoca algumas interrogações: para além da aparência, a vida adulta pode ser outra coisa que não uma idade de referência? A que “antigas certezas” se está a referir Boutinet? Será que, nos dias de hoje, podemos referir-nos à adultez como uma fase de vida aproblemática? Não será evidente a sua complexidade? Leia o resto deste post »

“Ser Adulto”: Alguns Elementos Para a Discussão Deste Conceito e Para a Formação de Professores de “Adultos”

*Excertos de Nilce da Silva

Segundo Piaget, o adolescente prepara-se para inserir-se na vida adulta. Pensamos que com isto ele quer dizer, que o mesmo prepara-se para o ingresso na universidade, na busca de profissão, ou ainda, na constituição de uma família. Neste ponto da nossa exposição, questionamos: de qual adolescente Piaget nos fala? Com certeza ele não se refere ao menino de 8 anos que trabalha como cortador de cana no nordeste, e muito menos, ao supra-escolarizado em língua portuguesa que não consegue o emprego que poderia ter encontrado no Brasil, tornando-se babá com título universitário nacional em Paris.

Feitas estas considerações e na tentativa de alcançar o objetivo deste artigo, perguntamo-nos: existiria de fato um homem adulto, ou seja, um homem que tivesse: maturidade, autonomia, cooperação, pensamento lógico…. e que não tivesse: sonhos extraordinários para seu futuro, medos inexplicáveis e se considerasse em constante evolução? Leia o resto deste post »

Vida Adulta, Processos Motivacionais e Diversidade

Excertos de Artigo de * Bettina Steren dos Santos e ** Denise Dalpiaz Antunes

A vida adulta constitui-se na fase mais ativa e longa dentro da sociedade. O ser humano adulto vivencia em suas próprias situações de vida, características que lhe são particulares. A grande maioria produz e trabalha; do trabalho vive e dele sobrevive, em qualquer circunstância de realidade social, econômica e cultural. Estudar e entender a adultez é conhecer e perceber o que a sociedade busca em termos de futuro, e qual ideário social está construindo.

Como em outras épocas históricas, as mudanças de paradigmas se devem muitas vezes às novas estruturações sociais. As transformações de ordem demográfica, o envelhecimento da população mundial, poderão determinar modificações no comportamento do ser humano. Com o aumento da população idosa no mundo inteiro, também há um aumento do número de pessoas adultas que terão uma vida mais ativa socialmente, em todos os sentidos, de empregabilidade, de economia e de cultura, e acima de tudo, de aprendizagens. (…) Leia o resto deste post »

Casamento, Desenvolvimento Adulto e Felicidade

*Por Angelita Corrêa Scardua

Todos somos influenciados, quer gostemos ou não, pelos desígnios socioculturais do momento histórico no qual nos encontramos. Fomentadas pelas particularidades de cada época, as predisposições coletivas em relação a aspectos essenciais da experiência humana – como o sexo, o poder, a democracia, a beleza, o casamento, a virtude e muitas outras – adquirem um caráter incontestável. É assim que um conjunto de valores e ideias tendem a ser aceitos pela maioria como sendo verdades naturais e indissociáveis da condição humana.

A partir desses valores e ideias axiomáticas formam-se padrões, aos quais os indivíduos tentam se adequar no intuito de serem considerados parte integrante da coletividade. Na opinião do psiquiatra suíço Carl Jung(1875-1961), essa “submissão” aos padrões socioculturais estaria profundamente vinculada à primeira fase da vida adulta. Dessa forma, Jung defende que a tarefa do indivíduo durante a primeira metade de sua vida consiste em estabelecer-se no mundo, cortar os vínculos da infância que o ligam aos pais, arranjar um parceiro sexual e iniciar uma nova família. Leia o resto deste post »