Tempo é Dinheiro

Como o tempo passou de unidade orgânica a organizador da produção e do consumo no capitalismo, modifi cando o cotidiano e a ordem das cidades

*Por Helena Ladeira Werneck

Nas suas primeiras noções, a contagem do tempo estava mais associada à periodicidade do poder e da finitude da existência humana. Isso levava a uma casta de sacerdotes à sua manifestação e até mesmo à sua manipulação. Os gregos, mestres em uma explicação romântica do universo, apresentam o tempo como um deus – Cronos – que, casado com a deusa Terra – Géia – termina por devorar todos os seus filhos. Géia, cansada de ver desaparecer toda a sua prole, engana o deus jogando em sua boca uma pedra em vez do seu filho Zeus. Com o tempo, Zeus cresceu, matou o pai e tornou-se o patriarca de uma raça de deuses que venceu a mortalidade. Leia o resto deste post »

Tempo, Indivíduo e Vida Social

*Por Maria Helena Oliva-Augusto

Tendo como fio condutor as análises que procuram discutir como se dão as relações que as pessoas mantêm com o seu tempo, este texto busca examinar os vínculos entre tempo, indivíduo e vida social, acentuando, principalmente, as diferenças existentes entre uma vivência orientada pela perspectiva do futuro, característica da modernidade, e outra que, centrada no momento presente, para alguns analistas, indicaria o nascimento de uma nova ordem social. Será também avaliada a hipótese que aponta para a emergência de um novo tempo social dominante e de novas formas de manifestação da individualidade, elementos que caracterizariam o surgimento dessa nova ordem. Leia o resto deste post »

Santo Agostinho e Sua Reflexão Sobre o Tempo

Costumamos dividir o tempo em três partes: passado, presente e futuro. Mas, segundo Santo Agostinho, só temos a capacidade de perceber e medir o tempo no momento em que decorre

*Por Ranis Fonseca de Oliveira

O tempo é, e sempre tem sido, um problema filosófico de grande interesse, principalmente em nossa época. Aliás, não só para filósofos e cientistas, mas também para o indivíduo comum, que está acostumado a organizar e realizar suas tarefas e experiências de acordo com a idéia de tempo concebida como sucessão de instantes traduzida em presente, passado e futuro. Agostinho de Hipona (354-430) foi um dos grandes pensadores a se preocupar com esta problemática. Leia o resto deste post »

A Importância da Autonomia

Édipo” por Jean Dominique Ingres (1780-1867)

*Por Holgonsi Soares

“Se quisermos ser livres, ninguém deve poder dizer-nos o que devemos pensar” (Castoriadis).

Anthony Giddens, ao trabalhar as principais questões do debate ideológico contemporâneo, coloca-nos como central o conceito de “sociedade pós-tradicional”, ou seja, aquela na qual o homem é obrigado a abdicar da rigidez das idéias, atitudes e tipos de comportamentos fundamentados no sistema de valores tradicionais. Esta é a sociedade na qual estamos vivendo, e cujas características são mais evidentes de acordo com a intensificação do processo de globalização. Como é da natureza da História, cada contexto histórico concreto coloca suas condições de sobrevivência. A vinte anos atrás, quando a hierarquia estava em alta exigia-se obediência cega, humildade e concordância. Hoje porém, na sociedade pós-tradicional, exige-se o oposto, e a autonomia é condição básica para conviver com os riscos, as incertezas e os conflitos dessa sociedade. Leia o resto deste post »

A Biologia da Escolha

“Roy Batty”, Digital Art por Andrea Barbieri

*Por Christof Koch e Kerstin Preuschoff

Antes de executarmos um movimento, temos – mesmo sem perceber – a intenção de fazê-lo. Neurocirurgiões já conseguiram despertá-la artificialmente! Ao estimularem determinadas regiões do cérebro, demonstram o poder da “vontade neuronal”. Certamente você já se questionou por que razão fez (ou deixou de fazer) determinada coisa ou por que escolheu esta ou aquela alternativa em uma situação complicada. Afinal, até que ponto realmente podemos escolher? O que define nosso livre-arbítrio – e que parte do cérebro é responsável pela tomada de decisões conscientes? Leia o resto deste post »

A Construção da Felicidade (Escolhas Cotidianas)

Jane Eyre” por Richard Redgrave (1804-1888)

Psicólogos estudam como as pessoas podem moldar o próprio bem-estar voltando a atenção aos marcadores somáticos e investindo nas “pequenas alegrias” – a despeito dos contratempos que inevitavelmente enfrentamos. Às vezes, pequenos detalhes têm conseqüências de grande extensão. Por exemplo, eu devo à ausência de um coelho de chocolate o fato de não dirigir mais um Alfa Romeo. Explico: eu sempre fiquei satisfeita com o trabalho de um mecânico que trabalhava na oficina da Alfa Romeo. Um dia, soube que ele pedira demissão. “Por quê?”, perguntei, curiosa. “Mudou o proprietário da empresa e o clima não é mais o mesmo. As pessoas já não se sentem bem.” “Mas o que está diferente agora?”, eu quis saber. Leia o resto deste post »

A Felicidade e o Critério: Escolha Como Virtude

Eva” por Anna Lea Merritt (1844-1930)

*Por Angelita Corrêa Scardua

Segundo os postulados da Psicologia Positiva, haveria 24 “Forças do Caráter” humano. Essas “Forças”, conformadoras das virtudes, seriam traços do caráter individual ou capacidades pessoais pré-existentes necessárias para a constituição das crenças, atitudes e valores positivos favoráveis à felicidade individual e coletiva. Do ponto de vista psicológico, a vivência de uma vida satisfatória e significativa estaria relacionada, portanto, ao fato de sermos capazes de desenvolver tais “Forças do Caráter” e as virtudes advindas disso. Sendo este um ciclo virtuoso: o desenvolvimento dessas forças favorece a expressão das virtudes humanas, e estas conformam aquilo que poderíamos definir como bom caráter. Leia o resto deste post »