Agressividade X Sobrevivência: Desafio Para a Masculinidade

Plutão” por Agostini Carracci (1557-1602)

*Por Angelita Corrêa Scardua

Para a maioria dos nossos antepassados do sexo masculino só havia dois comportamentos possíveis diante do perigo: lutar ou fugir! Mas, por incrível que pareça, a resposta fisiológica desencadeada pelo corpo diante de uma ameaça é sempre a mesma, e não importa se a nossa escolha é lutar ou fugir.

Quando nos vemos diante de uma situação que nos ameaça, quando nos sentimos amedrontados, pressionados e desafiados, nosso corpo reage exatamente como o dos nossos ancestrais das cavernas: a taxa de adrenalina no sangue sobe, nossa musculatura se contrai, o coração bate mais forte e a circulação de sangue no organismo aumenta; transpiramos, nossas pupilas se dilatam, nossas narinas se expandem para absorver mais oxigênio… Resumindo: o nosso corpo nos prepara para enfrentar o perigo, seja ele real ou imaginário. Toda essa preparação física serve igualmente para o embate “corpo a corpo” e para o estratégico “sebo nas canelas”. Tanto correr quanto lutar exige tonicidade muscular, acuidade visual, maior quantidade de sangue irrigando nossas veias e maior oxigenação dos pulmões. Continue lendo »

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Para Ser Um Guri: Espaço e Representação da Masculinidade na Escola

Vulcano” por Peter Paul Rubens (1577-1640)

*Excertos de artigo de Ieda Prates da Silva

(…) (…) (…)

Na experiência com clínica psicanalítica de crianças num serviço público de saúde mental, ao longo dos últimos anos, temos nos deparado com uma realidade que para mim levanta questões instigantes e que o tema (…) A Masculinidade, me oportunizou trabalhar: o número de meninos, principalmente na faixa dos 8 aos 12 anos, encaminhados para tratamento psicoterapêutico com sintomas escolares (agressividade, distúrbios no comportamento, hiperagitação, dificuldades de concentração e de aprendizagem), é significativamente maior do que o de meninas (70% de crianças do sexo masculino e 30% do sexo feminino). A grande maioria dessas crianças é encaminhada pelas próprias escolas; os demais vêm enviados pelo Posto de Saúde, mas geralmente a pedido da escola. Continue lendo »

Psicologia e Genética: O Que Causa o Comportamento?_Parte II

Crying_Child

*Por Marco Montarroyos Calegaro

A importância da criação

Mas que dizer da importância relativa da criação, o fator causal mais popular (tanto em nível de senso comum como em profissionais de psicologia) para explicar a personalidade de um sujeito adulto? Um adulto não se torna agressivo devido a forma como é criado pelos pais? A infância não é um período de molde, vital para a estruturação da personalidade adulta, e os pais não são a mais importante fonte de estímulos para o desenvolvimento? Continue lendo »

O Crime Biológico: Implicações Para a Sociedade e Para o Sistema de Justiça Criminal

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Por Adrian Raine

Departamentos de Criminologia, Psiquiatria e Psicologia, University of Pennsylvania, Filadélfia

As últimas duas décadas testemunharam uma revolução em nosso entendimento da mente criminal. Por quase um século, culpamos a pobreza, a desigualdade social e as más companhias como os principais causadores de crimes. É quase certo que esses fatores desempenhem um papel relevante, porém a novidade no século XXI é o aumento do reconhecimento de que fatores genéticos e neurobiológicos são igualmente importantes na modelagem do comportamento criminoso. Os desafios que enfrentamos à luz desses novos achados são múltiplos, incluindo como vamos abordar os transtornos neurológicos em infratores violentos e quais são as implicações para as subdisciplinas emergentes de neurodireito e neuroética. Continue lendo »

Obesidade: Fatores Psicológicos

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Por Simone Peixoto Conejo

A obesidade é uma doença crônica, que não escolhe sexo, idade ou classe social. Ela tem etiologias múltiplas: genética, sedentarismo, fenômenos psíquicos, comportamentais, culturais, sociais, econômicos e fatores demográficos, que influem também em sua manutenção. Aqui estaremos nos aprofundando nos fatores psicológicos, pois no desenvolvimento humano podemos perceber o quanto o alimento pode tomar importância na vida do indivíduo. Ele permeia a constituição das primeiras relações de cada um de nós e inegavelmente está ligado à condição de sobrevivência humana. Continue lendo »