A Construção da Felicidade (Escolhas Cotidianas)

Jane Eyre” por Richard Redgrave (1804-1888)

Psicólogos estudam como as pessoas podem moldar o próprio bem-estar voltando a atenção aos marcadores somáticos e investindo nas “pequenas alegrias” – a despeito dos contratempos que inevitavelmente enfrentamos. Às vezes, pequenos detalhes têm conseqüências de grande extensão. Por exemplo, eu devo à ausência de um coelho de chocolate o fato de não dirigir mais um Alfa Romeo. Explico: eu sempre fiquei satisfeita com o trabalho de um mecânico que trabalhava na oficina da Alfa Romeo. Um dia, soube que ele pedira demissão. “Por quê?”, perguntei, curiosa. “Mudou o proprietário da empresa e o clima não é mais o mesmo. As pessoas já não se sentem bem.” “Mas o que está diferente agora?”, eu quis saber. Continue lendo »

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Vamos lá, enfrente, com coragem!

*Por Loraine Luz

A propósito do esforço heroico que é para muitos a inclusão regular de atividades físicas em seu cotidiano, conversamos com a psicóloga Angelita Scardua sobre coragem e os benefícios para a saúde que a superação de metas pode trazer. Confira a entrevista na íntegra abaixo.

Superar desafios/encorajar-se dá prazer? Por quê? A importância de enfrentarmos situações difíceis, e de superá-las, reside no fato de que o desafio nos força a avaliar o que realmente é importante para nossa vida. Quando algo é realmente importante para nós descobrimos que somos capazes do impensável. É nas situações difíceis que encontramos recursos emocionais, intelectuais e físicos que não imaginávamos ter. Quando a vida corre tranquila, serena, tendemos a nos acomodar, a fazermos tudo da mesma forma. Essa condição de vida rotineira nos traz segurança, mas não incentiva o crescimento pessoal, seja no campo emocional ou cognitivo. A ausência de desafios faz com que tudo na vida pareça igual; é como se a certeza de que os acontecimentos se darão de uma determinada forma nos levasse a uma espécie de letargia motivacional. Sentimentos associados à sensação de incerteza e insegurança têm um grande poder mobilizador, e isso é fundamental, pois, lutar contra um desafio requer muita energia, seja física, cognitiva ou emocional. Por isso o desafio nos ajuda a redefinir prioridades, a fazer escolhas baseadas no que realmente nos importa. Não dá para desperdiçar energia e tempo com o que não é significativo para a nossa vida. Aí reside o prazer da superação. Quando vencemos um desafio nos sentimos mais coerentes, mais de acordo com os nossos desejos e motivações. Superar um desafio dá a sensação de que investimos nossas energias físicas, emocionais e cognitivas em algo que naquele momento tinha grande valor para nós. Reconhecer o valor de uma ação nossa dá significado à vida que estamos vivendo, sentir que estamos dispostos a lutar pelo que queremos gera coragem e confiança, e isso dá muito prazer! Continue lendo »

Humanos e Animais: Uma Parceria Feliz?

Diana e Seus Cães Caçadores ao Lado da Caça” por Jan Fyt (1611-1661)

*Por Angelita Scardua

Há vários estudos científicos indicando que ter um bicho de estimação pode:

– elevar as taxas de sobrevida entre vítimas de enfarte;
– diminuir o stress;
– contribuir para a estabilidade da pressão arterial em hipertensos e dos níveis de açúcar em diabéticos;
– melhorar o desempenho escolar de crianças com déficit de aprendizagem.

Com tantos benefícios obtidos, é comum vermos os bichinhos como uma extensão das nossas emoções, mas será que são? Continue lendo »

A Fofoca Como Uma das Máscaras da Inveja

Fofoca” por Bernard Safran (1924-1995)

*Por Roque Theophilo

Conceito de Inveja

A inveja, segundo o Dicionário Aurélio, é o “Desgosto ou pesar pelo bem ou felicidade de outrem Desejo violento de possuir o bem alheio”. É muito elucidativa a descrição de Inveja escrita por Ovídio: “A Inveja habita no fundo de um vale onde jamais se vê o sol. Nenhum vento o atravessa; ali reinam a tristeza e o frio, jamais de acende o fogo, há sempre trevas espessas(…) . Assiste com despeito aos sucessos dos homens e este espetáculo a corrói; ao dilacerar os outros, ela se dilacera a si mesma, e este é seu suplício”. Continue lendo »

Psicologia do Design de Interiores: O que faz de uma casa um lar?

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Primeiramente, podemos pensar na moradia como parte de duas de nossas necessidades básicas: proteção e segurança. De um lar, contudo, espera-se mais do que a função de simples abrigo. Nós temos a expectativa, consciente ou inconsciente, de que a casa que habitamos nos ofereça conforto, paz, estabilidade e, principalmente, nos ajude a ter mais felicidade. Mas como transformar cimento, tijolos, telhas, tinta, etc., num espaço que possa nutrir nossos corpos, corações e mentes? Continue lendo »

Espaço Doméstico: Contributos para uma leitura integrada de Habitat

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Por Ana Serra e Moura Salvado**


Introdução: A diversidade do espaço residencial


A evolução demográfica ocorrida nas últimas décadas(…)tem vindo a operar transformações na configuração das estruturas familiares e conseqüentemente no domínio das formas de habitar. As mudanças ocorridas ao nível das estruturas familiares traduzem-se, sucintamente, num aumento generalizado do número de pessoas que vivem sozinhas (jovens ou viúvos), no acentuar do número de famílias monoparentais, no aumento de casais que vivem em união de facto e num número crescente de casais sem crianças. Continue lendo »

Psicologia e Arquitetura: Percepção dos Espaços em Busca da Identificação do Ser

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Por Fabiana Ferreira da Silva


A primeira, ou umas das primeiras atitudes do homem nômade para tornar-se sedentário, foi a busca da moradia fixa. A busca por um espaço seu, onde pudesse criar a sua família, plantar o seu alimento e criar os seus animais. Isso deu uma característica ao homem: ser o único animal capaz de modificar a paisagem em que vive. Cada modificação que o homem faz em seu espaço, é uma tentativa de molda-lo aos seus desejos, criando algo à sua imagem e semelhança.


É muito comum reconhecermos vilas, ou cidades, pelo tipo de suas habitações, pelo seu paisagismo, pelos seus detalhes culturais que transparecem na arquitetura. Entretanto, essa identificação não ocorre apenas no coletivo das cidades, mas ocorre principalmente na individualidade, ou seja na própria residência. Continue lendo »