Sob a Velocidade do Capital

*Por Carolina Justo

Já se foi o tempo em que valia o ditado “a pressa é inimiga da perfeição”. No mundo de hoje, nos transportes, na comunicação, no trabalho, e até no lazer, alta velocidade é uma exigência generalizada. Apesar disso, essa velocidade que rege o mundo atual não é única e nem a percepção das pessoas é singular. Vivemos em tempos múltiplos e em diferentes velocidades. De acordo com Márcio Barreto, físico e doutor em ciências sociais pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), a colonização da vida das pessoas por uma série de ocupações e atividades causa “a sensação de que não vivemos mais ou que as coisas ocorrem numa velocidade muito maior do que podemos apreender. Parece que não conseguimos mais ter a experiência”. Continue lendo »

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Afinal, queremos mesmo um futuro sem capitalismo?

São Paulo” por Tarsila do Amaral(1886-1973)

*Por Leonardo S.

Na América Latina, assiste-se atualmente a um rápido avanço da retórica anticapitalista. Países como Venezuela, Bolívia e Equador estão em franco processo de institucionalização de regimes antiliberais, adotando Constituições de fortes tons marxistas. No Brasil, intelectuais argumentam que o capitalismo é um sistema naturalmente excludente, que, mesmo quando permite sucesso econômico, falha em promover a igualdade social. As críticas são ilustradas por afirmações que ressaltam problemas comuns aos vários países da região, como a excessiva concentração de renda. Mas, será que os problemas levantados são fruto do sistema capitalista? Continue lendo »

Saúde Mental e Psicologia do Trabalho_Parte I

“Linha de Produção” por Di Cavalcanti (1897-1976)

*Por José Roberto Heloani e Cláudio Garcia Capitão

Um dos objetivos mais recentes da saúde mental não se restringe apenas à cura das doenças ou a sua prevenção, mas envidar esforços para a balhar em excesso e a divertir-se muito pouco; outras, pelo contrário, passam os dias a divertirem-se; outras ainda não conseguem fazer nem uma coisa nem outra. Sabe-se hoje que tanto o trabalho, quanto a diversão em proporções satisfatórias são critérios para avaliar um funcionamento psíquico saudável. Na realidade, ao contrário do que muitos possam supor, a organização do trabalho não cria doenças mentais específicas. Os surtos psicóticos e a formação das neuroses dependem da estrutura da personalidade que a pessoa desenvolve desde o início da sua vida, chegando a certa configuração relativamente estável, após o período de ebulição da adolescência – quando as condições sociais são relativamente favoráveis –, antes mesmo da pessoa entrar no processo produtivo. No entanto, “o defeito crônico de uma vida mental sem saída mantido pela organização do trabalho, tem provavelmente um efeito que favorece as descompensações psiconeuróticas” (Dejours, 1992:122). Continue lendo »