O Tempo e o Destino

*Por Angelita Corrêa Scardua

Na mitologia grega Cronos é o deus do tempo e das estações, mas ele não era a única referência imaginária que os habitantes da Grécia utilizavam para classificar o tempo, Kairos era a outra. Significando “o momento certo” ou “oportuno”, Kairos opunha-se ao tempo cronológico, este tempo sequencial que medimos por quantidades: em dias, números e horas. Kairos corresponde ao tempo existencial, à qualidade da experiência vivida e, nesse sentido, equivale a um momento indeterminado no tempo em que algo especial acontece. Por sua natureza adaptativa e circunstancial, Kairos era central para o pensamento sofista. Os sofistas acreditavam que a vida bem vivida dependia da capacidade de uma pessoa para se adaptar e tirar proveito da mudança e das circunstâncias contingentes. Essa diferenciação da vivência do tempo, entre qualitativo e quantitativo, é também utilizada na Teologia, onde Kairos é definido como o “tempo de Deus” enquanto Cronos é o “tempo dos homens”. Continue lendo »

Os Efeitos dos Modelos Parentais na Construção da Personalidade

Se há algo a que podemos nos referir como universal é a família. Em qualquer civilização, em toda a classe social, há uma referência importante feita, pelo indivíduo, à família. Seja de forma positiva ou negativa, todo o ser humano carrega uma idéia de referência sobre sua família. O pai herói ou o pai carrasco, a mãe boa ou a mãe terrível povoam a psique, o imaginário e as emoções humanas. As idealizações e as fantasias são peculiares ao homem. No decorrer da vida existem oscilações entre a idealização dos pais e a decepção com eles e, na relação com os pais estão envolvidos, além dos reais, os pais arquetípicos que produzem consideráveis efeitos emocionais no sujeito. Continue lendo »

A Importância dos Sonhos

“O Sonho de Dante na Hora da Morte de Beatrice” por Dante Gabriel Rossetti

*Excertos de Carl Jung em “O Homem e os Seus Símbolos”

Aquilo a que chamamos símbolo é um termo, um nome ou mesmo uma imagem que nos pode ser familiar na vida diária, embora possua conotações especiais para além do seu significado evidente e convencional. Implica algo de vago, desconhecido ou oculto para nós. Assim, uma palavra ou uma imagem é simbólica quando implica alguma coisa além do seu significado manifesto e imediato. Esta palavra ou esta imagem tem um aspecto mais amplo, que nunca é definido de uma única forma ou explicado totalmente, nem podemos ter esperanças de a definir ou explicar. Quando a mente explora um símbolo, é conduzida em direcção a ideias que estão fora do alcance da nossa razão. Continue lendo »

Encontros, Relações e a Sizígia

“Homem e Mulher Contemplando a Lua” Caspar David Friedrich (1774-1840)

*Por Selene Regina Mazza

“Como se sabe, não é o sujeito que projeta, mas o inconsciente. Por isso não se cria a projeção: ela já existe de antemão. A conseqüência da projeção é um isolamento do sujeito em relação ao mundo exterior, pois em vez de uma relação real o que existe é uma relação ilusória” (JUNG, 1986, p. 7). Jung, ao apresentar esta afirmação, lança-nos a refletir sobre como encontros e relações se constituem e que efeitos estes terão sobre o desenvolvimento psíquico de cada indivíduo, ou seja, como um encontro com o outro se processa na alma se esta relação pode ser “ilusória”? Sendo ilusória, torna-se então necessária à individuação? Continue lendo »

Anima e Animus

A figura interior de mulher contida num homem e a figura de homem atuando na psique de uma mulher. Embora desiguais nos modos como se manifestam, anima e animus têm certas características em comum. Ambos são IMAGENS psíquicas. Cada qual é uma configuração que emana de uma estrutura arquetípica básica (ARQUÉTIPO). Como as formas fundamentais que subjazem aos aspectos “femininos” do homem e aos aspectos “masculinos” da mulher, são considerados como OPOSTOS. Como componentes psíquicos, são subliminares à consciência e funcionam a partir de dentro da psique inconsciente; daí, serem benéficos à consciência, mas também podem pô-la em risco através da POSSESSÃO (ver adiante). Continue lendo »

A Psicologia Feminina e o Caráter de Integração

*Por Rejane Maria Gomes Leite Natel e **Anyara Menezes Lasheras

Alguns autores Junguianos, promovem uma reflexão sobre a mitologia feminina e suas representações arquetípicas , bem como a necessidade da integração desses mitos e arquétipos em nossos padrões de comportamento atuais. Através dessa reflexão, podemos observar várias disfunções femininas, que segundo os autores, deu-se ao longo da história da humanidade, calcadas em um poderio masculino, tendo submetido o caráter feminino a uma subestimação que nos afasta do primeiro universo a que o homem tem contato após ser gerado: o feminino. Continue lendo »

A Mulher é o Futuro do Homem

*por Sabina Vanderelei

Não há homem algum tão exclusivamente masculino que não possua em si algo de feminino.
Carl Gustav Jung

Imagine a cena: é sábado à noite e um casal de namorados se encontra. Ela propõe um cinema e ele diz não. Ela insiste e ele mantém o não. Ela pergunta o porquê e ele continua no simples não. Então ela dispara uma metralhadora de porquês e ele perde a paciência. Está declarada uma guerra. Ela recebe uma descarga de fantasias a respeito da recusa dele em ir ao cinema enquanto que para ele esse não é pura e simplesmente um não! Continue lendo »

Jung, o Gênero e a Escola Coeducativa

*Excertos de Juan Carlos Alonso e Ana Rico de Alonso

(…) (…) (…) (…)

Uma das funções básicas da escola é formar para o desenvolvimento de uma ocupação (ofício, profissão), que lhe permita ao sujeito cobrir a sobrevivência sua e de seu grupo familiar. A seleção que faz um jovem de uma ocupação não só define as possíveis trajetórias trabalhistas e econômicas de um indivíduo, senão que determina em grande parte, as características de seu projeto de vida. A formação que se dá na escola, portanto, pode desenvolver ou não muitas das potencialidades das/dos alunas/nos e assim mesmo pode estimular ou inibir a seleção de campos disciplinares que conduzam a sua vez a determinadas opções ocupacionais. Continue lendo »

“O dinheiro é como um anel metálico que colocamos em nossos narizes”

growmoney

Esta é uma entrevista com Bernard Lietaer feita pela jornalista Sarah van Gelder, editora da revista Yes, revista de futuros positivos, EUA, 1988. O texto em espanhol foi enviado à Primavera, aos 23 de Abril de 2002. Esta tradução é do tipo tradução livre da CAPINA.

Poucas pessoas trabalharam com e sobre o sistema monetário a partir de enfoques tão distintos como Bernard Lietaer, que atuou cinco anos no Banco Central da Bélgica. Aí, seu primeiro projeto foi o desenho e a implementação de uma moeda européia unificada. Lietaer foi presidente do sistema de pagamento eletrônico da Bélgica; desenvolveu para empresas multinacionais tecnologias a serem usadas em ambientes de múltiplas moedas nacionais; também atuou em países em desenvolvimento, contribuindo para melhorar suas poupanças. Ensinou finanças internacionais na Universidade de Lovaina, na Bélgica, país onde nasceu, e, ainda, foi gerente geral e broker (corretor) de uma das grandes empresas de investimento. Continue lendo »

Análise Psicológica do Dinheiro

Money Tree

Se somos obrigados a buscar, gostar e lutar por um valor coletivo chamado dinheiro seria interessante que o fizéssemos com um toque profundamente pessoal e singular de criatividade e prazer, pois só desta forma nosso complexo de inferioridade e incerteza seriam debelados, nos devolvendo a certeza de que nosso lugar jamais será eterno, mas que fomos capazes de expor todo o nosso potencial, sendo o ápice que podemos alcançar como seres humanos.

*Por Antonio Carlos Alves de Araújo

Discutir as implicações psíquicas e sociais de todo o simbolismo e mitologia do dinheiro é tarefa fundamental para um projeto sério da psicologia social. Continue lendo »