Habitar o Não-Lugar

*Por Cristiane Dias

A cidade contemporânea é delineada por um espaço muito particular para o qual migram cada vez mais os sujeitos de nossa sociedade: o não-lugar, um espaço “inqualificável”.

Para desenvolver o conceito de não-lugar apoio-me na reflexão de Marc Augé. Para esse autor o não-lugar não inscreve a identidade, nem a relação, nem a história, pois a história é aí reduzida à informação, a identidade a um conjunto de descrições numéricas, como o número do cartão de crédito, da identidade, do passaporte etc., e a relação com o outro é reduzida à espetacularização (tela, video-câmeras, televisão). Nessa perspectiva, o não-lugar demanda um usuário: “definido por seu destino, a soma de suas compras ou a situação de seu crédito, o usuário dos não-lugares anda ao lado de milhões de outras pessoas, mas está só e são os textos (painéis, discos, vídeos) que se interpõem entre ele e o mundo exterior”. Continue lendo »

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Cuidar Da Cidade Começa Com a Boa Vizinhança

*por Priscilla Santos

Quando era estudante de arquitetura, Roberto Pompéia ouviu de um dono de construtora uma frase que jamais esqueceria: É um absurdo pensar em se dedicar aos pobres, pois os pobres não têm como te pagar. A sentença surtiu efeito contrário. Roberto tornou-se um representante da arquitetura popular no Brasil. Foi integrante do Laboratório de Habitação da Unicamp (LabHab), que se especializou em projetar mutirões para erguer casas na periferia,durante 13 anos. Quando o Laboratório foi extinto, em 1999, trabalhousozinho para terminar um mutirão no sul de Minas Gerais. Ao todo foram mais de 15 comunidades em estadoscomo Alagoas, São Paulo e Rio Grande do Sul. Roberto acaba de defender, na USP, a tese de doutorado em que conta a história do LabHab e dos mutirões em que esteve envolvido. A vivência nas favelas e na periferia me trouxe a certeza de que a preservação e a qualidade do espaço público dependem de uma identidade coletiva que zela pelo seu lugar, diz. E para se criar essa identidade coletiva é preciso antes voltar os olhos para a história de cada morador. E nisso não importa classe social, raça, credo, religião. Continue lendo »

“O dinheiro é como um anel metálico que colocamos em nossos narizes”

growmoney

Esta é uma entrevista com Bernard Lietaer feita pela jornalista Sarah van Gelder, editora da revista Yes, revista de futuros positivos, EUA, 1988. O texto em espanhol foi enviado à Primavera, aos 23 de Abril de 2002. Esta tradução é do tipo tradução livre da CAPINA.

Poucas pessoas trabalharam com e sobre o sistema monetário a partir de enfoques tão distintos como Bernard Lietaer, que atuou cinco anos no Banco Central da Bélgica. Aí, seu primeiro projeto foi o desenho e a implementação de uma moeda européia unificada. Lietaer foi presidente do sistema de pagamento eletrônico da Bélgica; desenvolveu para empresas multinacionais tecnologias a serem usadas em ambientes de múltiplas moedas nacionais; também atuou em países em desenvolvimento, contribuindo para melhorar suas poupanças. Ensinou finanças internacionais na Universidade de Lovaina, na Bélgica, país onde nasceu, e, ainda, foi gerente geral e broker (corretor) de uma das grandes empresas de investimento. Continue lendo »