A Importância da Autonomia

Édipo” por Jean Dominique Ingres (1780-1867)

*Por Holgonsi Soares

“Se quisermos ser livres, ninguém deve poder dizer-nos o que devemos pensar” (Castoriadis).

Anthony Giddens, ao trabalhar as principais questões do debate ideológico contemporâneo, coloca-nos como central o conceito de “sociedade pós-tradicional”, ou seja, aquela na qual o homem é obrigado a abdicar da rigidez das idéias, atitudes e tipos de comportamentos fundamentados no sistema de valores tradicionais. Esta é a sociedade na qual estamos vivendo, e cujas características são mais evidentes de acordo com a intensificação do processo de globalização. Como é da natureza da História, cada contexto histórico concreto coloca suas condições de sobrevivência. A vinte anos atrás, quando a hierarquia estava em alta exigia-se obediência cega, humildade e concordância. Hoje porém, na sociedade pós-tradicional, exige-se o oposto, e a autonomia é condição básica para conviver com os riscos, as incertezas e os conflitos dessa sociedade. Continue lendo »

O Medo Como Emoção

*Por Luciana Oliveira dos Santos. Excertos do artigo “O medo contemporâneo: abordando suas diferentes dimensões”.

(…) Em um sentido estrito do termo, o medo é concebido como uma emoção-choque devido à percepção de perigo presente e urgente que ameaça a preservação daquele indivíduo. Provoca, então, uma série de efeitos no organismo que o tornam apto a uma reação de defesa como a fuga, por exemplo. Para Delpierre (1974), o medo pode provocar efeitos contrastados segundo os indivíduos e as circunstâncias, ou até reações alternadas em uma mesma pessoa: a aceleração dos movimentos do coração ou sua diminuição, uma respiração demasiadamente rápida ou lenta, uma contração ou uma dilatação dos vasos sangüíneos, uma hiper ou uma hipossecreção das glândulas, constipação ou diarréia, poliúria ou anúria, um comportamento de imobilização ou uma exteriorização violenta. Nos casos-limite, a inibição irá até uma pseudoparalisia diante do perigo (estados catalépticos) e a exteriorização resultará numa tempestade de movimentos desatinados e inadaptados, característicos do pânico (Delpierre, 1974, apud Delumeau, 1989:23). Continue lendo »

Apesar do Medo

Vivemos com tantas preocupacões – da gordura trans, de perder o emprego, de estranhos, da crise mundial –, a tal ponto que dizem que vivemos numa Era dos Temores. Não precisa ser assim. Podemos aprender a lidar com nossos medos. Não é fácil, mas é bem possível.

*Por Elisa Correa

Faz cinco noites que não durmo. Ou durmo assim meio sem dormir, sono interrompido, olhos abertos às 4 da manhã. Tenho sentido a cabeça muito cheia de coisas, perturbada por uma sucessão de histórias do passado e sonhos para o futuro que mudam de lugar como num caleidoscópio. Meu estômago queima, mas não sinto fome, meu pescoço dói sem qualquer movimento. Sinto falta de energia, como se nas minhas veias corresse uma mistura de água com açúcar. Tudo isso porque vou mudar. De cidade, de trabalho, de contexto. Deixar para trás rostos conhecidos, abraços garantidos, portas para bater. Estou com medo do que me espera e do que não me espera também. De ir e querer voltar, de partir e não chegar, de tentar e não conseguir. Continue lendo »

Amor Animal

A Tentação de Santo Antônio” por John Charles Dollman (1851-1934)

O fenômeno das relações fluidas e descartáveis estimula análises profundas sobre a extimidade humana e pauta pesquisas sobre o vínculo afetivo com o bicho de estimação, com resultados imprevistos.

*Por Andreia Calçada

Será que o afago de um bicho de estimação, um abanar de rabo do cachorro ou um miado do gato podem substituir o afeto oriundo do relacionamento com um ser humano? O animal não discute, pode ser punido sem maiores problemas e provavelmente não vai trocar de dono. Controlá-lo é muito mais fácil e confortável. Mas isso basta? Continue lendo »

O Medo da Morte e o seu Enfrentamento Pelo Ser Humano Através dos Tempos

As Horas da Eternidade e a Morte” por Xavier Mellery(1845-1921)

Por *Roseney Bellato e **Emília Campos de Carvalho

As Sociedades Primitivas

O jogo existencial do ser humano, do qual vida e morte se fazem parceiras inseparáveis, é um problema dos vivos e, apenas e tão somente, dos vivos humanos, pois, embora compartilhem o nascimento, a doença, a juventude, a maturidade, a velhice e a morte com os animais, apenas os seres humanos, dentre todos os seres vivos, sabem que morrerão. (…) (…) (…) (…) Continue lendo »

Jung, o Gênero e a Escola Coeducativa

*Excertos de Juan Carlos Alonso e Ana Rico de Alonso

(…) (…) (…) (…)

Uma das funções básicas da escola é formar para o desenvolvimento de uma ocupação (ofício, profissão), que lhe permita ao sujeito cobrir a sobrevivência sua e de seu grupo familiar. A seleção que faz um jovem de uma ocupação não só define as possíveis trajetórias trabalhistas e econômicas de um indivíduo, senão que determina em grande parte, as características de seu projeto de vida. A formação que se dá na escola, portanto, pode desenvolver ou não muitas das potencialidades das/dos alunas/nos e assim mesmo pode estimular ou inibir a seleção de campos disciplinares que conduzam a sua vez a determinadas opções ocupacionais. Continue lendo »

O Papel da Mídia na Difusão das Representações Sociais

*Por Marcos Alexandre

A origem da expressão representação social é européia. Ela remete ao conceito de representação coletiva de Émile Durkheim, por longo tempo esquecido, que Serge Moscovici retomou para desenvolver uma teoria das representações sociais no campo da Psicologia Social.

(…) Na definição de Moscovici, a representação social refere-se ao posicionamento e localização da consciência subjetiva nos espaços sociais, com o sentido de constituir percepções por parte dos indivíduos. Nesse contexto, as representações de um objeto social passam por um processo de formação entendido como um encadeamento de fenômenos interativos, fruto dos processos sociais no cotidiano do mundo moderno. Continue lendo »