A Importância da Autonomia

Édipo” por Jean Dominique Ingres (1780-1867)

*Por Holgonsi Soares

“Se quisermos ser livres, ninguém deve poder dizer-nos o que devemos pensar” (Castoriadis).

Anthony Giddens, ao trabalhar as principais questões do debate ideológico contemporâneo, coloca-nos como central o conceito de “sociedade pós-tradicional”, ou seja, aquela na qual o homem é obrigado a abdicar da rigidez das idéias, atitudes e tipos de comportamentos fundamentados no sistema de valores tradicionais. Esta é a sociedade na qual estamos vivendo, e cujas características são mais evidentes de acordo com a intensificação do processo de globalização. Como é da natureza da História, cada contexto histórico concreto coloca suas condições de sobrevivência. A vinte anos atrás, quando a hierarquia estava em alta exigia-se obediência cega, humildade e concordância. Hoje porém, na sociedade pós-tradicional, exige-se o oposto, e a autonomia é condição básica para conviver com os riscos, as incertezas e os conflitos dessa sociedade. Continue lendo »

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A Biologia da Escolha

“Roy Batty”, Digital Art por Andrea Barbieri

*Por Christof Koch e Kerstin Preuschoff

Antes de executarmos um movimento, temos – mesmo sem perceber – a intenção de fazê-lo. Neurocirurgiões já conseguiram despertá-la artificialmente! Ao estimularem determinadas regiões do cérebro, demonstram o poder da “vontade neuronal”. Certamente você já se questionou por que razão fez (ou deixou de fazer) determinada coisa ou por que escolheu esta ou aquela alternativa em uma situação complicada. Afinal, até que ponto realmente podemos escolher? O que define nosso livre-arbítrio – e que parte do cérebro é responsável pela tomada de decisões conscientes? Continue lendo »

A Felicidade e o Critério: Escolha Como Virtude

Eva” por Anna Lea Merritt (1844-1930)

*Por Angelita Corrêa Scardua

Segundo os postulados da Psicologia Positiva, haveria 24 “Forças do Caráter” humano. Essas “Forças”, conformadoras das virtudes, seriam traços do caráter individual ou capacidades pessoais pré-existentes necessárias para a constituição das crenças, atitudes e valores positivos favoráveis à felicidade individual e coletiva. Do ponto de vista psicológico, a vivência de uma vida satisfatória e significativa estaria relacionada, portanto, ao fato de sermos capazes de desenvolver tais “Forças do Caráter” e as virtudes advindas disso. Sendo este um ciclo virtuoso: o desenvolvimento dessas forças favorece a expressão das virtudes humanas, e estas conformam aquilo que poderíamos definir como bom caráter. Continue lendo »

Como ajudar o cérebro a tomar melhores decisões

Moll Flanders” por Cowan Dobson (1894-19800

*Por Ana Carolina Prado

Você é capaz de imaginar o que acontece com o seu cérebro quando você está prestes a tomar uma decisão importante? O que nos leva a escolher aquele produto mais caro no supermercado ou qual filme assistir na sexta à noite? A ciência tem se esforçado para entender melhor o processo de tomada de decisões. Um artigo na Scientific American trouxe estudos revelando que, ao contrário do que muita gente pensava, ter muitas opções de escolha nos leva a tomar decisões piores – ou não tomar decisão nenhuma. Continue lendo »

Dilemas Morais: O que você faria?

Anna Karenina” por Ivan Kramskoy (1837-1887)

Tente responder a 5 famosos dilemas morais e descubra o que suas respostas dizem sobre você.

*Por Texto Fabio Marton

No livro A Escolha de Sofia, de William Styron, que virou filme estrelado por Meryl Streep, uma prisioneira polonesa em Auschwitz recebe um “presente” dos nazistas: ela pode escolher, entre o filho e a filha, qual será executado e qual deverá ser poupado. Escolhe salvar o menino, que é mais forte e tem mais chances na vida, mas nunca mais tem notícias dele. Atormentada com a decisão, Sofia acaba se matando anos depois. Dilemas morais, como a escolha de Sofia, são situações nas quais nenhuma solução é satisfatória. São encruzilhadas que desafiam todos que tentam criar regras para decidir o que é certo e o que é errado, de juristas a filósofos que estudam a moral. Cada vez que um filósofo monta um sistema de conduta, procura algo que responda a todas as situações possíveis. O filósofo inglês John Locke (1632-1704), por exemplo, definiu o bem pela não-agressão, aquela idéia de que “minha liberdade começa onde termina a sua”. Já Ros­seau (1712-1778) considerava o certo a vontade geral, a decisão da maioria. Continue lendo »

O Paradoxo do Homem como Liberdade no Existencialismo de Jean-Paul Sartre

Raskolnikov” por Nikolai Yaroshenko (1846-1898)

*Excertos do Artigo de Cléa Gois e Silva

(…) Para Sartre, a existência desagrega e nulifica a realidade de fato e afirma-se sobre ela como poder absoluto. A filosofia de Sartre é uma filosofia da liberdade absoluta que pretende dissolver e anular toda a necessidade. A liberdade, segundo Sartre , é a possibilidade permanente daquela nulificação do mundo que é a própria estrutura da existência. “Estou condenado, a existir para sempre para além da minha essência, para além dos móbiles e dos motivos do meu ato: eu estou condenado a ser livre”. Isto significa que não se podem encontrar para a minha liberdade outros limites além da própria liberdade: ou, que não somos livres de deixar de ser livres. Continue lendo »

Algumas Considerações Sobre Sombra e Persona (Aspectos Inconscientes e Conscientes da Escolha)

Dorian Gray” por Maude Taber-Thomas

*Excertos da Monografia (O Arquétipo da Sombra no Romance “O Retrato de Dorian Gray”) de Anyara Menezes Lasheras.

“Os símbolos são expressões pictóricas cativantes. São retratos indistintos, metafóricos e enigmáticos da realidade psíquica. O conteúdo, isto é, o significado dos símbolos, está longe de ser óbvio; em vez disso, é expresso em termos únicos e individuais, e ao mesmo tempo participam de imagens universais. Quando trabalhados (isto é, recebendo reflexão e articulação), podem ser reconhecidos como aspectos daquelas imagens que controlam, ordenam e dão significado a nossas vidas. Portanto, sua fonte pode ser buscada nos próprios arquétipos que, por meio dos símbolos, encontram uma expressão mais plena.” (SAMUELS, et alli, 1988, p.201). “A essa capacidade da psique de formar símbolos, isto é, de unir pares opostos no símbolo para uma síntese, Jung chama de sua função transcendente, que ele não entende como uma função básica (como o pensar ou o sentir, que são funções do consciente), mas como uma função complexa, composta de várias funções; e “transcendente” não significa para ele uma qualidade metafísica, mas o fato de que, por meio dessa função, se cria uma passagem de um lado para outro.” (JACOBI, 1986, p. 91-92). Continue lendo »