Calendários e o Fluxo do Tempo

Horas são definidas com o uso de relógios atômicos, de altíssima precisão, mas o calendário continua relacionado a fenômenos astronômicos, como a rotação da Terra e seu movimento em torno do Sol.

*Por Oscar Matsuura

O calendário é um sistema de contagem de dias inteiros que deve manter sincronia com algum ciclo relevante da natureza, para o controle quantitativo da passagem do tempo a longo prazo. Ele se concretiza na folhinha de parede, nas agendas etc. O nome vem de “calendas” que era o primeiro dia do mês para os romanos. Uma promessa para as calendas gregas só seria paga no dia de São Nunca. Em geral, todos os calendários são astronômicos, isto é, baseados no movimento aparente de astros. O movimento diurno do Sol define o dia solar cuja duração, na média anual, corresponde às 24 horas dos relógios comuns. Desde sempre ele regulou nosso descanso e atividade, a ponto de termos incorporado o ciclo circadiano. A contagem de intervalos de tempo mais curtos que o dia é feita por subdivisões como a hora, o minuto e o segundo de tempo, com instrumentos como a clepsidra, a ampulheta, o relógio ordinário etc. Continue lendo »

Tempo é Dinheiro

Como o tempo passou de unidade orgânica a organizador da produção e do consumo no capitalismo, modifi cando o cotidiano e a ordem das cidades

*Por Helena Ladeira Werneck

Nas suas primeiras noções, a contagem do tempo estava mais associada à periodicidade do poder e da finitude da existência humana. Isso levava a uma casta de sacerdotes à sua manifestação e até mesmo à sua manipulação. Os gregos, mestres em uma explicação romântica do universo, apresentam o tempo como um deus – Cronos – que, casado com a deusa Terra – Géia – termina por devorar todos os seus filhos. Géia, cansada de ver desaparecer toda a sua prole, engana o deus jogando em sua boca uma pedra em vez do seu filho Zeus. Com o tempo, Zeus cresceu, matou o pai e tornou-se o patriarca de uma raça de deuses que venceu a mortalidade. Continue lendo »

A Importância da Autonomia

Édipo” por Jean Dominique Ingres (1780-1867)

*Por Holgonsi Soares

“Se quisermos ser livres, ninguém deve poder dizer-nos o que devemos pensar” (Castoriadis).

Anthony Giddens, ao trabalhar as principais questões do debate ideológico contemporâneo, coloca-nos como central o conceito de “sociedade pós-tradicional”, ou seja, aquela na qual o homem é obrigado a abdicar da rigidez das idéias, atitudes e tipos de comportamentos fundamentados no sistema de valores tradicionais. Esta é a sociedade na qual estamos vivendo, e cujas características são mais evidentes de acordo com a intensificação do processo de globalização. Como é da natureza da História, cada contexto histórico concreto coloca suas condições de sobrevivência. A vinte anos atrás, quando a hierarquia estava em alta exigia-se obediência cega, humildade e concordância. Hoje porém, na sociedade pós-tradicional, exige-se o oposto, e a autonomia é condição básica para conviver com os riscos, as incertezas e os conflitos dessa sociedade. Continue lendo »

Entre o Céu e o Inferno

Deus Criando os Animais” por Giovanni Benedetto Castiglione (1627-1691)

O homem convive com os animais desde quando ainda tinha a sensação de que era um deles. Ao longo dos anos, já os adoramos como deuses e já os maltratamos como se fossem coisas. Hoje, enquanto várias pessoas pregam que devemos nos isolar dos bichos, outras acreditam que deveríamos tratá-los como membros da família. Afinal, como relacionar-se com eles?

*Por Rodrigo Vergara

O cachorro é todo marrom, da cauda às longas orelhas, a não ser por uma mancha sobre o olho esquerdo. Se fosse um bicho de estimação, podia ser batizado de Pirata ou Camões, por causa do tapa-olho. Mas esse cachorro não tem nome. Nascido há semanas, ele foi logo separado da mãe e passa a vida em uma jaula pouco maior que seu corpo. Sem ter o que fazer, ele come e dorme. Rapidamente engorda. Um dia, ele é enfiado em uma gaiola com outros cães e levado a um galpão. Continue lendo »

Como Funciona a Fofoca

Fofoca” por Nikolaos Gyzis (1842-1901)

*Por Tracy V. Wilson

Introdução

Mesmo que você nunca tenha tido aulas sobre a história da Rússia do século XVIII, é provável que já tenha ouvido a história de Catarina, a Grande. Segundo dizem, Catarina II, imperatriz da Rússia, morreu em circunstâncias questionáveis envolvendo um cavalo. No entanto, se você perguntar a alguém que se interessa por história vai descobrir que essa não é verdadeira. Na verdade, Catarina II morreu de derrame e não havia nenhum cavalo presente. A história da imperatriz russa e o cavalo não é uma invenção recente – ela começou como fofoca há mais de 200 anos. Não se trata apenas de uma história picante, é um bom exemplo da natureza da fofoca. É quase impossível descobrir quem foi o primeiro a contar a história. Continue lendo »

O Mecanismo de Construção de Sentidos do Fenômeno Social “Fofoca”

Fofoca” por Oliver Rhys (datas de nascimento e morte desconhecidas)

*Excertos de Apresentação de Catarina Satiko Tanaka

A fofoca na história

A fofoca foi estudada em vários contextos sociais, em tempos diferentes e com diferentes significados. Na Idade Média, por influência da Bíblia (SCHEIN, 1994) e do Tora (WYLEN, 1993), o “olhar da moral”, dos bons costumes e da religião fundamenta a leitura da fofoca e, como sanção moral aos ofensores, eram impostas punições, tais como humilhação pública, castigos físicos, torturas, incluindo a morte na fogueira (EMLER, 1994). Essas punições também aconteciam nas sociedades tribais da África (STIRLING, 1956). Segundo Schein (1994), os fatores que caracterizavam a Idade Média – a credibilidade da informação oral; o estrito código de comportamento para todas as classes sociais; bem como a imobilidade social (estagnação topográfica); e o fato de a comunidade ser relativamente pequena, – davam à fofoca um grande poder. Continue lendo »

Sonho

Titânia em um Sonho de Uma Noite de Verão” por Frank Cadogan Cowper

Evocando a faculdade potenciadora do imaginário e da fantasia, o sonho apresenta-se como um processo psico-fisiológico em que uma sequência de imagens e vivências, que ocorrem durante o sono, se articulam numa estrutura de associações figurativas, assumindo pois a forma de uma linguagem simbólica. Enquanto linguagem simbólica, não há uma associação directa entre os elementos desta estrutura e seus significados, ou seja, as imagens presentes e concretas remetem para imagens ausentes e abstractas. Como tal, assemelha-se a uma alegoria em que a linguagem imagética se faz por conteúdos simbólicos (manifestos), cujo sentido profundo (latente) é passível de ser descodificado. Continue lendo »

O Medo da Morte e o seu Enfrentamento Pelo Ser Humano Através dos Tempos

As Horas da Eternidade e a Morte” por Xavier Mellery(1845-1921)

Por *Roseney Bellato e **Emília Campos de Carvalho

As Sociedades Primitivas

O jogo existencial do ser humano, do qual vida e morte se fazem parceiras inseparáveis, é um problema dos vivos e, apenas e tão somente, dos vivos humanos, pois, embora compartilhem o nascimento, a doença, a juventude, a maturidade, a velhice e a morte com os animais, apenas os seres humanos, dentre todos os seres vivos, sabem que morrerão. (…) (…) (…) (…) Continue lendo »

Considerações Sobre as Representações da Morte Individualizada: Imagens do Morto, da Boa à Bela Morte

Testemunhe Minha Morte e Confirme” por Edmund Blair Leighton(1853-1922)

Por *Déborah Rodrigues Borges e **Maria Elizia Borges

Durante o século XIX e até meados do século XX foi corrente, em diversas sociedades ocidentais, a prática de fotografar os mortos. A fotografia mortuária surgiu praticamente junto com a própria técnica fotográfica, segundo Jay-Ruby (1995), e é precedida de toda uma tradição anterior de representações pictóricas de mortos individualizados. Fatores sociais, culturais e mesmo psicológicos – como o valor das fotografias mortuárias no trabalho de luto, por exemplo – coincidem nos processos de produção e uso de tais imagens. Continue lendo »

Fracasso Escolar: Família X Escola

*Por Edelar Carlos Gottardo

Para aprender o sujeito deve tomar-se como aprendiz. A questão é quando e como poderá ser livre para ser ele mesmo, e quando e como estará autorizado a poder saber, trocar com outros e criar, transformando a si mesmo e a sua realidade. Tendo em vista estas questões é importante entender o vínculo como interno e externo. O vínculo interno é a parte inconsciente, relacionado com a intimidade do sujeito, o que geralmente é ignorado. Externo quando se refere às relações que o sujeito estabelece com os outros ou com objetos que podem ser desde objetos concretos até o objeto do conhecimento. Há uma dialética nesta estrutura, que se encontra em constante movimento, ora externo ora interno. Continue lendo »