Sonho

Titânia em um Sonho de Uma Noite de Verão” por Frank Cadogan Cowper

Evocando a faculdade potenciadora do imaginário e da fantasia, o sonho apresenta-se como um processo psico-fisiológico em que uma sequência de imagens e vivências, que ocorrem durante o sono, se articulam numa estrutura de associações figurativas, assumindo pois a forma de uma linguagem simbólica. Enquanto linguagem simbólica, não há uma associação directa entre os elementos desta estrutura e seus significados, ou seja, as imagens presentes e concretas remetem para imagens ausentes e abstractas. Como tal, assemelha-se a uma alegoria em que a linguagem imagética se faz por conteúdos simbólicos (manifestos), cujo sentido profundo (latente) é passível de ser descodificado. Continue lendo »

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Espaço Doméstico: Contributos para uma leitura integrada de Habitat

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Por Ana Serra e Moura Salvado**


Introdução: A diversidade do espaço residencial


A evolução demográfica ocorrida nas últimas décadas(…)tem vindo a operar transformações na configuração das estruturas familiares e conseqüentemente no domínio das formas de habitar. As mudanças ocorridas ao nível das estruturas familiares traduzem-se, sucintamente, num aumento generalizado do número de pessoas que vivem sozinhas (jovens ou viúvos), no acentuar do número de famílias monoparentais, no aumento de casais que vivem em união de facto e num número crescente de casais sem crianças. Continue lendo »

Cultura e alimentação ou o que têm a ver os macaquinhos de Koshima com Brillat-Savarin?

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Por Maria Eunice Maciel

Universidade Federal do Rio Grande do Sul – Brasil

O tema da alimentação é capaz de gerar indagações que levam a refletir sobre questões fundamentais da antropologia tais como a relação da cultura com a natureza, o simbólico e o biológico. O alimentar-se é um ato vital, sem o qual não há vida possível, mas, ao se alimentar, o homem cria práticas e atribui significados àquilo que está incorporando a si mesmo, o que vai além da utilização dos alimentos pelo organismo. É assim que a procura pelo sentido deste “comer” tem atraído os antropólogos de uma maneira muito particular. Continue lendo »

Rosas, Prostitutas, Santas e Princesas: Expressões da Feminilidade

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Imagem: A Bela e a Fera de Anne Anderson


Por Angelita Corrêa Scardua


A Rosa é a flor mais presente nos Contos de Fada, seja como figura de fundo ou como elemento essencial à história. Podemos encontrar a Rosa em contos como “As Fadas (Sapos e Diamantes)”, “A Bela e a Fera”, “A Bela Adormecida no Bosque”, “Rapunzel”, “A Pequena Polegarzinha” e muitos outros. Em geral, nos contos em que a Rosa aparece a protagonista é uma jovem mulher, uma donzela prestes a ser “descoberta” pelo olhar/desejo masculino. A moça em questão é, quase sempre, cheia de potencialidades das quais ela mesma não tem consciência. É o encontro com o outro – com o Masculino – que a faz perceber o seu valor como mulher. Em todos esses contos a beleza, a sedução, a paixão e o encantamento são o mote da estória. Continue lendo »

A Psicanálise e a Narrativa Popular: o uso terapêutico dos contos de fadas

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Imagem: “Os Três Cães” – Enciclopédia da Fantasia

*Por Carlos Brito

(…)Freud, desde muito cedo, em sua experiência clínica, destacou a importância e o valor dos contos de fadas, chamando a atenção para o fato de que, assim como nos mitos e nas lendas, essas narrativas referem-se à parte mais primitiva do psiquismo. Não é surpreendente descobrir que a psicanálise confirma nosso reconhecimento do lugar importante que os contos de fadas populares alcançaram na vida mental de nossos filhos. Em algumas pessoas, a rememoração de seus contos de fadas favoritos ocupa o lugar das lembranças de sua própria infância; elas transformaram esses contos em lembranças encobridoras […] Elementos e situações derivadas de contos de fadas podem também ser encontrados em sonhos. Interpretando as passagens em apreço, o paciente produzirá o conto de fadas significativo como associação (Freud, 1925:355). Continue lendo »

A Experiência Religiosa e a Vivência da Felicidade

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Por Angelita Corrêa Scardua

Quando recorremos à psicologia para tentarmos explicar a experiência humana como um fenômeno integral – isto é, interpretar a condição humana como uma confluência de eventos subjetivos e objetivos – é possível pensar que os recursos psicológicos que desenvolvemos para nos adaptarmos ao mundo externo são, em parte, resultado da projeção de conteúdos internos da nossa psiquê. Continue lendo »