O Tarô e o Caminho da Individuação

The Fortune TellerA Vidente” por Sir Edward John Poynter(1839-1919)

*Por Paulo Urban

Não é por acaso que os 22 Arcanos Maiores do Tarô acham-se numerados. Suas cartas, perfiladas tal qual os capítulos de uma novela, retratam uma história verdadeira, a do ser humano em sua senda iniciática, repleta de experiências transcendentes e desafios que se nos apresentam como oportunidades para o autoconhecimento.

Desde a antigüidade, espalhados por distintas culturas, incontáveis são os mitos que abordam a imagem do homem colocado à prova, chamado a enfrentar perigos e resolver enigmas, a ultrapassar seus próprios limites e escolher o rumo certo nas encruzilhadas do caminho. Continue lendo »

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O SIMBOLISMO DA CASA E A MÚSICA: IMAGINAÇÃO E MEMÓRIA

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Walter Melo*

A casa funciona, dentro das produções da imaginação material, como um abrigo, como um princípio de integração dos pensamentos, das lembranças e dos sonhos, em suma, como um valor de integração psíquica. (…)A casa está inscrita no corpo, não como traço mnêmico, mas como imagem de intimidade, como imagem que busca um centro, que instaura um centro, que cria um universo (Eliade, 1991). Em qualquer casa que moramos, tendemos a imaginá-la sempre mais do que ela é, pois, com esta imagem arquetípica, estamos justamente no ponto de união entre imaginação e memória(…). Continue lendo »

Os distúrbios alimentares sob o enfoque da psicologia analítica

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Por Anyara Menezes Lasheras

Do ponto de vista psicológico, os distúrbios alimentares, seja a obesidade, a anorexia nervosa ou a bulimia, representam uma tentativa de solução ou disfarce de conflitos internos, mas que além de não solucionar os conflitos, acaba por criar mais problemas relativos ao aumento ou perda excessiva de peso: o efeito “sanfona”, aumento da auto-imagem negativa, e assim por diante.

O alimento está associado a carinho, a cessação de um desconforto desde a primeira mamada de um bebê. Por isso, os distúrbios alimentares apresentam bases psicológicas que denotam conflitos afetivos associados à busca por alguma coisa, por exemplo: por um afeto inatingível, pelo preenchimento de um “vazio” interior, de um “buraco”, por segurança, por autoconfiança, aspectos que levam às sensações primárias de contato com a figura da mãe, na verdade da mãe boa, aquela que alimenta, que nutre, que acolhe e protege. Aqui as gratificações são deslocadas para o alimento. Continue lendo »

A Psicanálise e a Narrativa Popular: o uso terapêutico dos contos de fadas

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Imagem: “Os Três Cães” – Enciclopédia da Fantasia

*Por Carlos Brito

(…)Freud, desde muito cedo, em sua experiência clínica, destacou a importância e o valor dos contos de fadas, chamando a atenção para o fato de que, assim como nos mitos e nas lendas, essas narrativas referem-se à parte mais primitiva do psiquismo. Não é surpreendente descobrir que a psicanálise confirma nosso reconhecimento do lugar importante que os contos de fadas populares alcançaram na vida mental de nossos filhos. Em algumas pessoas, a rememoração de seus contos de fadas favoritos ocupa o lugar das lembranças de sua própria infância; elas transformaram esses contos em lembranças encobridoras […] Elementos e situações derivadas de contos de fadas podem também ser encontrados em sonhos. Interpretando as passagens em apreço, o paciente produzirá o conto de fadas significativo como associação (Freud, 1925:355). Continue lendo »

O Conto de Fada Numa Abordagem Junguiana

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Imagem:  Companheiro De Viagem – Enciclopédia Da Fantasia

Por Marilene Tavares de Almeida*

A cada dia me encantam mais e mais as histórias dos contos de fadas, talvez porque adoro ler entrelinhas e descobrir pontos de vista diversos. Com eles desato nós, desfaço (pré)conceitos. Aprendo que as histórias têm outras feições, outros jeitos, outras formas. Aprendo sob uma ótica diferente a reescrever a minha história ou histórias. Continue lendo »

Alguns Aspectos da Religião na Psicologia Analítica

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Imagem: William Blake

Excertos de artigo escrito por Mauricio Aranha

(…) Para Jung, a instância que abriga a imagem divina na psique humana é o self. Este seria um princípio ordenador da personalidade capaz de conter todas as possibilidades do “vir a ser” heraclitiano; em outras palavras, dando significado ao símbolo.

(…) Assim sendo, pode-se inferir que tudo o que já foi manifesto nas escrituras bíblicas e nos dogmas cristãos possui correlato na função religiosa da psique, ou seja, são expressões do arquétipo religioso contido em cada pessoa. (…) Jung valoriza tanto o papel da religiosidade que chega a propor que os sistemas religiosos deveriam se ocupar de questões da psique, sendo então “sistemas psicoterapêuticos”. No entanto, o que se torna evidente é que a religião atua contrariamente a este posicionamento, tendo em vista que sua direção se volta para o objetivo de“proteger” as pessoas das possíveis experiências religiosas direta, pois sua abordagem se faz em nível de “confissão”. Continue lendo »

Casamento, Desenvolvimento Adulto e Felicidade

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Ilustração: Midlife Crisis by Ellen Rixford

Por Angelita Scárdua

Todos somos influenciados, quer gostemos ou não, pelos desígnios socioculturais do momento histórico no qual nos encontramos. Fomentadas pelas particularidades de cada época, as predisposições coletivas em relação a aspectos essenciais da experiência humana – como o sexo, o poder, a democracia, a beleza, o casamento, a virtude e muitas outras – adquirem um caráter incontestável. É assim que um conjunto de valores e idéias tendem a ser aceitos pela maioria como sendo verdades naturais, e indissociáveis, da condição humana. Continue lendo »