O Símbolo Animal e os Sonhos

Os Cavalos de Netuno” por Walter Crane (1845-1915)

*Por Cristiane Ennes Fridlund

A riqueza de símbolos animais em todas as manifestações culturais da história da evolução humana seja na religião, lendas, crenças, fantasias, contos de fadas, mitos, sonhos, na alquimia, nas artes e demais produções do imaginário, reflete a importância do símbolo animal na vida humana e o quanto é necessário integrar estes assuntos psíquicos vitais.

A Natureza é uma obra de arte em si mesma, um grande projeto dinâmico, onde os seres habitam e vivem, respeitando certos parâmetros naturais. O homem, no processo de civilização, encontrou outros valores se afastando da natureza. Em consequência, sofre com isso – pois ele é parte da natureza, ao se afastar desta, afasta-se de si próprio. Continue lendo »

Anúncios

Internet, Imaginário Coletivo e Religiosidade no Mundo Contemporâneo: Um Estudo Preliminar

Excertos de Monografia de *Daniela de Andrade Athuil Galvão de Souza

(…). Como movimento coletivo, o fenômeno Internet tem sido objeto de estudo em diversos campos da ciência. Na tentativa de compreendê-lo, muitos autores recorrem a determinados conceitos nas áreas da filosofia, antropologia e psicologia. Mas a verdade é que ainda são poucas as conclusões a respeito dessa nova forma de interação com o mundo e os seus desdobramentos psíquicos. No entanto, não resta dúvida de que a Internet veio para fazer parte da vida de todos nós. Justifica-se, pois, o interesse do psicólogo em acompanhar e refletir sobre o modo como a evolução da tecnologia da informação se articulará com os diferentes aspectos da existência humana. Não se trata de procurar respostas ou verdades, mas de explorar possibilidades e tendências que irão configurar o cenário futuro. Continue lendo »

O Complexo de Chronos e o Descompasso Emocional

*Por Ricardo Alvarenga Hirata.

Introdução

(…)

Nossa forma de lidar com o Tempo se apresenta dissociada. Sobrevalorizamos a criação do novo, da moda, da estética juvenil, da velocidade das transformações, o planejamento pormenorizado das horas do dia, os agendamentos diversos e a previsibilidade. As trocas rápidas de parceiro, de canais, de filmes e de baladas são gatilhos das emoções adrenérgicas, do prazer volátil e fugaz. Por outro lado, o Tempo do repouso, do luto, da elaboração simbólica, da tensão entre os opostos, da reciclagem natural, do metabolismo fisiológico, da velhice, da memória do povo e das tradições fica restrito ao inconsciente cultural. Dessa forma, estes conteúdos reprimidos são atuados, resultando em ações contrárias à nossa sobrevivência enquanto espécie. Continue lendo »

O Imaginário Feminino da Divindade Como Caminho de Empoderamento das Mulheres

*Por Ana Luisa Alves Cordeiro

O presente artigo quer refletir a contribuição que a reconstrução da memória da Deusa tem para o universo das mulheres enquanto empoderamento e significação da vida, e como o imaginário feminino da divindade pode influenciar em relações de gênero mais recíprocas, partilhadas e igualitárias. A complexidade da vida humana evoca a utilização de uma vasta simbologia, de uma linguagem capaz de comunicar aquilo que muitas vezes não é exprimível por palavras. Etimologicamente a palavra “símbolo” vem do grego sym-ballo que significa reunir. Desta forma, o termo “símbolo” relaciona-se “à união de duas coisas” (CROATTO, 2001, p.84) tentando expressar aquilo que não é objetivável. A linguagem simbólica torna a humanidade possível à medida que dá significado à vida e às coisas, à medida que é expressão dos sonhos, da poesia, do amor, da arte e, principalmente, da experiência religiosa. Continue lendo »

O SIMBOLISMO DA CASA E A MÚSICA: IMAGINAÇÃO E MEMÓRIA

simbolismo-da-casa

Walter Melo*

A casa funciona, dentro das produções da imaginação material, como um abrigo, como um princípio de integração dos pensamentos, das lembranças e dos sonhos, em suma, como um valor de integração psíquica. (…)A casa está inscrita no corpo, não como traço mnêmico, mas como imagem de intimidade, como imagem que busca um centro, que instaura um centro, que cria um universo (Eliade, 1991). Em qualquer casa que moramos, tendemos a imaginá-la sempre mais do que ela é, pois, com esta imagem arquetípica, estamos justamente no ponto de união entre imaginação e memória(…). Continue lendo »

A Psicanálise e a Narrativa Popular: o uso terapêutico dos contos de fadas

os-tres-caes1

Imagem: “Os Três Cães” – Enciclopédia da Fantasia

*Por Carlos Brito

(…)Freud, desde muito cedo, em sua experiência clínica, destacou a importância e o valor dos contos de fadas, chamando a atenção para o fato de que, assim como nos mitos e nas lendas, essas narrativas referem-se à parte mais primitiva do psiquismo. Não é surpreendente descobrir que a psicanálise confirma nosso reconhecimento do lugar importante que os contos de fadas populares alcançaram na vida mental de nossos filhos. Em algumas pessoas, a rememoração de seus contos de fadas favoritos ocupa o lugar das lembranças de sua própria infância; elas transformaram esses contos em lembranças encobridoras […] Elementos e situações derivadas de contos de fadas podem também ser encontrados em sonhos. Interpretando as passagens em apreço, o paciente produzirá o conto de fadas significativo como associação (Freud, 1925:355). Continue lendo »

Arte na Psicoterapia Sob a Perspectiva da Psicologia Analítica Junguiana

archetype-sculpture-installation-page

Máscara‘ Escultura de Jonathan Hayter (da Instalação Arquétipo)


Por Erika Antunes e Joel Giglio

(…)os estudos de Jung influenciaram amplamente o campo da arteterapia, trazendo à tona discussões mais profundas em torno da importância do mundo imagético na compreensão do psiquismo e, conseqüentemente, valorizando a análise das imagens simbólicas projetadas nas produções artísticas dos pacientes dentro do enquadre psicoterapêutico. Suas descobertas e reflexões abalaram os paradigmas do pensamento ocidental pela inclusão de novos enfoques a respeito dos processos psíquicos e da dimensão transcendente do ser humano. Continue lendo »