Filosofia da Mente

Hamlet” por Thomas Lawrence (1769-1830)

Livre-arbítrio: nossas decisões são livres ou determinadas pela bioquímica do cérebro?

*Por João Teixeira

Numa monografia intitulada Liberdade e Neurobiologia, o filósofo americano John Searle tenta enfrentar a questão filosófica do livre-arbítrio. Será que nossos comportamentos são totalmente determinados pela bioquímica do cérebro ou haverá algum espaço para a decisão livre? Será possível compatibilizar a existência do livre-arbítrio com o materialismo? Searle se debate contra as dificuldades colocadas por essas questões, que se tornam mais visíveis na última parte de seu texto, sobretudo pelo fato de ele não conseguir elaborar uma solução inovadora para o problema. Claro que oferecer uma solução definitiva para o problema do livrearbítrio é tarefa hercúlea, já que esse é um problema secular enfrentado pela metafísica. Searle nos apresenta meticulosamente todas as nuanças da questão, mas a monografia tornase decepcionante no final, pois, após apresentar defesas para as duas posições possíveis, ele não consegue se decidir por nenhuma. Continue lendo »

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O Paradoxo do Homem como Liberdade no Existencialismo de Jean-Paul Sartre

Raskolnikov” por Nikolai Yaroshenko (1846-1898)

*Excertos do Artigo de Cléa Gois e Silva

(…) Para Sartre, a existência desagrega e nulifica a realidade de fato e afirma-se sobre ela como poder absoluto. A filosofia de Sartre é uma filosofia da liberdade absoluta que pretende dissolver e anular toda a necessidade. A liberdade, segundo Sartre , é a possibilidade permanente daquela nulificação do mundo que é a própria estrutura da existência. “Estou condenado, a existir para sempre para além da minha essência, para além dos móbiles e dos motivos do meu ato: eu estou condenado a ser livre”. Isto significa que não se podem encontrar para a minha liberdade outros limites além da própria liberdade: ou, que não somos livres de deixar de ser livres. Continue lendo »

O Medo na Era da Liquidez

O traço mais opressor do medo, nos dias atuais, é que ele se tornou difuso e abstrato: a ameaça pode vir de toda parte. Ele leva à exclusão do outro, do “diferente”, e sacrifica a liberdade em prol de um pouco mais de segurança.

*Por Renato Nunes Bittencourt

O desenvolvimento da ideologia de bem-estar pessoal, que exige de cada cidadão “produtivo” o dever de desfrutar a sua vida da forma mais aprazível possível, destoa da necessidade desse mesmo grupo social de abrir mão do seu gozo material em prol de uma disciplina cotidiana que muitas vezes lhe gera intensos transtornos afetivos. Para se manter um elevado padrão de vida, o preço é doloroso: a contínua dedicação ao mundo do trabalho, que rompe a esfera do ambiente estritamente profissional e avança vorazmente aos sagrados espaços domiciliares. Entretanto, apesar da situação estressante que a dedicação profissional impõe a cada um de nós, nos esforçamos em manter o funcionamento pleno desse sistema social, baseado no esgotamento individual em prol do sucesso profissional, processo que sustenta a organização civilizatória do mundo ocidental, cada vez menos sólido. Continue lendo »

Sob a Velocidade do Capital

*Por Carolina Justo

Já se foi o tempo em que valia o ditado “a pressa é inimiga da perfeição”. No mundo de hoje, nos transportes, na comunicação, no trabalho, e até no lazer, alta velocidade é uma exigência generalizada. Apesar disso, essa velocidade que rege o mundo atual não é única e nem a percepção das pessoas é singular. Vivemos em tempos múltiplos e em diferentes velocidades. De acordo com Márcio Barreto, físico e doutor em ciências sociais pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), a colonização da vida das pessoas por uma série de ocupações e atividades causa “a sensação de que não vivemos mais ou que as coisas ocorrem numa velocidade muito maior do que podemos apreender. Parece que não conseguimos mais ter a experiência”. Continue lendo »

A Vocação Humana: uma Abordagem Antropológica e Filosófica

A Conquista da Lua” por Vicente do Rego Monteiro (1899-1970)

1. Escolha profissional: dificuldades atuais e perspectivas

O momento da opção profissional tem se revelado como dotado de uma crescente dificuldade de escolha entre os jovens, constatada por especialistas em Orientação Vocacional, por pesquisas acadêmicas e pela grande imprensa.

(…)

A sociedade contemporânea, em grande parte, revela muita insegurança e incerteza quanto a valores: não há pontos de referência estáveis. Isto gera crise e confusão, tornando muito difícil para o homem atual identificar, em última instância, “o que vale a pena” e dedicar-se a isto; o afastamento das questões mais essenciais como o porquê da existência, um sentido ou causa à qual entregar a vida, gera esquecimento ou inexistência de critérios para orientar e sustentar decisões ou ações (…). Continue lendo »