O Espelho e os Homens: Considerações Sobre os Reflexos na Masculinidade de Hoje

Netuno” por Agnolo Bronzino (1503-1572)

*Excertos de Artigo de Isabel Marazina

Desde a psicanálise, pensa-se que o falocentrismo, que sustenta a distribuição de valores – e de poderes – na sociedade patriarcal, não gerou, mas reforçou o imaginário “eles tem – elas não” que não é mais que a teoria infantil nascida da impossibilidade de inscrever a diferença sexual nos primeiros anos de vida.

Sabemos que esse imaginário promoveu, ao longo da história, uma atribuição social do poder ao homem, que este recebia como algo que lhe era próprio, “por natureza”, enquanto possuidor de um pênis, garantia do brilho fálico. Em momentos em que os atributos de força e valor físico eram imprescindíveis para assegurar a posse das terras, dos Estados e das mulheres, a supremacia masculina era incontestável. Todo um aparelho institucional estava destinado a sustentar a lógica que dividia a espécie entre seres “completos” e “incompletos”. Continue lendo »

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O Complexo de Chronos e o Descompasso Emocional

*Por Ricardo Alvarenga Hirata.

Introdução

(…)

Nossa forma de lidar com o Tempo se apresenta dissociada. Sobrevalorizamos a criação do novo, da moda, da estética juvenil, da velocidade das transformações, o planejamento pormenorizado das horas do dia, os agendamentos diversos e a previsibilidade. As trocas rápidas de parceiro, de canais, de filmes e de baladas são gatilhos das emoções adrenérgicas, do prazer volátil e fugaz. Por outro lado, o Tempo do repouso, do luto, da elaboração simbólica, da tensão entre os opostos, da reciclagem natural, do metabolismo fisiológico, da velhice, da memória do povo e das tradições fica restrito ao inconsciente cultural. Dessa forma, estes conteúdos reprimidos são atuados, resultando em ações contrárias à nossa sobrevivência enquanto espécie. Continue lendo »

Habitar o Não-Lugar

*Por Cristiane Dias

A cidade contemporânea é delineada por um espaço muito particular para o qual migram cada vez mais os sujeitos de nossa sociedade: o não-lugar, um espaço “inqualificável”.

Para desenvolver o conceito de não-lugar apoio-me na reflexão de Marc Augé. Para esse autor o não-lugar não inscreve a identidade, nem a relação, nem a história, pois a história é aí reduzida à informação, a identidade a um conjunto de descrições numéricas, como o número do cartão de crédito, da identidade, do passaporte etc., e a relação com o outro é reduzida à espetacularização (tela, video-câmeras, televisão). Nessa perspectiva, o não-lugar demanda um usuário: “definido por seu destino, a soma de suas compras ou a situação de seu crédito, o usuário dos não-lugares anda ao lado de milhões de outras pessoas, mas está só e são os textos (painéis, discos, vídeos) que se interpõem entre ele e o mundo exterior”. Continue lendo »

O Significado do Trabalho

Café” por Candido Portinari (1903-1962)

*Por Susan Cavallet, Cristiane Denardi, Edenir Dirken e Maria Elizabeth Haro.

As atuais mudanças desen-cadeadas pela globalização são de tal forma revolucionárias que ultrapassam o boom tecnológico. O ser humano está sendo forçado a dar um salto evolucionário para o qual não teve tempo de se preparar. A História nos mostra períodos de inovações que exigiram adaptações quanto a conhecimentos, atitudes e habilidades, mais ou menos intensas, todas sem precedentes. A Revolução Industrial é um exemplo clássico. Entretanto, a presente metamorfose nos impõe exigências de tal forma urgentes e volumosas que o impacto psicológico e social não pode ser ainda completamente avaliado ou previsto, pois estamos em meio ao processo. Pode-se apenas senti-lo e observá-lo à flor da pele das pessoas e das instituições sociais na forma de insegurança, opressão, e remotas esperanças de um futuro melhor. Continue lendo »

Alimentos e Evolução Humana

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*Por William R. Leonard


(…) Humanos, estranhos primatas. Andamos sobre duas pernas, possuímos cérebros enormes e colonizamos cada canto da Terra. Antropólogos e biólogos procuraram sempre entender como a nossa raça diferenciou-se tão profundamente do modelo primata(…). Um conjunto de evidências indica que essas idiossincrasias mistas de humanidade têm, na realidade, uma linha em comum: elas são, basicamente, o resultado da seleção natural, atuando para maximizar a qualidade dietética e a eficiência na obtenção de alimentos. Mudanças na oferta de alimentos parecem ter influenciado fortemente nossos ancestrais hominídeos. Assim, em um sentido evolutivo, somos o que comemos. (…) Para se compreender o papel da alimentação na evolução humana, devemos nos lembrar de que a procura pelo alimento, seu consumo e, finalmente, como ele é usado para processos biológicos são, todos, aspectos críticos da ecologia de um organismo.(…) Continue lendo »

O Casamento – Visões de Uma Revista Feminina

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Por Cristina Flora


Revista Máxima – Especial Casamento (Portugal/2008)


Casamento: Até que a vida nos separe?

Apesar das inúmeras formas que os seres humanos encontraram para ficar juntos como parceiros, a verdade é que o casamento permanece um símbolo muito forte e único sinónimo de promessa eterna.


E, pela sua aura de conto de fadas – onde a noiva é princesa por um dia –, pela convicção religiosa de quem o pratica, mas talvez sobretudo pelo seu valor familiar, mantém-se como a instituição secular que é.


Mas então, o que é que mudou, se as pessoas continuam a casar? Continue lendo »

Um Casamento Baseado na Incerteza

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“O ser humano é um animal que se casa”, diz o professor do Instituto de Psicologia da USP Ailton Silva. Isso talvez explique a tendência da sociedade moderna de criar novas formas de relacionamento. Namoros via Internet, uniões ‘abertas’ e até mesmo um noivado mantido a centenas de quilômetros de distância estão entre os modos contemporâneos de amar. “Não haverá mais um modelo único de relacionamento, mas continuaremos sempre a nos casar”, prevê o professor YANNIK D’ELBOUX. Continue lendo »