A Importância dos Sonhos

“O Sonho de Dante na Hora da Morte de Beatrice” por Dante Gabriel Rossetti

*Excertos de Carl Jung em “O Homem e os Seus Símbolos”

Aquilo a que chamamos símbolo é um termo, um nome ou mesmo uma imagem que nos pode ser familiar na vida diária, embora possua conotações especiais para além do seu significado evidente e convencional. Implica algo de vago, desconhecido ou oculto para nós. Assim, uma palavra ou uma imagem é simbólica quando implica alguma coisa além do seu significado manifesto e imediato. Esta palavra ou esta imagem tem um aspecto mais amplo, que nunca é definido de uma única forma ou explicado totalmente, nem podemos ter esperanças de a definir ou explicar. Quando a mente explora um símbolo, é conduzida em direcção a ideias que estão fora do alcance da nossa razão. Continue lendo »

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Satã, Uma Imagem Arquetípica do Mal… (Parte I)

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Para começo de conversa, precisamos entender que o ser humano é um ser gregário. Ou seja, seres humanos necessitam da companhia de seus pares para sobreviverem e se adaptarem ao meio. Ao nascermos somos muito frágeis e precisamos de cuidados constantes por um longo período de tempo, até que possamos caminhar com as próprias pernas. Tal arranjo levou a humanidade a se organizar em grupos para obter mais chances de caçar, coletar alimentos e criar os filhotes. Com isso podemos entender que, para o ser humano, a sobrevivência do grupo significaria a sobrevivência do indivíduo. Sendo assim, o grupo tornou-se o fundamento da existência humana e qualquer coisa que o colocasse em risco deveria ser entendida como nociva. Continue lendo »

Satã, Uma Imagem Arquetípica do Mal… (Parte II)

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Uma diferença básica parece haver entre a visão mítica do mal para os judaico-cristãos e para os povos pagãos do ocidente – e aqui incluo, Celtas, Vikings, Gregos, etc. Essa diferença diz respeito ao lugar do mal no universo e na nossa vida. Para os povos pagãos o mal era tão somente uma outra face do processo da vida. Loki, apesar de representar aquilo que os Vikings mais condenavam, não foi banido ou punido, muito menos desprezado ou negado. Ao contrário ele era um deus entre outros deuses, e suas características eram reconhecidas como estando presentes em nossas vidas e em nós mesmos. Tanto é que, muitas vezes, os outros deuses do panteão Viking recorreram a essas mesmas características “condenáveis” de Loki para conseguirem o que queriam. Mais do que isso, Loki era associado ao fogo, elemento do paraíso mítico Viking e fonte de acolhimento para quem vive em terras geladas. Isso revela um aspecto particularmente interessante da visão do “Mal” nas culturas pagãs: que é o entendimento deste como o ponto de equilíbrio necessário para a conquista do “Bem”. O que aponta para um entendimento mais tolerante da pluralidade afetiva da condição humana. Continue lendo »

O SIMBOLISMO DA CASA E A MÚSICA: IMAGINAÇÃO E MEMÓRIA

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Walter Melo*

A casa funciona, dentro das produções da imaginação material, como um abrigo, como um princípio de integração dos pensamentos, das lembranças e dos sonhos, em suma, como um valor de integração psíquica. (…)A casa está inscrita no corpo, não como traço mnêmico, mas como imagem de intimidade, como imagem que busca um centro, que instaura um centro, que cria um universo (Eliade, 1991). Em qualquer casa que moramos, tendemos a imaginá-la sempre mais do que ela é, pois, com esta imagem arquetípica, estamos justamente no ponto de união entre imaginação e memória(…). Continue lendo »

A BRINCADEIRA DE CONSTRUIR CASINHA

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Elaine Pedreira Rabinovich
Psicóloga clínica, Mestre em Psicologia Experimental/USP

A Casa como Símbolo

As experiências de ser-no-mundo constituem o cerne da casa como símbolo, quer nas brincadeiras de construir casa quer nos desenhos de casa. Trata-se de uma experiência de espacialização, primeira e fundamental, geradora das demais. Trata-se da experiência de habitar o próprio corpo.

São as vicissitudes desta “habitação” (“indwelling” ou personalização para (WINNICOTT, 1971) que são “jogadas” nas brincadeiras de casinha. O corpo – o lugar onde se habita – é não apenas o locus de expressão, gestos e sinais, através de uma linguagem corporal a ser lida: ele é o receptáculo das marcas, dores, cicatrizes e tatuagens – o lugar de sua história. O modo de morar, em sua concretude conforme expresso na moradia, não é um contexto que está fora apenas, mas informa, desde fora, a forma do corpo subjetivo. Segundo PEREIRA & NUNES (1989), a casa, o corpo e o eu formam uma trindade que se manifesta como um todo nas “brincadeiras de casinha”. Continue lendo »

Espaço Doméstico: Contributos para uma leitura integrada de Habitat

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Por Ana Serra e Moura Salvado**


Introdução: A diversidade do espaço residencial


A evolução demográfica ocorrida nas últimas décadas(…)tem vindo a operar transformações na configuração das estruturas familiares e conseqüentemente no domínio das formas de habitar. As mudanças ocorridas ao nível das estruturas familiares traduzem-se, sucintamente, num aumento generalizado do número de pessoas que vivem sozinhas (jovens ou viúvos), no acentuar do número de famílias monoparentais, no aumento de casais que vivem em união de facto e num número crescente de casais sem crianças. Continue lendo »

Habitação Sagrada

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Um estudo sobre os significados religiosos das habitações


Por David Phillips

Revista Antropos – Volume 1, Ano 1, Novembro de 2007


(…)a habitação, com os seus arredores artificiais, é essencial à expressão da auto-identidade de uma sociedade. (…)uma tendência que é universal, de que a habitação não é considerada apenas em termos utilitários mas também como um mecanismo cultural para relacionar os seus habitantes socialmente e metafisicamente ao mundo.


(…)a habitação, como o foco da vida da família nuclear ou estendida, relaciona todos os aspectos da vida em conjunto – nascimento, educação, trabalho, matrimônio, alimento, descanso, recreação e morte – como uma participação no cosmo material e imaterial. Continue lendo »