O Medo Como Emoção

*Por Luciana Oliveira dos Santos. Excertos do artigo “O medo contemporâneo: abordando suas diferentes dimensões”.

(…) Em um sentido estrito do termo, o medo é concebido como uma emoção-choque devido à percepção de perigo presente e urgente que ameaça a preservação daquele indivíduo. Provoca, então, uma série de efeitos no organismo que o tornam apto a uma reação de defesa como a fuga, por exemplo. Para Delpierre (1974), o medo pode provocar efeitos contrastados segundo os indivíduos e as circunstâncias, ou até reações alternadas em uma mesma pessoa: a aceleração dos movimentos do coração ou sua diminuição, uma respiração demasiadamente rápida ou lenta, uma contração ou uma dilatação dos vasos sangüíneos, uma hiper ou uma hipossecreção das glândulas, constipação ou diarréia, poliúria ou anúria, um comportamento de imobilização ou uma exteriorização violenta. Nos casos-limite, a inibição irá até uma pseudoparalisia diante do perigo (estados catalépticos) e a exteriorização resultará numa tempestade de movimentos desatinados e inadaptados, característicos do pânico (Delpierre, 1974, apud Delumeau, 1989:23). Continue lendo »

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Você tem medo de quê? A Pedagogização Midiática do Risco

*Por Daniela Ripoll

O programa Fantástico da Rede Globo de Televisão e o Instituto Nacional de Metrologia (Inmetro) possuem, há 13 anos, uma parceria para a divulgação de resultados relativos à testagem de produtos e serviços diversos, num segmento chamado “Atenção, consumidor!”. Uma dessas reportagens do Fantástico levou o Inmetro “para o arraial” – isto é, para verificar a qualidade dos alimentos mais tradicionalmente comercializados e utilizados no preparo de iguarias nas festas juninas (amendoim, fubá de milho e leite de coco). Um dos riscos era o da contaminação do amendoim pela aflatoxina, que “pode provocar lesões graves no fígado como cirrose e até câncer”. Ainda segundo a reportagem – que traz o depoimento de um engenheiro do referido instituto –, “os fabricantes têm hoje um programa de qualidade que garante a segurança alimentar do amendoim. É uma boa notícia para os consumidores”. Este é um exemplo prosaico de que o risco nos dias atuais tornou-se uma preocupação de todos e de cada um, não mais apenas restrito ao terreno dos poucos investidores das bolsas de valores ou aos casos isolados de indivíduos extraordinariamente aventureiros: o risco tornou-se banal, normal e vulgar – a começar pelo amendoim que você come… Continue lendo »

Telinha Multifacetada

O impacto dos padrões de comportamento e beleza estampados pela mídia na construção da subjetividade de crianças e adolescentes mobiliza saberes.

*Por Carolina Salles

Finalmente a mulher vai poder ir à praia com dignidade”. A frase proferida recentemente por um médico ao fazer propaganda de procedimentos utilizados no combate à celulite, em um canal de televisão, é o ponto de partida escolhido pela psicóloga Jane Felipe de Souza para pontuar o quanto o sexo feminino tem sido capturado por discursos persuasivos, vindos das mais diferentes áreas do conhecimento e ecoados pela mídia. “Mulheres e meninas aprendem hoje que o poder reside na sua capacidade de sedução. E para seduzir precisam ser belas. Se você não se rende a esse padrão, é vista como uma pessoa desleixada, que não se ama e não tem disciplina para seguir os ditames de uma dieta rigorosa, por exemplo. Persegue-se, assim, um modelo de beleza extremamente idealizado, que na realidade não existe”, explica. Continue lendo »

O Papel da Mídia na Difusão das Representações Sociais

*Por Marcos Alexandre

A origem da expressão representação social é européia. Ela remete ao conceito de representação coletiva de Émile Durkheim, por longo tempo esquecido, que Serge Moscovici retomou para desenvolver uma teoria das representações sociais no campo da Psicologia Social.

(…) Na definição de Moscovici, a representação social refere-se ao posicionamento e localização da consciência subjetiva nos espaços sociais, com o sentido de constituir percepções por parte dos indivíduos. Nesse contexto, as representações de um objeto social passam por um processo de formação entendido como um encadeamento de fenômenos interativos, fruto dos processos sociais no cotidiano do mundo moderno. Continue lendo »

Mídia, Cultura do Consumo e Constituição da Subjetividade na Infância

*Por Cristiana Caldas Guimarães de Campos e **Solange Jobim e Souza

A contemporaneidade tem-se caracterizado pelas relações de produção e de consumo permeando as interações sociais. Temos acompanhado mudanças nas relações estabelecidas entre adultos e crianças, bem como o surgimento de uma nova produção da subjetividade em função da organização do cotidiano pela mídia e o modo como a experiência das crianças, dos jovens e dos adultos vem se transformando na sociedade de consumo. Portanto, crianças, adolescentes e adultos alteram suas relações intersubjetivas a partir das influências que a mídia e a cultura do consumo exercem sobre todos nós. Continue lendo »

Esoterismo: Busca do Deus Interior

falero8A Visão de Fausto” Por Luis Ricardo Falero(1851-1896)

*Por Isabel Mattei

in: Esoterismo, Auto-Ajuda e Trivialidade em O Alquimista

O fenômeno esotérico, a partir da década de 1960, começou a desenvolver-se intensamente no Brasil. Tal fenômeno pôde ser percebido através das mais diversas formas, manifestando-se, nos últimos anos, através de meios formais e informais. Há, atualmente, todo tipo de oferta de produtos e serviços esotéricos no mercado, envolvendo desde anúncios classificados e livros até adesivos em automóveis, folhetos e serviços de consulta por telefone e internet. Houve, também, um crescimento significativo de consumo de produtos dessa linha: anjos, bruxas, incensos. Essa ascensão passou a ser explorada, principalmente, com fins lucrativos. Não há como esquecer as consultas, por telefone (0900), que prometiam resolver todos os problemas de ordem pessoal ou profissional e que renderam fortunas incalculáveis aos consultores. Continue lendo »

Terapias Alternativas e Ética na Psicologia

waterhouse63Psyche Abrindo a Caixa Dourada” por John William Waterhouse (1849-1917)

UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO SUL – UFRGS
Departamento de Psicologia Social e Institucional
Ética Profissional
Professora: Rosane Neves
Alunas: Claudia Ferrari e Patrícia Schaffer

“Esoterismo associado ao tratamento psicológico confunde interessados”, alerta matéria do UOL. O texto continua: “Borra de café, cristais, astrologia, florais de Bach, terapias de vidas passadas e transe mediúnico. Encontra-se de tudo nos anúncios de psicólogos ou supostos psicólogos que oferecem uma mistura de terapia com esoterismo em propagandas espalhadas por toda parte da cidade de São Paulo-em faixas e cartazes na rua, em revistas semanais de informação e, principalmente, em milhares de sites na internet.” Continue lendo »