A Morte e o Sentido da Vida

O Luto do Velho Cão Pastor” por Sir Edwin Henry(1803-1874)

*Por Keith Augustine

Amanhã, e amanhã, e ainda outro amanhã arrastam-se nessa passada trivial do dia para a noite, da noite para o dia, até a última sílaba do registro dos tempos. E todos os nossos ontens não fizeram mais que iluminar para os tolos o caminho que leva ao pó da morte. Apaga-te, apaga-te, chama breve! A vida é apenas uma sombra ambulante, um pobre palhaço que por uma hora se espavona e se agita no palco, sem que depois seja ouvido; é uma história contada por idiotas, cheia de fúria e muito barulho, que nada significa.
Macbeth, Ato 5, Cena 5, linhas 22-31 Continue lendo »

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A Descida aos Infernos: Rito de Morte e Vida

O Rapto de Perséfone” por Rembrandt van Rijn(1606-1669)

*Por Angelita Corrêa Scardua

É praticamente impossível falar da Morte sem nos remetermos às figuras enigmáticas que habitam os mundos subterrâneos do universo mitológico, e dentre estas figuras destacam-se as Deusas Negras. Comecemos então pela mais antiga registrada pela grafia humana, Ereskigal, a Senhora da Grande Região Inferior. Ereskigal era irmã de Inanna, a Rainha Sumeriana do céu, que é a forma primitiva de Ishtar, Afrodite e Venus. Conta o Mito que havia grande inveja e rivalidade entre as irmãs Inanna – a bela e adorada Senhora da fertilidade – e Ereskigal – a horrenda figura feminina com cabelos de sanguessuga que deu origem a mitos como o da Medusa. Continue lendo »

As Crianças e a Morte

A Órfã” por James Tissot(1836-1902)

Não adianta fingir que a morte não existe. Não adianta iludir-mo-nos. Todos nós vamos morrer um dia! É tão certo como estar neste momento a ler esras linhas… Tudo o que nasce tem um fim, a morte faz parte da vida, é uma realidade incontornável. Porque não falamos então desta inevitabilidade? Porque evitamos abordar o tema, especialmente com as crianças? Porque as impedimos de lidar com a tristeza, de se aproximarem de quem está a morrer, de se despedirem, de se exprimirem? A morte tornou-se demasiado incómoda. Como disse Pascal, já que não podemos substituí-la temos a audácia de não pensar nela! Continue lendo »

O Luto Como Vivemos: Educação Para Morte

A Morte e a Donzela” por Hans Baldung(1484-1545)

*Por Valéria Tinoco

Afinal, o que é a Educação para a Morte? Será possível modificar, transformar e ensinar sobre a morte? Primeiramente, toda vez que nos referirmos a Educação para a Morte, incluímos aí a morte, o morrer e o processo de luto que acompanha e segue estes processos. Nós que trabalhamos com morte e luto somos indagados pelas pessoas ao nosso redor: Por que você estuda este assunto? Vai passar um fim de semana fazendo um curso sobre luto? Trabalhamos com o mais horrível? Continue lendo »

Habitar o Não-Lugar

*Por Cristiane Dias

A cidade contemporânea é delineada por um espaço muito particular para o qual migram cada vez mais os sujeitos de nossa sociedade: o não-lugar, um espaço “inqualificável”.

Para desenvolver o conceito de não-lugar apoio-me na reflexão de Marc Augé. Para esse autor o não-lugar não inscreve a identidade, nem a relação, nem a história, pois a história é aí reduzida à informação, a identidade a um conjunto de descrições numéricas, como o número do cartão de crédito, da identidade, do passaporte etc., e a relação com o outro é reduzida à espetacularização (tela, video-câmeras, televisão). Nessa perspectiva, o não-lugar demanda um usuário: “definido por seu destino, a soma de suas compras ou a situação de seu crédito, o usuário dos não-lugares anda ao lado de milhões de outras pessoas, mas está só e são os textos (painéis, discos, vídeos) que se interpõem entre ele e o mundo exterior”. Continue lendo »

A Teoria do Fluxo: Abertura Para a Felicidade no Dia-a-Dia

*por Angelita Scardua

A felicidade – ou pelo menos a busca pelo entendimento de sua natureza – tema que tem ocupado a mente de inúmeros pensadores ao longo da história humana no campo da Filosofia, vem encontrando nas últimas décadas um espaço singular nas pesquisas acadêmicas de maior afinidade com as Ciências Sociais. Nos Estados Unidos da América e na Grã Bretanha, mais acentuadamente que em outros centros, os temas em torno da felicidade têm proliferado no meio acadêmico de maneira progressiva, e isso pode ser quantificado pelo volume de livros e artigos sobre o tema publicados a partir do final da década de 90. Esse recente crescimento na produção acadêmica sobre a felicidade, ainda pode ser constatado pela criação de um periódico totalmente dedicado ao tema: o Journal of Happiness Studies. Continue lendo »

Tempo Livre, Lazer e as Transformações Socioculturais

*Por Maria Izabel de Souza Lopes

“Nada (…) nos pertence, só o tempo é nosso” (Seneca – A amizade)

Já há algum tempo vem-se alertando sobre os efeitos da velocidade na vida profissional e social. Fazer tudo rapidamente dá uma sensação de que não se deve perder tempo. Reportagens que abordam excesso de trabalho, consumismo, felicidade, qualidade de vida revelam novos problemas e novas soluções. Todos os problemas apontam como vilão o trabalho, seja o excesso ou a falta dele. Continue lendo »