Imagens do Tempo

*Por Peter Coveney e Roger Highfield

A desgraça havia me ensinado a ruminar assim: Que o Tempo vai chegar e fugir com meu amor. Esse pensamento é como uma morte que não consegue fazer outra coisa senão lamentar e possuir o que teme perder.”

William Shakspeare

O tempo é uma das maiores fontes de mistério para a humanidade. Pela história afora os seres humanos sempre se sentiram intrigados e inquietos com a natureza profunda mas inescrutável sua. É um assunto que cativou poetas, escritores e filósofos de todas as gerações. Mas parece que não cativou tanto os cientistas modernos. A ciência contemporânea (e a física em particular) procurou reprimir, senão eliminar, o papel do tempo na ordem das coisas. O tempo já foi descrito como a dimensão esquecida. Leia o resto deste post »

Máscaras do Tempo

Mecanismos pelos quais o cérebro percebe a passagem do tempo evocam princípios da física enunciados na teoria da relatividade e na mecânica quântica

Por *Marcus Vinícius C. Baldo, **André M. Cravo e ***Hamilton Haddad Jr.

Ao longo da história, questões acerca da origem e do significado da vida, da criação do Universo e livre-arbítrio têm roubado o sono de filósofos e cientistas. A indagação sobre a natureza do tempo, entretanto, parece ser o questionamento mais cotidiano e familiar. Considerado em suas diferentes acepções, o tempo está em toda parte: no calendário da parede, nos diversos relógios que pautam nossa vida, no nascer e no pôr-do-sol, nas fases da lua, nas estações do ano, bem como em nós mesmos – quando sentimos fome ou sono durante o dia ou testemunhamos no espelho as marcas da passagem dos anos. Antiga preocupação filosófica, mais recentemente o tempo passou a ocupar também a mente dos cientistas, interessados em medi-lo e compreendê-lo. Para enxergarmos com clareza suas múltiplas faces, é necessário encarar o tempo igualmente sob múltiplos ângulos. O desafio depende de um esforço conjunto do qual devem participar filósofos, físicos e neurocientistas. Leia o resto deste post »

Esticando o Tempo e Voltando ao Passado

*Por Roberto Belisário

Boa notícia para os atrasados e os apressados: é possível “dilatar” o tempo, de forma a transformar um dia em dez dias, e também viajar ao passado e depois voltar ao presente para contar a história! Não é ficção: trata-se de possibilidades teóricas previstas pela física moderna. A dilatação do tempo acontece corriqueiramente na física subatômica; viagens para o futuro acontecem de forma natural e automática em viagens aéreas, ainda que através de intervalos de tempo minúsculos. Viagens para o passado são ainda apenas previsões teóricas, mas há quem aposte que aparecerão espontaneamente casos microscópicos e raros de “máquinas do tempo” naturais dentro do LCH, um acelerador de partículas que entrará em operação em maio de 2008. Leia o resto deste post »

Calendários e o Fluxo do Tempo

Horas são definidas com o uso de relógios atômicos, de altíssima precisão, mas o calendário continua relacionado a fenômenos astronômicos, como a rotação da Terra e seu movimento em torno do Sol.

*Por Oscar Matsuura

O calendário é um sistema de contagem de dias inteiros que deve manter sincronia com algum ciclo relevante da natureza, para o controle quantitativo da passagem do tempo a longo prazo. Ele se concretiza na folhinha de parede, nas agendas etc. O nome vem de “calendas” que era o primeiro dia do mês para os romanos. Uma promessa para as calendas gregas só seria paga no dia de São Nunca. Em geral, todos os calendários são astronômicos, isto é, baseados no movimento aparente de astros. O movimento diurno do Sol define o dia solar cuja duração, na média anual, corresponde às 24 horas dos relógios comuns. Desde sempre ele regulou nosso descanso e atividade, a ponto de termos incorporado o ciclo circadiano. A contagem de intervalos de tempo mais curtos que o dia é feita por subdivisões como a hora, o minuto e o segundo de tempo, com instrumentos como a clepsidra, a ampulheta, o relógio ordinário etc. Leia o resto deste post »

O Tempo e o Destino

*Por Angelita Corrêa Scardua

Na mitologia grega Cronos é o deus do tempo e das estações, mas ele não era a única referência imaginária que os habitantes da Grécia utilizavam para classificar o tempo, Kairos era a outra. Significando “o momento certo” ou “oportuno”, Kairos opunha-se ao tempo cronológico, este tempo sequencial que medimos por quantidades: em dias, números e horas. Kairos corresponde ao tempo existencial, à qualidade da experiência vivida e, nesse sentido, equivale a um momento indeterminado no tempo em que algo especial acontece. Por sua natureza adaptativa e circunstancial, Kairos era central para o pensamento sofista. Os sofistas acreditavam que a vida bem vivida dependia da capacidade de uma pessoa para se adaptar e tirar proveito da mudança e das circunstâncias contingentes. Essa diferenciação da vivência do tempo, entre qualitativo e quantitativo, é também utilizada na Teologia, onde Kairos é definido como o “tempo de Deus” enquanto Cronos é o “tempo dos homens”. Leia o resto deste post »

O Sentido do Tempo

Nosso cérebro recebe e interpreta informações com um ritmo particular, com base em referências mais ou menos realistas.

*Por Alberto Oliverio

Cada um de nós possui uma espécie de relógio interno que determina, por exemplo, a agilidade com que digitamos as teclas de um computador, a cadência da fala ou a velocidade com que um pianista converte uma partitura em som. Em todos esses casos o cérebro recebe e interpreta informações com um ritmo particular, com base em referências mais ou menos realistas. Leia o resto deste post »

A Experiência Psicológica da Duração

*Por César Ades

Ensa ezzamân uezzamân yensâk
Esquece o tempo que ele te esquecerá

Em O milagre secreto, Jorge Luis Borges conta a história do escritor checo Jaromir Hladík que, trazido diante do pelotão que irá executá-lo, no último instante vê o tempo paralizar-se, por um ano ou assim lhe parece, o suficiente para que possa compor a peça de teatro que muito ambicionava escrever. Na verdade, a execução não demora mais do que alguns segundos. A ficção apresenta, em forma limite, um dos aspectos curiosos da vivência psicológica do tempo, que é de esticar-se ou comprimir-se de acordo com o contexto de afeto ou ação, em desrespeito aparente ao tempo do relógio. Leia o resto deste post »