A Experiência Religiosa e a Vivência da Felicidade

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Por Angelita Corrêa Scardua

Quando recorremos à psicologia para tentarmos explicar a experiência humana como um fenômeno integral – isto é, interpretar a condição humana como uma confluência de eventos subjetivos e objetivos – é possível pensar que os recursos psicológicos que desenvolvemos para nos adaptarmos ao mundo externo são, em parte, resultado da projeção de conteúdos internos da nossa psiquê.

Dessa forma, tais recursos funcionariam como uma defesa contra a ansiedade gerada por nossa dificuldade de enfrentar os desafios oferecidos pelo mundo externo. Assim, a religião, a cultura, a arte, a ciência, o mito, o folclore etc., seriam resultado desse mecanismo adaptativo ao qual podemos chamar de Imaginário.

Esses recursos adaptativos são, por sua vez, necessários à manutenção da saúde mental. Isto porque, ao projetarmos neles aspectos internos e inconscientes, criamos maneiras de elaborarmos as experiências que transcendem a nossa capacidade de análise e compreensão consciente. Essa elaboração, ao expandir a capacidade de assimilação e vivência dos mundos interno e externo, nos possibilita sentir a vida como significativa e digna.

Sendo assim, ao relacionarmos o significado da nossa vida aos conteúdos imaginários,  nos deparamos com um tópico especialmente sugestivo para a felicidade humana, que é a experiência religiosa.

O envolvimento com algum tipo de fé, que não inclui necessariamente a vinculação com uma organização religiosa formal, tem aparecido como prognosticador de felicidade em vários estudos sobre o tema. A análise de dados, obtidos em pesquisas feitas em diversos locais do planeta, aponta para o fato de que:

os sujeitos que se reconhecem como felizes também apresentam maior envolvimento com a parcela da vida atribuída à busca de sentido espiritual. Independentemente da vertente religiosa à qual o sujeito se sente afiliado.

Contudo, se por um lado, uma ênfase no aspecto espiritual da vida pode parecer prognosticadora de felicidade, por outro, essa mesma ênfase não garante a uma pessoa uma vida feliz.

Sendo assim, o que desponta nos estudos sobre felicidade é que ter uma “vida espiritual ativa” – que se expresse nas práticas cotidianas e não apenas nos ritos pré-definidos dogmaticamente – aparece como elemento facilitador da vivência de felicidade ou, na ausência dela, como alívio para uma vida não satisfatória e  como fonte de esperança num futuro melhor.

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