Habitação Sagrada

habitao-sagrada


Um estudo sobre os significados religiosos das habitações


Por David Phillips

Revista Antropos – Volume 1, Ano 1, Novembro de 2007


(…)a habitação, com os seus arredores artificiais, é essencial à expressão da auto-identidade de uma sociedade. (…)uma tendência que é universal, de que a habitação não é considerada apenas em termos utilitários mas também como um mecanismo cultural para relacionar os seus habitantes socialmente e metafisicamente ao mundo.


(…)a habitação, como o foco da vida da família nuclear ou estendida, relaciona todos os aspectos da vida em conjunto – nascimento, educação, trabalho, matrimônio, alimento, descanso, recreação e morte – como uma participação no cosmo material e imaterial.


A habitação é a forma normal da socialização do indivíduo e também a contribuição do indivíduo para a manutenção dos valores e as visões da sua sociedade. (…)


Uma função importante da habitação na socialização é a inculcação de relações de afinidade pela diferenciação do espaço. A habitação quase em todo lugar é o relicário do processo de procriação entre um homem e uma mulher, até em sociedades polígamas. As relações derivadas são do mesmo modo articuladas por graus de privacidade e limiares. A habitação integra a família na sociedade e a sua concepção do mundo prevalecente.


O ser humano é relativamente “inacabado”, em comparação com outros animais em sua natureza biológica que não o equipou na hora do nascimento com um modelo de comportamento instintivo. O homem tem de produzir um mundo governado por ele. “Só em tal mundo produzido por ele é que pode localizar-se e realizar a sua vida” (Berger, 1967:6). Assim, a habitação como sendo a casa da criança é todo instrumento de envolvimento “do acabamento” da socialização do indivíduo. Isto é igualmente verdadeiro em crenças religiosas especialmente se isso representar uma subcultura dentro de uma cultura cada vez mais secular ou pluralista.


A integração tanto com a natureza como os seus poderes com o sobrenatural é realizada pela habitação porque se considera que estes são acessíveis pela habitação e a vida dentro dela preenche as obrigações da pessoa. O contato primário pode ser por causa da família e sua lealdade ou por causa de alguma característica da estrutura, como a lareira. Na maior parte das culturas, a habitação acaba sendo o ponto de mediação do cidadão com o transcendente, e não as construções religiosas especializadas. (…)


(…)A atividade humana em relação ao sobrenatural é muitas vezes definida em termos dualísticos explicitamente ou implicitamente representados na diferenciação do espaço pela habitação, separação das relações ou funções de diferentes salas ou lados da lareira. Também no contraste do interior e exterior, tornando a entrada e a saída da habitação atos de afirmação de valores sociais e também muitas vezes religiosos.(…)


Onde há uma cosmologia mitológica desenvolvida, esta muitas vezes é refletida na consideração da habitação como um microcosmo do universo. Viver corretamente é fazer da vida dentro da habitação uma miniatura do papel da humanidade dentro do mito e manter a boa ordem do cosmo. O sobre-humano é trazido à escala humana para que possa haver resposta humana correta para ele. A habitação, em sua função utilitária, é construída à escala humana, e por isto o mundo também se torna a habitação do homem.


A casa como um símbolo e um sistema de símbolos é um produto da externalização da visão da sociedade no mundo e se torna o significado chave à sua internalização nas mentes e comportamento dos membros da sociedade (Berger, 1967:15). O objetivo é a harmonia entre o pensamento e a vida do homem com o mundo que o confronta. A habitação é a ponte entre os mundos mental e empírico. Esta relação pode ser idealmente simbiótica (Raporport, 1969:75).


(…)Do mesmo modo, a ingenuidade humana pode produzir estruturas muito diferentes de materiais semelhantes. (…)Raporport definiu um fator de criticalidade entre as exigências ambientais e a variedade de escolhas de desenhos que são de fato feitas segundo os fatores sócio-culturais. Mas até à maior parte das estruturas utilitárias ainda pode ser dado um significado cultural e simbólico. Muitas características sofreram uma modificação da interpretação com a alteração política e social.


Uma habitação fornece um grau definido de controle ambiental que faz uma diferenciação do espaço dedicado à menor unidade social para participar da ordem social e cósmica da sua sociedade. A programação cultural é muito importante para o homem (Geertzl, 1966:7), um sistema de símbolos torna a vida com sentido, trazendo coisas de significado universal a estarem integradas no particular e privado.


Isto resulta nos imperativos da conduta humana estando embutida no indicativo das coisas, como a habitação. O “dever” é encontrado no “ser”. O resultado é que a habitação se torna um modelo dedicado ou sagrado, não apenas da realidade cósmica, mas também se torna um modelo para a realidade cósmica (Geertzl, 1966:8). O homem não apenas constrói a casa, mas também a habitação constrói o mundo do homem.


LEIA O ARTIGO NA ÍNTEGRA AQUI: REVISTA ANTROPOS

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